Porque não participarei do concurso de escritores de Seleções

Como sabem, escrevo. Tenho artigos, crônicas, reportagens, poesias… Faço das letras refúgio, e como a gente que prefere os animais por a eles confiarem mais que aos seres humanos, confio eu nas letras.

Esse mês a revista Seleções lançou um concurso cultural, onde escritores enviam o primeiro parágrafo do que seria um livro inédito e de autoria própria. São 10 finalistas; O vencedor ganha um laptop, e os demais ganham livros de Seleções.

O que a revista só conta nas entrelinhas – ou seja, no regulamento do concurso, é que, uma vez participando, o autor cede gratuitamente e plenamente os direitos de sua obra à revista. É apenas o primeiro parágrafo.. Mas é deles. E sem o primeiro parágrafo, como publicar o tal livro a posteriori?

Pois é, um excelente futuro título condenado pela participação em concurso cultural. Por um laptop? Atenção! Qualquer inscrito cede integralmente os direitos, sendo o texto selecionado ou não…

Como não concordo nada nada com isso, publico aqui o meu primeiro parágrafo do livro, que seria destinado ao concurso. Desfrutem.

Arnaldo.

CONCURSO SELEÇÕES – Primeiro parágrafo

“A queda até parecia boa: a ausência do chão, das dúvidas, o ar que de tão abundante sufocava. Ali, a pouca distância da morte, já não havia qualquer sofrimento. O que surpreendeu Gabriel, contudo, é a velocidade com que a mente humana transcende o tempo, e é capaz de revelar os detalhes de uma vida inteira como se houvesse acontecido num flash”.

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