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Archive for Outubro, 2014

 

Não está muito nítido para você, infelizmente (a câmera desse celular é pobre). Mas o assunto é a prioridade que dão aos nossos olhos. O quanto a imprensa publica o que o povo quer, e o quanto ela manipula? Aqui temos os vários jornais diários vendidos no Rio de Janeiro. Todos eles deram grande destaque ao futebol, e de forma muito pouco destacadas, exibiram manchetes como:Manchetes dos jornaisO Globo: LIXO NUCLEAR AMEAÇA PARAR AS USINAS DE ANGRA; JOVENS SÃO CAMPEÕES DE AUTOMEDICAÇÃO

EXTRA: Professor inicia greve em todo o Rio; Rua afunda e obra do metrô para na zona sul

Essa greve, aliás, foi de uma covardia desigual, e quase não entrou nos jornais. Quase não entrou, e os professores não conseguiram uma mobilização popular como a obtida pelos bombeiros tempos atrás… É desesperador. Mas esse é um capítulo a parte.

Em todo o canto notícias sérias e da máxima importância deixadas em pequeno plano. Não que o jornal só deva publicar desgraça, acho que todo mundo merece um pouco de relaxamento, lazer, prazer. Mas o desequilíbrio aqui é muito claro.

Panis et circensis.

(Arnaldo)

 

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Pois é, achei estranho haverem dois preços para o repolho. Mas cheguei no caixa com um e não falei nada. A moça registrou e a máquina apontou que o quilo do repolho custava 2,99. Mostrei a foto que havia tirado, e eles baixaram para 1,99. Descuido, má fé ou o quê?P12-02-14_08.37

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Entrei numa loja e encontrei isso. Você concorda?

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The journey ir the reward“O caminho é a recompensa”.

Provérbio Taoísta

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Pintura Edward BachEssa imagem é bastante conhecida na Internet. Mas esse é um quadro pintado a mão, em tamanho grande (deve ter 2m de comprimento) e que pertence ao Instituto Avalon. Uma bela homenagem desse ótimo centro de cursos de São Paulo, ligados às terapias naturais.

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No consultório do meu professor Sylvio Porto, há um quadro branco, frequentemente usado para supervisões e aulas menores. Certo dia ao entrar encontrei o seguinte dizer:

Nunca reclame daquilo que você permite

 

Um dia inspirador e decidido para você. (Arnaldo)

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O Terapeuta Nu: Diálogo imaginário com Wilhelm Reich

ou De quando o terapeuta participa da resistência terapêutica com suas próprias neuroses

 

Por Arnaldo V. Carvalho (abril 2014)

 

Converso sempre com meus professores. Um deles é Wilhelm Reich (1897-1957), um dos maiores cientistas da natureza humana de todos os tempos. Meu Professor Reich – construído de leituras e devaneios –, é um sujeito extremamente objetivo, sempre com aquela paciência encurtada para com tudo o que crio em meu mar de ilusões, tudo o que me afasta da realidade.

Certa vez, reclamei com Reich a propósito das resistências surgidas em terapia.

– Reich, as pessoas não aguentam muito tempo.

– Diabos, é você que não os aguenta.

– Mas professor, faço meu trabalho direitinho… Acredito que estabeleço o contrato terapêutico adequadamente, explico minuciosamente que, por melhor que façamos, a psique não se reintegra da noite para o dia e, de quando em quando, incentivo-os a perceber o próprio progresso.

– Você não os aguenta, Arnaldo. Não suporta que o abandonem.

– …

– Sua necessidade os transforma em tiranos, tanto quanto há bebês tiranos a controlar suas mães. Afinal, você é ou não é uma mãe para eles?

– (voz embargada) Deixe disso Reich.

– É ou não é?

– Se está se referindo ao fato de tratá-los com o carinho que um ser humano merece, pode ser.

– E o seu orgulho de ser “humano”, facilitando horários, pagamentos, permitindo que eles ditem o ritmo da terapia, e usem todas as máscaras que desejam e os mantém confortáveis dentro do setting terapêutico? Isso é o quê? Você imita sua figura de referência Arnaldo, você quer ser a mãe sem fim que no final se estrepa – igualzinho a sua mãe. Seus “filhinhos”, nesse excesso de postura, às vezes vão embora antes de estarem equilibrados para isso.

– Já chega Reich! Também não sou como você! E, meus clientes também não são como os seus. Nosso mundo em meu tempo pede por mais suavidade, chegamos a um ponto onde, em contraste ao rigor agressivo nos inter-relacionamentos, há uma falta de Contato insuportável. Além disso, cada um tem seu ritmo, e preciso respeitar isso.

(Clap, clap – palmas irônicas surgem das mãos do professor):

– Bonito isso… – e mudando da ironia para a expressão de reprovação surpresa:

– E o que te faz pensar que dessa forma acaba por impedir que as pessoas amadureçam suas relações com frustrações? É assim que elas aumentarão o contato consigo mesmas, se apropriarão da realidade?!

Reich não pestanejou e seguiu disparando certeiro dentro do meu Ego.

– Já pensou que quando o sujeito procura sua terapia, está pedindo por uma mudança do velho ritmo? Que o modus operandi que ele utilizou até aqui mostrou-se um desastre? Então como é que se deixa a pessoa “conduzir a terapia em seu próprio ritmo”?

– Isso é verdade.

– Então como esperar mudança permitindo que ele fique no lugar comum que o levou até ali?

Reich já me tinha na palma de sua mão.  Mas, por algum modo inexplicável, seguia apostando em meu potencial. Resolveu sair da qualidade de atacante e, assumindo tom professoral, colocou-me em meu lugar, ao repetir aquilo que já havia me explicado um sem número de vezes.

– Em terapia sempre vai haver resistências. A mais grave é aquela que o terapeuta subsidia, através de suas próprias dificuldades emocionais. É assim que você, por exemplo, alimenta o bebê tirano que surge no processo transferencial de um cliente que te vê como figura paterna ou materna. Ele reassume o comando, e quando você finalmente decidir enfrentá-lo – provocando o sujeito ao apontar para esse aspecto regredido em sua personalidade –, ele cairá fora. Porque você deixou que se tornasse grande demais justamente o aspecto da psique bloqueado, que fará de tudo para permanecer.

– Parece que você fala como se esse “aspecto regredido”, como você nominou, fosse um ser vivo, com personalidade própria.

– Funciona como se tivesse. Aliás, não é você que, em textos e em sala de aula, tem falado dessa coisa de totens*, levando em conta que relacionamentos e  aspectos da psique funcionam com um ser vivo?  Então há uma vontade própria, sim desse aspecto regredido. Você mesmo teorizou que entre os princípios de todo o ser vivo está o desejo de permanecer. Ficou falando para mim sobre esse desejo, que é um mecanismo natural de sobrevivência, que está relacionado à punção de vida, mas que pode assumir um aspecto obsessivo… As fases, as divisões da psique, existem, tanto quanto existem diferente órgãos, diferentes funções do cérebro de acordo com suas zonas…

– … E todas as “partes” querem permanecer, só que a parte doentia precisa desaparecer, ou ser reintegrada, o que de certa maneira dá no mesmo. Mas isso tudo eu sei!

– Sabe, mas não aplica direito, porque ainda tem muita terapia para fazer como cliente, porque ainda não resolveu suas malditas couraças que construiu lá trás. Seu progresso é lento e isso pode ser um perigo potencial aos seus clientes. Sua fraca terapia deixa respirar e sustenta a praga emocional!

– Não Reich, aí também é demais. Isso não!

– Então mostre-me mais Herr Carvalho, eu quero ver.

Saí do papo com Reich revoltado, mal dei “tchau”. Era o que ele queria, afinal. Meus ombros ardiam, meus dentes cerravam, e senti vontade de jogar basquete. Lembrei, porém, de quando torci o pé ao jogar logo após um episódio de intenso sofrimento emocional. Então desisti. Usar um recurso que deveria ser positivo (esporte) para simplesmente me punir? Fiquei farto de mim mesmo nesse momento. Meu sangue em ebulição, porém, varria o inconsciente, juntava memórias. Era como se todos os anos de experiência como terapeuta e paciente passassem num só tempo por minha mente. O que me levava ali?

Minha própria resistência. Minha neurose adotou a estratégia de “misturar-se com o inimigo”, e assim, jamais ser descoberto. Isso é comum entre os terapeutas. Mas o meu Reich não deixava que isso passasse impune. Ele me denunciou a mim mesmo. Eu estava nu, e precisava escolher entre sentir vergonha fora da roupa ou assumir minha grandeza – que está em ser tudo e somente o que sou – e trabalhar direito.

 Arnaldo V. Carvalho é terapeuta, estudante da obra de Wilhelm Reich, aluno de Sylvio Porto.

 

* A teoria do Totem de Arnaldo V. Carvalho nada tem a ver com a noção psicanalítica de tabu/totem, mas se refere a natureza dos vínculos relacionais, originada a partir da combinação de facetas de personalidade dos componentes desse vínculo. A teoria do Totem está relatada em artigos de autoria e amplamente discutida no livro “Shiatsu Emocional Avançado” (no prelo).  

 

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