Feeds:
Artigos
Comentários

Onde está o outono?

No dia 20 de março o outono oficialmente começou. Dias após, vi o outono na praça.

Onde?

outono

https://i1.wp.com/www.pambazuka.org/sites/default/files/field/image/Petty%20Anderson-Brasil.jpg

O professor de história da Universidade da California, Perry Anderson, escreveu um verdadeiro “dossiê” sobre os últimos acontecimentos no Brasil. Compreendendo como poucos a complicação político-econômica que no Brasil estão perigosamente fundidas, Anderson é daqueles intelectuais que conseguem enxergar de fora o que os brasileiros tem dificuldade de ver.

 

O ORIGINAL:

http://www.lrb.co.uk/v38/n08/perry-anderson/crisis-in-brazil

O original inclui uma réplica de Fernando Henrique Cardoso e sua devida tréplica. Sensacional!

 

UMA TRADUÇÃO LIVRE PARA O PORTUGUÊS:

O golpe no Brasil, segundo Perry Anderson

 

NO SCRIBD:

Crise No Brasil Perry Anderson

https://www.scribd.com/embeds/313797001/content?start_page=1&view_mode=scroll&show_recommendations=true

BOA LEITURA!

 
A avaliação abaixo vem do PSOL. Embora tenha sido escrito por um partido político, considero que não há grandes equívocos, sendo um bom resumo do ocorrido a partir do dia 12 de maio.
Tomou posse na tarde do dia 12 de maio o presidente Michel Temer.  Depois da votação do Senado, que por mais de dois terços confirmou o afastamento de Dilma da Presidência, o dia foi de reestruturação do novo governo. Os 55 votos a favor do relatório deixam claro que existe uma maioria consolidada para fazer do processo de impedimento algo irreversível.

Se consolidou a manobra reacionária. A burguesia está unida, através de seus meios de comunicação, seus partidos e seus aparelhos ideológicos para sustentar o governo de Temer como saída diante da histórica crise política.

(NOTA MINHA: Não gosto de generalismos. Há uma burguesia unida, uma elite dominante que apoia ou melhor, comanda a estrutura que está entrando. Mas não é um uníssono. Existem empresários decentes, conscientes, não escravocratas, que estão aí, brigando contra essa gente. Podem ser hoje uma minoria, mas não interessa. A generalização é sempre perigosa).

Dilma fez um discurso aos moldes do que o PT vinha construindo como narrativa. Ao lado de Lula, Kátia Abreu e outros destacados membros de seu gabinete, Dilma atacou Temer, afirmando que não usou da repressão contra os movimentos sociais. Parece esquecer que sancionou a lei antiterror, recorreu à Força Nacional para acabar com os protestos em Jirau e usou do aparato da ABIN e da repressão para desmontar os movimentos críticos durante a Copa.

(NOTA MINHA: É sinistro mesmo, mas ao mesmo tempo o governo dela teve como um marco positivo a Comissão da Verdade, e disso nunca esquecerei. É um governo esquizofrênico, com toda a certeza, fazendo coisas aparentemente antagônicas, o que gera insegurança demais. Mesmo assim nas eleições o povo votou (de novo) nela… E no Temer como vice, que agora está aí, de amigo a inimigo. Uma situação muito esquisita! Não apoio nenhum dos dois lados).

Na parte da tarde, Michel Temer anunciou o ministério, acenando para os setores mais pesados da burguesia. É a senha para intensificar os ataques contra a classe trabalhadora e transitar com sua ponte para a estabilidade para os de cima.

Seu ministério é reacionário e atrasado. Sem a presença de nenhuma mulher, com o DEM comandando a pasta da Educação/Cultura e com um representante da direita “dura” no ministério da Justiça, o governo mostra seu caráter antipovo.

O calcanhar de Aquiles do novo governo é o fato de que sete dos seus principais ministros estão sendo investigados pela Operação Lava-Jato. Um governo que assume com o cínico discurso de combate à corrupção tem na sua equipe de mando quase uma dezena de investigados. Não por acaso que foi nomeado para AGU o advogado Fábio Medina, celebre por defender o corrupto governo tucano de Yeda Crusius. Jucá, Padilha, Henrique Eduardo Alves e Geddel, o núcleo duro do governo Temer, estão diretamente envolvidos em listas e escândalos.

Chama a atenção também que nada menos que 10 ministros do “novo” governo Temer fizeram parte dos governos do PT. O novo arquiteto do plano econômico, Henrique Meirelles, sempre foi um homem de confiança de Lula no governo.

(NOTA MINHA: As farinhas misturadas do velho saco…)

O governo está buscando utilizar da unidade burguesa, que se expressa no apoio midiático, para tentar ganhar o apoio popular que hoje não tem. E aposta no cansaço do povo com a crise política para tentar criar um clima de que agora pode melhorar. Por fim, os indicadores econômicos do governo Dilma estavam tão ruins e o ajuste tão profundo, que a tendência é que a situação permitirá a redução dos juros e uma redução das expectativas inflacionárias. O governo Temer quer se aproveitar deste quadro e de seu peso no Congresso para preparar mudanças estruturais que retirem direitos dos trabalhadores. 

(NOTA MINHA: Eu diria mais, ao menos em parte (significativa), houve manipulação da crise, agravada para criar pânico, subsidiando a irracionalidade histérica que tomou o país com atitudes radicais, agressivas e pouco ou mal fundamentadas).

PROTESTO CONTRA A VIOLÊNCIA INFRINGIDA AOS ESTUDANTES!!!

Arnaldo V. Carvalho

Você pode concordar ou não concordar que os estudantes de escolas públicas do ensino médio ocupem as escolas para formar uma rede de reivindicação em prol de melhores condições no ensino. Mas nada poderia justificar uma ação deste porte contra os mesmos.

Os protestos são pacíficos, e a mídia não costuma comentar, a menos que um estudante dentre todos eles cometa um deslize. Estão mais uma vez fazendo de tudo para criminalizar os estudantes, que em sua absoluta maioria protesta pacificamente e tem toda a razão para faze-lo.

As escolas estão LITERALMENTE caindo aos pedaços, faltam condições de trabalho para os professores e funcionários. Eles estão defendendo o direito de estudar para tentarem ser alguém. Mas é muito difícil, acho que o Estado não quer que eles sejam.

Não estou falando de algo que me passaram. Eu tenho assistido pessoalmente o cotidiano de duas ocupações. (Arnaldo)

***

Por favor não…

View original post mais 136 palavras

Você pode concordar ou não concordar que os estudantes de escolas públicas do ensino médio ocupem as escolas para formar uma rede de reivindicação em prol de melhores condições no ensino. Mas nada poderia justificar uma ação deste porte contra os mesmos.

Os protestos são pacíficos, e a mídia não costuma comentar, a menos que um estudante dentre todos eles cometa um deslize. Estão mais uma vez fazendo de tudo para criminalizar os estudantes, que em sua absoluta maioria protesta pacificamente e tem toda a razão para faze-lo.

As escolas estão LITERALMENTE caindo aos pedaços, faltam condições de trabalho para os professores e funcionários. Eles estão defendendo o direito de estudar para tentarem ser alguém. Mas é muito difícil, acho que o Estado não quer que eles sejam.

Não estou falando de algo que me passaram. Eu tenho assistido pessoalmente o cotidiano de duas ocupações. (Arnaldo)

***

Por favor não deixem isso acontecer. Passem essa informação.

 

Dear foreigns, our rulers are truculent and they are “cleansing” the city for you. Before come to Rio Olympic Games, you MUST know that our students are being SPANKED by the police because they are protesting peacefully against their miserable school condition. Don’t let the world be blind about this.


[IF YOU KNOW MORE LANGUAGES, PLEASE TRANSLATE AND SHARE THIS]

Caros estrangeiros, nossos governantes são truculentos e eles estão “limpando” a cidade para vocês. Antes de virem aos Jogos Olímpicos do Rio, vocês PRECISAM saber que nossos estudantes estão sendo ESPANCADOS pela polícia porque estão protestando pacificamente contra as condições miseráveis das escolas. Não permitam que o mundo esteja cego em relação a isso.

[Se vocês sabem outras línguas além de inglês e português, por favor traduzam e compartilhem isto]

images-cms-image-000487518

Em cima do muro ou reividicadora da verdade?

 

Leandra Leal e sua carta contra tudo o que está errado

 

Por Arnaldo V. Carvalho

 

Circula pelas redes sociais mensagem da atriz Leandra Leal, publicada no dia 18 de março as 14:51, via Instagram e Facebook. Leal afirma ser contra a polarização faccional que tem dividido a opinião pública, e pede a devida cassação de todo e qualquer corrupto.

 

Embora escrito de forma consciente e consistente,  a artista atraiu críticas: “em cima do muro”, foi o comentário ostensivamente apoiado, e a ele juntaram-se varios outros,  com chuva de curtidas.

 

Parece que ainda não se entende que um muro marca a divisão entre dois lados.  Mas não há dois lados.  Há, sim, uma série de grupos que recorrem a terminologias que visam um reducionismo em relação a um cenário político que é bem mais complexo. E esse reducionismo sim,  confunde,  divide,  enfraquece. 

 

Quero parabenizar Leandra Leal por enxergar para além de muros e polaridades.  Tomo a liberdade de republicar seu texto aqui,  acreditando ser esse seu desejo: fazer circular e inspirar ponderação.

 

O texto,  na íntegra:

 

Eu não participo da polarização que ocorre nesse momento no país e isso é uma posição forte e válida.

Eu não sou a favor do governo atual. Mas também não sou a favor de um processo de impeachment sem base legal, conduzido por ninguém menos que Eduardo Cunha em uma comissão onde a maioria recebeu doação das empresas da Lava Jato.
Eu não sou a favor da destituição de um presidente simplesmente por interesses políticos. Em toda eleição eu valorizo cada voto, do executivo ao legislativo, e espero que todos tenham essa consciência.

Eu, diante do atual cenário, sou a favor de um processo conduzido pelo TSE, que se encontrar provas, invalidará a chapa PT/PMDB. Isso leva tempo e isso é democracia!

Eu sou a favor de investigações como a Lava Jato, e espero que antes do fim do processo do TSE ela consiga reunir provas que condenem todos os culpados sem exceção. TODOS.
Mas eu não sou a favor de uma condução política dessa operação, não sou a favor do uso e divulgação de provas ilegais.

Eu não sou a favor do Lula virar ministro, mas sou contra a sua condenação prévia.

Eu não me vejo como massa de manobra daqueles que pintam um salvador da pátria justiceiro, nem daqueles que nos apavoram com um discurso de golpe. A nossa democracia vive um risco real, mas pela ignorância, pelo excesso de ódio, intolerância e individualismo.

Eu luto pela reforma política. Eu luto pela democracia, pelo respeito e pela convivência em sociedade.


Eu nunca estarei de luto pelo meu país, estarei sempre na luta.

***

Ps: Caso a autora não esteja de acordo com a divulgação de sua mensagem, basta um pedido e removerei a mesma imediatamente. Se for o caso,  adiantamente peço desculpas sinceras pela atitude e percepção equivocada.

Risada sem Graça

Rir na guerra é vilanice

Política brasileira é maquiavélica e não demonstra nenhuma preocupação com o próprio cenário e suas consequências para com a nação

 

Arnaldo V. Carvalho*

 

Semanas antes da Câmara dos Deputados votar o impeachment, especuladores do mercado financeiro já comemoravam, e consultores aqui e lá lançavam aos leigos fórmulas de “como lucrar com queda de Dilma”, ou “fature com a crise”. A maioria não chega a perceber que tal comportamento faz parte de uma crise ética a qual nossa cultura padece mais a cada dia.  Que dirá de Michel Temer, que representou muita gente ao se permitir ser filmado rindo [não] a toa, em sua própria casa, a assistir a derrota de sua adversária (até onde entendo, parceira dos últimos sete anos – da decisão por unirem-se e concorrerem juntos ao momento em que deixou de interessar). Infelizmente, tal gesto representa a alegria de muita gente, de novo pela assombrosa mentalidade que euforiza na destruição do Outro.

 

O fim – a vitória – não justifica o meio – o riso. As vitórias alcançadas por Temer e seu grupo são vitórias de uma guerra, uma guerra política. E não há motivo para risos quando se trata de guerra. Nela, mesmo os vencedores perderam.

 

Incrível que uma guerra política travada no território brasileiro encontre paralelos esdrúxulos para com a guerra do Golfo. O ditador Iraquiano um dia apoiado pelo EUA, tornava-se monstro. O motivo alegado: terrorismo, armamento nuclear; O motivo real: a guerra pelo Petróleo. Civis mortos por todos os lados na caça ao assassino. Museus, monumentos, escolas e universidades, escolas e instituições diversas arrasadas, O espólio de guerra que se arrasta por todos esses anos e leva o país a uma situação miserável como não se viu antes. E ninguém fala nada, “fez-se o certo”. Vejam se não é o que está acontecendo, Lula>Dilma, herois>monstros. Motivo: “afundou” (ela) o país. Motivo oculto: especulação financeira e Petróleo (altamente relacionado a crise da Petrobrás). Consequencia: sucateamento da saúde, educação, miséria geral.

 

O custo social da batalha travada entre os diversos atores políticos no Brasil é incalculável. A angústia do povo,  o descrédito da nação, os direitos humanos ameaçados,  a desestruturação das instituições, tudo isso é parte do ônus de uma guerra política. Se terminasse hoje, levaríamos décadas para refazer o que foi abaixo. E está longe de terminar.

 

O Brasil é o campo de guerra e seu verdadeiro perdedor. Suas pessoas estão divididas em trincheiras que defendem esse ou aquele grupo, e isso nos mantém em um estado de enfraquecimento permanente. Dividir para conquistar, já dizia Julio César**.

 

É claro que você pode ficar satisfeit@ com a saída da Dilma. É um direito seu! Pode encher-se de uma esperança baseada em argumentos diversos. Mas divertir-se? Deleitar-se? Para mim, a emissão daquele sorriso Temer-oso? , e o regozijo do mercado e de tanta gente… É, na verdade, vergonhoso (e muito irresponsável). Tenho e terei vergonha de fazer parte de um país que se presta a esse tipo de atitude.

 

Não há graça no motivo que afasta Pezão do governo do Estado do Rio de Janeiro, não há graça no processo de afastamento de Dilma Roussef, não houve graça na caça ou no enforcamento de Sadam Hussein. Não haverá qualquer graça em comemorar derrota alguma, doença alguma, morte alguma. A derrota do Outro é a derrota da sociedade, é a nossa derrota. No caso particular do Brasil, piora sabermos que derrotas políticas que tenham acontecido ou venham acontecer no tempo presente não foi ou será  uma vitória da transparência sobre a indecência.

 

***

 

* Arnaldo V. Carvalho é pai, terapeuta, pedagogo e cidadão participativo.
** Célebre frase escrita há mais de dois mil anos pelo Imperador romano Julio César. Você sabe em que contexto ele emitiu essa frase? Julio César foi um dos primeiros estadistas a criar um ampo espectro de espionagem no mundo ocidental. Famoso pela conquista das Gálias Celtas (praticamente toda a europa ocidental), Julio César muito antes de efetuar qualquer invasão estudava o povo “Keltoi” (celta, ou “estrangeiro”, em grego), e enviava emissários com a missão de semear discórdia entre os clãs dessas regiões. Ao dividir os clãs, ele os enfraquecia, e a conquista tornava-se fácil. É famosa a ocasião em que, próximo a região da atual França, César precisou de cerca de 40 mil homens para derrotar 250 mil guerreiros celtas, fragmentados por suas disputas internas.

Seguir

Get every new post delivered to your Inbox.

Junte-se a 2.054 outros seguidores

%d bloggers like this: