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Archive for Novembro, 2009

Esse é um texto interessante e que converge com minha linha de pensamento. Foi-me enviado por Renata Pagels. Vale a publicação, vale a leitura. Qualquer dia publicarei um texto próprio sobre essa coisa terrível que é viver a ditadura social e ainda apoia-la. ABAIXO A NORMOSE!!!!

Um abraço a todos, Arnaldo

“NORMOSE” (a doença de ser normal)

Todo mundo quer se encaixar num padrão.

Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar.

O sujeito “normal” é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe
socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está
passando por algum problema.

Quem não se “normaliza”, quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A
angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões,
síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de
comportamento que “exercem” tanto poder sobre nossas vidas?

Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado.
Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha “presença” através de
modelos de comportamento amplamente divulgados.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia
de querer ser o que não se precisa ser.

Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês?
Pesar quantos quilos até o verão chegar?

Então, como aliviar os sintomas desta doença?

Um pouco de auto-estima basta.

Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras
bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram
com os riscos de viver uma vida a seu modo. Criaram o seu “normal” e jogaram
fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem
que ser original.

Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude. E
uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais
e emocionais e tentam viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim
são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular
situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é
porque a alma lhes é iluminada.

Por isso divulgue o alerta: a “normose” está doutrinando erroneamente muitos
homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e
felizes.

(Michel Schimidt)

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Ø CURSO BÁSICO DE SHIATSU EMOCIONAL

“Conhecer o corpo que não se vê. Emoções e energias entrelaçadas numa só.

Aprenda um Shiatsu diferente, que utiliza toques profundos e sutis, e coloca o equilíbrio emocional no centro do tratamento.”


Conteúdo:
O Shiatsu Emocional é uma viagem pelos sentidos, que traz novas significações às teorias energéticas. Ensina ferramentas diferenciadas de diagnóstico, e apóia-se em estilos de Shiatsu como o Tantsu, Ohashiatsu e Zen Shiatsu, além de massagens psicossomáticas inspiradas por Reich. Propõe uma revisão da conduta terapêutica e a relação terapeuta-cliente.

Programa Básico:

Origem e evolução do Shiatsu; Comprovações Científicas;
O equilíbrio através do toque; O toque Shiatsu;
O estilo Shiatsu Emocional; Os 7 preceitos do Shiatsu emocional; Introdução à Medicina Tradicional Chinesa – Histórico, o Tao, os 12 Meridianos e suas funções emocionais; Tratamento dos principais desequilíbrios emocionais através do Shiatsu; exercícios práticos.

Data: 28 e 29/11 e 12 e 13/12 de 2009.

Horário:  9h às 18h
Carga horária: 32 Horas
Investimento: R$ 700.00

Formas de pagamento:

– 10% de desconto para pagamento à vista até o dia 21/11 ou pode ser divido em até 4 parcelas.

 

 

Maiores informações e inscrições:

Tel: (11)3814-0700

 

Maiores informações sobre o shiatsu emocional podem ser obtidas através dos sites www.shiatsuemocional.com.br ou no site do Prof. Arnaldo V. Carvalho, www.arnaldovcarvalho.com

Ø VI ENCONTRO ANUAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE SELF HEALING

 

Neste ano, teremos uma apresentação na área de Ortopedia mostrando novas técnicas não invasivas para reabilitação de articulações. Haverá uma apresentação sobre a técnica de Pilates,com vivência e; uma intervenção com uma consultora, na área de recursos humanos, especializada em alavancar carreiras. ESTE É UM OFERECIMENTO DA ABSH PARA SÓCIOS E NÃO SÓCIOS.

Contamos com a presença de todos vocês.

 

Data: 28/11/2009 (sábado)

Local: Rua Arapiraca,360  -Vila Madalena, São Paulo-SP

Horário: 8:30 às 18:20hs

Preço: sócios da ABSH : $ 20,00- para todo o dia

não sócios da ABSH: $ 30,00  até às 14:00hs ( período até o almoço)

PROGRAMAÇÃO:

8:30 às 9:00hs- Inscrições

9:00 às 9:30hs- Abertura -Wilson Garves

9:30 às 10:30hs- “Conhecendo Mais Sobre a Técnica Pilates”- Sueli Tambalo- Fisioterapeuta

10:30 às 11:30hs- “Reabilitação Articular e Técnicas não Invasivas”- Dr. José Eid – Médico Ortopedista

11:30 às 12:00hs- Coffee Break

12:00 às 14:00hs-“ Competências E Qualidades”- Valéria Sangiorgio- Consultora Em Rh Para Alavancar Carreiras

SEGUNDA  PARTE  DESTINADA AOS SÓCIOS DA ABSH:

14:00 às 15:00hs- Almoço

15:00 às 15:30hs- Vivência em Self Healing

15:30 às 17:00hs- Reunião Com Sócios e Diretoria

17:00 às 17:20hs- Coffee Break

17:20 às 18:20hs-Assembléia

 

Maiores informações e inscrições com Vivi ou Rosali

Fones: 8383 6430 ou 9833 0408

E-mail:  vivinassif@uol.com.br ou  rosali@feal.com.br

 

Clínica Cítara Saúde

R. Padre João Gonçalves, 129- Vl. Madalena- São Paulo/SP

Fone:  11 3814-0700

E-mail: citara@citarasaude.com.br

Site: www.citarasaude.com.br

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A ONG 7 Wonders está promovendo um concurso para apurar as 7 maravilhas naturais do mundo. É bastante reducionista, penso que temos somente no Brasil muitas dezenas das maravilhas naturais do mundo… Mas é uma ONG conhecida, que divulgará as 7 maravilhas para todo o mundo… E duas dessas maravilhas podem ser brasileiras: Concorrem as Cataratas do Iguaçú e a Amazônia. É barbada!!! Visite o site, vote nas 7 maravilhas naturais do mundo, e ajude o Brasil a mostrar que é (ainda) o país mais lindo do mundo em beleza natural!

http://www.vote7.com/n7w

A visibilidade sobre locais naturais traz fiscalização, investimentos de conservação, e pode contribuir bastante para o desenvolvimento local e nacional.

Um abraço a todos,

Arnaldo V. Carvalho

Olá querida/o,
foi maravilhoso ir a Grandola no dia 21 de Nov para realizar este encontro. De facto os alentejanos tem uma capacidade para rir notável. Após de um minuto de workshop já tínhamos três participantes a deitar lagrimas de tanto rir!!


Mergulhamos no mais profundo das mensagens optimistas que Anastasia, a heroína dos livros que publicamos, nos oferece como soluções eficazes para a humanidade toda.


Fiquei contentíssima e adorei participar, logo pela noite, na primeira sessão oficial de Yoga do Riso em Grândola, liderada por duas pessoas certificadas pela nossa Escola do Riso.
Parabéns São e Sofia, por tudo e em espacial pelos brócolos e beringelas que nos deram, vindo da horta da vossa tia. Hoje foi o nosso almoço e deliramos. A vossa mãe é magnífica, que sorte têm as duas.
A Editora Joanne Gribler e a Escola do Riso agradecem do fundo do coração a Câmara Municipal de Grândola e a Biblioteca Municipal pelo uso do espaço. Ficamos surpreendidos pela beleza e estilo desta sala. Parabéns Grândola!
Desejamos oferecer a vossa biblioteca um exemplar de cada livro que publicamos e um d.v.d sobre a escola das crianças super dotadas.

O Próximo lançamento é já neste sábado dia 28 em Braga, ajude-nos a divulgar este evento para que mais e mais gente volte a ter esperança numa realidade que nos ofereça a todos muita….

QUALIDADE DE VIDA

Joanne Gribler
239 423 338   |   917 681 675

 

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MANIFESTO PELA PROXIMIDADE DE CONTATO HUMANO NO ATO DO NASCIMENTO :

QUEM NASCE É UM SER HUMANO*

(chega de violência!)

* Por Rodrigo Vianna,

médico, pai e ser humano.

Imagine a cena de uma criança sendo levada da mãe por estranhos e deixada em um canto sozinha, nua e sem qualquer tipo de proteção emocional durante algumas horas. Cruel, não?

Pois isto acontece diariamente com milhares de crianças que tem alguns minutos de vida. Bruscamente são separadas de suas mães para serem levadas à “segurança” de uma incubadora durante quatro a seis horas.

Infelizmente isto ocorre de uma forma tão rotineira e há tanto tempo, que a impressão que passa é que esta é a forma certa de cuidar de um recém-nascido. Mas quando paramos para pensar que este recém-nascido na verdade é um ser humano e que também tem sentimentos e sensações como: dor, medo, insegurança e raiva, podemos então fazer as seguintes perguntas: não poderíamos fazê-lo sentir proteção, amor, aconchego, tranquilidade, desde esse primeiro minuto de vida? Que modelo de comportamento queremos que nossos filhos reproduzam?

A natureza deu ao ser humano uma capacidade de amar que é única! Porém, constantemente ele precisa de estímulos para o desenvolvimento e a solidificação desta capacidade emocional. Afinal, existem também inúmeros estímulos que fazem com que o ser humano desenvolva potenciais de agressividade, egoísmo e violência.

Hoje em dia, cientificamente já se mostrou que existe na mãe, uma enorme descarga hormonal com o nascimento do bebê. Dentro desta primeira hora, que é de extrema importância que a mãe pegue seu filho no colo, olhe-o, cheire-o, sinta-o e vice-versa. Há necessidade orgânica disto, mediada por hormônios. Hormônios que seriam responsáveis pelo vínculo mãe-bebê, o qual seria o protótipo de todas as formas de amor. Privar isso, seria aumentar a chance de depressão pós-parto, desmame precoce, perda de capacidade afetiva.

Um famoso obstetra e humanista francês, Dr. Michel Odent, disse com muita sabedoria: “Para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer” . E antes disso outro expoente médico, o psiquiatra e psicanalista Wilhelm Reich, já havia declarado: “A civilização começará no dia em que o bem-estar dos bebês recém-nascidos prevalecer sobre qualquer outra consideração”.

Temos de dar os estímulos certos! Hoje em dia vivemos em uma sociedade onde a todo instante queremos gritar por um basta à violência. Infelizmente talvez, os que hoje compõem esta sociedade já não conseguiriam modificar suas atitudes. Mas os nascimentos continuarão ocorrendo e aí teremos uma chance. Precisamos de pessoas que nasçam e cresçam crendo que amar vale a pena e que não é fora de moda. Pessoas que reproduzam esta mensagem através de atitudes que aprenderam logo ao nascimento.

http://escolabela.files.wordpress.com/2008/10/dsc02378.jpg

ESTE É UM MOVIMENTO EM PROL DA HUMANIDADE, DO AMOR, DA FELICIDADE, DA HARMONIA SOCIAL, DO DESENVOLVIMENTO DO “INDIVÍDUO COLETIVO”, DA CAPACIDADE DE COMPREENSÃO, DA FRATERNIDADE.

SE VOCÊ ACHA QUE VALE A PENA, ENVIE ESTE DOCUMENTO PARA OUTRAS PESSOAS.

QUE AQUELES QUE SE ENCONTREM GRÁVIDOS, REIVINDIQUEM JUNTO AOS MÉDICOS QUE LHE TRATAM (OBSTETRAS E PEDIATRAS) RESPEITO E CARINHO PARA COM O FILHO QUE NASCE, POIS QUEM NASCE É UM SER HUMANO.

QUE AQUELES QUE SE ENCONTREM GRÁVIDOS, REIVINDIQUEM JUNTO AO HOSPITAL ONDE TERÃO O BEBÊ, O QUE É PRECONIZADO PELA OMS E PELA SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA: CONTATO COM A MÃE NA PRIMEIRA HORA E ALOJAMENTO CONJUNTO DESDE A IDA DA MÃE PARA O QUARTO.

NÃO VAMOS DEIXAR ESSA MENSAGEM PARAR DE CIRCULAR ENQUANTO NÃO OBTIVERMOS MELHORES CONDIÇÕES DE NASCIMENTO.

www.gestacaoconsciente.com (em construção)

apoio:
Portal Verde www.portalverde.com.br

Calor Humano www.calorhumano.com.br

Arnaldo V. Carvalho – http://www.arnaldovcarvalho.com

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Amamentar: Uma das coisas lindas da vida…

Slideshow com sobre amamentação: Benjamim, Miguel e mamãe Maíra

Quando chegou e-mail de minha amiga Maíra, terapeuta, doula e mãe  de dois, eu imaginei que fosse cansar de ver o presentinho que acompanhava a mensagem: Um show de slides com cenas de amamentação dela com os pequenos Miguel e Benjamim. Talvez porque os bebês sejam lindos, talvez por tanto bendizer essa família, talvez simplesmente porque o amor de nós todos inevitavelmente corra em meus poros, cliquei para ver.

O que eu posso dizer é que por mais que eu tenha ligações que justifiquem o aceite do presente, não posso acreditar que alguém que comece consiga não ir até o fim nas 22 fotos MARAVILHOSAS. Não cansa. Esse inspirador slideshow arranca da gente o sorrisinho de lado de quem por mais que a lembrança permaneça no insconsciente, já foi um dia.. Um bebê. E quem foi, um dia mamou, ou quis mamar. E quem pôde viver, tem dentro de si um tesouro que lhe reforça o dom de ser capaz de ser feliz. Quem não pode, ou não pôde a pleno, pode sim, sentir, porque é ser humano. Pode sentir satisfação, pode sentir através da inspiração que vem ao ver e contatar essa energia.

Agradeço profundamente à Maíra, Gil e pequerruchos por compartilharem com a Humanidade esse milagre simples e delicioso.

APROVEITEM.

Arnaldo

 

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Recebi por e-mail um texto supostamente de Fernando Pessoa. Interessantezinho… Mas estranho, muito estranho. Palavras, linguagem, nada correspondia com os escritos do português genial que tantas vezes regozijou minha alma com seus pensamentos e poemas cheios de profundidade. Estranhei, e fui atrás da verdade. Descobri. Por favor então amigos, vamos ficar um pouquinho mais atentos. Um vulto como F. Pessoa não pode ter apócrifos xulos circulando por aí sem que ninguém perceba a imensa diferença entre um Pessoa e o de uma pessoa qualquer.

Um abraço a todos, e para qualquer dúvida, fica sempre a possiblidade de contacto com a Casa Fernando Pessoa, que cuida da obra deste que é um dos maiores poetas de lingua portuguesa de todos os tempos.

Um abraço,

Arnaldo V. Carvalho

ERRATA CONFESSA ERRO E DESMASCARA APÓCRIFO:

http://provedorpublico.blogspot.com/2007/05/fernando-pessoa.html

FERNANDO PESSOA

O texto “A Coragem de Pessoa”, publicado (caderno P2, pág. 4) no passado dia 13 de Abril, não passou despercebido.
Escreve Laurinda Alves:
“Deixo aqui o texto inspirador de Fernando Pessoa que foi lido em voz alta neste fim de tarde inesquecível.Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…”

Alguns leitores questionam a autoria do “texto inspirador”.

“(…) Pretendo ser discreto e não quereria ofender a senhora jornalista, que transborda de boas intenções e a quem desejo (como à maior parte das pessoas…) que seja muito feliz assim — ainda que, em semelhantes circunstâncias, me ocorra, com insistência, um brevíssimo conto de Voltaire sobre espécies de felicidade… Mas tenho bastante dificuldade em imaginar que um tal acervo de banalidades, mesmo muito bem intencionadas e inspiradoras, alguma vez se tenha encontrado com a complexa intelectualidade de Pessoa, nem mesmo em momento de ternurenta elaboração de uma carta para a Ophélinha. Além de que, literariamente, o textinho é muito pobrezinho… e isso, nem nas cartas para a Ophélinha! Acresce ainda que é basto notória a genealogia brasileira do escrito, com formulações sintácticas que, se hoje desgraçadamente contaminam a escrita deste lado do Atlântico, no tempo de Pessoa não eram sequer usadas na outra margem do dito, ao menos nos meios literários…
Como é que ninguém se apercebe disto?!
Temo que, ao publicar o textinho, sem que ninguém notasse a incongruência, o ‘PÚBLICO’ lhe dê uma legitimidade inesperada (ainda se acredita no que vem nos jornais de referência), uma caução cultural reforçada, que sustente a convicção (sempre bem intencionada, com boa onda e muito karma) dos que continuam a não entender que a NET é um recurso muito importante, mas também muito perigoso, pois muito do que por ela viaja não tem qualquer validação…
Será que vou deparar com uma rectificação numa das próximas edições do ‘PÚBLICO’?
É claro que, se algum especialista em Fernando Pessoa me disser de que arca ou baú surgiu esta prosa, prometo que irei de burel e baraço em romagem ao Altar da Ignorância. E aceitarei, finalmente, como provado que o poeta uma ou outra vez abusaria do álcool e… não resistiria, mesmo assim, a escrever…
”, escreve Paulo Rato, um leitor de Queluz.

O texto suscitou mais interrogações.

É citado um poema pretensamente de Fernando Pessoa (‘A Coragem de Pessoa’, sem referência bibliográfica), cuja autenticidade me deixa dúvidas.
Uma frase como:
‘agradecer a Deus a cada manhã’ não me parece que tenha saído da caneta do Mestre. Mas admito estar totalmente enganada, pelo que muito grata ficaria se me fornecessem a referência específica: qual o heterónimo, qual a data, qual a ‘arca’ donde extraíram o poema”, escreve Fernanda Jesuíno.

A solicitação da leitora é legítima.

Já não é a primeira vez que me cruzo com esse texto (na altura foi-me enviado por e-mail), e já nessa altura tive a nítida impressão de que não é coisa que Pessoa fosse escrever. Não é estilo (ou estilos) dele. Não é o tema dele. Penso aliás que não é nada dele e o facto de o ver hoje preto no branco no PÚBLICO numa coluna de alguém que respeito e que a priori até confio saiba mais de Fernando Pessoa que eu, não me fez mudar de ideia.
No entanto, não encontro informação na net que me suporte. Até porque esse texto está reproduzido incontáveis vezes e sempre colado ao nome de Fernando Pessoa. Não tenho mais a quem recorrer, a não ser que escreva para a Casa Fernando Pessoa, coisa que já tive mais longe de fazer. A única coisa que encontrei foi na Wikipédia, mas isso vale o que vale. Fica aqui transcrito:
‘Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.’
Sentença tipicamente atribuída a Fernando Pessoa na internet, ainda que nunca tenha sido escrita por ele, e sim por Nemo Nox, bloguista brasileiro.
(http://pt.wikiquote.org/wiki/Fernando_Pessoa)
Confio no seu juízo para avaliar a pertinência do meu comentário
”, escreve Daniel Marinha (do blogue http://www.quotidianidades.blogspot.com).

O comentário é pertinente.

“Mundo Pessoa” (blogue institucional da Casa Fernando Pessoa) apresentou três dias depois o “post”Agarra que é apócrifo!”: “Leonor Areal, no (blogue) Doc Log chama a atenção para coisas que é importante ler esclarecidas.” (http://www.mundopessoa.blogspot.com/)
Eis o comentário de Leonor Areal: “(…) Laurinda Alves, em dia de azar, publica um texto supostamente de Fernando Pessoa, apócrifo evidentemente. Está à vista de qualquer um que conheça a obra de Pessoa que aquele poema piroso nunca podia ser dele, e ainda por cima com pronome reflexo colocado à moda brasileira: ‘Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história’. Um idiota qualquer o escreveu, (…)”. (“Fernando Peçonha” in http://doc-log.blogspot.com/2007/04/fernando-peonha.html)

É muito provável que a prosa corresponda a dois textos de autores diferentes. O bloguista brasileiro Nox poderá ser um deles: “No início de 2003, chateado com os obstáculos que encontrava e tentando ser um pouco otimista, escrevi aqui estas três frases: ‘Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.’ Não pensei mais nisso até que recentemente comecei a receber e-mails pedindo que eu confirmasse ser o autor do trechinho. Aparentemente, o trio de frases tomou vida própria e se espalhou pela internet lusófona com variações na pontuação e na atribuição da autoria. (…) Depois alguém resolveu pegar um poema (possivelmente de Augusto Cury, autor de Dez Leis para Ser Feliz), colar o tal trechinho no fim e distribuir tudo como se fosse obra do Fernando Pessoa. Não demorou muito para que as minhas três frases começassem a pipocar pela rede atribuídas ao poeta português (afinal, é sempre mais bacana citar um famoso escritor luso que um quase desconhecido blogueiro brasileiro). Cheguei eu mesmo a duvidar da minha autoria. Poderia ter cometido um plágio inconsciente, recolhendo da memória alguma coisa lida no passado e achando que se tratava de material original? Revirei os poemas pessoanos em busca de pedras e castelos mas não consegui encontrar qualquer coisa remotamente parecida ao trecho em questão. Vasculhei os heterônimos e tampouco achei o guardador de pedras. (…) Outra coisa engraçada é que nem me sinto orgulhoso de ter escrito isso, parece-me hoje até um pouco piegas, como aqueles cartazes motivacionais com fotos bonitas e frases otimistas.” (in http://www.nemonox.com/ppp/archives/2006_03.html#008119)

O psiquiatra Augusto Cury (autor de “O Mestre do Amor”, “A Ditadura da Beleza” ou “O Futuro da Humanidade) não confirma a autoria da outra parte.

O provedor contactou, portanto, a Casa Fernando Pessoa.
“O poema em questão não é de Fernando Pessoa, coisa que poderia ser garantida à primeira leitura (pelo tema, pela escrita, pela ortografia). No Brasil, tanto na web como em papel impresso, circulam vários «poemas apócrifos» assinados por Fernando Pessoa; muitas vezes, os seus autores pretendem garantir algum reconhecimento anónimo através da utilização do nome do poeta – são, geralmente, textos de má qualidade e que, infelizmente, se multiplicam todos os dias. Qualquer «leitor mediano» da obra de Pessoa ou dos seus heterónimos se dá conta da mistificação e da falsificação. Fernando Pessoa não diz semelhantes patetices”, esclareceu Francisco José Viegas, escritor e director da Casa Fernando Pessoa.

Pedi, por outro lado, um esclarecimento a Laurinda Alves: “Agradeço sinceramente o contributo dos leitores e dos especialistas para desfazer um equívoco que não era só meu e, por isso, podia ser perpetuado.
Aqui ficam os textos e as cartas, escritos em vários tons, a desfazer todas as dúvidas. Verifico, com surpresa, que ainda há pessoas que vivem convencidas de que nunca se enganam nem se deixam enganar.”

Laurinda Alves reconhece o erro.
O provedor considera que os jornalistas devem confirmar a veracidade da informação que divulgam. É uma forma de evitar enganar os outros. O resto é conversa…

de 1935)

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