As Sete Pragas de São Gonçalo

Por Arnaldo V. Carvalho

São Gonçalo, cidade católica de nome e considerada a mais evangélica do país, por clemência divina não tornou-se, nesse verão, palco de um reprise inacabada do episódio das pragas do Egito, contadas no Velho Testamento. Como na Bíblia, a discórdia precede as manifestações terríveis.  Graças a Deus e a população que reagiu, conseguimos vencer até aqui esse período.

Em nosso caso, o governo anterior utilizou “para variar” dinheiro público para tentar eleger seu candidato, deixando de cumprir com suas obrigações, fazendo dívidas, etc. Uma vez tendo perdido, a briga com o vencedor tem como saldo um rombo nas contas e o colapso na infra-estrutura de manutenção.

AS PRAGAS

I – Calor

Primeiro veio o calor insuportável, prometendo um verão infernal. Termômetros chegaram a registrar 50 graus na cidade. A urbanização precária e não planejada é um dos mais antigos e não solucionados problemas da cidade. Urbanização não é simplesmente deixar uma cidade “arrumadinha”, mas é em si um meio de colocar a cidade em harmonia com a natureza, que pode e deve acontecer dentro do período urbano, sendo protegida e nos protegendo em consequência.

Não havia o que fazer, cada um se virou como pôde. Mais banhos, ventiladores, e quem tinha condições colocou o ar-condicionado para funcionar sobretudo a noite.

II – Mosquitos

E os mosquitos vieram em seguida, com toda a força. Soma-se ao calor mal manejado uma completa falta de programas preventivos – de campanha conclamando a população a estar atenta aos fatores de desenvolvimento de fatores a ausência de uma política sistemática de controle pragas e vetores.

Aqui nós ficamos atentos a fontes de água parada, aparamos bastante o quintal, e passamos a usar repelentes e ventiladores com mais frequência  As lagartixas eram sempre bem vindas.

III – Falta de água

Pane na adutora deixou vários bairros sem água durante até três dias; depois, os canos nas ruas começaram a estourar, canos novos de uma obra financiada pelo PAC meses antes. Passou a faltar água em várias casas de nosso bairro, e tivemos a notícia que em muitos outros. A escassez permaneceu por semanas.

Racionamento total, banhos na casa de parentes mais distantes, uso de produtos químicos para compensar falta de água em banheiros, e outras estratégias foram utilizadas.

IV – Lixo

A briga da prefeitura com a empresa responsável pela coleta deixou a cidade a mercê de uma quantidade insuportável de lixo. As ruas fediam, o lixo apodrecia em frente e dentro das casas das pessoas, tornando-se insuportável.

Os moradores passaram a manter mais tempo o lixo em casa, o quanto puderam. Foram acionados todos os departamentos possíveis relacionados a infra-estrutura: ouvidoria, limpeza urbana, infra-estrutura e outros departamentos da prefeitura, a empresa de lixo, os sites de reclamação (Reclame Aqui, Reclamao etc.), a imprensa (jornais locais e estaduais, programas de TV e rádio).

Em nossa casa nova lixeira foi comprada, de maior capacidade e que lacrava bem, os sacos mantidos sempre amarrados e na medida do possível.

V – Moscas

A quantidade de moscas se multiplicou em níveis desesperadores, ocupando todos os cômodos das casas, intercambiando o lixo onde nasciam com os alimentos onde pousavam. Ficou impossível deixar qualquer alimento exposto sobre uma mesa, e cozinhar foi uma “operação de guerra” durante todo o período. São Gonçalo tornou-se a verdadeira cidade das moscas.

Matamos dezenas de moscas diariamente, usando raquete elétrica. A venda de inseticidas aumentou muito nos mercados, o que se constatou facilmente pelo esvaziamento das prateleiras. Após pesquisas montamos aqui armadilhas ecológicas com garrafas PET.

VI – Chuvas

As fortes precipitações do verão alagaram ruas e bairros da cidade, espalhando o lixo e a podridão, fazendo-o se infiltrar nos canos de água limpa (que permaneciam quebrados), e invadir as casas, levando a população ao risco de séria contaminação e doenças e causando transtornos materiais.

Placas foram colocadas para evitar que a água invadisse as moradias; em meio a racionamento de água, foi mais difícil mas houve limpeza de quintais, calçadas e o que mais foi prejudicado foi limpo e desinfetado.

VII – Ratos

A sétima praga seria o total descontrole causado pela presença nociva de ratos, que já foi cenário de crise em problemas semelhantes, ocorridos não por acaso em meio a trocas anteriores da administração local. A nova prefeitura terá que correr contra o relógio para evitar uma pane e que surjam mais pragas, que trarão doença e morte de cidadãos.

A população reagiu como pode, com protestos pacíficos, reclamações, elaboração de sites, e também cuidando de suas casas e mantendo-se da maneira que foi possível. A situação não está normalizada, mas seguiremos AGINDO. Afinal, “se DEUS ESTÁ CONOSCO, quem estará contra?” (Romanos, 8-31)

 

*   *   *

 

Arnaldo V. Carvalho é terapeuta e cidadão gonçalense.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s