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Vida, morte e magia

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A seguir, texto de Ana Francisca Ponzio e matéria de sua autoria publicada no caderno Modo de Vida, do Jornal da Tarde, em 10 de abril de 1986, quando Kazuo Ohno esteve no Brasil pela primeira vez.

“Quando Kazuo Ohno veio ao Brasil pela primeira vez eu começava minha carreira no jornalismo. Em bons tempos do Jornal da Tarde, meu primeiro emprego na área, eu escrevia para um dos novos cadernos do jornal, o Modo de Vida, editado por Maiá Mendonça.

Com sua arte absolutamente nova para mim e para a maioria (ou todos) que o viram em sua estreia em São Paulo, Kazuo Ohno provocava um misto de estranhamento e profundo fascínio. Claro, gerou inúmeras influências e tornou-se uma enorme referência, além de artista muito querido entre os brasileiros. Outro fato que chamava a atenção: naquela época Ohno estava com 80 anos e no auge. Em cena, tinha o frescor de um adolescente.

Agora, diante de sua morte aos 103 anos, reproduzo abaixo o texto sobre o workshop de Ohno que, para mim, também foi uma espécie de estreia. Publicado em 10 de abril de 1986, pelo Modo de Vida do Jornal da Tarde, contém tudo o que ele falou naquele encontro com artistas. Na época, preferi colocar em texto corrido o que ele disse – como se não quisesse interromper o que eu e toda uma plateia absolutamente encantada ouvíamos. Ao mesmo tempo, seria a chance (e ainda é) de difundir um pouco daquele encontro para os que não tiveram o privilégio de estar lá”.

Segue o texto:

Vida, Morte. Magia.

Kazuo Ohno é uma mistura delicada de criança, adolescente, homem e mulher. Por mais estranheza que sua dança cause aos olhos ocidentais, em poucos minutos consegue arrebatar o público. Talvez porque na sabedoria que transmite em seus movimentos, sintetiza a frágil essência da existência humana. Em sua breve passagem por São Paulo, esse octogenário artista japonês conquistou todas as plateias. Consciente do poder que exerce sobre as pessoas, sem pronunciar uma palavra, ele destila carisma em cada gesto.

No workshop realizado anteontem no Teatro Anchieta, aberto para bailarinos, atores e mesmo alguns curiosos, Kazuo Ohno surgiu no palco descalço. Com a maquiagem habitual, cabelos desfiados, sua roupa reduzia-se a uma fina malha de balé. Nas mãos, trazia uma flor branca de papel com a qual, às vezes, escondia o rosto, num trejeito maroto. O público, já familiarizado com sua figura, mais uma vez não economizou aplausos e, por sugestão de um apresentador improvisado, o ator Raul Cortez, cumprimentou-o em coro com um efusivo arigatô. Ladeado pelo filho – frente às calorosas manifestações paulistanas, Yoshito Ohno já esboça sorrisos em seu rosto impassível – e um confuso intérprete, ele declarou: “Nesse momento estou feliz. Lastimo não poder ficar mais tempo entre vocês, mas agradeço a afeição e compreensão que me dedicaram. Quem deve dizer arigatô sou eu”. 

Com a paciência de um velho contador de histórias, disposto a tentar explicar a técnica butô, durante quase uma hora Kazuo desfiou reminiscências filosóficas. Falou da vida brotando no ventre materno. “Esse minúsculo ser, embora microscópico, vibra com intensidade máxima”. Aos poucos, o que parecia uma aula de biologia, semelhante à sua dança, envolveu a atenção de todos.

“Quando a concepção acontece é porque houve a colaboração de milhões de espermatozóides. Os não aceitos são eliminados, como num processo de seleção natural. Quando pensei nesse assunto pela primeira vez, fiquei extremamente entristecido. Percebi que eu era o produto de apenas um espermatozóide. Esse fato me chocou durante anos. Não me conformava: incontáveis seres potenciais tinham perecido. Hoje, acredito que todas essas vidas estão presentes num ser humano. Não posso separar minha existência daquelas que pereceram e que continuam habitando em mim.”

“Do início dos tempos até os dias de hoje, o ser humano lutou para sobreviver. Sozinhos, não conseguiríamos travar essa batalha desesperada. Uma aliança vital está marcada no interior de cada um.” 

“Ambos se influenciam, o que nos rodeia – ou macrocosmo e o que existe no interior de cada ser humano – ou microcosmo. Recebo influências de todas as forças cósmicas, tudo é símbolo de vida.” 

“Vivo com os mortos. Acredito que todos os seres humanos que já existiram estão vivendo em mim atualmente. Em outras palavras, para mim isso significa criatividade.”

“Acredito em dois tipos de criatividade: uma cerebral, através do pensamento, imaginação, invenção. Outra, através da percepção, quando sentimos esses outros seres dentro de nós. Em mim, a presença desses mortos ajuda-me a sobreviver. Eles vivem e criam, participam do meu dia a dia. Creio também que crescem e se desenvolvem junto comigo. Minha força se exprime através deles, que me ajudam e às vezes me castigam também.”

“Sou uma pessoa egoísta e exigente. Entretanto, acredito que esse não seja um egoísmo gratuito mas uma satisfação íntima, que impele um ser humano em busca de alguma coisa. Nesse sentido, ser exigente e egoísta não faz mal a ninguém.”

“Butô é como um espaço pequeno, porém infinitamente grande e infinitamente pequeno ao mesmo tempo. É como se fosse um peixe em água turva, para enxergá-lo é preciso muito esforço. Como a dança que, antes de chegar a um momento de explosão, requer muita paciência.” 

“Através do contato com o útero, o embrião recebe amor. Quando suga a energia da mãe, esse movimento que, de certa forma, reproduz uma bomba de sucção, representa o ritmo do universo. Esse ritmo é como uma música que se pode sentir com o corpo, enquanto se dança. Aquele que está começando a estudar butô deve retirar sua experiência sentindo o movimento dessa força cósmica.” 

Depois dessa simbólica conversa, junto com Yoshito, Kazuo dançou uma seleção de excertos durante mais uma hora. Antes, anunciou: “Meu filho é também meu pai. Eu me refiro a ele como meu pai-meu filho e a mise-em-scène é dele”. Com movimentos naturais, econômicos, expressivos, sem um mínimo de tensão, Kazuo Ohno dançou dando a impressão de que qualquer outra pessoa pode fazer tudo o que ele faz.

No final, embora se dispusesse a um debate com o público, o artista dava a entender que quaisquer considerações mais objetivas seriam irrelevantes. Quando alguém lhe perguntou se suas coreografias obedecem a uma marcação, com começo, meio e fim ou mesmo improvisações, respondeu: “Nasci sem memória. Tudo que dancei ontem já esqueci hoje”. Para outra questão, um tanto provocativa, sobre os efeitos cósmicos de uma bomba atômica, rebateu: “É uma arma de extermínio mas acredito que um homem, particularmente quando dança, pode sentir a mesma carga de energia”. 

Para quem ainda exigia explicações plausíveis sobre butô, ele completou: “Butô significa sentir e perceber a vida”. Pouco preocupado se havia ou não convencido a plateia com tais teorizações, ele despediu-se com a alegria de uma criança. Como sempre, tinha o público inteiro nas mãos.

FONTE: http://www.conectedance.com.br/memoria-viva/kazuo-ohno-morre-aos-103-anos/

Links para Kazuo Ohno

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Olá amigos,

Muitos estão curtindo saber mais sobre o Butô e o mestre Kazuo Ohno. Separei aqui um conjunto de links e indicações de livros lindos sobre o tema, para facilitar o encontro.

Que desfrutem! (Arnaldo)

Livros:

Writing on Drawing: Essays on Drawing Practice and Research: Por Steve Garner

 The Wise Body: Conversations with Experienced Dancers Por Jacky Lansley,Fergus Early

Na Internet:

 https://patricianoronha.com/2008/04/04/segundo-kazuo-ohno/

http://alfarrabio2.blogspot.com/2008/03/exposio-kazuo_25.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Kazuo_Ohno
https://pt.wikipedia.org/wiki/Butoh

Por Arnaldo V. Carvalho

Os motoristas de Uber tem sido atacados com frequencia, e por vezes também passageiros e pessoas totalmente nada a ver com a história (confundidas com motoristas Uber!). Ontem, um amigo que opera o serviço por pouco não teve o carro destruído por esses que são os verdadeiros bandidos.

A verdade é que, desde que o Uber chegou ao Rio de Janeiro (em 2014), os taxistas sairam de “falar mal” para tentar, a base da força, impedir esse tipo de serviço. Só para ilustrar, em abril desse ano eles fizeram a vida dos cariocas se tornar um pequeno inferno por um dia, bloqueando pistas vitais, causando tumulto em áreas fundamentais da cidade… Com esse ato, mostraram que os taxistas hostis não são “casos isolados”, mas muitos. Conquistaram em definitivo a antipatia das pessoas daqui, inclusive a minha. Em julho, os taxichatos resolveram exibir cartazes dizendo que “não iriam permitir Uber nas Olimpíadas“. Aliás, um dos locais com maior índice de vandalismos contra o Uber – o aeroporto Santos Dumont vem tornando-se uma espécie de “símbolo” desse movimento.

Image result for lounge uber santos dumontA Uber investiu com um Lounge bacana no Shopping anexo ao aeroporto (mais um ponto para eles), e ontem os taxivândalos foram lá e quebraram tudo. Isso mesmo, invadiram o Shopping e tomaram a rua em frente ao aeroporto, com direito inclusive a motoristas mascarados (usando camisas no rosto para não serem identificados), portando pedaços de pau e xingando Deus e o mundo. Foi lá em frente que meu amigo e muitos motoristas de passagem (inclusive que não são Uber) foram agredidos.

 

Acham que é novidade? Ontem mesmo fiz uma pesquisinha para ver como anda o grau de agressões oficialmente noticiadas, e é sinistro.

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Lounge Uber totalmente destruído pelos taxistas.

A verdade é que agora, a antipatia virou medo. Tenho medo dos taxistas, a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de quem está no volante de um amarelinho. Me desculpem os bons taxistas, taxi nunca mais. Vejo vocês no Uber!

***

 

lounge-uber

Por Arnaldo V. Carvalho*

Quebraram tudo. Há algum tempo, a Uber montou um lounge no Shopping Bossa Nova, anexo ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ontem, os taxistas resolveram protestar, entraram no Shopping e quebraram tudo. A motoristas que chegavam para desembarcar alguém, havia o risco de serem agredidos: um amigo muito próximo que trabalha como motorista de Uber foi cercado por quatro taxistas, que gritavam e chutaram o carro. Ele conseguiu acelerar e fugir, por pouco (situação RECORRENTE, verão abaixo). Outros três motoristas não tiveram a mesma sorte: tiveram seus carros depredados.

A polícia chegou depois mas até onde busquei informação, não há notícias de prisões. Os taxivândalos mancham a já precarizada imagem da classe profissional, que antes da chegada contra o Uber, já protagonizava episódios horríveis de brigas entre eles, carros dando fechada em outros para pegar um cliente na frente, motoristas malandros cobrando tarifas surreais na porta da rodoviária ou dos aeroportos, etc.

Agora esses verdadeiros bandidos se uniram “contra o Uber”. De 2014, há uma coleção de episódios de agressão e vandalismo contra motoristas, seus carros e, pasmem, seus passageiros.

Os tipos mais comuns de agressão são os que taxistas formam “bandos” entre três a cinco carros, cercam o carro, ameaçam, espancam e vandalizam o carro. As armas mais comuns dos taxistas agressores são pedras (a distância), paus (corpo-a-corpo), mas há uso de armas brancas e de fogo, chaves, ovos, materiais químicos e outros. Na agressão a passageiros, eles preferem mulheres e normalmente utilizam xingamentos misóginos. Quando podem destroem celulares. O local preferido das ganguetaxis são os shoppings e os terminais de outras modalidades de transporte: aeroportos, rodoviárias, e em menor escala, as estações das barcas.

Em rápida pesquisa por notícias dos últimos 12 meses, montei uma timeline de agressões de taxistas contra Uber denunciadas por jornais, baseadas apenas nas primeiras 100 referências do Google com a chave “agressão uber” (imagine se somarmos o que existe filmado no youtube, se formos além dessas referências, se entramos nos links relacionados, usamos outras palavras-chave, etc…). Se buscarem pelo ano de 2015 verão um panorama igualmente sombrio).

Janeiro

(São Paulo): Agressão no aeroporto

(São Paulo) Motorista agredido(1), carro destruído(2)

(São Paulo) Agressão a motoristas e passageiros

(Rio de Janeiro e São Paulo) Motoristas Uber agredidos nas duas cidades

Fevereiro

(Brasília): Homem confundido com motorista Uber agredido

Março

(São Paulo) Taxistas fecham e impedem Uber de seguir

Abril

(Recife) Estudante confundido com motorista Uber é agredido

(São Paulo) Vereador que representa taxistas agride diretor do Uber na Câmara

(Curitiba) Taxista tenta se passar por vítima

Maio

(Curitiba) Diversas agressões, cinco boletins de ocorrência…

(São Paulo) Enfermeiro confundido com Uber é agredido e tem carro depredado

Junho

(Brasília) Família atacada por ser confundida com Uber

(Brasília) Ameaçado e carro depredado

(Brasília) Novas agressões contra motoristas

(Rio de Janeiro) Confundida com Uber, mulher agredida com extintor de incêndio (!!)

Julho

(São Paulo) Motorista agredido e vítima de tentativa de assassinato

(Recife) Motorista e passageiras agredidas, carro vandalizado. 

(Belo Horizonte) Tiro de arma caseira contra o carro Uber

(Belo Horizonte) Taxista tenta forçar batida de carro da polícia confundindo-o com Uber

(Porto Alegre) Motoristas agredidos em audiência pública

(Porto Alegre): Motorista Uber esfaqueado

(Brasília) Motorista agredido

(Brasília): Taxista resolve “dar voz de prisão” a motorista Uber (!!!)

(Salvador) Relato de agressões contra motoristas Uber associadas a vista grossa das autoridades

Agosto

(Campinas) Carro apedrejado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido por taxistas de Mogi

(Goiânia): Taxistas tentam cercar um carro Uber e o motorista tenta escapar e acaba atropelando um deles

(Fortaleza): Passageira Uber denuncia agressão “estilo taxista” 

(Belo Horizonte): Motorista esfaqueado (outra matéria aqui)

(Belo Horizonte) Passageiros agredidos

(São Paulo) Motorista sequestrado e agredido

(Santos) Ação truculenta por ser confundido com Uber

(Salvador): Motorista agredido. 

Setembro

Não encontrei nessa procura (só em Portugal, onde a máfia do Taxi também pega pesado).

Outubro

(Salvador) Motorista Uber é espancado em emboscada 

(Salvador) Motorista espancado, carro roubado(!). Motoristas Uber protestam. (outra: aqui)

(Salvador) Atacado a pauladas; rosto desfigurado

(Brasília) Motorista espancado, carro depredado (mais: aqui)

(Santos) Motorista agredido e carro danificado (mais: aqui)

(Goiânia) Motorista agredido e carro danificado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido e saqueado

Novembro

(Porto Alegre) Agressão filmada

(Salvador): Taxistas protestam causando caos

(Santos):Policial confundido com Uber é ameaçado e se defende

(Florianópolis) – Agressão física no aeroporto (outra: aqui)

(Rio de Janeiro) –Lounge do Uber destruído, motorista agredido.

A quantidade de histórias não registradas demonstra, embora não se possa afirmar números, que a situação é ainda pior.

Em que país estamos? Por que os taxistas não cobram do GOVERNO redução de seus impostos, porque não dão descontos, não criam um sistema de classificação passível a suspensão, não se qualificam para um bom atendimento e tornam-se mais rigorosos com a qualidade dos carros? Que tipo de gente é essa que quer resolver na base da agressão física?

Atenção taxista decente, não permitam que manchem mais a classe de vocês. O inimigo não é o UBER, estão errando o alvo totalmente. Inimigo é o novo tempo, que EXIGE que o governo coma tanto dinheiro de vocês em impostos, que EXIGE que os passageiros sejam muito bem tratados e contem com bons preços. Vamos para frente, que talvez haja esperança!… Embora alguns já não acreditem mais nisso.

* Arnaldo V. Carvalho é cidadão brasileiro, mora no Rio de Janeiro, anda de Uber de vez em quando e nunca mais quis saber de taxi.

Blog do Pedlowski

Uma manifestação realizada por movimentos sociais e sindicatos foi reprimida duramente pela Polícia Militar do Distrito Federal na tarde desta 3a. feira (29/11), numa repressão que lembra os piores momentos da Ditadura Militar de 1964. 

Essa repressão toda em meio à discussões dentro do Senado Federal que conta com uma clara maioria para congelar investimentos públicos pelas próximas duas décadas, contraditoriamente, representa e explicita a falência do governo “de facto” de Michel Temer.  É que para começo de conversa, governo que tem o controle político da situação não precisa reprimir ninguém e, tampouco, com a ferocidade com que a perseguição aos quase 12.000 manifestantes se deu hoje em frente do congresso nacional.

É que essa repressão toda, com um congresso completamente controlado e submisso aos interesses dos grandes bancos e instituições financeiras que comandam a economia mundial, representa um reconhecimento tácito de que Michel Temer e seu governo “

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Generalizações ofensivas

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Por Arnaldo V. Carvalho*

Hoje fui atacado por um “xingamento generalizante”. Uma mulher que não conheço, pela rede social de um amigo, chamou generalizadamente os estudantes que se tem se manifestado contra a precarização da educação e toda a podridão ocorrendo no Rio de Janeiro de “petistas vagabundos”.

Sinto, mas nesse ponto eu e meu amigo (que replicou a mensagem da conhecida) temos posições opostas. Primeiro que não agrediria ninguém dessa forma. Segundo que nunca fui nem sou petista*, mas sou estudante de uma faculdade publica, casado com uma professora de universidade publica, e a ultima coisa que somos é vagabundos.

Não acredito em greves ou ocupações como saída real (na verdade ainda precisa surgir algum modelo pacifico, seguro e eficiente de resistencia politica-cidadã, eu, os demais estudantes e o mundo com certeza agradecerão boas sugestões!).

Mas sem duvida apatia, passividade, e resmungos interneticos nao podem vencer o rolo compressor que a maquina pública esta passando em cima das pessoas.

Desse modo, vejo as manifestações e reivindicações como legítimas, e torço para que mais brasileiros participem ou apoiem.

Em tempo, repudio vandalismos de toda a ordem. Inclusive xingamentos generalizantes como o da pessoa que atacou a mim e demais estudantes.

Segue aqui meu abraço de paz e o mesmo carinho de sempre para o meu amigo, a amiga dele, e todos vocês que me leem.

*   *   *

Arnaldo V. Carvalho, cidadão brasileiro, trabalhador e estudante, a acompanhar e participar ATIVAMENTE da sociedade em que vive e seus desafios.

* Notem bem, não é aí que está o xingamento! Não há problemas em ser ou em criticar o PT. Mas também não vale (para lado nenhum) vir com afirmações do tipo “petralha x coxinha”, como se ao adotar um lado tudo se santifica para este e tudo se demoniza para aquele. Não, não. Respeito as convicções políticas de cada um e, aliás, estou sempre aberto a ouvir os argumentos de quem defende ou adota posições fixas. Enfim, papo para outro momento, não cabe aqui nesse textinho! (Arnaldo)

Shiatsu, Butô e a longa dança da vida

Por Arnaldo V. Carvalho*

Há vinte anos, pude ajudar a cuidar, mesmo que por poucos meses, da saúde do Dr. Mario Negreiros, renomado endocrinologista de Niterói.

Havia passado por uma experiência de dança, e lá fui apresentado por sua filha ao Butô, a dança contemporânea japonesa, repleta de significado, expressão profunda, transpessoal, além da pequenez da alma do indivíduo, aproximado a energia cósmica que faz a dança celeste do infinito enamorar-se dos sutis e profundos anseios intraterrenos da mãe natureza de nosso planeta.

Hoje me deparo com a notícia do falecimento do pai da arte Butô, Kazuo Ohno, aos 103 anos.

Junto com ela, palavras de Ohno, a própria dança traduzida na limitação linguística que nos habita.

A dança que mexeu comigo há mais de vinte anos é passada como um filme dentro de mim… Todos os pas de deux que vivi, toda a dança que dancei para e pela vida, todo o Shiatsu que se efetua no Kanji da dança (Odori), afixado na parede de meu consultório (arte Shodo original da mestra Kazuko Hagiwara).

Sou dança. Sou shiatsu. Sou butô. Sou Cosmos.

*   *   *

* Arnaldo V. Carvalho é professor de Shiatsu e faz dele seu Butô e seu Do.

 

 

 

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