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Tempos de Prece (5)

Não é no que se acredita, mas o que se faz com o que se acredita. Boa segunda.

Touch, touch me Lord Jesus With Thy hand of mercy Make each throbbing heartbeat Feel Thy power divine Take my will forever I will doubt Thee never Oh, cleanse, cleanse me dear Saviour Make me wholly Thine Guide, Guide Me Jehovah Through this veil of sorrow I am saved forever Trusting in Thy love Bail me through the current O’er the chilly Jordan Lead, lead dear Master To Thy home above Bail me through the current O’er the chilly Jordan Lead, lead dear Master To Thy home above

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Marielle Franco, 6 meses

Ah, Marielle… Seis meses sem rosto e sem o rosto de quem te fez isso e mandou fazer.

Teu rosto-sorriso persiste em nossas almas.

Teu grito de dor e denúncia ecoa em nossas almas.

Te dou, Marielle, memórias de um cativeiro que persiste, que persiste com teu-nosso povo, o povo irmão que é um só, o do explorado.

 

Ainda não entendeu o Caso Marielle? /

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521126920_282592.html

Artigo publicado na ONU, bem resumido:

https://nacoesunidas.org/artigo-marielle-franco-democracia-legado-e-violencia-contra-as-mulheres-na-politica/

Matéria da assessoria de imprensa da Anistia Internacional, transcrita pelo Prof. Pedlowski:

Seis meses após assassinato de Marielle, Anistia Internacional cobra solução do crime

Um pouco do que Marielle fazia trabalhando como vereadora, antes de sua morte:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/08/16/O-que-dizem-os-projetos-de-Marielle-Franco-aprovados-no-Rio

 

Blog do Pedlowski

A imagem abaixo mostra os deputados federais do Rio de Janeiro que chamaram a PEC do teto dos gastos (também conhecido como PEC fim do mundo), e que são cúmplices do presidente “de facto” Michel Temer na situação de terra arrasada que resultou no incêndio do Museu Nacional.

deputadosDestacados na imagem estão Índio da Costa, candidato do PSD a governador do Rio de Janeiro, Jair Bolsonaro, candidato a presidente pelo PSL, e  Paulo Feijó, deputado do PR que até onde eu saiba continua circulando livre, apesar de sua condenação em última instância pelo STF.

Examinar como cada um dos deputados do Rio de Janeiro votou nesse caso e em tantos outros nos ajuda a entender como estão mal representados e, mais ainda, porque não se deve dar votos nessas figuras em 2018.

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Uma de minhas últimas fotos do MN, na minha ida de 31 de julho de 2018

Infâncias, gerações e um museu.

Arnaldo V. Carvalho

Sem que eu soubesse, minha mãe investia pesado em minha educação. Me ofertou muitas experiências, e dentre elas, pude conhecer museus, exposições, parques, praias, arredores montanhosos, natureza, a leitura e o teatro. No terceiro dia de minha dor e de meu luto pela perda do Museu Nacional, desejo compartilhar lembranças sobre este que fez parte da construção de quem sou hoje. E particularmente, da melhor parte de mim. Esse melhor que me permitiu estender a experiência às minhas filhas.

Minha mãe me levou algumas vezes ao Museu Nacional quando eu era criança. Lembro bem de sua entrada, do meteoro imenso. Lembro dos três dinossauros na entrada do segundo andar. Lembro do caranguejo gigante – a peça que eu mais gostava. E lembro do medo que eu sentia das máscaras rituais indígenas (fugia da ala indígena por causa delas), e do fascínio das exóticas cabeças encolhidas e secas. Ah, havia o setor dedicado às civilizações americanas… Incas, Maias e Astecas, com seus potes, adornos, urnas funerárias… Também havia múmias ali. A mais impressionante era uma preservada de forma natural. Uma possível mãe e seu bebê num cesto ao lado jaziam no amor eterno dessa relação. Se foram juntas, deixando seus corpos percorrerem o tempo (séculos?) até que fossem tragadas pela tragédia do incêndio. Nem tudo ali precisava ser muito grande ou muito antigo. Meus olhos de criança recebiam a explicação de minha mãe sobre os potes de lombrigas e oxiúros, que me davam asco e uma real percepção de que não queria aquilo me habitando – reforçando assim a importância da higiene alimentar. As múmias egípcias (de gatos, jacarés e pessoas) me causavam terror e êxtase. Lembro que olhava a múmia deitada, com seus pezinhos semi-descarnados, bem “de pertinho”, pois não precisava me abaixar para estar na altura de seu corpo. E lembro delas em outra fase, onde já tinha quase o tamanho que tenho e ela andou bem mal cuidada. Sim, de muitas alas e peças, me lembro do cheiro. Um cheiro que não voltei a sentir em outra parte, nem em museus como Louvre e Prado. Era uma antiguidade própria. Esse cheiro agora é só uma memória.

De minha infância para cá, o museu havia crescido. Vinha no rumo de aprender a atrair, de se modernizar… Encontrou-se com um fabuloso artista paleontológico, colocou réplica de fóssil de tiranossauro, expandiu a ala dos dinossauros, preservou melhor a área de arqueologia, salvando as múmias que estiveram num grave sufoco em tempos anteriores. O meteoro que desde o começo abria a exposição agora apresentava a ala do início da formação da vida na terra com auxílio de um belíssimo painel cósmico para fotos e novos fósseis vegetais. A coleção de história natural só foi ficando mais arrumada e bonita. Um sambaqui apareceu em destaque numa bela ala, logo após a Luzia. O museu criou acessibilidade, montou uma pequena exposição tátil, enfim, foi criativo, ousado e organizado. Tentou seguir respirando e tocando as pessoas, mesmo quando já não tinha fôlego.

Minhas filhas, todas elas, eu levei o quanto pude. As maiores chegaram a conseguir fazer uma leitura madura de diversos pontos do museu. Cada um em seu próprio ritmo de aproveitar… Revisitamos o caranguejo gigante, que com as mais novas (com cinco anos), aprendeu a “falar”. As menores conversaram, aliás, com a “múmia princesa”, com a lhama empalhada, com os crânios do hominídeos que fazem parte da história humana. Elas conversaram com eles e descobriram que a realidade do tempo e do espaço é tão imensa.

Eu e minhas filhas tivemos um grande privilégio em termos tido acesso, em nossas infâncias, a um museu a resumir o planeta, seus tempos e espaços. Possivelmente a grande maioria de nossa população jamais terá uma nova chance de um encontro tão forte e fidedigno, “abridor de lata” da lata da mente.

Meu desejo mais profundo é que essas experiências de ida ao Museu Nacional, que pude deixar a elas, assim como minha mãe deixou em mim, siga lhes ajudando a serem pessoas melhores. Agora, cada um de nós terá de levar consigo o pouco que conseguiu. Quem sabe vestir um chapéu imaginário de arqueólogo e vasculhar a mente, em busca de novos detalhes por entre as lembranças.

***

Sou Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, cidadão.

Facebook autocêntrico

Pessoal, seguinte:

O Facebook resolveu se isolar e cortou a comunicação do meu blog e do meu twitter com ele mesmo.

O caminho para mante-los atualizados sobre meus movimentos, ideias etc., foi criar uma página para meu blog.

Convido a todos os amigos a curtirem mais essa página, que será alimentada por tudo o que escrevo no Blog e passar a publicar no meu novo canal do youtube (o pretensioso “Arnie Explica”): https://www.facebook.com/arnieexplica/

Abraços, Arnaldo

Externalizo minha tristeza e me solidarizo com todos os que hoje, como eu, não conseguiram dormir plenamente com a notícia trágica de ontem. O Museu ardeu em chamas, mas não por acidente. Foi assassinado, morte premeditada, publicamente anunciada e denunciada.
A imprensa que hoje ganha dinheiro de propaganda para “cobrir” a tragédia, não se sensibilizou enquanto o museu agonizou lentamente com a falta de recursos e verbas (não faltaram súplicas!). Estou fora do Rio e o meu desejo de voltar para casa e viver o luto é enorme. Parece com o sentimento de perda da Mariele; com a tragédia do Rio Doce; com os incêndios anteriores que transformaram em cinzas o acervo do Hélio Oiticica, o prédio da Reitoria da UFRJ, o edifício Wilton Paes de Almeida em SP.
Tristeza, desolação, raiva, revolta. Tantos sentimentos misturados e me pergunto: o que une tudo isso? Como meu coração liga a perda da Mariele ao Museu? Como ele liga a tragédia de São Paulo ao drama das famílias nos acampamentos de sem terras pelos quais passei ontem à tarde, nos arredores de um dos destinos turísticos mais badalados do Brasil? Luta, resistência, identidade, inconformismos, direitos de acesso. Tudo isso nos é espoliado no cotidiano e seguimos o fluxo de mãos atadas, censuradas. Frente às cenas de um prédio que abrigava o passado da humanidade, o presente de pesquisas científicas e o futuro das gerações que não conhecerão a riqueza do acervo perdido, me revolto quando assisto que, apenas nesse momento, quando tudo esta perdido, aí sim os historiadores, os antropólogos, os museólogos entre outros estudiosos do Museu, serem convocados para narradores dessa tragédia. Ironia fina. Modernidade líquida? Bauman talvez não tenha mencionado que o líquido não é só fluido, mas pode ser inflamável.

Nívia Pombo
Prof. Adjunta do Dpto de Historia do IFCH – UERJ

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O Museu Nacional se foi. Estive lá há pouquíssimo tempo. Pela última vez. Visitei o museu mais vezes que visitei qualquer outro espaço público fechado. O que havia lá, não havia em nenhum outro museu do mundo. Muitas peças únicas, muita coisa oferecida aos brasileiros sem que eles precisassem viajar para a Europa para encontrar peças do mesmo quilate. A história por parte de boa parte das peças, aliás, está ligada ao amor ao conhecimento por parte da família imperial, por um lado, e por outro, como as grandes conquistas da ciência brasileira, em todos os campos ligados à história da Vida da Terra e da Humanidade.

Com o incêndio, fica claro que o Estado Brasileiro não está muito longe de realidades como a do conflito que arrasou o Iraque e destruiu uma parte significativa das obras do museu de Bagdá, ou as declaradas destruições de monumentos históricos por talibãs no Afeganistão: os números de mortos que apresentei há uns anos em meu blog e que superam os de locais assolados por guerras, agora se somarão à dura realidade da destruição de nossa memória, nossa cultura, nossa identidade.

Quando já nos aproximamos de meio século de vida, temos mais noção do que nunca do que representa um século, dois, três… Pudemos observar tantas transformações, tantos lugares desaparecerem ou se transformarem… Infelizmente, posso dizer que, de tudo o que observei mudar no país, vi muito pouco que de fato tornasse o que temos de melhor  bem cuidado, e menos ainda tornando o que temos de pior um pouco melhor.

Meu repúdio a todas as autoridades, a todos os ricos pobres de espírito, a todos os que tem poder e nada fazem, a todos os que não se importam. Meu repúdio ao egoísmo e a ignorância. Estou, mais uma vez em tão pouco tempo de luto. Na “Guerra Brasil”, morrem pessoas, lugares… Agoniza, a cada dia, a esperança.

Arnaldo V. Carvalho

PS: Estarei nos próximos dias reproduzindo aqui diversos artigos, comentários e observações que retratam fragmentos do que foi esse descaso, esse absurdo, esse descalabro.

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