Nas entranhas da Vida e Anti-vida

A vida é simples. a anti-vida é complicada.
Somos educados pelas duras liçoes anti-vida.

Vida é prazer, e é simples. É comer, fazer cocô, xixi, beijar (e tudo o mais ligado a carinho), dormir, relaxar, observar, brincar. Simples. É presente. É vida.

O futuro se faz presente também, e também é parte da vida. Aqui (lá!) vida é arrumar-se para uma festa, preparar-se com gosto para uma prova de algo com que se tenha paixão, fazer e assar o bolo preferido de alguém que se goste.

E o passado? Também conta: quando a gente relembra algo gostoso que fez, que comeu, que viveu.

Mas… a gente é anti-vida porque aprendemos a fazer tudo o que seria vida de forma deslocada:

Como não se pode parar para fazer cocô, como não se pode mostrar que se faz cocô, não se pode acessar o prazer no cocô. Além disso o cocô é feio, “sujo”, fedorento… Não se pode admitir que um ser humano tenha como produto final daquilo que absorveu – em todos os sentidos – algo assim!

Como se devem formalidades, fidelidades, pudores, cumprimento de normas, obrigação de “etiquetas” e demais agruras sociais, não se pode acarinhar quem e quando se quer.

Como xixi é perda de tempo, e se acumula até o limite, se faz cistite – o oposto do prazer nos vem.

Como não se pode dormir quando se está cansado, como acessar sonhos é coisa que a exaustão e a repressão não permitem nunca… não há prazer em dormir, e este vira, das duas uma: o sono péssimo onde se acorda de forma arrastada, ou.. evapora: é a insônia chegando. É perda de tempo dormir e fantasia ridícula o sonhar!

Brincar é coisa de criança… Se bem que nem criança brinca mais. Porque tem que ficar 4 horas na aula, e depois tem que ir pro inglês, natação informática… As crianças, exaustas de tanto pensar e tão pouco fantasiar… Não amadurecem para a realidade, tornam-se os eternos esperançosos adultos do futuro-que-nunca-será.

Ah, sim, observar a vida, apreciar um inseto a voar ou uma criança a brincar é coisa de quem não tem o que fazer. Não se pode coisa nenhuma – não se tem prazer.

Comer é permitido, mas comer bem não. O tempo, contado, dá só para engolir a comida. A qualidade de alimento incentivada é aquela que satura o cérebro de sensações de prazer-substituto, e que logo pedem para a gente achar outra coisa para ser feliz? Não achou? É só comer mais um pouco dessas coisas! Prazer verdadeiro, daquele que permanece na gente, é raro, vai ficando para trás, sem que se perceba…

Relaxar é coisa de gente relaxada, Observar e contemplar é coisa de religião, de lunático ou dos excêntricos – gente que não tem valor, porque não tem os pés no chão. O resultado é ser tenso contra ser relaxado, é ser cético-científico-negativóide contra ser “viajandão”.

Em geral, o ser humano prefere ser aprovado por ser doente do que ser condenado por ser são.

A anti-vida destroi o valor do futuro quando aprisiona a gente num tempo que não foi, para que se sofra das deformidades do agora. Ela infecta o passado, e assim o faz emergir para também roubar o presente, e não integrar-se a ele de forma saudável.

E é assim, que a anti-vida está em tudo, nos envolve, nos estraga.

As entranhas, a intimidade consigo mesmo e os sentidos deformaram-se em prol de uma adequação repressora.

Mas existe Vida. Vida é presente. E toda a vez que a gente conseguir fazer de verdade qualquer uma dessas coisas mais primitivas, viscerais, pulsantes, com todo o prazer, vive-se; e a anti-vida fica pra trás.

beijos com amor.
Arnaldo

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