Pulseirinhas energéticas: funcionam? não funcionam?

Esclarecimento prévio: Esse texto foi publicado originalmente no grupo de estudos Shiatsu Emocional, restrito aos praticantes, alunos e ex-alunos da mesma escola, em 13 de setembro deste ano. Resolvi publicar aqui porque não param de me perguntar! Texto segue na íntegra e sem revisão. Espero que seja útil a todos.
Abraços do Arnaldo.

Pulseirinhas Energéticas

Por Arnaldo V. Carvalho

As pessoas têm me perguntado sobre a pulseirinha energética chamada “power balance”. Será que funciona? Será uma fraude?

Nesse momento, há falta de estudos. Que formas, materiais e imagens podem interferir nas pessoas, isso não há dúvida. Assim, formas piramidais captam energia, formas parabólicas são capazes de convergir sinais úteis para a propagação de som, imagem (é a tecnologia dos satelites, antenas parabólicas, retransmissores, etc… Materiais orgânicos tendem a atrair energia enquanto inorgânicos a isolar; Imagens podem interferir na qualidade da água (vide os trabalhos de Masaru Emoto), e lembremos, somos feitos bastante de água. A percepção de que a forma interfere nos corpos e nas relações origina desde os tempos remotos símbolos místicos, mágicos, mas também inspiram a modelos de aplicações da engenharia e outras ciências.

O uso do conjunto forma+material utilizado foi utilizado por alquimistas medievos, pelos médicos tradicionais do oriente, e por cientistas. Estes, algumas vezes, são condenados por seus colegas, mesmo tendo realizados estudos reprodutíveis satisfatórios. É o caso de Wilhelm Reich e sua caixa de orgônio, por exemplo. Pensar que um simples cubo feitos de camadas de materiais simples possa curar é um perigo muito grande a indústria farmacêutica, aos métodos de cura exaustivos e caros. Não foi a toa que Reich morreu na prisão, após pedir, sendo julgado sob acusação de charlatanismo (sendo que Reich em vida jamais fez uso comercial da caixa), que seu aparato fosse avaliado por uma comissão científica, e não por juízes ou pessoas que não teriam conhecimento técnico para concluir satisfatóriamente a questão. Até hoje a caixa e seus efeitos são verificados, mas a ciência nunca chegou a uma conclusão do “porque funciona”. Os benefícios, contudo, ocorrem em animais, plantas, e mesmo em objetos (uma lâmina de barbear numa caixinha dessas permanece com o fio com mais tempo, por exemplo).

Assim sendo, não se pode por falta de estudo deixar de acreditar que um objeto baseado em forma/material não cause interferências, sejam positivas, sejam negativas. Pela mesma falta de estudos igualmente não se pode ser totalmente crédulo.

O Power balance pega carona na idéia da “forma que interfere”, da mesma maneira que há “cristais radiônicos” ligados hoje a poderosos computadores, que captam a informação dos cristais e emitem diagnósticos complexos, e podem inclusive interferir A DISTÂNCIA nos campos do objeto de estudo. Na clínica onde eu trabalho, há um aparelho desses (chama-se Quantek), custa milhares de reais e é utilizado por um radiestesista sério. Tem inclusive premiação e reconhecimento de autoridades governamentais de países da cortina de ferro como a Ucrânia.

Além do Power Balance, temos o símbolo compensador André Philippe, materiais de cerâmicas especiais (teoricamente emitentes de energia fotônica, em especial a infra-vermelha), imagens de pessoas santas, utilização de imãs e objetos imantados, símbolos místicos chineses, hindús e mesmo celtas, tudo utilizado em adesivos, adornos, objetos, gráficos, itens de vestuário e outros. A idéia é sempre a mesma: a forma, seu significado, seu material, sua composição final que inclui tudo isso no final das contas é energia/vibração, e essa energia com potencial vibratório poderá fazer diferença no corpo e na mente humana. Alguns desses itens passam a ser fabricados por uma indústria que alimenta gente muito interessadas em recorrer a recursos simples, com grandes benefícios e em princípio mínimos efeitos negativos. Quando isso acontece, é sempre o mesmo: a turma dos céticos ataca e ridiculariza, os crédulos compram sem pensar, e a indústria fatura.

Fato é que se essas coisas não são verdade ao menos em parte, teremos que desistir da idéia de recorrer ao shiatsu, a acupuntura e suas agulhas, e atualmente stipers (pastilhas de silício) e eletroestimuladores. Teremos de desistir também de outros aparelhos que captam outras formas de onda, como televisões, celulares, satélites, computadores. Por outro lado, se isso tudo ou parte disso é verdade, vale um pequeno comentário, é preciso mais preocupação com as cores que usamos, com os objetos em nossa casa, a disposição dos móveis, e também será necessário investir em planejamento urbano levando em conta essas coisas. Teremos que pensar num mundo com muito mais noção de impacto, e talvez passemos a catar minhocas antes de executar as fundações numa casa. O Feng-Shui será obrigatório e o mundo passará por um reconhecimento do meta-místico-científico, ou meta-científico-místico, como queiram. Mas vejam o que escrevi: verdade em parte.

Mesmo havendo benefícios, esses em geral são mínimos. São detalhes que não fazem a vida ficar tão melhor; Não fazem milagres, não curam doenças, não são capazes de substituir a única fonte real de cura, que vem do interior da pessoa e expressa-se e sintoniza-se no Amor/força-da-vida/sintonia-com-a-rede. A propaganda feita é sempre muito maior do que o efeito prometido. Há estudos que calculam que o preço real de um produto é de apenas 20% seu valor final (incluindo as despesas de produção e distribuição), porque os outros 80% são utilizados em MARKETING. Não duvidem se os famosos que usam as pulseirinhas ganharesm alguns milhares de dólares para faze-lo.

Um estímulo de meridiano pode causar tanto reequilíbrio quanto desequilíbrio. Um objeto no pulso poderá interferir em todo o corpo através do meridiano do coração, mas pode claro interferir negativamente nos circuitos como um todo. Assim, é sempre complicado a idéia de um objeto fixo a estimular todo o tempo um canal. De qualquer forma, ao longo das eras homens e mulheres utilizaram objetos fixos: anéis, brincos e cordões fazem parte do pelotão da indumentária mágica que tenta auxiliar as condições energéticas dos seres humanos. De algum modo, com o passar dos anos o corpo obviamente poderá sentir repercussões de tais estímulos, e se adaptará inclusive a elas.

O que interessa para nós no Shiatsu Emocional é, em última instância, é o que esses itens podem fazer com a cabeça das pessoas. Se por um lado, podem produzir benefícios reais, para além de um efeito placebo (que também entra na conta, o poder da sugestão está aí, e não é a toa que o Power Balance alardeia que artistas, atletas, etc. diversos estejam utilizando “e obtendo resultados”), por outro, repetir o processo de expropriação do poder de cura interior das pessoas.

Os terapeutas tem que ter muito cuidado antes de passar um remédio, seja ele floral, homeopático, aromaterápico, etc – quanto mais recomendar “objetos com propriedades terapeuticas”. Ele precisa pensar que, da mesma forma que a alopatia, quando recomendam um remédio externo a um indivíduo, estão lhe destituindo seu próprio poder. Afirmam: “seu corpo não consegue se equilibrar, precisa de uma fonte externa”. Vivemos num mundo de Sansões sempre a perder seus poderes quando cabelos são cortados. Assim, pessoas já não dormem sem seus ansiolíticos, dependentes de cocaína já não transam sem cheirar, o corpo não acorda sem um cafezinho, a tiróide não funciona sem a tiroxina”zinha”, a vida já não presta caso se esteja sem apoios para todos os lados. Se no passado um velhinho se apoiava numa bengala, nos dias de hoje estamos todos apoiados, desde crianças (com seus “voadores”), em muitas bengalas, que nos facilitam a vida, fazem por nós – e nos fragilizam.

É isso o que queremos, enquanto terapeutas? Desejamos estimular dependências? Desejamos retirar o poder do corpo, da cura? Ainda essa semana o assunto das vacinas voltou a tona no grupo de estudos. Aqui, o assunto é o mesmo. Seja para prevenir ou remediar, afinal, quem é que deve fazer o esforço, as transformações químicas e biológicas, a regulação energética? O indivíduo deve ser declarado definitivamente um incapaz ?

Claro, vivemos em grupo, a co-dependência é necessária, e o corpo é passagem. É passagem, a energia entra e sai, o sal entra e sai, o ar, os alimentos entram e saem. Fazemos parte de um sistema muito maior, e esse sistema é fantástico quando todos participam da maneira correta. A sensação que temos é que o bicho-homem não está colaborando e o resultado se refletirá aos seus indivíduos, na sua coletividade, e finalmente a toda a natureza. É bom interagir com todas as forças: pessoas, natureza, roupas, tecnologia… É bom ter a disposição um arsenal de técnicas e medicamentos, e é bom fazer parte de uma rede onde, quando alguém falha ou outro pode ajudar a arrumar.  É ruim quando essas interações se tornam desequilibradas, tendenciosas, desorganizadas, sem sintonia com o Tao. A sintonia com o Tao requer um compromisso íntimo de cada um para com esse Equilíbrio, em todas as suas esferas (do microverso ao macroverso).

Resumindo, podemos montar uma pequena carta de vantagens e desvantagens no uso de terapeuticas externas (aqui o exemplo é da pulseirinha):

Vantagens no uso do Powerbalance (isso é, caso funcione!):

– Pode causar algum tipo de interferência positiva nos meridianos, nos campos eletromagnéticos e vitais da pessoa.
– Pode atuar mesmo sem a consciência do indivíduo, mesmo que ele não faça esforço e mesmo que esteja dormindo, por exemplo.
– Pode gerar um efeito placebo positivo.

Desvantagens claras no uso do Power Balance:
– Pode causar distúrbios no equilíbrio natural dos meridianos, ainda que seus fabricantes digam que não;
– Fomento a sociedade de consumo-capitalismo-originárias de diversas neuroses;
– Transferência NO MÍNIMO PSICOLOGICA do poder (e responsabilidade!) de auto-organização para um objeto;
– Terapia que não envolve conscientização, não envolve relações humanas e consciencia do papel do indivíduo na Rede Vital e a relação disso com sua própria saúde;

Espero que minha análise seja útil a todos.
Um abraço,
Arnaldo

Alguns links para/sobre a pulseirinha power balance:

http://yahoo.tecontei.com.br/noticias/braceletes-que-prometem-equilibrio-viram-mania-entre-os-famosos-87284.html

De relógios caros a bolsas com preços igualmente astronômicos, os famosos sempre lançam moda. Mas a novidade desta vez cabe no orçamento de muita gente e não é feita de pedras preciosas ou de ouro. As pulseiras de plástico Power Balance e similares prometem equilibrar o organismo e já tem um time de fãs de peso. Leonardo DiCaprio, PDiddy, Robert De Niro, Khloe Kardashian, David Beckham, Luciano Huck e Ana Maria Braga, entre outros, não tiram as suas dos pulsos.

GALERIA DE FOTOS: Veja quem usa os braceletes energizantes

De acordo com o fabricante, o segredo do acessório são dois hologramas com frequencias que reagem positivamente com o campo de energia do corpo, dando sensação de bem-estar. Atletas como Beckham, Cristiano Ronaldo, Shaquille O’Neal, Lamar Odom – marido de Khloe – e Rubens Barrichello não deixam as suas em casa. Os braceletes fariam com que além do equilíbrio corporal, a força e a flexibilidade fossem maiores.

Apesar da legião crescente de usuários, os benefícios não são comprovados cientificamente. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proibiu, em 3 de setembro, propagandas que façam menção aos supostos efeitos terapêuticos. Segundo a agência, o produto não é registrado no órgão e não pode ser vendido com a proposta de melhorar a saúde.

sites e vídeos sobre a pulseirinha:
http://www.powerbalance.com/
http://www.brasilpowerbalance.com/

http://www.mdig.com.br/index.php?itemid=9751
http://www.youtube.com/watch?v=XnM_M5YkG_I
http://www.fayerwayer.com.br/2010/05/nao-caia-no-golpe-das-pulseirinhas-power-balance/
http://www.pulseirapowerbalance.com/

2 thoughts on “Pulseirinhas energéticas: funcionam? não funcionam?

  1. ganhem juízo, não têm onde gastar o vosso dinheiro??? Acham que uma pulseira pode fazer alguma coisa? Se reclamarem o fornecedor devolve o dinheiro pois não pode comprovar que a pulseira faz algo de bom. Tudo se compra desde que seja colorido… parecemos os nativos na chegado do Tuga.

    • Prezada, se observar as postagens que faço em meu blog pessoal, verá que mesmo que eu possua restrições ou ideias negativas acerca de algo, e inclusive descrenças ou crenças, não acuso ninguém de pensar diferente. Entre o crédulo e o incrédulo talvez eu ainda fique com o incrédulo, mas a ideia do post era fazer uma análise sem preconceitos sobre um fenômeno de vendas que se apropria de uma ideia antiga, oriunda da radiônica e dos saberes radiestésicos e vibracionais. Ao execrar os “nativos” de um local e/ou o comportamento atual dos consumidores, você se coloca em posição superior. Você se considera superior nas suas crenças e modos de ver? Obrigado por sua participação.

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