“Despedida” – René J. Trossero (en español y português) – comentários meus.

DESPEDIDA

¡Lo más triste no es despedirse, sino no saber hacia adónde ir…!  ¡Y lo más triste no es despedir al que parte, sino no saber dónde y para qué te quedas!

O mais triste não é despedir-se, senão não sber até onde ir…! E o mais triste não é despedir-se de quem parte, senão não saber onde e para que ficas!

Si toda la vida es un camino, y si toda la vida es una búsqueda, acéptalo, aunque te duela, toda la vida es una despedida.  ¡Y sólo aprendiste a vivir, cuando aprendiste a despedirte!  Y no habrás aprendido a caminar en libertad, buscando lo no alcanzado, mientras no te hayas despedido de lo andado y lo logrado.

Se a vida inteira é um caminho, e se toda a vida é uma busca, aceita, ainda que te doa, toda a vida é uma despedida. E só aprendeste a viver, quando aprendeste a despedir-se! E não terás aprendido a caminhar em liberdade, buscando o não alcançado, enquanto não tenhas se despedido do já andado e alcançado.

La libertad y la valentía que no tienes para despedirte de todo lo dejado y lo perdido, son la libertad y la fuerza que te faltan para seguir andando.

A liberdade e a valentia que não tens para despedir-se de tudo o que foi deixado e o perdido, são a liberdade e a força que te faltam para seguir andando.

Despídete: de los padres que ya no necesitas, y cuida de ti mismo haciéndote responsable de tu vida.

Despede-te: dos pais que já não necessitas, e cuida de ti mesmo fazendo-se responsável por sua vida.

Despídete: de los hijos que ya no te necesitan, y déjalos ser libres.

Despede-se: dos filhos que já não te necessitam, e deixa-os serem livres.

Despídete: de lo bueno que viviste, sin apegarte al tiempo que pasó, por temor del presente y el futuro.

Despede-se: do bom que viveste, sem apegar-se ao tempo que passou, por temor do presente e o futuro.

Despídete: del mal que cometiste, sin atarte con culpas y reproches; perdonándote a ti mismo.

Despede-se: do mal que cometeste, sem amarrar-se a culpas e reprovações; perdoando-se a si mesmo.

Despídete: de las ofensas que te hirieron, sin esclavizarte en la prisión del rencor y la amargura.

Despede-se: das ofensas que te feriram, sem escrvizar-te na prisão de rancor e amargura.

Despídete: de los que, muriéndose, partieron, para que dejes de esperar su regreso, y camines tu camino en la esperanza, de encontrarte tú con ellos…

Despede-se: dos que, morrendo, partiram, para que deixes de esperar sua volta, e caminhes seu caminho na esperança de encontrar-te tu com eles.

Despídete: Deja correr el río de la vida, llevándose las aguas que estás viendo, para que tengan lugar ante tus ojos las aguas que no viste todavía, y ya están viniendo…

Despede-te: Deixa correr o rio da vida, levando-se as águas que estás vendo, para que tenham lugar ante seus olhos as águas que não viste até então, e que já estão chegando…

René Trossero

(psicólogo e escritor argentino)

Tradução Arnaldo V. Carvalho

*   *   *

Em geral, nao gosto de textos diretivos, textos de auto-ajuda, fórmulas prontas de como ser feliz… Mas considerei esse texto bacana: ele lista com precisao os pontos onde o ser humano geralmente se apega, os pontos por onde lhe escapa a felicidade e que evidenciam a dificuldade de aceitar a condução da Vida; vida levar, sair do controle… A despedida fala disso, da gratidão do que se tem e do que se viveu, em oposição a “cuspida no prato” da vida quando se lamuria pelo que não se viveu. Sim, o texto fala de uma sabedoria, a sabedoria do desapego.

O desapego nada tem a ver com gostar menos, com não sentir saudades… O desapego é a compreensao exata – e consequente harmonia real do ser humano – para com o tempo e espaço que cada um ocupa, no aqui-agora e nos demais tempos… A compreensao de que tudo tem o momento, e o espaco é móvel…

Arnaldo V. Carvalho


One thought on ““Despedida” – René J. Trossero (en español y português) – comentários meus.

  1. Não gosto de despedida…acho-a triste. Não entendo a despedida como aprendizado a caminho da liberdade. Sigo em frente sem me prender mas levo na lembrança ou comigo aquilo ou alguém que amo, admiro sem prendê-los a mim ou eu a eles… nem sinto necessidade de me despedir dos erros pois estes se convertem em consertos…aprendizados da vida. Vou ler e tentar entender mais um pouco. Mas despedida p mim ainda é a ausência de algo ou alguém que se quer perto, sem apegos e prisões… Qq dia tento reescrever o q escrevi hj!

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