Poesia e enganação: Mais um apócrifo, agora de Fernando Pessoa

Recebi por e-mail um texto supostamente de Fernando Pessoa. Interessantezinho… Mas estranho, muito estranho. Palavras, linguagem, nada correspondia com os escritos do português genial que tantas vezes regozijou minha alma com seus pensamentos e poemas cheios de profundidade. Estranhei, e fui atrás da verdade. Descobri. Por favor então amigos, vamos ficar um pouquinho mais atentos. Um vulto como F. Pessoa não pode ter apócrifos xulos circulando por aí sem que ninguém perceba a imensa diferença entre um Pessoa e o de uma pessoa qualquer.

Um abraço a todos, e para qualquer dúvida, fica sempre a possiblidade de contacto com a Casa Fernando Pessoa, que cuida da obra deste que é um dos maiores poetas de lingua portuguesa de todos os tempos.

Um abraço,

Arnaldo V. Carvalho

ERRATA CONFESSA ERRO E DESMASCARA APÓCRIFO:

http://provedorpublico.blogspot.com/2007/05/fernando-pessoa.html

FERNANDO PESSOA

O texto “A Coragem de Pessoa”, publicado (caderno P2, pág. 4) no passado dia 13 de Abril, não passou despercebido.
Escreve Laurinda Alves:
“Deixo aqui o texto inspirador de Fernando Pessoa que foi lido em voz alta neste fim de tarde inesquecível.Posso ter defeitos, viver ansioso
e ficar irritado algumas vezes mas
não esqueço de que minha vida é a
maior empresa do mundo, e posso
evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale
a pena viver apesar de todos os
desafios, incompreensões e períodos
de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos
problemas e se tornar um autor
da própria história. É atravessar
desertos fora de si, mas ser capaz de
encontrar um oásis no recôndito da
sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã
pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios
sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um “não”.
É ter segurança para receber uma
crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir
um castelo…”

Alguns leitores questionam a autoria do “texto inspirador”.

“(…) Pretendo ser discreto e não quereria ofender a senhora jornalista, que transborda de boas intenções e a quem desejo (como à maior parte das pessoas…) que seja muito feliz assim — ainda que, em semelhantes circunstâncias, me ocorra, com insistência, um brevíssimo conto de Voltaire sobre espécies de felicidade… Mas tenho bastante dificuldade em imaginar que um tal acervo de banalidades, mesmo muito bem intencionadas e inspiradoras, alguma vez se tenha encontrado com a complexa intelectualidade de Pessoa, nem mesmo em momento de ternurenta elaboração de uma carta para a Ophélinha. Além de que, literariamente, o textinho é muito pobrezinho… e isso, nem nas cartas para a Ophélinha! Acresce ainda que é basto notória a genealogia brasileira do escrito, com formulações sintácticas que, se hoje desgraçadamente contaminam a escrita deste lado do Atlântico, no tempo de Pessoa não eram sequer usadas na outra margem do dito, ao menos nos meios literários…
Como é que ninguém se apercebe disto?!
Temo que, ao publicar o textinho, sem que ninguém notasse a incongruência, o ‘PÚBLICO’ lhe dê uma legitimidade inesperada (ainda se acredita no que vem nos jornais de referência), uma caução cultural reforçada, que sustente a convicção (sempre bem intencionada, com boa onda e muito karma) dos que continuam a não entender que a NET é um recurso muito importante, mas também muito perigoso, pois muito do que por ela viaja não tem qualquer validação…
Será que vou deparar com uma rectificação numa das próximas edições do ‘PÚBLICO’?
É claro que, se algum especialista em Fernando Pessoa me disser de que arca ou baú surgiu esta prosa, prometo que irei de burel e baraço em romagem ao Altar da Ignorância. E aceitarei, finalmente, como provado que o poeta uma ou outra vez abusaria do álcool e… não resistiria, mesmo assim, a escrever…
”, escreve Paulo Rato, um leitor de Queluz.

O texto suscitou mais interrogações.

É citado um poema pretensamente de Fernando Pessoa (‘A Coragem de Pessoa’, sem referência bibliográfica), cuja autenticidade me deixa dúvidas.
Uma frase como:
‘agradecer a Deus a cada manhã’ não me parece que tenha saído da caneta do Mestre. Mas admito estar totalmente enganada, pelo que muito grata ficaria se me fornecessem a referência específica: qual o heterónimo, qual a data, qual a ‘arca’ donde extraíram o poema”, escreve Fernanda Jesuíno.

A solicitação da leitora é legítima.

Já não é a primeira vez que me cruzo com esse texto (na altura foi-me enviado por e-mail), e já nessa altura tive a nítida impressão de que não é coisa que Pessoa fosse escrever. Não é estilo (ou estilos) dele. Não é o tema dele. Penso aliás que não é nada dele e o facto de o ver hoje preto no branco no PÚBLICO numa coluna de alguém que respeito e que a priori até confio saiba mais de Fernando Pessoa que eu, não me fez mudar de ideia.
No entanto, não encontro informação na net que me suporte. Até porque esse texto está reproduzido incontáveis vezes e sempre colado ao nome de Fernando Pessoa. Não tenho mais a quem recorrer, a não ser que escreva para a Casa Fernando Pessoa, coisa que já tive mais longe de fazer. A única coisa que encontrei foi na Wikipédia, mas isso vale o que vale. Fica aqui transcrito:
‘Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.’
Sentença tipicamente atribuída a Fernando Pessoa na internet, ainda que nunca tenha sido escrita por ele, e sim por Nemo Nox, bloguista brasileiro.
(http://pt.wikiquote.org/wiki/Fernando_Pessoa)
Confio no seu juízo para avaliar a pertinência do meu comentário
”, escreve Daniel Marinha (do blogue http://www.quotidianidades.blogspot.com).

O comentário é pertinente.

“Mundo Pessoa” (blogue institucional da Casa Fernando Pessoa) apresentou três dias depois o “post”Agarra que é apócrifo!”: “Leonor Areal, no (blogue) Doc Log chama a atenção para coisas que é importante ler esclarecidas.” (http://www.mundopessoa.blogspot.com/)
Eis o comentário de Leonor Areal: “(…) Laurinda Alves, em dia de azar, publica um texto supostamente de Fernando Pessoa, apócrifo evidentemente. Está à vista de qualquer um que conheça a obra de Pessoa que aquele poema piroso nunca podia ser dele, e ainda por cima com pronome reflexo colocado à moda brasileira: ‘Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história’. Um idiota qualquer o escreveu, (…)”. (“Fernando Peçonha” in http://doc-log.blogspot.com/2007/04/fernando-peonha.html)

É muito provável que a prosa corresponda a dois textos de autores diferentes. O bloguista brasileiro Nox poderá ser um deles: “No início de 2003, chateado com os obstáculos que encontrava e tentando ser um pouco otimista, escrevi aqui estas três frases: ‘Pedras no caminho? Eu guardo todas. Um dia vou construir um castelo.’ Não pensei mais nisso até que recentemente comecei a receber e-mails pedindo que eu confirmasse ser o autor do trechinho. Aparentemente, o trio de frases tomou vida própria e se espalhou pela internet lusófona com variações na pontuação e na atribuição da autoria. (…) Depois alguém resolveu pegar um poema (possivelmente de Augusto Cury, autor de Dez Leis para Ser Feliz), colar o tal trechinho no fim e distribuir tudo como se fosse obra do Fernando Pessoa. Não demorou muito para que as minhas três frases começassem a pipocar pela rede atribuídas ao poeta português (afinal, é sempre mais bacana citar um famoso escritor luso que um quase desconhecido blogueiro brasileiro). Cheguei eu mesmo a duvidar da minha autoria. Poderia ter cometido um plágio inconsciente, recolhendo da memória alguma coisa lida no passado e achando que se tratava de material original? Revirei os poemas pessoanos em busca de pedras e castelos mas não consegui encontrar qualquer coisa remotamente parecida ao trecho em questão. Vasculhei os heterônimos e tampouco achei o guardador de pedras. (…) Outra coisa engraçada é que nem me sinto orgulhoso de ter escrito isso, parece-me hoje até um pouco piegas, como aqueles cartazes motivacionais com fotos bonitas e frases otimistas.” (in http://www.nemonox.com/ppp/archives/2006_03.html#008119)

O psiquiatra Augusto Cury (autor de “O Mestre do Amor”, “A Ditadura da Beleza” ou “O Futuro da Humanidade) não confirma a autoria da outra parte.

O provedor contactou, portanto, a Casa Fernando Pessoa.
“O poema em questão não é de Fernando Pessoa, coisa que poderia ser garantida à primeira leitura (pelo tema, pela escrita, pela ortografia). No Brasil, tanto na web como em papel impresso, circulam vários «poemas apócrifos» assinados por Fernando Pessoa; muitas vezes, os seus autores pretendem garantir algum reconhecimento anónimo através da utilização do nome do poeta – são, geralmente, textos de má qualidade e que, infelizmente, se multiplicam todos os dias. Qualquer «leitor mediano» da obra de Pessoa ou dos seus heterónimos se dá conta da mistificação e da falsificação. Fernando Pessoa não diz semelhantes patetices”, esclareceu Francisco José Viegas, escritor e director da Casa Fernando Pessoa.

Pedi, por outro lado, um esclarecimento a Laurinda Alves: “Agradeço sinceramente o contributo dos leitores e dos especialistas para desfazer um equívoco que não era só meu e, por isso, podia ser perpetuado.
Aqui ficam os textos e as cartas, escritos em vários tons, a desfazer todas as dúvidas. Verifico, com surpresa, que ainda há pessoas que vivem convencidas de que nunca se enganam nem se deixam enganar.”

Laurinda Alves reconhece o erro.
O provedor considera que os jornalistas devem confirmar a veracidade da informação que divulgam. É uma forma de evitar enganar os outros. O resto é conversa…

de 1935)

A prioridade dos pensamentos e ações diante da mídia que nos escandaliza com as diferentes tragédias do mundo

A prioridade dos pensamentos e ações diante da mídia que nos escandaliza com as diferentes tragédias do mundo

Escrito em 7 de janeiro de 2009, quando a imprensa usou como “bola da vez” a questão da guerra entre israelenses e palestinos, e o povo brasileiro esqueceu-se mais uma vez de sua própria realidade…

Muitas pessoas próximas a mim vêm sistematicamente mandando textos de repulsa e comentando os horrores da guerra que está acontecendo no que se chama “terra santa”.

Embora lamente igualmente, não deixo de perceber que a mídia influencia as pessoas tais com uma criança influencia seus brinquedos. Com o foco na guerra de horrores, esquecemos de nossa propria realidade, a BRASILEIRA, que mata muito mais e talvez com tanta ou mais crueldade que as bombas.

Assim, separei algumas informações para lembrar a quem sabe e mostrar a quem não sabe o que acontece no país em que vivo:

TRÂNSITO
No Brasil mais de 40.000 pessoas perdem a vida anualmente em acidentes de transito, porém acredita-se que estes números são maiores pois as estatísticas são falhas. Só nas rodovias paulistas em 2001 ocorreram 61.000 acidentes com 2.300 mortes e 23.000 pessoas gravemente feridas. Até 15 de fevereiro já morreram 703 pessoas nas rodovias federais, resultado de 13.400 acidentes.  Em todo o mundo o transito ceifa vidas, porém os números brasileiros são alarmantes e disparam na frente de qualquer país do mundo.

Não vou falar por outros problemas ligados à uma combinação de falta de infra-estrutura, falta de estrutura emocional (que leva ao alcoolismo, comportamentos de risco no trânsito, etc), etc dos brasileiros, pois aí vão me condenar por serem “fatores alheios a vontade do indivíduo, diferente do que ocorre nas guerras”.

Não vou falar, pelo mesmo motivo, dos transtornos climáticos, as doenças que poderiam ser evitados, as violências domésticas que acarretam no que poderia se chamar de “morte em vida”, etc etc, etc… Vamos aos números daquilo que pode ser comparado diretamente a uma situação de guerra, seguindo o raciocínio de que é “morte por violência alheia a vontade do indivíduo” – covarde pois.

ASSASSINATOS
Brasilia – O mapa da violência dos Municípios brasileiros 2008, divulgado nesta última terça-feira, mostra que 46.660 pessoas foram assassinadas no Brasil em 2006. Veja a matéria completa sobre isso em:

http://oglobo.globo.com/pais/mat/2008/01/29/mapa_da_violencia_dos_municipios_brasileiros_mostra_queda_dos_assassinatos_desde_2004-335333020.asp

OBS: Quando se fala de pessoas assassinadas, não se mede aqui o grau de violência, perversidade e crueldade com que as pessoas foram assassinadas. Mas qualquer brasileiro vai a banca de jornal e lê manchetes nos jornais do povão coisas do tipo “jogaram gasolina e botaram fogo”. “estuprou as filhas na frente dos pais e depois matou todo mundo”, etc. etc. etc. E na estatística não contam ainda as crianças “desaparecidas”, muitas das quais já foram devoradas (do literal ao mais abstrato sentido) por aí… Não contam pessoas desaparecidas na estatística dos assassinatos.

PESSOAS DESAPARECIDAS

Não consegui um número absoluto de pessoas desaparecidas no Brasil, nem do % dessas que depois descobrem terem sido assassinadas ou cujo caso não foi solucionado (possibilidade alta de morte). Mas em Minas Gerais, um grande estado brasileiro, há cerca de 1495 casos atualmente, esses os registrados por órgão criado por lá. Se imaginarmos que esse é um de 25 estados, multiplique essa conta aí e lá se vão mais umas dezenas de milhares de brasileiros.

http://cafecomnoticias.blogspot.com/2008/12/caf-cidado-divulgao-de-pessoas.html?showComment=1229780400000

COMPARANDO COM AS GRANDES GUERRAS QUE ABALARAM O MUNDO:

Um grupo de pesquisas dos EUA divulgou nesta quarta-feira um estudo afirmando que cerca de 13 mil iraquianos, entre eles mais de 4.300 civis, morreram na fase de grandes combates da guerra do Iraque. (…)

O estudo do PDA vai de 19 de março ao fim de abril e explica que entre 11 mil e 15 mil iraquianos morreram na guerra, o que fez a instituição chegar à media de 13 mil. O grupo afirma também que 30% das vítimas eram “não-combatentes”. De acordo com o grupo, a maioria dos civis desta última guerra foi abatida por bombardeios, derrubando a premissa americana de que a sofisticação e a precisão de suas armas evitaria mortes “desnecessárias”.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG60901-6013,00-ESTUDO+AFIRMA+QUE+NUMERO+DE+MORTOS+NA+GUERRA+DO+IRAQUE+E+DE+MIL.html

E na Guerra do Iraque (guerra do golfo 2 e 3), algo em torno de 12.000 civis + os soldados americanos (4.000) + os soldados iraquianos (??? quem liga?? – NÃO SE ENCONTRA ESSE DADO!!!)

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Iraque

http://www.joaoleitao.com/viagens/2008/03/26/guerra-no-iraque-numero-de-soldados-americanos-mortos-em-combate-atingiu-os-4000/

Outros números mostram que as guerras de hoje “até que matam menos”…:

Triste contabilidade

Grandes conflitos do século 20 mataram mais de 60 milhões

GUERRA – 2ª Guerra Mundial (1939-1945) Nº DE MORTOS – 40 a 56 milhões

GUERRA – 1ª Guerra Mundial (1914-1918) Nº DE MORTOS – 15 a 20 milhões

GUERRA – Coréia (1950-1953) Nº DE MORTOS – 2 milhões

GUERRA – Vietnã (1964-1975) Nº DE MORTOS – 1,8 milhão

GUERRA – Bangladesh (1971) Nº DE MORTOS – 1,5 milhão

GUERRA – Indochina (1946-1954) Nº DE MORTOS – 1,2 milhão

GUERRA – Secessão de Biafra (1967-1970) Nº DE MORTOS – 1,1 milhão

FONTE: http://mundoestranho.abril.com.br/historia/pergunta_286594.shtml

Então em Israel até que se mata pouco né, comparado ao que se matou na guerra do golfo….

Mas não é só, é preciso se pensar que paralela a guerra que está escandalizando o mundo, rolam hoje cerca 14 GUERRAS DECLARADAS:

AS GUERRAS QUE ESTÃO ROLANDO HOJE – PARA ALÉM DE ISRAEL-PALESTINA

Vejamos, hoje são 14 guerras em andamento, dentre as quais, podemos destacar:

– Somália: O conflito ocorre entre forças do governo, com ajuda da vizinha Etiópia, e membros do Grupo Islâmico UCI. Saldo em 2007 = 1.400 mortos

– EUA: Luta do governo norte-americano contra Al-Qaeda. Saldo = 3.100 mortos

– Afeganistão: Luta do governo contra os Talibans. Saldo = 6 mil mortes por ano.

– Índia: Luta do governo contra insurgentes muçulmanos por espaço geográfico. Saldo = 30 mil nos últimos 30 anos.

– Filipinas: Luta do governo contra a Frente Moura de Libertação Islâmica. Saldo = 38 mil mortos.

– Israel: Governo contra grupos muçulmanos. Saldo = 15 mil mortos.

De 14 guerras, 6 envolvem grupos religiosos.

Será que esse lance de amor e compaixão vinda de Deus, já está ultrapassado?

Quando os religiosos passarão a acreditar que o que torna uma pessoa boa ou ruim é ela própria, independente de acreditar ou não em Deus?

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20080711060436AAuJ5CB

OBS: nota que os episódios de guerra com resposta rápida (repressora) por um governo, por exemplo, não foram aqui noticiadas, como a que ocorreu na Tailândia, a resistência tibetana, etc…onde também se fazem milhares de mortos, presos, e traumatizados de toda espécie.

E que para além disso, as  guerras ocorridas em locais do TERCEIRO MUNDO mal se fica sabendo (EI BRASILEIROS!!! SOMOS TERCEIRO MUNDO, NÃO SE ILUDAM!!):

http://www.terra.com.br/noticias/especial/terroreua/guerras_silenciosas.htm

O fato é que se juntarmos ASSASSINATO + TRÂNSITO no Brasil, temos cerca de 100 MIL pessoas MORTAS TODOS OS ANOS.

Então meus amigos, gostaria que buscassem dentro de vocês a correção do filtro de informações, do mais local para o mais longínquo e não ao contrário. É para repudiar? É. Mas para lá não podemos AGIR com muito mais do que envios de e-mails e lamentações, ou na melhor da s hipóteses (e com grande mérito!) envio de bons fluídos e pensamento positivo em correntes de pensamento, oração e meditação… Mas isso não basta. É preciso priorizar o foco mental naquilo em que se pode agir DIRETAMENTE, e diminuir o foco gradualmente a medida que se perde o poder de ação prática.

Então, a primeira e mais importante ação é:

PAZ INTERNA – Busca por terapias, pela coragem para se expor com verdade, pelo desmanche dos padrões neuróticos que surgem no medo e/ou na raiva.

Segue-se a isso uma corrente de ações, onde nossas energias vão sendo priorizadas da realidade mais próxima a mais distante:

PAZ AO PRÓXIMO IMEDIATO – Exercitar a arte de ouvir, a arte de aceitar mesmo sem entender, o ser mais carinhoso, o não esperar a pessoa morrer para estar perto, o dar um telefonema a mais, mudar a idéia de que certas pequenas ações são “um sacrifício pelo outro”, exercitar a paciência e tolerância, trocar os castigos e recompensas pela conversa e identificação de necessidades emocionais perante cada fase, dar bom dia mais sincero e não protocolar aos vizinhos ao elevador, tratar porteiros e vvarredores de rua com o mesmo respeito e consideração com que você trataria alguém de sua família, e todos os etecéteras que vocês já sabem. “gentileza gera gentileza”.

PAZ no seu bairro/cidade: Estimule relações cordiais entre vizinhos. Não perca tempo reclamando “porque o síndico não mandou limpar”, simplesmente suje menos, pergunte o que você pode fazer para ajudar a não acontecer mais aquilo que te incomoda, enfim”. Fale com todos, ande menos de carro não tanto por exercício ou ecologia, mas para olhar para as pessoas, forçar o encontro com elas. Peça menos pelo telefone, encontre as pessoas na rua, peça o produto e ofereça algo. Identifique as áreas mais pobres e necessitadas próximas a você, e veja se é possível se engajar em algum programa que ajude a mudar isso.

PAZ no seu país: Ajude ONGs que cuidam de problemas nacionais, de forma direta ou indireta.

PAZ no seu continente e no mundo: Siga enviando e-mails para seus amigos, apontando soluções locais e globais, descobrindo o como transformar a preocupação em AÇÃO, apontando para sites de Ongs, indicando, transmitindo o que acontece e como REAGIR.

Bem, segue aqui o desabafo. Continuo preocupado com os assassínios ultra-cruéis dos traficantes do rio, com as crianças que vejo se drogarem e dormirem como sacos de lixo nas ruas da minha cidade, e com o motorista do ônibus que eu pego que está d emal com a vida. Continuo preocupado com o sertão nordestino e com os alagamentos sem fim no estado do rio, de santa catarina etc. Continuo preocupado com as Farc e o eterno ciclo de drogas de colombia, bolivia, venezuela.. Sigo preocupado com o povo pós-índio paraguaio, que nos pede uma moeda e vive como mendiga nas ruas do paraguai que nunca se recuperou depois da chacina imposta pelo Brasil. Continuo preocupado com o embargo sem fim a Cuba e ao mesmo tempo à política interna repressora. Continuo preocupado com o assassínio de consciencia pela mídia no mundo mas principalmente nos EUA, acerca da realidade mundial. Sigo preocupado com as guerras étnicas infindáveis dos países africanos, com a xenofobia francesa e espanhola, com as guerras . Mas sigo, fazendo grande esforço, para manter a lúcidez da prioridade que dou aos meus pensamentos e ações. É preciso priorizar ao que está perto e com possibilidade ação, só assim a coisa muda. É sempre de dentro para fora.

Espero sinceramente que possamos nos juntar nesse novo posicionamento frente aos espasmos de informação que recebemos diariamente.
Um abraço a todos,
Arnaldo