Aos curiosos por minhas posições políticas em relação ao cenário atual

Clareza de opinião?

Aos curiosos por minhas posições políticas em relação ao cenário atual

Um grande amigo me mandou uma espécie de questionário por mensagem, desejando saber qual a minha posição exata sobre o panorama político brasileiro relacionado ao imbróglio Dilma / Temer / Cunha / Impeachment / ETC… Claro que respondi, mas como esse tipo de situação tem se repetido, especialmente após a publicação dos últimos posts em que menciono a necessidade de ponderação quando se deseja formular uma opinião consciente relacionada a política nacional. Desse modo, pedi e recebi autorização desse amigo para publicar a resposta, que talvez elucide algumas minhas posições atuais, e ao mesmo tempo (é o que mais desejo) possa suscitar uma forma de compreender política que certamente não está em uma análise rápida e simples e/ou tomada de bandeira. A resposta ao meu amigo é simplória, escrita entre estações de metrô via celular, e não pretende ser grandiosa, mas simples e direta. Quem sabe será útil, hoje ou amanhã… Segue a carta:

“Vamos lá, para mim o dialogo contigo é um prazer, uma honra e um momento de aprendizado. Vou responder a todas as suas perguntas, mas lhe antecipo que não são ideias rígidas: sou um ignorante confesso tentando me situar da maneira mais justa que conseguir.

– Você é um dos que defende a continuidade do atual governo até 2018?

R: Não defendi nem com opiniões nem com meu voto a entrada de nenhum governo PT a presidência até o momento. Aliás, nunca votei no PT e continuo não enxergando motivos para faze-lo, embora enxergue uma ou outra ação ou ideia positiva oriunda de seus partidários – ocupantes ou não de posições políticas na atualidade (para todas elas, um preço discutível que necessitaria de alguns artigos longos para responder). Também não votei no “outro lado” (PSDB/Aécio – últimas eleições). Na verdade, nenhum dos candidatos altamente votados nas últimas eleições me representou, nenhum deles obteve meu voto.

No entanto, sou parte da minoria que perdeu as eleições e preciso compreender e acatar que a maioria escolheu por todos. Considero que até agora, a obsoleta forma de se tentar produzir democracia se faz assim, através de votação direta, onde a maioria determina a escolha (mais assunto para longas discussões). Até aqui, esse é o modo como ocorre no Brasil e enorme parte dos países presidencialistas e ditos democráticos no mundo, e pouco posso fazer por isso.

Dentro da lógica presente, cabe-me apontar, enquanto cidadão que procura ser consciente, os erros e acertos da administração, e discutir se vale a pena continuar ou não. Minha resposta se dá na minha opinião, e no meu voto. Tento compartilhar minhas reflexões com quem se interessar, sujeito político que sou. Faço isso há muitos anos mas até agora não consegui que sequer uma alma seja tocada por essa forma de ver. Seguirei tentando.

De qualquer forma, surgiu a possibilidade do impeachment e eu ainda estou confessamente dividido com sua idoneidade. Até onde pude entender, o importante é que sempre que houver desconfiança, que se abram os processos de apuração cabíveis, e que ante aos devidos resultados, que se sofram as consequências. Impossível dissociar esse fato à uma sensação de que a aplicação de tais rituais de apuração e sentença não estar sendo aplicado de forma equivalente a todos os personagens do cenário político. Mas isso já não seria parte de uma resposta a sua pergunta.

Para encurtar, posso resumir sem reflexão alguma o que penso: não quero ou acredito em nenhum desses que estão aí, e não negligencio forças do mercado que tem o poder oculto no jogo das marionetes executivas. O governo é ingovernável hoje, e seguirá ingovernável até novas eleições.

– …. mantendo o Brasil descendo a ladeira em direção ao abismo, em total descaso com a saúde pública, a segurança, a educação, os investimentos, a destruição dos empregos e principalmente, em total desgoverno, com 39 ministérios que nada fazem, mas consomem nossas reservas até esgotá-las?

R: Tudo isso é verdade, como também é que foi a escolha da maioria, e aí infelizmente digo que talvez ainda estejam para nascer os governantes em todas as esferas que em sequência assumam o poder e façam uma revolução na educação. Uma pena, gostaria que ao menos nossos filhos vissem isso, mas acho que não verão. Torço que haja um processo idôneo de impeachment, que sua sentença final represente a justiça brasileira e suas leis, e que mais adiante, se as acharmos que já não representam justiça nos termos atuais (cada tempo tem suas noções e pertinências), que se possa reforma-las de forma ágil e hábil.

– Concordamos que o Cunha é um inimigo (disso não há qualquer dúvida),

R: Eu não utilizaria a palavra inimigo. Considero-a belicosa, e contraproducente (se desejar explico). Ainda preciso me inteirar mais sobre tudo o que gira em torno do nome desse homem, mas o mais urgente é que as apurações contra seu nome andem e cheguem a respostas e consequências – a mesma cobrança que faço em relação a todo e qualquer acusado.

– Mas você o considera mesmo aquele que pode fazer maior estrago ao País no momento, já que está centrando suas baterias em sua direção?

R: o grupo dele é o de oposição, e como tal cumpre seu papel regulador. Lamento que seja necessário haver sempre uma oposição, e que essa atue de forma destrutiva. Ao longo da curtíssima história de minha vida, vi isso se repetir em todos os anos de democracia. Quase sempre, o jogo foi: PSDB x PT, onde primeiro foi um e depois o outro, e PMDB por trás de tudo, controlando satisfeito as cordas de seus bonecos gladiadores (desde as primeiras eleições diretas pós ditadura militar). Nesse sentido, a resposta é que o estrago já foi feito, surgiu um ímpeto de arbitrariedade que promove um processo de divisão e enfraquecimento do povo, das instituições, de tudo o que habita sob o nome de “Brasil”. “Vergonha alheia”, diriam os nossos adolescentes, embora não se possa ser alheio à própria condição civil de brasileiros.

– Em sua opinião, a saída dele suspenderá o nosso Hades?

R: captou bem Lucio, estamos no Hades. O início de uma saída só pode acontecer mediante novas eleições, seja pelo embargo da chapa Dilma-Michel, seja em eleições ordinárias daqui a dois anos. Até isso acontecer seguiremos todos nos queimando no circo que pega fogo. Uns pouquíssimos assistirão de camarote.

– Ou isso não é importante, desde que ele saia?

R: A saída dele é tão importante quanto a de todos os outros contra quem se provou estarem desqualificados para seus cargos. De qualquer forma, lembremos que, no momento, o impeachment leva Temer a presidência, não Cunha.

– Como a eliminação de um inimigo dos canalhas que estão destruindo o Brasil, tornará a vida dos brasileiros melhor?

R: Todos devem sofrer as consequências por seus atos. Todos, sem exceção. As devidas consequências, através dos mecanismos de justiça cabíveis.

Sinceramente, o que verdadeiramente precisa ser erradicado não é um personagem ou outro, mas a mentalidade pouquíssimo cidadã, crítica, criativa nas soluções, consciente, participativa… E mais uma vez caímos na questão educação.

– Tanta gente pior, em posições de poder e capaz de causar destruição em massa e eu só vejo gente falando de seu único inimigo!!

R: Os artigos de autoria que publico em meu blog são reflexivas e não envolvem nomes. Posso ter compartilhado algo no facebook que achei valido e que criticava um ato, instituição, pensamento padrão, pessoa… Mas um compartilhar de um dado não significa uma reflexão integral sobre o cenário completo.

– É como estar vivendo em Gotham City, sem um Batman para nos proteger, e desejar que o Coringa e o Pinguim não se destruam mutuamente, pregando a eliminação de apenas um deles…

R: Dentro dessa analogia, eu poderia prever que antes da destruição mútua meia cidde já teria ido para os ares. Para piorar, o eventual vencedor se tornaria hegemônico e talvez por isso mais poderoso e perigoso do que nunca. Aplicando dados de realidade a seu exemplo, creio que ou a polícia encontra meios de deter os dois, ou a cidade segue a mercê de lunáticos. Posso ainda acrescentar um certo elemento que só costuma entrar em ação, ao menos na vida real, após um tempo em condições de vida insuportáveis: o povo. Temos muitos exemplos disso ao longo da história de todos os povos.

– Por favor, esclareça-me como a vida dos brasileiros ficará melhor, centrando as baterias na prisão do Cunha, no presente momento.

R: Não ficará mesmo. Temos um rebanho de bodes expiatórios no poder. Expiatórios porque reproduzem em boa parte a mentalidade dos que os elegem. E essa constatação é profundamente triste. (Mais tema para necessárias reflexões bem mais longas).

A troca de mensagem ocorreu no último dia 20.

Após minhas respostas, meu amigo refletiu que a ordem da derrubada dos políticos pode ter importância no resultado final, que por sua vez pode trazer como resultado um benefício maior ou menor ao Brasil como um todo. Pode ser.

No momento, agradeço a possibilidade de refletir junto e em alto nível.

Um abraço aos meus leitores.

Arnaldo.