Votar no menos pior? NUNCA! (sobre joguinhos eleitorais)

Votar no menos pior? NUNCA! (sobre joguinhos eleitorais)

Por Arnaldo V. Carvalho

Na disputa das últimas Olimpíadas, a seleção brasileira de basquete precisava perder da Espanha se quisesse evitar enfrentar o dreamteam dos EUA na fase seguinte – o que acarretaria em eliminação certa. A equipe espanhola enfrentava a mesma condição naquela partida. Ao longo da partida, a Espanha demonstrou em diversos momentos que estava entregando o jogo ao adversário. Ao contrário dos espanhois, os brasileiros jogaram o que podiam, deram seu melhor. Venceram. E perderam, sim, de lavada dos EUA no jogo seguinte, despedindo-se do torneio (a Espanha conseguiu o seu intento e foi para as finais). Na ocasião, o basquete brasileiro precisou da ajuda de um técnico argentino para ser um Brasil diferente, um Brasil que dá sempre o seu melhor, que admite ser derrotado, só não admite não enfrentar as circunstâncias. Sem subterfúgio. Sem joguinhos. Como eu gostaria que essa lição fosse transmitida à política, especialmente na hora do voto!

A coletividade deve se empenhar em ser transparente para com suas opiniões e convicções, se quer a contrapartida de governantes igualmente transparentes. Caso contrário, seguiremos o “país do joguinho”, dos conchavos, dos acordos por trás, do “deixar de votar no C para votar no A, não porque se gosta do A, mas só para prejudicar o B”. Se dizem que “o vídeo imita a vida”, posso garantir que a política imita a mentalidade coletiva. Segue valendo a máxima de que “todo povo tem o governante que merece”. 

Sou totalmente desfavorável a ideia de votar no “menos pior”; ou “não vota no candidato que não tem chance, senão você está dando voto pro fulano (que está ganhando e você não quer”. Joguinhos. Detesto joguinhos quando o assunto é votar para eleger os governantes de nosso país. Tenho candidato? Voto. Não tenho? Anulo. Ponto. Meu candidato vai perder? E daí, estou com ele, é nele que acredito. Os outros não me interessam. Estou com ele, ponto de novo.

Votar nulo é “feio”, é “não participar da democracia”? Não há democracia em não se poder pensar que nenhum dos candidatos a posição x é válido! O voto nulo no Brasil tem sido pensado ora como “falta de consciencia política”, ora como “protesto”. Não pode ser a simples conclusão de que nenhum dos dois (ou três, quatro, cinco…) tem condições de governar? Claro que se não há joguinhos, vai haver um número de abstenções grande (o voto nulo ou em branco não deixa de ser uma abstenção). E claro que um percentual alto, quanto mais em tempos de urna eletrônica, indica uma taxa de significativa de REJEIÇÃO aos candidatos. Isso é comunicação clara, franca, é porta aberta à reflexões, é fomento a discussão transformadora e necessária da sociedade. 

Não faço joguinhos, essa é a minha convicção e todo mundo já sabe. Me esforço para encontrar candidatos que acredito que possa bem me representar e representar a minha comunidade, minha cidade, meu país, ou ao menos reúna de fato as características e visões que considero indispensáveis; mas não sujo meu voto, meu nome, votando sem acreditar. Meu voto vale ouro. Quem recebe o meu voto está recebendo uma convicção muito grande. Ele vale mais do que um milhão de votos frutos do “joguinho”. Meu voto é do tamanho do meu coração. Sei que vocês que me leem têm também um coração valioso. Dê ao seu voto esse valor! Investigue, deixe a preguiça de lado, mas nunca, nunca, deem voto sem acreditar.

* Arnaldo V. Carvalho é pai, marido, terapeuta, escritor, e eleitor que procura votar com consciência. 

http://www.arnaldovcarvalho.com

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