Um olhar crítico sobre o e-mail dos golfinhos da Dinamarca

Um certo e-mail vêm circulando e já chegou por diversas mãos (eletrônicas) à minha caixa de correio. Nele, mostram-se fotografias de uma época do ano quando, num certo local da Dinamarca, milhares de golfinhos são abatidos ao mesmo tempo, em águas rasas (que ficam completamente vermelhas de sangue), e com a presença de crianças. Prato cheio para os brasileiros olharem para fora e esquecerem-se de si e de sua realidade. O texto abaixo é a minha resposta ao tal e-mail.

Os maravilhosos cientistas do mundo inteiro enfiam eletrodos na cabeça de macacos e testam-lhes os limites da dor; pegam coelhinho e jogam todo tipo de produto ácido na pele para ver o que dá – e assim nascem muitos produtos para tirar espinhas, fazer peelling, etc… Sofrimento animal em prol da beleza da pele humana com eternos 20 anos. Não há abaixo-assinado circulando pela internet contra a experimentação animal.

As escolas brasileiras ainda acham interessante, com tanta tecnologia de ensino audio-visual, que todos os anos milhares ou milhões de sapos e preás continuem sendo dissecados, quando não vivisseccionados (todo mundo tem um relato de ter começado a abrir o bichinho e notal que “estranhamente” o coração ainda pulsa, a respiração ainda existe…) por estudantes entre 12 e 15 anos. Cadê o abaixo-assinado?

Os bois abatidos no Brasil choram na fila o ano inteiro e sobre isso, não há abaixo-assinado, ninguém classifica como vergonha.

Ninguém classifica como vergonha castrar animais domésticos amadíssimos, e há quem chegue a lhes arrancar cordas vocais, rabos, etc. Isso porque são animais muito queridos, tanto como alguém da família! Já deu pra entender o que acontece dentro da família.. A castração moral dos novos, a humilhação pela fragilidade dos velhos. E os internautas brasileiros estão mais preocupados com os golfinhos da Dinamarca. É…

Castrar o boi de corte, à faca, o porco à agulhada, tudo “a frio”, sem anestesia, e sim com muito sofrimento… Não há vergonha alguma sobre nada disso, muito menos abaixo-assinado. Até porque na hora que está no prato, o que vale é a “carninha esquizofrenizada” – todo mundo sabe que a carne do açougue e do supermercado veio de um animal com 99% de chances de ter sido criado com diversas situações de crueldade e distrato. Mas ali, mas na hora todo mundo “surta” e desconecta-se dessa mesma realidade. Sem qualquer vergonha!

Os chineses comem cães,os japoneses e dinamarqueses matam golfinhos e baleias, os brasileiros matam peixe-boi (tampando suas narinas com rolhas! e vocês não sabiam disso né?), fazem briga de galo e comem animais mantidos e abatidos sob condições cruéis.

Quem é melhor?

A cultura de um povo não deve ser alvo de críticas, enquanto não se concentra e se conserta o que há dentro da própria cultura interna.

Esse e-mail a circular é grave, mas não é menos grave matar de fome um bando de meninos no nordeste todo ano.

Arnaldo V. Carvalho
PS: quem quiser ver na íntegra o e-mail dos golfinhos, é só procurar na Internet. É bem fácil achar. Recuso-me a fornecer links diretos.

4 thoughts on “Um olhar crítico sobre o e-mail dos golfinhos da Dinamarca

  1. Excelente texto.
    E só para o registro… moro na Dinamarca há 10 anos e nunca vi tal massacre na midia, exceto pelo e-mail que tem circulado já há alguns anos… e nunca recebi este e-mail de um dinamarquês…
    interessante não?

  2. Pingback: “Roubam” os ovos das tartarugas! « Arnaldo V. Carvalho

  3. A diferença entre a maioria dos casos que você citou para o caso dos golfinhos é que segundo o e-mail que tem circulação na internet é que tudo que é feito é para os jovens provarem que são adultos e os outros casos tem algum sentido para o benefício humano. Se os golfinhos servissem para alimentação e não provocassem um desequilíbrio na cadeia alimentar não haveria problema. Concordo que devemos enxergar nossos problemas, contudo como um tópico a mais, como mais uma coisa que deveria ser melhorada e não como uma adversidade ao absurdo que eles fazem lá se todas as informações do e-mail são realmente fidedignas.

    • Rodrigo, é embuste! Como diz a Cristina que MORA na Dinamarca e não há isso de “ritual de passagem”. De qualquer forma, quem somos nós para julgarmos. Por que golfinhos devem ser considerado mais importantes que bois ou mosquitos? É uma pergunta.

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