Casal 2000 busca cumplicidade

Matéria velha, mas com interessantes opiniões, muitas ainda bem válidas.

Casal do ano 2000 busca cumplicidade

Fonte: Jornal Século 21 Data: 18.03.99

“O casal do ano 2 mil retoma a solidariedade e a cumplicidade”, afirma a terapeuta junguiana Tania Figueiredo Lorenzetti. Segundo ela, muitas couraças pós-separação dificultam novos relacionamentos, mas acha normal que as pessoas façam uma análise das relações anteriores para não cometer os mesmos erros com os próximos parceiros. Acredita numa forma amadurecida de romantismo, e observa que as picuinhas mais comuns entre os casais esbarram no tubo da pasta de dente e na roupa suja que se larga pelos cantos. Tania acha que as crises entre casais podem ser esclarecidas com terapia, e avalia: há quem fuja da vida a dois pelo fato de morar junto ser tarefa árdua. Gostoso é conseguir dar espaço para as diferenças se manifestarem, ou, na linguagem prática, encaixar a tampa da panela, sem aquela história de procurar o príncipe encantado ou a mulher nota dez. A realidade é mais difícil que a fantasia, mas nem por isso menos apaixonante.

Fala-se tanto em alma gêmea: isso é modismo esotérico ou você acredita que todo mundo procura a sua? É mais ou menos como a tampa da panela e a metade da laranja?

Todo mundo procura, mas é preciso avaliar a busca de cada um. Se esses motivadores – tampa da panela, metade da laranja e alma gêmea – levarem uma pessoa a acreditar que existe um único ser capaz de atender às suas expectativas, a busca poderá ser eterna, e com grande possibilidade de gerar frustrações. Quando penso que o companheiro ideal é aquele que tem cultura, bom emprego, além de ser alto, loiro e de olhos azuis, com certeza outra pessoa com características diferentes não vai preencher a minha necessidade. Sendo assim, tenho que continuar procurando até achar esse modelo de homem idealizado. Por outro lado, se a alma gêmea ou a tampa da panela significarem um ajuste de expectativa, teremos muitos elementos que permitirão construir uma relação satisfatória.

Diana morreu como a princesa mais amada do século, ainda em busca de um novo príncipe, mesmo depois de o primeiro ter virado sapo. As mulheres são mais românticas que os homens? Ou seriam mais ingênuas?

Esperar o príncipe encantado é transferir para o outro a solução de algo que é nosso. É como querer ganhar na loteria para resolver nossos problemas financeiros. O romantismo, embora culturalmente seja um traço feminino, pode se manifestar de forma amadurecida, e isso tanto nas mulheres quanto nos homens que tenham claro para si os seus modelos femininos, portanto, as mulheres não são nem mais, nem menos românticas ou ingênuas.

Todo mundo quer que o romance dure para sempre, mas quando acaba, restam mágoa e decepção. Quem se fecha mais para um novo amor: o homem ou a mulher?

Penso que a abertura ou não para um novo relacionamento estaria ligada à disponibilidade de cada um para enxergar a realidade, considerando que as pessoas se decepcionam pelo fato de não encontrar um equilíbrio entre a relação fantasiada e a real. Quando um relacionamento acaba e você se abre plenamente para outra pessoa, sem uma análise sobre a anterior, corre o risco de cometer os mesmos enganos. Por outro lado, se você se fecha, também sem uma crítica, igualmente se frustra. Por isso, perceber a realidade e distingui-la da fantasia, é um caminho para o amadurecimento de novos relacionamentos, independente de ser homem ou mulher.

Como você avalia o ‘ficar’ dos adolescentes? Acha que eles podem acabar ‘ficando’ pela vida afora, ou essa é uma fase de descoberta?

Os anos passam e a linguagem muda, mas as atitudes dos adolescentes são mantidas. Houve uma época em que se perguntava: ‘Isso é namoro para casar ou para passar o tempo?’, ou seja, vai casar ou vai ficar? Assim, não vejo de que forma o ‘ficar’ pode significar um pré-requisito ou um modelo fixado que vai perdurar na vida adulta. O adolescente tem todo um compromisso com o que está vivenciando naquele momento e não com o momento seguinte, e se observarmos melhor, como a nossa cultura privilegia o sentimento de posse entre os parcerios, no máximo o adolescente fará juras de amor até o próximo namoro, onde, de novo, ele vai viver o clima Romeu e Julieta, ou, para ser mais contemporânea, o do casal de Titanic. O modelo do adolescente é diferente do modelo do adulto, embora existam comportamentos, digamos, deslocados, como o do adolescente excessivamente sério e o do adulto infantilizado. O adulto que pulou fases na vida, certamente poderá ‘ficar’ mais tarde.

Viver a dois é complicado, viver sozinho ninguém quer. Você acha que os casais tendem a encontrar um meio termo para esse dilema?

Os casais que estão dispostos tendem a encontrar uma resposta juntos ou individualmente para essa questão. Agora, no que se refere a compatibilizar as diferenças, e todo mundo sabe que elas sempre vão existir, pode acontecer de, ao tentar eliminá-las, ficarmos sozinhos mas em boa companhia. A harmonia é dar oportunidade para as diferenças de manifestarem e ver como elas podem se encaixar, se acomodar em nossos casamentos, no exercício pleno do respeito por nós mesmos e pelos nossos parceiros.

Qual o perfil do casal do ano 2 mil?

As viradas de século ou de milênio provocam uma espécie de agitação que dão origem a mudanças de costumes, a quebra de barreiras e de valores. Na verdade, as viradas pouco têm a ver com isso, mas a agitação sim, já que a agitação dá campo para as mudanças acontecerem. É possível, pelo que observo em meu consultório e de um modo geral, que o casal do ano 2 mil encontre novas formas de colocar em prática os sonhos que os casais sempre tiveram. É a retomada da solidariedade, da cumplicidade, da união familiar. Há estudos que comprovam: após décadas de rompimento, a família caminha para uma nova era de estabilidade.

O melhor namoro, qual é?

O melhor namoro é o que nunca aconteceu, pois nele você pode realizar todos os seus desejos sem repressão, julgamentos, brigas, e livre de qualquer dado de realidade, e esta sim é trabalhosa. Estou usando um tom um pouco mais ameno para falar sobre isso e não acredito que a melhor coisa é deixar de namorar, mas uso tal argumento apenas para demonstrar o quanto se pode fugir da vida a dois, da tarefa árdua e ao mesmo tempo tão gostosa que é viver um amor, desde o namoro até quando for possível. Aliás, essa imagem serve para qualquer empreendimento na vida, ou seja, qualquer coisa que só acontece na teoria, sem o toque da ousadia ou da experiência, é menos cansativo.

Casados, eternos namorados. Isso é balela?

Se o ato de casar significa continuar a criação dos sonhos de namoro, certamente é balela, já que os sonhos acabam. Mas se o casamento é um meio de concretizar os sonhos de namoro, então: Casados, eternos namorados.

Quais as picuinhas mais comuns entre os jovens casais?

São os elementos relacionados ao cotidiano individual e ao cotidiano do casal. Quando moramos sozinhos ou com nossa família, algumas atitudes já se incorporam de tal modo que nem questionamos o incômodo que pode trazer a outras pessoas. Mas na hora da vida a dois elas aparecem e é necessário uma adaptação da bagagem de cada um em favor desse novo cotidiano. Talvez seja bom rever como você aperta o tubo da pasta de dente, como deixa a roupa que tirou antes do banho, se coloca os objetos de decoração milimetricamente nos mesmos lugares, e o quanto isso interfere na convivência com o parceiro ou parceira.

Terapia é o caminho para resolver as crises que acabam com tantos romances?

Terapia esclarece a crise. Se o romance vai acabar ou não é uma decorrência desse esclarecimento. O principal elemento é a vontade de ambos em buscar a harmonia, e via de regra quando um casal busca esse tipo de ajuda, já tem uma pré-disposição para entender o que está ocorrendo com os dois. Como recurso, não se pode imaginar que a terapia é o único meio, pois se assim fosse, quem não pode pagar teria decretada a falência do seu relacionamento.

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“Tenho medo de ficar viciada em terapia”

Por Arnaldo V. Carvalho

Volta e meia escuto de algum cliente ou mesmo amigo: “a terapia me faz muito bem, mas estou com medo de ficar dependente dela”. A uma pessoa que muito quero bem, escrevi umas linhas, que publico aqui com acréscimos, por achar que pode ser útil a todos que têm essa dúvida e/ou esse medo.

Esse conceito de dependência e tão relativo!

Para mim, ele é relacionado com a turma das coisas que dão prazer mas não fazem bem e as coisas que não dão prazer e fazem bem. Explico, no mundo tem quatro tipo de ação ou experiência que você pode fazer/viver:

  • As que não fazem bem e não dão prazer (todo mundo quer distância!)
  • As que não fazem bem mas dão prazer (aí mora o perigo, tem um monte de coisa que dá prazer mas não faz bem – e muitas delas viciam).
  • As que fazem bem mas não dão prazer (de remédio ruim, passando por dieta a academia de ginástica, essa é a turma das coisas que não encontra com facilidade uma adesão permanente. Elas até podem fazer bem, mas geram resistência nas pessoas, que precisam sentir prazer no que fazem para aderir legal. Aí é que as pessoas começam e param, começam e param essas coisas, repetidamente!)

E, finalmente…

  • As ações/experiências que fazem bem e dão prazer (tem um monte! Mas as pessoas estão tão condicionadas que já não conseguem aderir de forma concreta, mesmo que seja uma maravilha em todos os sentidos. Exemplo: um casal de amigo chama o leitor para jantar com eles. O jantar foi maravilhoso, comida super saudável, diferente. O leitor chega a pegar a receita dos pratos… Mas ela fica esquecida, e o leitor segue comendo tudo o que comia antes…)

Se uma terapia oferece algum benefício (ex: fazer refletir) mas nenhuma forma de prazer (ex: encontrar respostas), a pessoa desanimará e não ficará. Se, ao inverso, ela oferecer um prazer, mesmo que secundário (ex: alívio ao despejar os problemas em um ambiente neutro, dando-se a sensação de ter “colocado para fora”), mas não faça bem (a terapia bem orientada deve oferecer ferramentas para que a pessoa LIDE e/ou transforme o que foi externado), essa terapia será inconsistente, e a chance da pessoa se ver como uma “viciada” é enorme! Ela sentirá alívio, mas não mudará seus padrões, e assim as fontes de angústia permanecerão em sua vida, estabelecendo um ciclo vicioso.

Esse artigo é sobre a BOA terapia, a terapia bem feita, a que funciona em função da competência do profissional, da vontade do indivíduo e da qualidade de vínculo ou parceria entre terapeuta e cliente.

Aquilo que é bom, dá prazer e faz bem é o que onde vale fazermos brotar a sintonia constante, que é o inverso do vício. É o peixinho q limpa o tubarão, o alimento para  a alma.

Houve um tempo em que grandes pensadores se pensaram vítimas do nós, e desejaram ser “livres” de gente, da sociedade, de Deus, das próprias neuras… Direito legítimo, eles reivindicaram a autonomia do Eu. Mas… A autonomia eremítica é de fato da natureza humana? As vantagens da convivência não criaram aliás, toda uma categoria de animais coletivos, à qual o Homo sapiens encontra-se inserida?

– Xoooô Nietzsche! – Sem pensar esse incrível filósofo desejou ser superultraindependente e ainda chamou isso (esse) de Übermensch (ultra-homem!). Criptonita nele!Mas tudo bem. No contexto sufocante século XIX e suas cristiandades radicais e partidas ele precisava romper. Precisava de seu ultrahomem para sobreviver psiquicamente, tanto quando adesões às suas ideias (todo autor quer ser lido!).

Ultra-independência, ultra-autonomia, quem tem é a ameba, que é unicelular. Só no corpo de uma pessoa habitam mais de 100 TRIlhões de bactérias, sem as quais morreríamos! Dependemos da vida na Terra e do que vem do Espaço para vivermos. Dependemos uns dos outros, e toda essa energia. Se isso pode ser chamado de “Deus”, então ele não tem nenhuma chance de estar morto.

A sintonia constante com o que é bom de fato é sempre não impositiva, sem prejuízo para quaisquer das partes, e aliás, com benefícios para todas elas. É o bom hábito, a coisa que se termina a gente fica com saudades também boas. é o desencontro para o crescer. É o filho que fala para o pai: “chegou a hora de eu seguir pai!”. É o desenlace inesquecível que marcará a vida dos dois para sempre – mas que se compreende com tal força que não há resistências ou desejos de voltar atrás.

Assim também acontece com a boa terapia, onde o profissional atento encontra-se cúmplice do olhar do cliente, que após processo bem sucedido, não importa se mais ou menos longo, saberá despedir-se do setting terapeutico, senão permanentemente, até que surja um outro ciclo de necessidades do corpo, da mente, da alma (indivisíveis).

Somos sociais, sociáveis, precisamos, adoramos e merecemos todo o contato de cuidado, que são e prazerosos num só tempo.

Hermógenes

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 Toda a gratidão a Deus – tenha ele o nome que tiver – pela Vida privilegiada que me concedeu. (Arnaldo)

Minha avó tinha “Para nervosos e angusttiados”, um best-seller do Prof. Hermógenes. Bem criança olhava aquele livro no meio dos outros, e não entendia nem porque alguém precisaria de um livro como aquele, nem questionava porque ele habitava a prateleira de minha avó. Talvez porque ela fosse médica. Talvez porque o livro fosse exótico (e ela era curiosa com temas exóticos). Sei que ela não era nervosa ou angustiada. Bem… Talvez fosse um pouquinho nervosa… De todo o jeito, não me recordo dela lendo o livro em nenhum momento.

Fui reencontrar Hermógenes em meu progresso na vida de terapeuta. Ele era a grande referência de uma yoga espiritual, séria, devota, e praticamente criava oposição com o então emergente e expansionista trabalho da “Escola De Rose”, que mostrava a yoga para a juventude indo onde eles estavam – as academias de ginástica, que passavam por seu primeiro grande boom do formato que até hoje persiste.

Eu lia frases do Hermógenes nos jornaizinhos esotéricos, um ou outro texto do mesmo, e cheguei até a assistir vídeos do Professor. Nunca li palavra ou ação que destoasse de tudo o que eu acreditava e acredito. Lendo sobre sua biografia, assumi para mim mesmo que o Yoga libertou aquele homem do espírito do militarismo – entidade humana e mundial que nunca consegui conceber como útil à humanidade, pelo contrário. Mas talvez, daqueles tempos ele tenha herdado o que me faltou por tantos anos. A disciplina.

E como eu admirava o que eu não tinha, eu precisava aprender, e ele com certeza poderia me ensinar. E Hermógenes, através de seus textos, foi me ensinando. Foi me ensinando também sobre certezas e relativismos. Eu, que tudo relativizei sempre, encontrava um sábio cheio de certezas. Hermógenes era meu profeta Gibrantesco de de vez em quando, uma força a buscar quando me sentia muito perdido.

” Não quero mal ao que me iludiu, lastimo aquele que me deixou iludir. Eu Mesmo.” (Hermógenes)

Um dia encontrei Hermógenes. Sentamos para almoçar duas vezes na mesma mesa. O Hermógenes que conheci tinha um apetite de leão, um olhar vivo e um respeito silencioso e indescritivel a tudo o que estivesse vivo em sua volta. Isso incluía as pessoas e os vegetais que se tornariam parte dele. Que pratão! Acho que nunca tinha observado uma pessoa respeitar sua comida da maneira como ele o fazia. Foi uma das raras vezes que admirei alguém em seu ato de comer. Eu o olhava… Não era um sentimento de um fã olhando para seu ídolo. Era uma sensação de auspiciosidade. Uma auspiciosidade que sabia ser dali em diante permanente. E só. Já vivi isso com outras pessoas, um dia conto.

Éramos muitos no Encontro da Nova Consciência, em Campina Grande, Paraíba. Era eu um jovem professor a ministrar um curso que naquele tempo era novidade. Quanto tempo já faz? Dez anos? Já não lembro. Hermógenes era um dos consagrados que, voluntariosamente estava lá. O encontro reunia (e reúne) gente de todo o Brasil (e muita gente de fora também), para celebrar, refletir, e fazer encontrar pessoas e pensamentos aparentemente muito distintos. Estou me referindo ao encontro inter-religioso, inter-político (mas não partidário), inter-cultural, etc… Ou quem sabe transreligioso, transpolítico, transcultural… Hermógenes não podia estar fora dessa. Era um lugar fantástico, e propício ao cumprimento de suas missões: combater a Normose, promover o Amor, o autoconhecimento, a ética em seu sentido mais profundo e divinal. Ele ia todo ano ao evento, por seus próprios recursos. Ele era recebido por multidões. Era o guru de muitos… Mas era o mesmo Hermógenes gente que era em todo o canto. Um de seus gestos santos era a certeza – mesmo a certeza do incerto! E outro de seus gestos era a simplicidade.

Naquele tempo, Hermógenes já havia conhecido e passado a ser devoto de Sathya Sai Baba, o grande avatar indiano, falecido há poucos anos. Sai Baba era em si o próprio espírito multi-religioso. Ele ensinou a milhares (talvez milhões) de pessoas que o verdadeiro Deus é o Amor e que todos os representantes divinos eram igualmente Amor. Os devotos de Sai Baba celebram com o mesmo carinho as passagens de Buda, Jesus,  Maomé e tantos outros líderes espirituais pela Terra. A devoção a Sai Baba possivelmente foi a derradeira experiência espiritual que faltava ao velho yogue.

” Não quero mal ao que me iludiu, lastimo aquele que me deixou iludir. Eu Mesmo.” (Hermógenes)

Os anos passaram e fora o tesouro da experiência, que conservo comigo, não mais tive grandes contatos com o Professor ou sua obra. Mas a vida é sintonia, e sintonia é algo que sempre tive com meu irmão de espírito, o Prof. Carlos Henrique Viard. Henrique me trouxe de volta a presença de Hermógenes nos últimos anos, com sutileza mas com tanta beleza! Deixe-me contar um pouco como isso aconteceu.

Amigo de infância, amante como eu do movimento, do espírito lúdico, do fazer o bem e construir um mundo melhor, eu e Henrique compartilhamos de muitas experiências que por si só me tornam hoje um homem rico.

Saímos do esporte para o mundo das terapias, primeiro eu, depois ele. Havia algo em minha busca de equilíbrio que o chamou atenção, e ele compreendia que ali havia um caminho possível para que sua alma pudesse materializar muitos de seus potenciais. Ele se juntou a mim, e juntos fizemos cursos, ajudamos pessoas, aprendemos um monte.

Mas quando o ciclo de vida de nosso Portal Verde se fechou enquanto centro de terapias, em 2008, precisamos seguir nossos caminhos. Antes disso, porém, em sua jornada de desenvolvimento espiritual, o Yoga de M. Karthikeyan chegou a Henrique. Na mesma época, e pela mesma fonte, nossa amada amiga Celine Tosta, encontrou Sai Baba. E num terceiro momento, Yoga e Espiritualidade ligaram Henrique a Hermógenes. Se então esse meu ainda jovem amigo havia investindo profundamente na essência da sabedoria oriental – sobretudo de origem indiana – foi na obra de Sai Baba e no Yoga de Hermógenes que ele encontrou sua casa definitiva.

É porque o Céu está tão distante que nossa alma sofre com saudade do Infinito.
Mas é por estar tão alto e afastado que pode caber na exiguidade de olhos acostumados a contemplá-lo. (Hermógenes)

A afinidade, e fidelidade à alma do velho mestre foram tantas que a Henrique e mais uns poucos, foi concebido o direito de dar continuidade ao seu trabalho. Henrique trouxe Hermógenes em energia para nossa cidade natal, Niterói, pela primeira vez. Ali, a Academia Hermógenes funciona como a própria continuação viva deste mestre, ser humano, mortal e imortal como todos os outros. Eu vi, de longe, Hermógenes passar através de meu amigo-irmão e ajudar ao empresário estressado sobre autoamor para amar o Outro. Eu vi o doente quase moribundo profissional de saúde entender que era Luz e tornar-se ele mesmo mais um professor de yoga. Eu vi senhoras e senhores, adolescentes, jovens e maduros, encontrarem com a essência cuja consciência eliminou a ilusão de vazio interior. Eu vi casamentos acontecerem e flores se abrirem através desse trabalho.

Hermógenes multiplicou-se.

Essa foi sua liberdade final.

Resolveu então juntar-se a Sai Baba, seu último e derradeiro mestre. Foi anteontem. Um dia, quando a energia que se acredita unidade em mim estiver sem mais compromissos com a vida celular, pretendo visita-los.

São Gonçalo, 15 de março de 2015

Arnaldo V. Carvalho

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Pontualidade e amor

Cresci criado por uma mãe maravilhosa, mas por razões que só cabem a ela, nunca conseguiu chegar na hora. Por anos de minha juventude, cheguei a me pensar ser como ela, repetindo a situação… Mesmo no campo profissional, a total falta de amadurecimento para com o fenômeno do tempo fez muitos de meus clientes esperarem mais do que deviam. Até que me relacionei com uma pessoa que era pior do que eu, e a quem esperava quase sempre em diversos encontros. Foi preciso viver o “outro lado” para entender que aquilo não era bom. Aprendi. Não sou um “british man” permanente, mas dificilmente atraso, e quando o faço quase sempre é por pouquíssimo tempo. Entendi que isso era parte do valorizar o outro. Deixo vocês com uma frase indiana, lembrada em um curso por minha doce amiga e mestra Laura Uplinger. Saudades de você Laura!

“Pontualidade é o primeiro grau de Amor”.

(Sabedoria Indiana)

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