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Archive for 6 de Setembro, 2013

Há uma versão mais popular desse texto traduzido, que circula bastante pela Internet e é figurinha fácil de vários blogs.

Cheio de apelo, a descrição da decrepitude é uma radiografia triste, belamente concebida em torno do envelhecimento.

Verificando o original em inglês, percebi que a tradução podia ser mais fiel. Fi-lo, portanto. Será o texto uma ficção ou não? Terá

realmente sido escrito por uma velha?

 

Minha opinião é de que não. O texto busca dar uma “chacoalhada” nas pessoas e atentar para velhice e suas dificuldades;

busca fazer refletir sobre a história cumulativa de cada, e sobre o respeito a essas histórias acumuladas muitas vezes num

corpo algumas vezes já inválido.

 

O ponto negativo é que de certa forma, pressiona ao respeito pelo medo, pelo “não quero ficar assim nem ser tratado assim quando for minha vez”. De outra sorte, é fatalista e reza que envelhecer é invariavelmente degenerar. O que reforça uma crença negativa do envelhecimento como ligado necessariamente ao fim sofrido. Sim, nos grandes olhos daqueles que já não tem textura macia, carne tenra para suavizar contornos e sustentar a ocular às órbitas, vemos uma história longa.

 

A história de uma senhora como essa, se existiu, já não a assusta. Se foi ela quem escreveu, escreveu com aquela velhice que sabe criar impacto, quase que rogando uma praga a quem não compreende-la, aceita-la e bem trata-la. Sim, ela pede que a olhe por inteiro. Mas aqui cabe não uma crítica positiva ou negativa, mas uma pergunta: afinal, somos o passado em nós acumulados, ou apenas somos o que somos?

Independente dos mil ângulos, aqui vai o texto. Aguardo os comentários!

Arnaldo V. Carvalho

Poema de uma Velha Senhorita

(Tradução de Arnaldo V. Carvalho)

Quando uma velha senhora morreu na ala geriátrica de um pequeno hospital perto de Dundee, Escócia, pensaram que ela não

tinha deixado nada de valor. Depois, quando as enfermeiras foram aos seus pertences, acabaram encontrando este poema. Sua

qualidade e conteúdos impressionou tanto a equipe que então cópias foram feitas e distribuídas para cada enfermeira no

hospital. Uma delas levou uma cópia para a Irlanda.

A única herança que a velha deixou a seus sucessores foi publicado na edição de Natal da notícia da União para a Saúde

Mental na Irlanda do Norte. Assim, esta velha senhora da Escócia, sem posses materiais para deixar ao mundo, é a autora deste poema “anônimo” que circula na Internet.

Poema de uma Velha Senhora

O que vocês vêem, enfermeiras, o que vocês vêem?

O que vocês pensam quando estão olhando para mim?

Uma senhora ranzinza, não muito astuta,

Imprecisa nos movimentos, com olhos distantes?

Que desvia-se de sua comida e não reage

Quando você diz em voz alta, “Eu desejo que você tente!”

Que aparenta não perceber as coisas que você faz,

E está sempre perdendo uma meia ou um sapato…

A velha que cospe comida que não responde ao tentar ser convencida… “De, fazer um pequeno esforço?”

A velha, que vocês acreditam que não se dá conta

das coisas que vocês fazem e que continuamente

perde a sua escova ou o sapato ?

A velha, que contra sua vontade,

mas humildemente lhes permite

fazer o que queiram,

que me banhem e me alimentem

só para o dia passar mais depressa….

É isso que vocês acham?

É isso que vocês vêem? Se assim for, abram os olhos, amigas, porque isso que vocês vêem

não sou eu!

Vou lhes dizer quem sou, quando estou sentada aqui, tão tranquila

como me ordenaram…

Sou uma menina de 10 anos, que tem pai e mãe, irmãos e irmãs que se amam.

Sou uma jovenzinha de 16 anos. Com asas nos pés, e que sonha encontrar seu amado.

Sou uma noiva aos 20,

Que o coração salta nas lembranças,

Quando fiz a promessa

Que me uniu até o fim de meus dias com o AMOR de minha vida.

Sou ainda uma moça com 25 anos,

Que tem seus filhos,

Que precisam que eu os guie…

Tenho um lugar seguro e feliz !

Sou a mulher com 30 anos.

Onde os filhos crescem rápido,

E estamos unidos com laços que deveriam durar para sempre…

Quando tenho 40 anos

Meus filhos já cresceram

E não estão em casa…

Mas ao meu lado está meu marido

Que me acalenta quando estou triste.

Aos cinquenta, mais uma vez comigo deixam os bebês, meus netos,

e de novo tenho a alegria das crianças, meus entes queridos junto a mim.

Aos 60 anos, sobre mim nuvens escuras aparecem,

meu marido está morto; e quando olho meu futuro

me arrepio toda de terror.

Os meus filhos se foram, e agora tem os seus próprios filhos…

Então penso em tudo o que aconteceu e no amor que conheci.

Agora sou uma velha.

Que cruel é a natureza….

A velhice é uma piada

Que transforma um ser humano

Em um alienado.

O corpo murcha

Os atrativos e a força desaparecem

Ali, onde uma vez teve um coração

Agora há uma pedra.

No entanto, nestas ruínas, a menina de 16 anos ainda está viva.

E o meu coração cansado, ainda está repleto de sentimentos

Vivos e conhecidos

Recordo os dias felizes e tristes

Em meus pensamentos volto a amar e a viver o meu passado.

Penso em todos esses anos

Que foram, ao mesmo tempo poucos

Mas que passaram muito rápido,

E aceito o inevitável..

Que nada pode durar para sempre… por isso, abram seus olhos e vejam

Diante de vocês não está uma velha mal-humorada

Diante de vocês estou apenas “EU…”

*   *   *

*************** A TRADUÇÃO ANTERIOR **************

Quando uma velha senhora morreu na seção para o tratamento de doenças da velhice em uma pequena clínica perto de Dundee, na Escócia, todos estavam convencidos de que ela não havia deixado nada de valor.

Então, quando as enfermeiras verificaram seus poucos pertences, encontraram um poema. Sua qualidade e conteúdo impressionaram todas as pessoas, e todas as enfermeiras queriam uma cópia do mesmo.

Uma delas levou uma cópia para a Irlanda. A única herança – o poema – que a velha deixou para seus sucessores foi publicado na edição de Natal da notícia da União para a Saúde Mental na Irlanda do Norte. Este poema, simples, mas eloqüente, também foi apresentado com slides. Então, esta velha senhora da Escócia, sem posses materiais para deixar, é a

autora deste poema “anônimo” que circula na Internet.

A Velha Rabugenta

Texto encontrado em pertences de uma idosa que não tinha posses materiais

Que vêem amigas? Que vêem? Que pensam quando me olham?

Uma velha rabugenta não muito inteligente, de hábitos incertos, com seus olhos sonhadores fixos ao longe?  A velha que não responde ao tentar ser convencida… de, “fazer um pequeno esforço?”

A velha, que vocês acreditam que não se dá conta das coisas que vocês fazem, e que continuamente perde a sua escova ou o sapato?

A velha, que contra sua vontade, mas humildemente, lhes permite fazer o que queiram, que me banhem e me alimentem só para o dia passar mais depressa….

É isso que vocês acham? É isso que vocês vêem? Se assim for, abram os olhos, amigas, porque isso que vocês vêem não sou eu!

Vou lhes dizer quem sou, quando estou sentada aqui, tão tranqüila como me ordenaram…

Sou uma menina de 10 anos, que tem pai e mãe irmãos e irmãs que se amam.

Sou uma jovenzinha de 16 anos. Com asas nos pés, e que sonha encontrar seu amado.

Sou uma noiva aos 20, cujo coração salta nas lembranças, quando fiz a promessa que me uniu até o fim de meus dias com o AMOR de minha vida.

Sou ainda uma moça com 25 anos, que tem seus filhos, que precisam que eu os guie…

Tenho um lugar seguro e feliz!

Sou a mulher com 30 anos. Onde os filhos crescem rápido, e estamos unidos com laços que deveriam durar para sempre…

Quando tenho 40 anos meus filhos já cresceram e não estão em casa… Mas ao meu lado está meu marido que me acalenta quando estou triste.

Aos cinqüenta, mais uma vez comigo deixam os bebês, meus netos, e de novo tenho a alegria das crianças, meus entes queridos junto a mim.

Aos 60 anos, sobre mim nuvens escuras aparecem, e quando olho meu futuro me arrepio toda de terror.

Os meus filhos se foram, e agora têm os seus próprios filhos…

Então penso em tudo o que aconteceu e no amor que conheci.

Agora sou uma velha. Que cruel é a natureza…

A velhice é uma piada que transforma um ser humano em um ser alienado.

O corpo murcha, os atrativos e a força desaparecem. Ali, onde uma vez esteve um coração agora há uma pedra.

No entanto, em meio às ruínas a menina de 16 anos ainda está viva.

E o meu coração cansado ainda está repleto de sentimentos vivos e conhecidos.

Recordo os dias felizes e tristes. Em meus pensamentos volto a amar e a viver o meu passado. Penso em todos esses anos,

que foram, ao mesmo tempo, poucos, mas que passaram muito rápido, e aceito o inevitável..

Que nada pode durar para sempre… por isso abram seus olhos e vejam: diante de vocês não está uma velha mal-humorada.

Diante de vocês estou apenas “EU…”.

Uma menina, mulher e senhora viva…!!!

E com todos os sentimentos de uma vida…”

*************** A VERSÃO ORIGINAL ***************
Original em inglês:

An Old Lady’s Poem, Anonymous

When an old lady died in the geriatric ward of a small hospital near Dundee, Scotland, it was felt that she had nothing

left of any value. Later, when the nurses were going through her meager possessions, they found this poem. Its quality and

content so impressed the staff that copies were made and distributed to every nurse in the hospital. One nurse took her

copy to Ireland. The old lady’s sole bequest to posterity has since appeared in the Christmas edition of the News Magazine

of the North Ireland Association for Mental Health.

… And now this little old Scottish lady, with nothing left to give to the world, is now the author of this simple, yet

eloquent, poem traveling the world by Internet. Goes to show that we all leave “SOME footprints in time”…..

An Old Lady’s Poem

What do you see, nurses, what do you see?
What are you thinking when you’re looking at me?
A crabby old woman, not very wise,
Uncertain of habit, with faraway eyes?
Who dribbles her food and makes no reply
When you say in a loud voice, “I do wish you’d try!”
Who seems not to notice the things that you do,
And forever is losing a stocking or shoe…..
Who, resisting or not, lets you do as you will,
With bathing and feeding, the long day to fill….
Is that what you’re thinking? Is that what you see?
Then open your eyes, nurse; you’re not looking at me.

I’ll tell you who I am as I sit here so still,
As I do at your bidding, as I eat at your will.
I’m a small child of ten …with a father and mother,
Brothers and sisters, who love one another.
A young girl of sixteen, with wings on her feet,
Dreaming that soon now a lover she’ll meet.
A bride soon at twenty — my heart gives a leap,
Remembering the vows that I promised to keep.
At twenty-five now, I have young of my own,
Who need me to guide and a secure happy home.
A woman of thirty, my young now grown fast,
Bound to each other with ties that should last.
At forty, my young sons have grown and are gone,
But my man’s beside me to see I don’t mourn.
At fifty once more, babies play round my knee,
Again we know children, my loved one and me.
Dark days are upon me, my husband is dead;
I look at the future, I shudder with dread.
For my young are all rearing young of their own,
And I think of the years and the love that I’ve known.

I’m now an old woman …and nature is cruel;
‘Tis jest to make old age look like a fool.
The body, it crumbles, grace and vigor depart,
There is now a stone where I once had a heart.
But inside this old carcass a young girl still dwells,
And now and again my battered heart swells.
I remember the joys, I remember the pain,
And I’m loving and living life over again.
I think of the years ….all too few, gone too fast,
And accept the stark fact that nothing can last.

So open your eyes, nurses, open and see,
…Not a crabby old woman; look closer …see ME!!

 

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