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Em seu livro “O que é História Cultural”, Peter Burke declara, a respeito dos estudos da Nova História Cultural (NHC, os estudos combinados da historiografia e da antropologia dos anos de 1990 para cá) acerca do corpo:
Se existe um domínio da NHC que hoje é muito próspero, mas que pareceria quase inconcebível uma geração atrás, este é a história do corpo”.
Fiz questão de copiar o trecho do livro a respeito do tema, repleto de referências de autores importantes, para compartilhar com vocês leitores e os interessados em conhecer mais esse corpo-cultura-história da humanidade. (Arnaldo)
A história do corpo
Se existe um domínio da NHC que hoje é muito próspero, mas que pareceria quase inconcebível uma geração atrás —
em 1970, digamos —, este é a história do corpo. As raras contribuições feitas nesse campo em décadas anteriores eram pouco conhecidas ou consideradas marginais.
Da década de 1930 em diante, por exemplo, o sociólogo-historiador brasileiro Gilberto Freyre estudou a aparência física dos escravos tal como registrada em anúncios de fugitivos publicados nos Jornais do século XIX. Observou as referências às marcas tribais que revelavam de que parte da África os escravos provinham, às cicatrizes dos repetidos açoitamentos e aos sinais específicos do trabalho, tais como a perda de cabelo em homens que levavam cargas muito pesadas na cabeça. Da mesma forma, um estudo publicado em 1972 por Emmanuel Le Roy Ladurie e dois
colaboradores usou os registros militares para estudar o físico dos recrutas franceses no século XIX, observando, por exemplo, que eles eram mais altos no Norte e mais baixos no Sul, diferença de altura que quase certamente se deve a diferenças de nutrição.
Em compensação, do início da década de 1980 em diante, uma corrente cada vez maior de estudos concentrou-se nos corpos masculino e feminino, no corpo como experiência e como símbolo, nos corpos desmembrados, anoréxicos, atléticos, dissecados e nos corpos dos santos e dos pecadores. A revista Body and Society, fundada em 1995, é um fórum para historiadores e sociólogos. Já se dedicaram livros à história da limpeza dos corpos, da dança, dos exercícios, da tatuagem, do gesto. A história do corpo desenvolveu-se a partir da história da medicina, mas os historiadores da arte e da literatura, assim como os antropólogos e sociólogos, se envolveram no que poderia ser chamado de “virada corporal” — como se já não houvesse tantas viradas que os leitores correm 0 risco de ficar tontos.
Alguns dos novos estudos podem ser mais bem descritos como tentativa de reivindicar outros territórios para o historiador. A história do gesto é um exemplo óbvio. O medievalista francês Jacques Le Goff inaugurou 0 campo; um grupo Internacional de acadêmicos, de classicistas a historiadores da arte, contribuiu também, enquanto um ex-aluno de Le Goff, Jean-Claude Schmitt, dedicou um trabalho importante ao gesto na Idade Média. Schmitt percebeu o crescente interesse pelo tema no século XII, que deixou um corpus de textos e imagens que lhe permitiu reconstituir gestos religiosos, como rezar, e gestos feudais, como armar um cavaleiro ou prestar homenagem a um
senhor. Ele argumenta, por exemplo, que rezar com as mãos postas (e não com os braços abertos) e também se ajoelhar para rezar eram transferências para o domínio religioso do gesto feudal de homenagem, ajoelhar-se diante do senhor e colocar as mãos entre as dele.3
Um exemplo vindo da história russa mostra como é importante prestar atenção histórica a diferenças aparentemente pequenas. Em 1667, a Igreja Ortodoxa Russa cindiu-se em duas, quando um conselho reunido em Moscou apoiou inovações recentes e excomungou os defensores da tradição, mais tarde conhecidos como “velhos crentes”. Uma das questões em debate era se o gesto de abençoar deveria ser feito com dois dedos ou três. Não é difícil imaginar como os historiadores racionalistas de épocas posteriores descreveram tais debates, encarando-os como típicos da mentalidade religiosa ou supersticiosa, distante da vida real e incapaz de distinguir 0 significante do insignificante. No entanto, aquele gesto mínimo implicava uma escolha importante. Três dedos significavam seguir os gregos; dois, manter as tradições russas. Citando mals uma vez Bourdieu, ‘ia identidade social está na diferença’ .
Outros estudos sobre a história do corpo também desafiam suposições tradicionais. Por exemplo, o livro de Peter Brown The Body and Society (1988) ajudou a solapar a visão convencional do ódio cristão ao corpo. O mesmo foi feito por Holy Feast and Holy Fast (1987), de Caroline Bynum, discutido anteriormente (ver p.67) como exemplo de história das mulheres, mas igualmente importante por Sua discussão sobre o corpo e o alimento como meio de comunicação.
Como observou Roy Porter, um dos pioneiros do campo, a rápida ascensão do interesse pelo assunto sem dúvida alguma foi encorajada pela disseminação da Aids, que chamou a atenção para “a vulnerabilidade do corpo moderno”. O aumento do interesse pela história do corpo segue paralelo ao interesse pela história do gênero (ver p.65-6). No entanto, as referências ao corpo presentes nas Obras dos teóricos discutidos no começo deste capítulo sugerem uma explicação mais profunda para uma tendência mais gradual. A discussão de Mikhail Bakhtin sobre cultura popular na Idade Média, por exemplo, tem muito a dizer sobre corpos grotescos e especialmente sobre o que o autor descreveu como “o estrato corporal inferior”. Na história de Norbert Elias sobre o autocontrole, estava implícita, se não explícita, uma preocupação com o corpo.
Na obra de Michel Foucault e Pierre Bourdieu, os suportes filosóficos do estudo sobre o corpo tornam-se visíveis. Como o filósofo francês Maurice Merleau-Ponty, Foucault e Bourdieu romperam com a tradição filosófica que remontava a Descartes e separava 0 corpo da mente, a ideia do “fantasma na máquina’ como descreveu galhofeiramente o filósofo inglês Gilbert Ryle.
O conceito de habitus, de Bourdieu, foi expressamente designado para cobrir o intervalo ou para evitar a oposição simples entre mentes e corpos.
Fonte: BURKE, Peter. O que é história cultural? Rio de Janeiro: Zahar, 2008, p. 94-97
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Como transformar imagens de texto em arquivos editáveis usando apenas a Internet?

Comparação de sites de OCR online revela como você pode fazer com que um texto escaneado possa voltar a ser texto de computador, sendo utilizável no Word e outros programas de edição de texto

Por Arnaldo V. Carvalho*

Os mais jovens no mundo digital talvez não saibam, mas há muitos anos (uns vinte) é possível escanear ou fotografar um texto, e depois usar um programa para converter essa “foto” em texto novamente. O nome disso é OCR, “optical character recognition”, em português: reconhecimento ótico de caracteres. Programas que reconhecem as letras nas fotos e a “traduzem” de volta para o formato digital se aperfeiçoaram muito com os anos, e chegam a reconhecer textos de imagens não muito nítidas, com distorções, etc.

Os softwares são antigos, mas a qualidade varia muito. E agora, eles concorrem com os sites que também oferecem OCR, inclusive de forma gratuita.

Tanto em programas como em sites, em geral, a tecnologia funciona quase sempre rusticamente. Ela é apenas mais razoável quando a fotografia do texto está completamente plano, sem riscos ou poeiras, e em inglês (sim, os OCR precisam levar em conta o idioma utilizado na imagem para transformá-lo para caractere digital).

Dentre os programas, uma das melhores opções desde sempre é o Omnipage. Ele reconhece inclusive páginas com imagens e colunas, e é capaz de montá-la novamente, com todos os caracteres nos seus devidos lugares, preservando o que é imagem, e mantendo a diagramação dos textos.  Incrível, não? Mas além de não ser barato, para dominar bem pode levar um tempinho.

Assim, se você não tem tempo, e só quer recuperar o texto de umas poucas páginas digitalizadas, talvez deva saber que uma série de sites propõem uma solução simples via Internet. Eles se oferecem para fazer o serviço, quase sempre com alguma limitação, para apresentar um serviço pago mais completo.

Será que ele funcionam bem? Bem, eu testei diversos (16 no total) e cheguei a algumas conclusões. Confira aqui o meu teste comparativo. Vale dizer, a maioria dos sites é em inglês, embora ofereça dicionário em português.

Como preparei o teste

Fotografei um trecho do livro de Lynn Hunt, “Cultura e Classe na Revolução Francesa” (Cia das Letras). A página testada foi a seguinte:

Notem que há muitas distorções, sublinhados a lápis, etc. A qualidade da imagem, não tão boa, não torna fácil para uma máquina “enxergar” as letras.

Em todos os sites, ofereci a imagem desa página fotografada no celular (que salva no formato de arquivo .jpg). A qualidade da foto é razoável, mas com alguma distorção, pois como o livro é bem costurado, não abre completamente (e eu não ia estragar o livro).

Resultados

  1. http://www.free-ocr.com/:

Totalmente impreciso, pegou apenas uma linha onde se distingue apenas “a ascenção de Napoleão”.

.nos, a ascensão de Napoleão – a sllges’são’dà’m

Revblução, a ascenSãqç quçda dçfacçõcsforgmu

 

2. http://www.newocr.com/:

Apenas pequeno trecho, e com imprecisão, que melhorou um pouco quando marquei a caixa “Page layout analysis”.

2 Formas simbólicas da prática.
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3. https://www.onlineocr.net/:

Só executa o serviço um por um. Pelo que um preview no próprio site aparenta, ele é preciso mas só faz um trecho da página. Porém, quando pedi para baixar o conteúdo em formato word (.docx) ele enviou um arquivo defeituoso, ilegível.

2. Formas simbólicas da prática política

A queda da Bastilha, a fuga para Varennes, o massacre no Campo de Marte, o ataque às Tulherias, a queda da monarquia,dos gironelinos, de Robespierre, o expurgo dos realistas e dos jacobi-rios; a ascensão de Napoleão —a sucessão de momentos críticos da. Revolução, a ascensão e queda de facções foram vertiginosas. Cada evento requereu proclamações, pronunciamentos, relatórios e por fim festivais e revisões de festivais. Muitas interpretações diferen-tes são encontradas nessas intermináveis produções de palavras. Um instrutivo exemplo local pode ser visto em unia típica procla-mação de 1797. Nesse documento, o agente do governo (o comis-sário do Diretório Executivo enviado à administração &parta-mental) no departamento de lsère publicou seu comenLiric”’ficit sobre as reações locais ao recente expurgo na legislatura nacional. Mu hos deputados haviam sido » eleiÇãeS de dezenas de presos como supostos realtSb», e outros foram anuladas.

Vale comentar que outros testadores consideraram esse o melhor dos sites gratuitos.

4. https://finereaderonline.com/ ABBYY Finereader:

Essa é a versão online de um software clássico (embora badalado nunca foi tão preciso para o português como o Omnipage). Ele te dá uma mostra de dez páginas, desde que você se registre. E olhe lá. Mas coloca tudo num documento só – e você pode escolher entre vários formatos.

A precisão é média-boa.

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A queda da Bastilha, a fuga para Varennes, o massacre no Campo de N iarte, o ataque às Tulherias, a queda da monarquia, dos girondinos, de Robespierre, o expurgo dos realistas e dos jacobi- n0Sj a ascens^° ^apoleão—a sucessão de momentos críticos da

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5. i2OCR http://www.i2ocr.com/free-online-portuguese-ocr:

Prático e fraco.

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6. OCR CONVERT http://www.ocrconvert.com/:

Site de visual simplório. Não exibe a conversão no próprio site, você precisa baixar o .txt que ele criará. O resultado é péssimo.

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7. CONVERTIO https://convertio.co/pt/ocr/:

O único que te oferece uma interface inteiramente em português. Aparentemente é um conversor superior. Permite múltiplas páginas ao mesmo tempo (mas gratuito ele somente oferece 10 para teste), e a precisão é mediana. Ele permite que você salve uma página de cada vez em formato Word, ou todas em um arquivo compactado .zip – que não deu certo para mim (abre-se uma página mas ele simplesmente não salva).

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Usando Drive + Google Docs para fazer o OCR

Da série “Google pensa em tudo”… Pois é, também dá para fazer o trabalho de converter direto em uma imagem de texto que esteja no seu drive. Ao abri-la, ele te dá uma opção no topo de “abrir com”. Então ele pergunta se você quer conectar mais aplicativos. Clique aí e peça para ele conectar com o docs. Saia da imagem, e volte ao drive. Agora é clicar com o botão direito em cima do arquivo, e então pedir para ele abrir no docs.

Ele produzirá um documento que inclui a imagem como imagem, e abaixo a versão dela em texto. A qualidade é média.

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Outros sites de OCR – REPROVADOS

Bom, depois desses testes todos em sites de baixíssima precisão, a paciência esgotou, e para não tirar a do leitor, nem vou mais colocar aqui o resultado do teste ou comentários. Os sites que ainda testei – e reprovei – são:

http://www.cvisiontech.com/online-tool/ocr-convert-compress-pdf.html

https://www.ocrgeek.com/convert-ocr.php

Passei ainda pelos sites:

http://www.convertpdftoword.net/, http://www.to-text.net/, http://www.convertimagetotext.net/, http://www.verypdf.com/online/ocr-converter.php, https://www.labnol.org/software/convert-images-to-text-with-ocr/17418/

mas esses aí simplesmente não convertem imagem .jpg (apenas arquivos PDF) ou houve algum outro problema que impediu testar.

O MELHOR DE TODOS

Agora, o melhor de todos, que foi na verdade o terceiro ou quarto que testei mas deixei para o final:

OCR SPACE https://ocr.space/:

Sensacional! Embora a interface em inglês, ele é fácil de usar, e converteu uma imagem pobre como essa que ofereci aos conversores de maneira bastante positiva.

****** Result for Image/Page 1 ******
2. Formas simbólicas da prática
política
A queda da Bastilha, a fuga para Varennes, o massacre no
Campo de Marte, o ataque às Tulherias, a queda da monarquia, dos
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Muitos deputadoshaviam sido presos como supostos realistas,
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sobre de sua fuga da ira dos
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Esse site me deixou tão satisfeito com a conversão que fiz outros testes e ele respondeu sempre de forma ótima. Em breve vou publicar aqui uma análise com tutorial exclusivo em português sobre ele e outros recursos oferecidos gratuitamente pelo mesmo desenvolvedor.

Conclusão

A grande maioria dos sites é péssima. Apenas concorrem mesmo o OCR Space, o conversor do Google e o OnlineOCR. Talvez dê para dar algum crédito ao ABBYY e ao Convertio. Mas eu não perderia meu tempo. OCR Space e no tira-teima OnlineOCR ou Google caso a imagem já esteja lá no Drive.

Espero que o comparativo seja útil para quem está procurando um recurso como esse!

***

Arnaldo V. Carvalho, terapeuta e educador adora compartilhar o que aprende e pode ser útil a outras pessoas.


Fontes de pesquisa

Também li alguns artigos de testadores como

http://www.online-tech-tips.com/cool-websites/convert-image-to-text-using-free-online-ocr-software/

http://www.makeuseof.com/tag/4-free-online-ocr-tools-put-ultimate-test/

https://research.googleblog.com/2015/05/paper-to-digital-in-200-languages.html

https://www.oxhow.com/free-online-ocr-services-to-convert-images-to-text/

http://listoffreeware.com/list-of-best-free-online-ocr-services/

https://www.labnol.org/software/convert-images-to-text-with-ocr/17418/

 

Veja também:

Como converter PDF em arquivo Word editável

Outras Dicas de Computador e Celular o Arnaldo

A busca mais perfeita

Há cerca de vinte anos, comprei em um sebo um velho livro, bem rabiscado, e com um pequeno recorte de jornal nele esquecido. Por algum motivo, nunca o tirei de lá. Mas também não me interessei a ler.

Recentemente, busquei uma referência nesse velho volume, e dessa vez, o fragmento não passou incólume. Era uma pequena nota de Joyce Pascowitch falando da livreira esotérica Lili Guimarães (1946-), então dona da Livraria Spiro (fechada há alguns anos). Após apresentar a empresária ao público, Pascowitch fez aquelas perguntinhas rápidas, que por vezes trazem pérolas preciosas. No momento, deixo vocês com apenas uma:

A busca mais perfeita é aquela…

– Que garimpa o amor.

Assim disse Lili Guimarães.

(Arnaldo)

PS: A coluna de Joyce trazendo um pouco de Lili Guimarães foi publicada na Folha de São Paulo, em 1996, e está disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/12/29/mais!/1.html

Aprendiz De Professor

Ao assistir esse curta, meus olhos se encheram de lágrimas. Meu mundo, o mundo do meu avô, o cinza que toma cor… Como eu vivi, como eu vivi essa casa de livros, em estantes desarrumadas, abarrotadas, em pilhas e mais pilhas pelos corredores de toda a casa… Deus sabe o quanto resisti a eles! Meus irmãos ávidos, eu de outro lado, preguiçoso, querendo mais ouvir, ou sentir, o que diziam deles… Mas lá estavam os literalmente milhares de livros, e seus títulos, autores, capas, temas. Tantos, tantos. Os de adultos, os para jovens e crianças, os específicos para os médicos da casa, para as mulheres da casa, para os homens da casa. Livros para entreter, para ensinar, e para sonhar. Estavam lá na casa onde cresci, e na casa de praia, e no apartamento-biblioteca. E aos poucos, meus livrinhos, oferecidos sem hesitação a qualquer sinal de atração de minha parte…

View original post mais 148 palavras

Despido ao público

Encenação baseada nos diários do fotógrafo Alair Gomes chega à sua última semana no Teatro Laura Alvin (Rio) emocionando a plateia

Por Arnaldo V. Carvalho*

Estive no último final de semana e recomendo a todos – independente de convicções sexuais, de conhecimento acerca da fotografia e da obra de Alair Gomes. Aliás, elegante,  e extremamente atual, “Alair” convida a se conhecer um pouco da personalidade do internacionalmente mais famoso fotógrafo brasileiro: Alair Gomes.

Se a proposta é interessante, a dramaturgia é uma pérola, do texto, passando pela luz, à interpretação apaixonada de Edwin Luisi.

Tudo isso está disponível apenas até domingo no pequeno e charmoso teatro da Casa de Cultura Laura Alvin, no coração de Ipanema.

“Alair” é sobre o corpo, o masculino, a paixão e a negação dos sentidos que nossa sociedade vive. Em 70 minutos, a plateia imerge no ritual hedônico de uma vida inteira, cuja leveza insustentável culmina em lágrimas e palmas pela força do personagem vivido por Luisi. Seu texto, construído a partir de registros de viagem e notas de diário pessoal de Alair Gomes, narra seu encantamento pela beleza energética do jovem masculino, suas formas e nuances. Ao longo da peça, apenas homens em cena. Todos são Alair, de algum modo: Alair e seus vislumbres.Image result for "alair gomes"

A escolha do roteiro é impecável: apresenta Alair, leva-o para sua viagem à Europa, mostra suas impressões de mundo a partir destas, e volta novamente ao Rio de Janeiro onde ele vive suas paixões artísticas, sexuais e afetivas.

Passeia, aos poucos por contrastes, do deleite à solidão, da luz nos olhos ao horror captado por uma alma de rara sensibilidade. Um exemplo: ao mesmo tempo que admirar com os próprios olhos a estátua de Davi mostra-se uma experiência divisora de águas, um encontro com a própria natureza Divina,  sua passagem pela Itália lhe leva ao Coliseu, onde Alair sofre e revela seu horror à violência, e à destruição do corpo humano, da vida, amplificada pela destruição em caráter de espetáculo.

Não pude nesse momento deixar de me remeter à paixão do pintor Renoir pela pele, pela beleza do corpo, e pela luz e sombra… Talvez porque o feminino seja o foco de Renoir, e o masculino o de Alair, no primeiro abundam as cores, no segundo, os tons e matizes entre o branco e o negro não permitem qualquer dispersão para além do objeto retratado. Objeto este que se torna puro desejo.

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Enfim, a peça tem ares de monólogo, embora o protagonista, interpretado por um ícone do teatro e da televisão brasileira, conte com a presença dos jovens André Rosa e Raphael Sander, a cumprir de forma irreprimível seus seus papéis múltiplos como “os rapazes de Alair”. A escolha dos dois foi acertadíssima: Rosa exibe um corpo praiano, esculpido, cabeleira típica dos anos 80, é o masculino a negar o próprio narcisismo. Sander representa os que embarcam na trip de Alair, seduzidos mas ao mesmo tempo, iludindo e desiludindo o fotógrafo.

As cenas reproduzem de forma natural, e com belas passagens de cena, algumas das mais conhecidas fotos e sequências de Alair Gomes. Sua iluminação limpa de cores respeita a própria concepção de uma fotografia que procurou salientar detalhes corporais e enaltecer cada milímetro do corpo. Remete à sutileza, ao desejo, enquanto revela, constrói e joga os personagens em luzes e sombras, tal qual se caracterizava o trabalho fotográfico do artista.

Quem assistir perceberá um trabalho primoroso, de imenso respeito à Alair Gomes, sua vida e sua obra. Ao mesmo tempo, é uma ode ao masculino, a beleza da forma, o sagrado, e à juventude. A cereja do bolo é a consequência dramática de tanta paixão, que se constrói ao longo da trama-em-torno-de-si-mesmo de Alair… e denunciará a sociedade repressora e as negações experimentadas por quem nela é criada (é assistir para descobrir).

 

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Na noite em que estive lá, Edwin Luisi, visivelmente comovido, fechou sua atuação nos contagiando com seu pedido, para que ajudemos a peça, que não conta com patrocínio algum, a encher o teatro.

     – Com todo o prazer, Luisi! E salve Alair!

*  * *

PARA SABER MAIS E IR À PEÇA:  http://www.casadeculturalauraalvim.rj.gov.br/programacao/alair/

 

*Arnaldo V. Carvalho é terapeuta, estudante de pedagogia, e adora compartilhar o que vê e gosta.

https://i0.wp.com/www.datacenterjournal.com/wp-content/uploads/2013/06/big-data61313.jpg

Para organizar seus arquivos espalhados por: computadores, celular, hd externo, pen drives…

Conheça os melhores programas de comparação e sincronização e livre-se da “bagunça virtual”

Arnaldo V. Carvalho*

Pois é, espalhou tudo: Você tem arquivos no celular, no computador, no tablet, no laptop, no HD externo, no pen drive. Alguns são quase idênticos – qual será o mais atual?

Quando a vida digital começa a ficar bagunçada demais pelo excesso de locais para armazenar arquivos, está na hora de uma faxina, e em seguida, adotar um programa de sincronização.

São programas que “olham” para o que você tem nos diferentes locais e vai coordenando as atualizações de um lado e outro, até que fique tudo atualizado e do jeito que te interessa.

O que você precisa saber sobre esses programas e o que eles precisam ter para você ficar segur@:

Como comentei, os programas de sincronia entre dispositivos olham os arquivos. O que torna o processo seguro é a existência da tecnologia “byte-to-byte”.

Comparação byte-a-byte: Esse programas de comparação e sincronização de arquivos têm muitos recursos e configurações. Mas para ser seguro eles precisam oferecer a comparação byte-a-byte entre arquivos antes de sincronizar. Byte a byte quer dizer que mesmo a menor alteração no arquivo será considerada – o que garante a exclusão acidental de, por exemplo, duas versões diferentes de um mesmo arquivo. Afinal, a máquina não tem como adivinhar qual você prefere.

Bi-direcional: Há sincronizadores que se prestam a transmitir alterações de A para B, por exemplo, do celular para o computador, e não ao contrário. O ideal é que ele seja bi-direcional, e qualquer alteração de qualquer dispositivo possa ser atualizado nos demais.

Tempo Real: Esse recurso faz com que qualquer inclusão, exclusão e alteração que você faça nos seus arquivos seja percebida pelo software de sincronização, que imediatamente atualiza os conteúdos dos outros dispositivos que também contém o arquivo. Útil sobretudo aos esquecidos.

Naturalmente, é desejável que o programa de comparação de arquivos tenha versão em português, seja livre de propagandas, e consiga sincronizar tanto offline quando online, com diferentes dispositivos.

A escolha do melhor programa

Como hoje em dia a oferta é imensa, custei um pouco para tomar a minha decisão. Busquei indicação em sites especializados, li análises e comentários, fui nos sites das empresas.

Os aplicativos que ficaram numa “finalíssima”, antes de minha escolha foram:

Pagos:

Liuxz: Esse eu entrei por propaganda paga no google. Parece ser confiável e mais simples de usar que os demais. Só que não testei e não vi comentários de usuários.

Goodsync: Esse é um software que embora pago tem ótimas referências de usuários na Internet. Não paguei porque acredito haver um opensource de qualidade, mas o valor não é caro para um software que cumpre o que promete (gira por volta dos 30 dólares). A vantagem de um software pago é a clarza, a facilidade de usar, e o suporte (normalmente em inglês).

Grátis (freemium e opensource)

Aplicativos “freemium” são geralmente ofertados por empresas que não ligam se o usuário doméstico utilizar seus produtos. O alvo da versão paga são as empresas. Assim, disponibilizam o programa completo para uso caseiro. Já o Opensource são programas produzidos por comunidades de programadores, e geralmente são gratuitos, vivendo a comunidade de donativos espontâneos.

Syncbackfree: Bem falado, fui ao site, que é honesto e mostra as diferenças entre a versão paga para empresas e a gratuita.

Allways Sync: Parece muito bom, versão free parece ótima e confiável.

Synchredible: Aplicativo alemão em lingua inglesa. A versão free é exatamente igual a comercial, só não dá suporte. Parece mesmo excelente. Por pouco não fiquei com eles.

PureSync: Foi o segundo mais mencionado por especialistas. De fato é grátis para usar em casa. Na página da empresa as explicações são muito claras e ele faz tudo o que eu pessoalmente busco.

FreefileSync: Essa foi a minha escolha de software. Muitos especialistas recomendando, centenas de usuários satisfeitos em diferentes páginas de download, comunidade ativa e software atualizado recentemente, possibilidade de uso em português, e faz tudo o que preciso. Além disso é leve e não traz propagandas escondidas!

Para um guia rápido de uso, recomendo os links abaixo:

Fora isso, é dar a dica: instale em todos os seus dispositivos logo e nunca mais morra de dúvida para saber se “está tudo lá” no seu equipamento. Com o FFS estará tudo lá, em todos os lugares.

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* Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, cidadão. Fuçador de coisas de computador e tecnologias afins, costuma compartilhar com o mundo suas descobertas e conquistas no mundo cibernético.

Agradecimentos: A Wikipedia tem um verbete só sobre esse tipo de programa e tabelas interessantes me ajudaram a decidir e mesmo escrever este artigo:

https://en.wikipedia.org/wiki/Comparison_of_file_synchronization_software

Lamento pelas quedas

Lamento pelas quedas

Arnaldo V. Carvalho*

Toda e qualquer polarização, onde há um “vencedor” e um “perdedor”, o Todo perde. Perdemos sempre. Tornamo-nos piores.

Não comemoro quedas: Collor, Cunha, Garotinho, Cabral… Não comemoro a captura de bandidos, corruptous ou assassinos. Não comemoro punições de qualquer ordem. Sempre que esses episódios ocorrem, que uma realidade hedionda vem a tona, me entristeço. A humanidade perdeu de novo. Ter que prender e punir é a materialização da incompetência da sociedade em construir bases éticas, materiais, afetivas, psíquicas, sociais, entre os seus.

Com os anos, fui deixando de achar graça em irônias, escárnios, comemorações ácidas de derrotas, mesmo de “inimigos” (veja meu artigo sobre a “risada sem graça” de Michel Temer). Eu realmente só lamento, lamento muito. Sinto tristeza por esses políticos. Sinto, como dizem agora os jovens, “vergonha alheia”. Chegaram a lugares de poder muito altos. Podiam ter feito tanta coisa a mais e melhor… Podiam ter sido mais felizes e feito tanta gente mais feliz.

Mas não. Especulo que não foram gerados ou nascidos com amor, nem amparados nos contornos necessários ao nascimento. Fato: não foram criados com amor ou limites (o que dá no mesmo). É isso: pessoas assim parecem não ter senso de limite – e talvez por isso estejam incapacitados de amar.

É preciso um mundo que pare de precisar prender. É preciso um ser humano que não sinta necessidade de roubar ou matar. É preciso, é urgente, que a gente encare de forma um pouquinho menos resignada, e mais madura e responsável, o fato de que vivemos uma sociedade que cria esse tipo de gente, com tamanhos distúrbios de caráter – e tantas instituições espelhadas nessa que é uma intensa psicopatia humana.  Combater uma sociedade que, como um diz Tomio Kikushi, é mais do que louca: é enlouquecedora.

A saída, a grande virada, não está na escola ou na família, no governo ou na iniciativa privada: está no coração de cada um. Nele, e só nele, há a capacidade de escolha pelas doses amorosas de auto-limites, que cada um precisa se dar, em nome da Vida dos outros.

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* Arnaldo V. Carvalho, terapeuta, pai, cidadão.

 

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