Avaliação lúcida acerca de alguns dos primeiros passos do governo estabelecido

 
A avaliação abaixo vem do PSOL. Embora tenha sido escrito por um partido político, considero que não há grandes equívocos, sendo um bom resumo do ocorrido a partir do dia 12 de maio.
Tomou posse na tarde do dia 12 de maio o presidente Michel Temer.  Depois da votação do Senado, que por mais de dois terços confirmou o afastamento de Dilma da Presidência, o dia foi de reestruturação do novo governo. Os 55 votos a favor do relatório deixam claro que existe uma maioria consolidada para fazer do processo de impedimento algo irreversível.

Se consolidou a manobra reacionária. A burguesia está unida, através de seus meios de comunicação, seus partidos e seus aparelhos ideológicos para sustentar o governo de Temer como saída diante da histórica crise política.

(NOTA MINHA: Não gosto de generalismos. Há uma burguesia unida, uma elite dominante que apoia ou melhor, comanda a estrutura que está entrando. Mas não é um uníssono. Existem empresários decentes, conscientes, não escravocratas, que estão aí, brigando contra essa gente. Podem ser hoje uma minoria, mas não interessa. A generalização é sempre perigosa).

Dilma fez um discurso aos moldes do que o PT vinha construindo como narrativa. Ao lado de Lula, Kátia Abreu e outros destacados membros de seu gabinete, Dilma atacou Temer, afirmando que não usou da repressão contra os movimentos sociais. Parece esquecer que sancionou a lei antiterror, recorreu à Força Nacional para acabar com os protestos em Jirau e usou do aparato da ABIN e da repressão para desmontar os movimentos críticos durante a Copa.

(NOTA MINHA: É sinistro mesmo, mas ao mesmo tempo o governo dela teve como um marco positivo a Comissão da Verdade, e disso nunca esquecerei. É um governo esquizofrênico, com toda a certeza, fazendo coisas aparentemente antagônicas, o que gera insegurança demais. Mesmo assim nas eleições o povo votou (de novo) nela… E no Temer como vice, que agora está aí, de amigo a inimigo. Uma situação muito esquisita! Não apoio nenhum dos dois lados).

Na parte da tarde, Michel Temer anunciou o ministério, acenando para os setores mais pesados da burguesia. É a senha para intensificar os ataques contra a classe trabalhadora e transitar com sua ponte para a estabilidade para os de cima.

Seu ministério é reacionário e atrasado. Sem a presença de nenhuma mulher, com o DEM comandando a pasta da Educação/Cultura e com um representante da direita “dura” no ministério da Justiça, o governo mostra seu caráter antipovo.

O calcanhar de Aquiles do novo governo é o fato de que sete dos seus principais ministros estão sendo investigados pela Operação Lava-Jato. Um governo que assume com o cínico discurso de combate à corrupção tem na sua equipe de mando quase uma dezena de investigados. Não por acaso que foi nomeado para AGU o advogado Fábio Medina, celebre por defender o corrupto governo tucano de Yeda Crusius. Jucá, Padilha, Henrique Eduardo Alves e Geddel, o núcleo duro do governo Temer, estão diretamente envolvidos em listas e escândalos.

Chama a atenção também que nada menos que 10 ministros do “novo” governo Temer fizeram parte dos governos do PT. O novo arquiteto do plano econômico, Henrique Meirelles, sempre foi um homem de confiança de Lula no governo.

(NOTA MINHA: As farinhas misturadas do velho saco…)

O governo está buscando utilizar da unidade burguesa, que se expressa no apoio midiático, para tentar ganhar o apoio popular que hoje não tem. E aposta no cansaço do povo com a crise política para tentar criar um clima de que agora pode melhorar. Por fim, os indicadores econômicos do governo Dilma estavam tão ruins e o ajuste tão profundo, que a tendência é que a situação permitirá a redução dos juros e uma redução das expectativas inflacionárias. O governo Temer quer se aproveitar deste quadro e de seu peso no Congresso para preparar mudanças estruturais que retirem direitos dos trabalhadores. 

(NOTA MINHA: Eu diria mais, ao menos em parte (significativa), houve manipulação da crise, agravada para criar pânico, subsidiando a irracionalidade histérica que tomou o país com atitudes radicais, agressivas e pouco ou mal fundamentadas).

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