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Blog do Pensar a Educação

Luciano Mendes de Faria Filho

Enquanto vários movimentos sociais, boa parte deles com forte representação junto aos profissionais da escola básica, protestavam nas ruas contra o  Temer e suas políticas,  o governo  deu mais um golpe na democracia, cerceou o debate e cumpriu aquilo que o ministro havia prometido: editou a MP de Reforma do Ensino Médio. De uma só penada mexeu na carga horária total do EM, na formação de professores, permitiu que pessoas sem formação sejam docentes, mudou o currículo, a forma de financiamento etc.

A despeito de tudo e de todos que defendem que uma das qualidades da escola pública é, justamente, a possibilidade de participação dos sujeitos em sua construção, a MP dialoga muito diretamente com a Lei 5692, de 1971, ou seja, da Ditadura, ao retirar Filosofia, Sociologia e Artes do Currículo, com o agravante de retirar também a Educação Física, pela qual os militares…

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A Grande Questão

“Toda a questão se reduz a isto: pode a mente humana dominar o que a mente humana criou?”

(Paul Valéry, filósofo. 1871-1945)

Cayce Zavaglia: Estupendo.

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Arte em bordado realista que vira impressionismo que vira pintura que vira a gente

A jornalista Stephanie D’Ornelas traduziu, atualizou e colocou sua própria expressão na matéria sobre Cayce Zavaglia, cujo gênio levou a uma expressão artística original e de raríssima beleza. Se fosse retrato seria lindo. Se fosse pintura seria espetacular. Mas sendo bordado… É divino. E quando ela nos permite olhar o verso? E as pinturas (agora de fato) que imitam o bordado em frente ou verso? Incrível, incrível, incrível. As emoções, cores, e histórias dos retratados parecem saltar na gente, formando ligações com nossos próprios sentimentos.
Compartilho aqui a matéria, publicada originalmente por Marni Elyze Katz em inglês e depois retemperada por D’Ornelas em português… E uma reprodução ou outra a mais inseridas by me. Deleitem-se! (Arnaldo)

Embroidered Portraits by Cayce Zavaglia

Os retratos feitos pela artista americana Cayce Zavaglia parecem levar diversas pinceladas de tinta mas são incrivelmente produzidos apenas com linhas e agulhas. As peças bordadas da artista são feitas com muita precisão e riqueza de detalhes.

Cayce se considera uma pintora – sua formação é na área de desenho  – mas nos últimos doze anos ela utiliza as agulhas como principal instrumento de produção.

Ela afirma que seus estudos iniciais em outras técnicas deram a ela ferramentas para utilizar cores e formas, e traduzi-las através das linhas. A artista é autodidata na arte de bordar, e tem a mãe como inspiração – que foi quem a ensinou os princípios básicos de ponto cruz.

“Ao longo dos anos, tenho desenvolvido uma técnica de costura que me permite misturar cores e criar tonalidades que lembram as técnicas utilizadas na pintura a óleo clássica. A direção em que os fios são costurados imita a forma das marcas do pincel em camadas dentro de um quadro. Isso, por sua vez, permite a alusão de profundidade, volume e forma. Minha metodologia de costura faz fronteira com o obsessivo, mas me permite evocar visualmente interpretações pictóricas de pele, cabelo e tecido”, afirma a artista em seu site.

Alguns dos trabalhos são feitos com lã mais grossa, enquanto outros têm nível de detalhamento superior, com fios mais finos, como de algodão, seda e lã fina.

Alguns anos atrás, Cayce “descobriu” a parte de trás do seu trabalho – um mundo caótico de linhas que é formado enquanto ela cria o retrato. O verso de suas obras foi tema de uma exposição realizada no ano passado em Nova York, na Lyons Wier Gallery, que reconhece a beleza desses belos “acidentes”, verdadeiras metáforas da parte desorganizada por trás das aparências.

Algumas das telas ficavam no meio da sala de exposição para que os visitantes pudessem ver a frente e o verso.

 

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Cayce ficou tão intrigada com o lado reverso invisível de seus retratos, que decidiu inverter a lógica de seu trabalho: ao invés de usar linhas para imitar pintura, criou pinturas que imitam o verso de suas obras feitas de fios.

A exposição contou com um pequeno número de pinturas feitas em guache, e em acrílico . O resultado final não poderia ser mais interessante!

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Conheça outros trabalhos no google, no site oficial e no Instagram da artista…
Matéria original: Via/Via. Matéria da Stephanie D’Ornelas: http://followthecolours.com.br/art-attack/retratos-bordados-cayce-zavaglia/

 

Zavaglia em seu estudio (Bônus…)

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SHIEM - Escola de Shiatsu

“Se sua formação em Shiatsu não te ofereceu a virtude da ponderação, há algo errado com ela.

Se sua formação em Shiatsu não te ofereceu a inclinação à candura e a comunicação amorosa, há algo errado com ela.

Se sua formação em Shiatsu não lhe trouxe generosidade e sintonia com a Abundância, há algo errado com ela.

Se sua formação em Shiatsu não foi capaz de te fazer um ser humano melhor,

Isso é algo sobre o qual você precisa refletir, pois sua formação não está completa”.

Arnaldo V. Carvalho

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sweeney

O barbeiro demônio retorna em alto nível

Em curta temporada, montagem do diretor João Gofman emociona plateia e traz aos palcos cariocas o gênero comédia-terror

 

Por Arnaldo V. Carvalho

 

No pequeno teatro da Biblioteca Parque Estadual, no centro da cidade do Rio de Janeiro, um seleto público se emocionava na estreia de Sweeney Todd: O Barbeiro Demônio da Rua Fleet.

 

Conhecida no Brasil principalmente através do filme hollywoodiano de Tim Burton (estrelado por Johnny Depp e Helena Bonham Carter), a história do barbeiro tem origem no século XIX, publicada em jornais dedicadas ao gênero da época. Mas ficou mesmo conhecida do público atual através do musical da Brodway que modernizou o roteiro e já teve dezenas de versões e montagens.

 

Esse musical vai agradar a um público maior do que os fãs do gênero: quem aprecia enredos que misturam comédia e horror encontram no Sweeney do diretor João Gofmann uma refinada combinação, onde é possível se arrepiar segundos antes ou após uma bela gargalhada.

 

Das sombras do bosque para o terror doentio da cidade

 

Ano passado João Gofman e o Utópico brindaram o teatro carioca com a divertidíssima montagem de Into the Woods. Com um elenco de primeira e muitas inovações cênicas, foi sucesso de público e crítica. Da experiência super bem sucedida, que encheu o principal teatro da UERJ, Gofman preservou talentos como a diretora de arte Evelyn Cirne, que parece ter alcançado seu ponto alto, com um figurino impecável e um cenário funcional e criativo, e ao mesmo tempo com a dose de vazio necessária ao abrilhantamento dos atores e seus personagens. Também o jovem versionista Victor Louzada, que em poucos anos tem se mostrado o mais profícuo e competentes dos tradutores de musicais, o que é uma arte rara. Gofman também avançou no processo da preparação de atores, que levou seis meses intensos, sobre os quais o diretor previu aqui. E finalmente, deu a virtuosa Roberta Galluzzo, que protagonizou Chapeuzinho Vermelho na peça anterior, um papel de donzela “fora de padrão”, compondo um dos trunfos de originalidade da peça: personagens repaginados e prontos para o mundo da diversidade.

 

Ousadia do diretor: aposta em talento, sem preconceitos

 

Uma donzela “fofinha” (gordinha não tem que fazer só a engraçadinha, e pode sim fazer drama e viver romances), Sweeney e Lovett protagonistas londrinos encarnados em atores negros (negro pode ser protagonista, e inglês não tem que ser branco), um bedel, também negro, magro e grandalhão (normalmente o personagem é retratado como “o gordinho baixo, atrapalhado e arrogante”). Ao inovar na desconstrução dos estereótipos emprestados aos personagens durante décadas, e optar por talento acima de aparências, o resultado final do trabalho do diretor é oferecer a plateia um universo de personagens clássicos com novos e incríveis temperos. Incrível como um detalhe tão sutil conta pontos em uma sociedade que finalmente permite-se a discutir sobre preconceito, intolerância e inserção social.

 

Não bastassem boas ideias, o elenco possui um trio de talentos de tirar o fôlego. Muita atenção aos intérpretes de Sweeney, Juiz e o algoz do barbeiro demônio, Pirelli. Juntos, roubam a cena uns dos outros, o tempo todo. Porque são simplesmente divinos, completos. Em voz e movimento. Atores de nível profissional, que poderiam estar atuando nos melhores teatros do país ou fora. Porque cantam, dançam e interpretam como se os papeis tivessem nascidos para eles. Mérito do diretor, deles próprios ou da sinergia entre todos? Creio que todas as respostas se aplicam. Talvez se reclame que o ator que faz Sweeney Todd seja um pouco jovem para o personagem, que certamente não é jovem. Mas garanto: dê a esse grupo mais recursos e o pecado da juventude do personagem se desfaz já não mais só no vozeirão e banho de expressividade do ator Dennis Pinheiro – maquiagem e luz sofisticada custam caro.

 

Para quem gosta dos detalhes por trás de tudo, a peça possui coro e orquestra ao vivo, e é de tirar o fôlego.

 

Eu fui no primeiro sábado. O que dizer? Encanto. Para mim, foi uma noite inesquecível, em que me diverti muito. Os mais críticos poderão talvez reclamar de limitações na iluminação (o teatro possui dificuldades técnicas importantes que impedem um trabalho melhor), ou de certa imperfeição no cantar de Miss Lovett, mas o todo é tão bom, os personagens e texto são tão incríveis, a música, os músicos e os atores são talentosos que tudo o mais compensa. Aliás, a atriz Jéssica Freitas, ao interpretar Lovett, é tão deliciosamente natural, com uma movimentação no palco e uma interpretação tão maestral, que é capaz de brincar até com seus erros, transformando o que poderia ser seu ponto fraco em motivo para mais risadas – e aplausos.

 

É muito difícil ir aos extremos entre drama, comédia, horror. E essa trupe – Utópico Coletivo de Teatro – consegue tirar isso da peça. Para além da encenação, profundo respeito com o público: peça começou na hora, tempo de intervalo enxuto, mimos especiais na saída (não conto!).

 

Adorei mesmo e pretendo ver de novo enquanto é tempo.

 

Sweeney Todd: O Barbeiro Demônio da Rua Fleet está em cartaz na Biblioteca Parque Estadual, no Centro da cidade do Rio de Janeiro, de quarta a sábado as 19H. Esta é a última semana.

 

Para saber mais sobre a peça, endereços, etc.:

 

*   *   *

 

* Arnaldo V. Carvalho, blogueiro, terapeuta, meio politizado e meio artistizado, pai, escritor e crítico do que vê e gosta.

 

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“A segurança humana não é uma preocupação com as armas – é preocupar-se com a vida humana e com a dignidade” Mahbub ul Haq (Economista paquistanês, pioneiro da Teoria do desenvolvimento humano e criador do Relatório de Desenvolvimento Humano. 1934-1998)

Mais de U$1,7 trilhão são gastos por ano com o comércio de armas no mundo inteiro, uma média de U$230 para cada pessoa.

 

Estima-se que um gasto anual adicional de U$50 bilhões em serviços básicos poderia eliminar a inanição e a má nutrição em todo o mundo.

Outros U$39 bilhões por ano seriam suficientes para proporcionar educação básica a cada criança.

 

E U$35 bilhões por ano poderiam reverter a disseminação da AIDS e da malária.

Poderíamos suprir as necessidades humanas básicas de cada pessoa na Terra se U$100 bilhões –  menos de 6% dos gastos militares mundiais – fossem alocados para essa finalidade.

O que é mais seguro, o mundo fortemente armado em que vivemos atualmente ou um mundo em que todas as necessidades básicas das pessoas são supridas?

Transcrito do prospecto de divulgação da exposição “Da cultura de violência para a cultura de paz”, nesse momento ocorrendo na Biblioteca Parque, no Rio de Janeiro. Promovido por http://www.culturadepaz.org.br

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A transformação do espírito humano pela educação:

Exposição na Biblioteca Parque do Rio de Janeiro conversa sobre o tema

 

“Já que as guerras começam na mente dos homens, é na mente dos homens que as defesas de paz devem ser construídas” Preâmbulo da Constituição da UNESCO

A exposição “Da cultura da violência para a cultura da paz — Transformando o espírito humano” apresenta em painéis e imagens um raio-x da violência e suas muitas formas em nosso planeta, e propõe um movimento pela abolição dos conflitos, de pequenas atitudes bélicas (comentários maldosos por exemplo) ao uso de bombas atômicas. Além de imagens, frases inspiradoras se movimentam em direção a uma mudança de atitude humana geral.

Inaugurada em 2007 em Nova York, a mostra já passou por cerca de 250 cidades do mundo e fica em cartaz na BPE até 3 de setembro. A versão brasileira é pequena, mas muito bonita e sensível, e conta sempre com um voluntário da ONG BSGI – Associação Brasil Soka Gakkai Internacional. Daí a exposição ganha uma prounda dimensão humana. É ler os paineis, permitir-se ao afeto, e conversar um pouco sobre o tema.

Presente no Brasil desde 1960, a BSGI é uma associação originada no Japão segue um modelo filosófico apoiado no Budismo. A premissa máxima para uma sociedade melhor é a da educação para a paz, e é por isso que eles idealizaram a exposição. Saiba mais sobre a proposta de cultura de paz da BSGI: http://www.culturadepaz.org.br

De terça a sábado: das 11h às 19h.
Na Biblioteca Parque Estadual – Av. Presidente Vargas, 1261 – Centro, Rio de Janeiro

Recomendo!

Arnaldo V. Carvalho

 

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