Enquanto choramos, eles celebram — Blog do Pedlowski

Por ter me sentido pessoalmente tocado pelo terrível acidente que vitimou a equipe da Chapecoense tinha decidido não tocar nesse evento aqui no blog e, tampouco, misturá-lo com o que estamos assistindo no Brasil em termos de regressão de políticas sociais, violência contra manifestantes pacíficos e aplicação medidas neoliberais que dificultarão a vida do brasileiro […]

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Rodrigo Janot e sua estranha matemática no meio do fogo cruzado entre Gilmar Mendes e Sérgio Moro — Blog do Pedlowski

O procurador geral da república, Rodrigo Janot, emitiu uma nota onde contesta a aprovação pela Câmara de Deputados de um projeto de lei com medidas anti-corrupção que segundo ele representam um retrocesso (Aqui!). Até aí morreu o Neves, pois cada um pode defender posições que melhor lhes convenha, e Rodrigo Janot não está impedido de […]

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Procuradores e o juiz da Lava Jato: os heróis da classe média podem não ser tão probos quanto querem parecer — Blog do Pedlowski

Acabo de voltar de uma viagem de trabalho ao extremo sul catarinense e, por causa disso, não tive como atualizar este blog por alguns dias. Mas é claro que a roda política não esperou a minha volta para continuar a girar, e agora temos o tiroteio entre a maioria dos deputados federais e os procuradores […]

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Pelo direito de escolher como ir e vir

Pelo direito de escolher como ir e vir

E porque eu escolho o Uber

Por Arnaldo V. Carvalho

Sabe por que tem que ter Uber? Porque pessoas querem Uber. Pessoas querem poder escolher como se transportar. Querem decidir com quem se relacionar profissionalmente – inclusive na hora de decidir ir de ônibus, navio, avião, taxi ou uber.

Estamos em um mundo onde a escolha precisa ser respeitada. Escolhe-se o sexo, a religião, como se tem filho, e não se pode escolher o transporte? Não dá né? Imagine se os fabricantes de GPS devem tentar impedir aplicativos como o Waze, ou quem sabe, se o telégrafo deveria fazer protesto contra o telefone, e este contra o celular; e as  estações de rádio deveriam reclamar do surgimento da TV, e esta da Internet… Século XXI, please. As tecnologias vieram para dar mais alternativas, novas possibilidades em todos os segmentos humanos. Ir e vir é básico, e eu quero poder escolher como faço isso.

Taxi e Uber são serviços diferentes

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

Eu nunca fui um cliente de taxi. Não é meu perfil. Acho caro, e não gosto ficar esperando por um carro “acidentalmente” passar pelas ruas para poder chamar. Também não ando com dinheiro e quase nunca o taxista aceita cartão. Enfim, não pegava taxi regularmente antes do Uber, e por isso mesmo, não vejo o Uber como uma “alternativa” ao taxi, apenas como um novo serviço.

Mas é claro que já peguei taxis ocasionais. Infelizmente, minha experiência pessoal em Niterói, São Paulo e Rio de Janeiro me trouxe corridas agradáveis do que gostaria. Carros esquisitos (quando cheira a cigarro erghh nem se fala), motoristas mau humorados ou de “direção truculenta”, tipos “malandrões”, as vezes com músicas que não gosto, e por vezes ainda tendo que ouvir abobrinha (que não paguei para ouvir). Ou vocês acham que Agostinho, o personagem encarado por Pedro Cardoso em “A Grande Família” só existe na ficção? Tem aos montes! E na vida real, quase nunca são “divertidos”.

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Por essas e outras, nunca fui cliente de taxi.

Mas sou cliente Uber. O Uber é a minha cara. Baseado em aplicativo (eu adoro); Não mexo com dinheiro ou cartões ao final da corrida (ótimo, simplesmente agradeço e tchau, sem perda de tempo); Quando peço, me falam qual é o carro e mostram a cara do sujeito com uma nota (posso desistir por precisar de um carro maior ou simplesmente querer outro que me agrade mais – adoro). Todo motorista tem Waze (adoro); Se estiver com sede, posso pedir uma aguinha. E o percentual de carros e motoristas decentes é muito mais alto que do taxi (ufa). Ah, sim, se eu esquecer o celular ou o guarda-chuva, é fácil localizar o motorista e combinar de buscar (quando aconteceu comigo, ele mesmo fez contato e deixou o que esqueci no local que pedi!). Também posso economizar e ter ótimos papos usando o Uber Pool, dividindo o carro com outras pessoas, otimizando o trânsito com isso. Em uma ocasião especial, posso contratar o Uber Black, quem sabe. Mas o principal de tudo é que, se o serviço for abaixo do ideal, eu dou nota, e notas ruins tiram os maus motoristas do serviço. Simples assim. O “mundo dos taxis” seria outro se isso fosse possível!

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

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* Arnaldo V. Carvalho é escritor, cidadão brasileiro e adepto da liberdade de escolha da forma de ir e vir.

 

 

Vida, morte e magia

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A seguir, texto de Ana Francisca Ponzio e matéria de sua autoria publicada no caderno Modo de Vida, do Jornal da Tarde, em 10 de abril de 1986, quando Kazuo Ohno esteve no Brasil pela primeira vez.

“Quando Kazuo Ohno veio ao Brasil pela primeira vez eu começava minha carreira no jornalismo. Em bons tempos do Jornal da Tarde, meu primeiro emprego na área, eu escrevia para um dos novos cadernos do jornal, o Modo de Vida, editado por Maiá Mendonça.

Com sua arte absolutamente nova para mim e para a maioria (ou todos) que o viram em sua estreia em São Paulo, Kazuo Ohno provocava um misto de estranhamento e profundo fascínio. Claro, gerou inúmeras influências e tornou-se uma enorme referência, além de artista muito querido entre os brasileiros. Outro fato que chamava a atenção: naquela época Ohno estava com 80 anos e no auge. Em cena, tinha o frescor de um adolescente.

Agora, diante de sua morte aos 103 anos, reproduzo abaixo o texto sobre o workshop de Ohno que, para mim, também foi uma espécie de estreia. Publicado em 10 de abril de 1986, pelo Modo de Vida do Jornal da Tarde, contém tudo o que ele falou naquele encontro com artistas. Na época, preferi colocar em texto corrido o que ele disse – como se não quisesse interromper o que eu e toda uma plateia absolutamente encantada ouvíamos. Ao mesmo tempo, seria a chance (e ainda é) de difundir um pouco daquele encontro para os que não tiveram o privilégio de estar lá”.

Segue o texto:

Vida, Morte. Magia.

Kazuo Ohno é uma mistura delicada de criança, adolescente, homem e mulher. Por mais estranheza que sua dança cause aos olhos ocidentais, em poucos minutos consegue arrebatar o público. Talvez porque na sabedoria que transmite em seus movimentos, sintetiza a frágil essência da existência humana. Em sua breve passagem por São Paulo, esse octogenário artista japonês conquistou todas as plateias. Consciente do poder que exerce sobre as pessoas, sem pronunciar uma palavra, ele destila carisma em cada gesto.

No workshop realizado anteontem no Teatro Anchieta, aberto para bailarinos, atores e mesmo alguns curiosos, Kazuo Ohno surgiu no palco descalço. Com a maquiagem habitual, cabelos desfiados, sua roupa reduzia-se a uma fina malha de balé. Nas mãos, trazia uma flor branca de papel com a qual, às vezes, escondia o rosto, num trejeito maroto. O público, já familiarizado com sua figura, mais uma vez não economizou aplausos e, por sugestão de um apresentador improvisado, o ator Raul Cortez, cumprimentou-o em coro com um efusivo arigatô. Ladeado pelo filho – frente às calorosas manifestações paulistanas, Yoshito Ohno já esboça sorrisos em seu rosto impassível – e um confuso intérprete, ele declarou: “Nesse momento estou feliz. Lastimo não poder ficar mais tempo entre vocês, mas agradeço a afeição e compreensão que me dedicaram. Quem deve dizer arigatô sou eu”. 

Com a paciência de um velho contador de histórias, disposto a tentar explicar a técnica butô, durante quase uma hora Kazuo desfiou reminiscências filosóficas. Falou da vida brotando no ventre materno. “Esse minúsculo ser, embora microscópico, vibra com intensidade máxima”. Aos poucos, o que parecia uma aula de biologia, semelhante à sua dança, envolveu a atenção de todos.

“Quando a concepção acontece é porque houve a colaboração de milhões de espermatozóides. Os não aceitos são eliminados, como num processo de seleção natural. Quando pensei nesse assunto pela primeira vez, fiquei extremamente entristecido. Percebi que eu era o produto de apenas um espermatozóide. Esse fato me chocou durante anos. Não me conformava: incontáveis seres potenciais tinham perecido. Hoje, acredito que todas essas vidas estão presentes num ser humano. Não posso separar minha existência daquelas que pereceram e que continuam habitando em mim.”

“Do início dos tempos até os dias de hoje, o ser humano lutou para sobreviver. Sozinhos, não conseguiríamos travar essa batalha desesperada. Uma aliança vital está marcada no interior de cada um.” 

“Ambos se influenciam, o que nos rodeia – ou macrocosmo e o que existe no interior de cada ser humano – ou microcosmo. Recebo influências de todas as forças cósmicas, tudo é símbolo de vida.” 

“Vivo com os mortos. Acredito que todos os seres humanos que já existiram estão vivendo em mim atualmente. Em outras palavras, para mim isso significa criatividade.”

“Acredito em dois tipos de criatividade: uma cerebral, através do pensamento, imaginação, invenção. Outra, através da percepção, quando sentimos esses outros seres dentro de nós. Em mim, a presença desses mortos ajuda-me a sobreviver. Eles vivem e criam, participam do meu dia a dia. Creio também que crescem e se desenvolvem junto comigo. Minha força se exprime através deles, que me ajudam e às vezes me castigam também.”

“Sou uma pessoa egoísta e exigente. Entretanto, acredito que esse não seja um egoísmo gratuito mas uma satisfação íntima, que impele um ser humano em busca de alguma coisa. Nesse sentido, ser exigente e egoísta não faz mal a ninguém.”

“Butô é como um espaço pequeno, porém infinitamente grande e infinitamente pequeno ao mesmo tempo. É como se fosse um peixe em água turva, para enxergá-lo é preciso muito esforço. Como a dança que, antes de chegar a um momento de explosão, requer muita paciência.” 

“Através do contato com o útero, o embrião recebe amor. Quando suga a energia da mãe, esse movimento que, de certa forma, reproduz uma bomba de sucção, representa o ritmo do universo. Esse ritmo é como uma música que se pode sentir com o corpo, enquanto se dança. Aquele que está começando a estudar butô deve retirar sua experiência sentindo o movimento dessa força cósmica.” 

Depois dessa simbólica conversa, junto com Yoshito, Kazuo dançou uma seleção de excertos durante mais uma hora. Antes, anunciou: “Meu filho é também meu pai. Eu me refiro a ele como meu pai-meu filho e a mise-em-scène é dele”. Com movimentos naturais, econômicos, expressivos, sem um mínimo de tensão, Kazuo Ohno dançou dando a impressão de que qualquer outra pessoa pode fazer tudo o que ele faz.

No final, embora se dispusesse a um debate com o público, o artista dava a entender que quaisquer considerações mais objetivas seriam irrelevantes. Quando alguém lhe perguntou se suas coreografias obedecem a uma marcação, com começo, meio e fim ou mesmo improvisações, respondeu: “Nasci sem memória. Tudo que dancei ontem já esqueci hoje”. Para outra questão, um tanto provocativa, sobre os efeitos cósmicos de uma bomba atômica, rebateu: “É uma arma de extermínio mas acredito que um homem, particularmente quando dança, pode sentir a mesma carga de energia”. 

Para quem ainda exigia explicações plausíveis sobre butô, ele completou: “Butô significa sentir e perceber a vida”. Pouco preocupado se havia ou não convencido a plateia com tais teorizações, ele despediu-se com a alegria de uma criança. Como sempre, tinha o público inteiro nas mãos.

FONTE: http://www.conectedance.com.br/memoria-viva/kazuo-ohno-morre-aos-103-anos/

Links para Kazuo Ohno

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Olá amigos,

Muitos estão curtindo saber mais sobre o Butô e o mestre Kazuo Ohno. Separei aqui um conjunto de links e indicações de livros lindos sobre o tema, para facilitar o encontro.

Que desfrutem! (Arnaldo)

Livros:

Writing on Drawing: Essays on Drawing Practice and Research: Por Steve Garner

 The Wise Body: Conversations with Experienced Dancers Por Jacky Lansley,Fergus Early

Na Internet:

 https://patricianoronha.com/2008/04/04/segundo-kazuo-ohno/

http://alfarrabio2.blogspot.com/2008/03/exposio-kazuo_25.html

https://en.wikipedia.org/wiki/Kazuo_Ohno
https://pt.wikipedia.org/wiki/Butoh

Taxistas selvagens: Tenho medo

Por Arnaldo V. Carvalho

Os motoristas de Uber tem sido atacados com frequencia, e por vezes também passageiros e pessoas totalmente nada a ver com a história (confundidas com motoristas Uber!). Ontem, um amigo que opera o serviço por pouco não teve o carro destruído por esses que são os verdadeiros bandidos.

A verdade é que, desde que o Uber chegou ao Rio de Janeiro (em 2014), os taxistas sairam de “falar mal” para tentar, a base da força, impedir esse tipo de serviço. Só para ilustrar, em abril desse ano eles fizeram a vida dos cariocas se tornar um pequeno inferno por um dia, bloqueando pistas vitais, causando tumulto em áreas fundamentais da cidade… Com esse ato, mostraram que os taxistas hostis não são “casos isolados”, mas muitos. Conquistaram em definitivo a antipatia das pessoas daqui, inclusive a minha. Em julho, os taxichatos resolveram exibir cartazes dizendo que “não iriam permitir Uber nas Olimpíadas“. Aliás, um dos locais com maior índice de vandalismos contra o Uber – o aeroporto Santos Dumont vem tornando-se uma espécie de “símbolo” desse movimento.

Image result for lounge uber santos dumontA Uber investiu com um Lounge bacana no Shopping anexo ao aeroporto (mais um ponto para eles), e ontem os taxivândalos foram lá e quebraram tudo. Isso mesmo, invadiram o Shopping e tomaram a rua em frente ao aeroporto, com direito inclusive a motoristas mascarados (usando camisas no rosto para não serem identificados), portando pedaços de pau e xingando Deus e o mundo. Foi lá em frente que meu amigo e muitos motoristas de passagem (inclusive que não são Uber) foram agredidos.

 

Acham que é novidade? Ontem mesmo fiz uma pesquisinha para ver como anda o grau de agressões oficialmente noticiadas, e é sinistro.

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Lounge Uber totalmente destruído pelos taxistas.

A verdade é que agora, a antipatia virou medo. Tenho medo dos taxistas, a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de quem está no volante de um amarelinho. Me desculpem os bons taxistas, taxi nunca mais. Vejo vocês no Uber!

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