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Tentando votar direito (3)

– Tentando votar direito –

Critérios que uso na hora escolher em quem voto

Parte 2:

Já vimos que busco olhar para os candidatos sem idolatrias, buscando sua história, suas propostas e seus alinhamentos com pessoas, grupos e ideias. E também que minha escolha passa preferencialmente por políticos que entendam a sociedade como um todo, não somente defendam um trecho com o qual se identifique. É hora de esmiuçar cada um desses critérios, antes de continuarmos. Para isso, notem bem as preliminares conceituais de nossa realidade e como a vejo:

Direita e esquerda

Preciso acrescentar que também não enquadro imediatamente os candidatos segundo a noção que pode ser bastante ampla e subjetiva de “direita e esquerda” (não deixe de ler esse artigo)/(já escrevi um pouco sobre isso aqui). Para mim, a polarização é negativa, simplista, e atrapalha a percepção das pessoas e o diálogo, ao invés de ajudar. Rotular pessoas e sistemas é contraprodutivo e as vezes fico achando que tem muita gente que lucra com isso e a quem interessa “ver o circo pegar fogo” entre as pessoas e suas teorias enquadradoras e reducionistas.

Privilégios: sempre eles?

O país é declaradamente capitalista, mas que mistura elementos anteriores à república: preconceitos graves e diversos; desigualdade sem oportunidades equivalentes na base, clara confusão/mescla/associação entre os poderes governamentais, corporativos e midiáticos; crença na violência como forma de organizar, ordenar, progredir; cultura de privilégios – os historiadores que me rebatam como sempre fazem. Se não há uma cultura de privilégios oficial, há uma oficiosa, grave, e que está cada vez mais escancarada, com menos vergonha de mostrar sua cara. Está aí o “centrão”, as perigosas ligações entre juízes, partidos e políticos, etc… E os silenciosos reis “sem cara”, a fornecer os tais privilégios a que me refiro (empresários, do Brasil e do mundo). Claro que há diferenças: as posições são mais misturadas que antes. Um rei pode ser político, pode ser empresário, líder religioso, membro de um cargo alto da justiça. Pode ser tudo isso ao mesmo tempo, e flertar com outros reis, e jogar seus títeres para lá e para cá.

Afinal, quem são os titereiros por trás dos nomes que elegemos? Quem é o 1% mais rico que detem quase um terço de todas as riquezas do país? Isso é fundamental.

Raízes nefastas, liberalismo utópico, pseudosocialismo

Para quem não entendeu quando na introdução deste artigo, disse que gosto do jogo bem jogado, que fique claro o recado: é muito fácil quem teve acesso a comida, casa, educação, experiências diversas, falar em meritocracia. Compete com uma maioria absoluta de gente miserável, que não teve acesso nem oportunidades reais. Esse é um ponto fundamental: as velhas estruturas de poder comprometem demais a mobilidade social pelo mérito. E quanto a entrada equânime no jogo, disso não abro mão. Já que é para jogarmos um jogo, ou disputarmos uma corrida para algum lugar… Mas há medo, quem não é miserável morre de medo de uma competição ainda mais acirrada do que já enfrenta. Enfrentem seus medos, famílias não materialmente miseráveis! Quero ver o que fazem ante a um aumento de 80% nos números de concorrentes em concursos de atividades bem pagas… Quero ver quando os favelados tiverem acesso a boa escola, boa comida e ricas experiências de vida, o que farão quando virem o número de pessoas vagas crescer para 1000, 2000 para uma só. Quero ver quando negras e negros invadirem por mérito a bolsa de valores, quando os primeiros bilionários negros surgirem no país, terem seus carrinhos particulares nos campos de golfe (VIVA TIGER WOODS!) e os filhos estudando na PUC. A esperança de um liberalismo pra valer, que pode ser encontrado entre as premissas do MISES por exemplo, é injusta se essa base em comum não for antes corrigida.

Por outro lado, precisamos falar sobre pseudosocialismo. Essa palavra socialismo, aliás, dá muita confusão, como dá confusão as ideias de comunismo versus as práticas sociopolíticas tais como foram experienciadas nos países da cortina de ferro e seus seguidores (China e Cuba). É não se estudando os autores originais e a história de uma forma macro que as pessoas passem a acreditar que sistemas são piores do que outros per si; Quando o que conta, sempre, é a maneira como o sistema se exerce. Igualdade de direitos é uma premissa capitalista e uma premissa socialista – teoricamente falando. Se a igualdade de direitos não se aplicou em um regime, não é pela teoria, mas pelos valores pré-infiltrados nas pessoas. Isso aconteceu e segue acontecendo nos diferentes países, dos diversos sistemas. E é por isso que um “capital-socialismo de estado” como os que vemos acontecer nos países escandinavos consegue fazer com que o índice de qualidade de vida das pessoas por lá sejam os mais altos do mundo há anos. O que temos em termos sociais aqui é uma piada de mal gosto. Já virou cinza a conquista social do – doa a quem doer – governo Lula, que alavancou verbas para setores miseráveis, fez a pobreza chegar a universidade (viva Marielle!). Que fique claro: não votei no Lula (e nem votaria!) e discordo totalmente da maneira com que ele realizou os pontos positivos de seus governos (longa discussão), que se mostrou inclusive, como eu já dizia a todos na época das “vacas gordas”, insustentável. Então para medidas sociais, que coloquem todo mundo na corrida em condições competitivas – já que a escolha do país parece ser essa, é preciso muito mais inteligência, criatividade, empatia e estudo do que as manobras que são feitas. E não, não vale espremer o dinheiro da classe média e ajudar os pobres. A distribuição de renda passa por ajustes outros de fluxo financeiro, e outros de fluxo de mentalidades.

– Continua –

Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, cidadão.

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Amanhã começa o Ciclo de Palestras 2018 da Escola Alecrim, em Teresópolis, RJ. Vida, ecologia, consciência, energia, prazer, saúde e educação.

Grandes profissionais com grandes temas com a escola se abrindo para a comunidade, em atividades gratuitas, clima agradável e amor no coração.

Sou grato à escola e aos meus amigos Silvia e Cadu, pais da escola e organizadores do evento, pela oportunidade.

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O corpo, o que é?

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Diz o Mercado: o corpo é um negócio.

Diz a igreja: o corpo é um pecado.

Diz a Ciência: o corpo é uma máquina.

E diz o corpo: eu sou uma festa!

– Eduardo Galeano, jornalista e escritor uruguaio (1940-2015)

Tentando votar direito (2)

– Tentando votar direito –

Critérios que uso na hora escolher em quem voto

Parte 1: Quem o político deve representar?

É isso aí, temos que votar de novo.

Presidente COM vice, governador local, dois senadores, e dois deputados (um estadual e um federal). Como você fez suas escolhas? As minhas são baseadas numa combinação de valores, visão de vida e sociedade, e muita pesquisa. Então, para saberem como eu aplico essa combinação nos meus critérios de pesquisa, preciso falar um pouco sobre esses valores e visão de vida.

Eu acredito que o mundo social é movido por Ego, e que 100% das pessoas são egoístas. A diferença básica entre elas é que umas satisfazem seus egos através da felicidade alheia, e outras que encontram satisfação somente em si mesmas. A maioria das pessoas sente que a felicidade alheia é importante porque primitivamente somos animais sociais, ou seja, temos uma forte ligação instintual, somos de bando, de matilha, de alcatéia, de grupo (pleonasmo intencional). É isso o que nos faz “bons”, ou “capazes e afins à bondade”. O nome do sentimento que provoca isso é EMPATIA.

Essa crença pode parecer comum, e é fácil de sustentá-la pois há inúmeros artigos científicos sobre empatia, inteligência coletiva, vínculo/apego, ego, egoísmo e generosidade, etc. O que nunca vi em estudos, porém (me ajudem com isso por favor porque deve existir), é o limite dessa formação de bando, do ponto de vista individual. Ou seja, o quanto uma pessoa é capaz de enxergar quem está muito fora de seus laços óbvios – parentes, amigos próximos, colegas de profissão, etc. – como seus pares. E o quanto isso passa por criação?

Ou seja, qual é a capacidade de João de Deus, nascido na periferia de Salvador, querer que Quincas Welch, rapaz classe média seja tão feliz quanto ele, e vice-versa?

No plano da votação, a primeira pergunta que precisei me responder é: estou votando para sentir que minha cor, minha atividade profissional, minha faixa socioeconomica, seja contemplada, ou quero para todos?

Um amigo me disse nas eleições passadas que votaria em fulano porque ele ia cuidar dos interesses do bairro em que ele mora (zona sul, classe alta do Rio), e outra amiga me disse que votaria em ciclano porque ele era o candidato da categoria profissional dela.

São escolhas, e não as julgo. A minha, porém, é por gente que consiga olhar o macro da situação, consiga se distanciar de sua própria realidade, e enxergar o todo da sociedade, não apenas os setores que acredite me trazer retornos/benefícios mais diretos (isso é especialmente importante para os cargos executivos).

– CONTINUA –

Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, escritor, cidadão.

Link para a introdução deste artigo: https://arnaldovcarvalho.wordpress.com/2018/09/18/tentando-votar-direito-1/

 

 

Tentando votar direito (1)

Tentando votar direito

Papinho Preliminar

Está difícil votar. E isso eu tenho escutado de tanta gente! Para mim também está. Confio em  pouca gente, em cada vez menos gente no cenário político. Se um candidato (são raríssimos) vencer meus filtros de confiança, então parto pro planos das competências, ideias apresentadas, ações prévias executadas, e suas redes e conexões.

Não sou “de esquerda” – embora assim me acusem muitos amigos “de direita”.

Não sou “de direita” – embora assim me acusem muitos amigos “de esquerda”.

Não sou de um centrão negociador nem um centrão em cima do muro. Mas estou no meio na ideia de que necessidades individuais e coletivas precisam encontrar harmonia e serem atendidas da melhor forma possível.

Isso deve combinar com o fato de que há muito já não tenho idolatrias, não torço para times, não ofereço devoção exclusiva a figura santa nenhuma, não sou de partido nenhum, e sei que ninguém faz nada sozinho.

Mas no campo das vidas exemplares, gosto muito de aprender com o que outras vidas passaram e como agiram e reagiram aos cenários que se apresentaram a elas;

Mas no campo do esporte, adoro um bom jogo, um jogo limpo e bem jogado, de qualquer time, de qualquer esporte;

Mas no campo político, aprecio as ações, e coleciono algumas ideias. As falas não, que estou um bocado cansado delas. As ações – já executadas ou em execução são o cartão de visitas de uma pessoa que esteja em carreira política. As ideias me fazem estudar coerências e direções do sujeito – ainda que não se sustentem sem as ações;

Mas no campo das relações, sei bem o peso que elas possuem. Então para mim não adianta a pessoa aparentemente ter todo o resto e se juntar com quem não presta.

Pronto. Introdução feita a critérios fundamentais que serão sempre parte de minhas escolhas na hora do voto.

Leitor, “Tentando votar direito” é uma série de artigos curtos de minha autoria que vou postar aos poucos, mostrando como estou pesquisando para tentar votar melhor nas eleições de 2018.

É só me acompanhar por aqui (assine o Blog!) ou pelo Face em:

https://www.facebook.com/arnieexplica/

Abraços,

Arnaldo V. Carvalho*

 

* Pai, terapeuta, professor, cidadão.

Tempos de Prece (5)

Não é no que se acredita, mas o que se faz com o que se acredita. Boa segunda.

Touch, touch me Lord Jesus With Thy hand of mercy Make each throbbing heartbeat Feel Thy power divine Take my will forever I will doubt Thee never Oh, cleanse, cleanse me dear Saviour Make me wholly Thine Guide, Guide Me Jehovah Through this veil of sorrow I am saved forever Trusting in Thy love Bail me through the current O’er the chilly Jordan Lead, lead dear Master To Thy home above Bail me through the current O’er the chilly Jordan Lead, lead dear Master To Thy home above

Marielle Franco, 6 meses

Ah, Marielle… Seis meses sem rosto e sem o rosto de quem te fez isso e mandou fazer.

Teu rosto-sorriso persiste em nossas almas.

Teu grito de dor e denúncia ecoa em nossas almas.

Te dou, Marielle, memórias de um cativeiro que persiste, que persiste com teu-nosso povo, o povo irmão que é um só, o do explorado.

 

Ainda não entendeu o Caso Marielle? /

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521126920_282592.html

Artigo publicado na ONU, bem resumido:

https://nacoesunidas.org/artigo-marielle-franco-democracia-legado-e-violencia-contra-as-mulheres-na-politica/

Matéria da assessoria de imprensa da Anistia Internacional, transcrita pelo Prof. Pedlowski:

Seis meses após assassinato de Marielle, Anistia Internacional cobra solução do crime

Um pouco do que Marielle fazia trabalhando como vereadora, antes de sua morte:

https://www.nexojornal.com.br/expresso/2018/08/16/O-que-dizem-os-projetos-de-Marielle-Franco-aprovados-no-Rio

 

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