Caçador de apócrifos de citações lúdicas (1)

Não, Platão não falou sobre jogar para conhecer alguém

Por Arnaldo V. Carvalho*


Pois é. Quem estuda ludicidade e jogos de tabuleiro está sempre a citar grandes pensadores da humanidade… Mas sem checar. Já tem tempo que implico com isso, como sabem…

Então vamos à algumas das mais famosas que, em exame, percebe-se serem falsas ou terem sido “forçadas”:

"Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversa". (atribuída a Platão)

De acordo com o site americano de verificação de citações “Quote Investigator“, a autoria é falsa. Eles explicam que a menção a essa frase, embora pitoresca, nem positiva é: em 1670 o manual de conduta “A Letter of Advice to a Young Gentleman Leaveing the University Concerning His Behaviour and Conversation in the World” [Uma carta de conselho a um jovem cavalheiro que deixa a universidade sobre seu comportamento e conversação no mundo], escrito pelo reverendo Richard Lingard, refere-se (negativamente) aos jogos de azar.

Cópia do livro republicado em 1907, explica que esse foi o primeiro livro publicado em Nova Iorque! Um manual de conduta dedicada a Lord Lanesborough, recomendando entre outras coisas a moderação nos jogos**.

Traduzo aqui o trecho onde se encontra a frase original, que aos poucos foi se modificando, passou por citação sem autoria, e em algum momento atribuiu-se a Platão:

Fique atento ao jogar dados ou jogos de azar com frequência ou de forma intensa, pois isso é mais cobrado do que os sete pecados mortais; você até pode se permitir uma certa quantia que seja tranquila para gastar no jogo, agradar os amigos e passar as noites de inverno, e isso o tornará indiferente ao evento. Se você observar a disposição de um homem ao vê-lo jogar (apostar), então aprenderá mais sobre ele em uma hora do que em sete anos de conversa, e pequenas apostas irão o levarão rapidamente às grandes quantias, quando então ele estará fora da proteção do Senhor.

Tradução livre do excerto citado no Quote Investigator, por minha autoria (Arnaldo)

Para dar crédito à dúvida, ainda busquei pelos textos de Platão disponíveis em língua portuguesa, e nada encontrei. O estudo do Quote Investigator, portanto, me parece completo, é fantástico e merece a leitura. Mas o básico aí está.

***


* Arnaldo V. Carvalho, pedagogo e terapeuta, estuda jogos de tabuleiro e suas aplicações educacionais. Seu mestrado em educação pesquisa o chamado “professor do tabuleiro”, ou seja, educadores que hoje se encontram envolvidos com abordagens pedagógicas lúdicas, com ou baseadas em jogos não eletrônicos.

** Em inglês, há uma diferença importante entre jogo (game) e jogar (play), sendo jogo [game] tanto substantivo como verbo; quando verbo, ainda mais no contexto em que o texto foi escrito, o jogo é especialmente associado ao jogo de apostas ou de azar.

Violeta Parra em animação emocionante

A vida da musicista e folclorista chilena Violeta Parra repassada em 20 minutos, mas com extrema sensibilidade nesta incrível animação:

Vale cada minuto!

Obrigado irmão Altamiro pela indicação!

Aprendiz de professor é um eterno curioso!

Aprendiz De Professor

Estive com a turma do Método Supera Niterói conversando sobre Curiosidade. A gravação perdeu o comecinho mas está lá a maior parte. Veja o vídeo diretamente no Face deles!

https://web.facebook.com/metodosupera.niteroi/videos/750227482203488

A chamada para o encontro foi essa:

Onde sua curiosidade foi se esconder?

“Curiosidade e Bem Viver na Terceira Idade”

O curioso terapeuta e pedagogo Arnaldo V. Carvalho aborda, de forma leve e descontraída, sobre essa arisca faceta humana que é um dos “motores do bem viver” e nos leva à saúde do corpo e da mente. Curiosidade é para todos, em todas as idades!

Dia 15 de agosto, 16h, via Zoom Supera Niterói

Nós do SUPERA Niterói preparamos um momento incrível para você! E o mais importante, no conforto da sua 🏠 casa! Vamos nos encontrar?

A gente se encontra lá!

NOTA MINHA:
Não dispensando o olhar crítico, não posso deixar de notar que os tipos físicos desse anúncio…

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Seminário online sobre jogos de tabuleiro modernos na aprendizagem reúne quatro feras da área

Na próxima quarta-feira dia 8, a Necto Gamificação promoverá um encontro ao vivo com especialistas no uso educacional do jogo de tabuleiro. Estarão presentes a pioneira Laíse Lima do Oficinas Lúdicas, da Bahia; Carolina Modanezi, game designer que dirige a editora Fagulha Jogos; Arnaldo V. Carvalho, pedagogo coordenador do LabJog e o proprietário da Necto, Jorge Nolasco, idealizador do 1º Seminário Online de Jogos e Gamificação (jun/2020).

O “Encontro com Mentores ao Vivo: Jogos de Tabuleiros Modernos na Aprendizagem” acontece às 19h00 do dia 08 de julho (2020), ao custo simbólico de R$9,90. Inscrições podem ser feitas pelo Sympla:

https://www.sympla.com.br/encontro-com-mentores-jogos-de-tabuleiro-na-aprendizagem__892449

Live sobre Michel Odent na próxima quarta-feira

Nessa quarta (24/06/2020) estarei nessa live com a obstetra Heloísa Lessa, grande autoridade em parto ecológico do Rio de Janeiro. Conversaremos sobre mais um tema referente às contribuições científicas de Michel Odent para a humanidade: a enorme abrangência e alcance de seu pensamento.

Conhecido por sua atuação no cenário do nascimento, Odent, que completa 90 anos agora em julho, segue altivo na busca por formular perguntas cruciais à vida humana; Para tanto, combina os mais diversos campos da ciência de forma surpreendente.

Odent não se absteve de discutir acerca de polêmicas e propostas revolucionárias impressas em livros de diferentes áreas do saber. Como exemplo, menções surpreendentes ao Homo ludens de Huizinga, à medicina oriental e A função do Orgasmo de Wilhelm Reich constam em suas diversas obras.

Saberes não científicos, porém, por vezes seguem como base de inspiração para Odent filosofar em torno de dados recolhidos e analisados em pesquisas realizadas pelas grandes universidades do mundo. Seus pensamentos não tergiversam deixando pontas soltas ou sem afluírem para algo prático: tudo converge para uma necessidade, cuja urgência é anunciada de forma cada vez mais impactante, a cada livro que escreve, a cada palestra que oferece.

A quem deseja entender a atualidade do longevo cientista e professor, basta dizer que seu último livro, publicado em fins de 2017, utiliza em boa parte citações de trabalhos científicos com menos de dez anos – com uma amostra significativa de artigos publicados menos de um ano antes de sua escrita. Sempre foi assim.

Para uma humanidade que ainda tenta entender “quem somos, de onde viemos e para onde vamos?”, a obra de Odent despe o Homo de sua cultura e oferece pistas fundamentais acerca de nossa natureza e a escolha por respeitá-la – em nome da sobrevivência da espécie.

Vejo vocês lá!
ARNALDO

O direito universal a produzir e contemplar

Blog do Castorp: Mia Couto - Falta de reza

(…) apenas para uma pequena minoria é possível combinar produção e contemplação. O mundo tem que ser virado do avesso para que esse direito de ação e introspecção seja privilégio de todos. Mas é preciso mais do que isso: é preciso interrogar essa ação e essa contemplação. Quando agimos é no interesse de quem? Na maior parte das vezes, agimos ao serviço de ditames sutis de um patrão invisível.
(Mia Couto, 1955-)

A falsa normalidade e o apogeu da alienação

O incêndio que mais me preocupa é da política ambiental e das ...

“(…) José Saramago falava dessa cegueira coletiva. As novas ditaduras já não precisam de ditadores. Usam-nos, depois de nos roubar a visão crítica do mundo. Ainda agora há apelos para voltar à normalidade (sair do isolamento social). A economia deve continuar, dizem. Mas que normalidade e que economia estamos a falar? Num país como Moçambique a aplicação cega das soluções implementadas em outros países seria um desastre social e humanitário de proporções gigantescas. A maior parte da nossa sociedade sobrevive na esfera da economia informal. Essa economia continua a ser invisível aos olhos dos governantes, ainda que ela ocupe a maioria da população”.

(Mia Couto, 1955-)

Tinha de ser Mia Couto!

Mia Couto – Wikipédia, a enciclopédia livre

“Nós quase nada sabemos sobre os vírus e as bactérias. E essas duas entidades são a base da própria vida. Dizemos que essas criaturas são invisíveis apenas porque nós não as podemos ver. Chamamos-lhe de micro-organismos. Custa-nos a admitir, mas quem controla a existência e a evolução da vida são essas criaturas ditas invisíveis. Não somos nós. Essas criaturas estão, nesse sentido, mais próximas de Deus do que nós”.
(Mia Couto, poeta e biólogo 1955-)