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Archive for the ‘Caça-autor’ Category

Crítica ao filósofo Karl Marx e sua vida é marcada por equívocos (ou inverdades?) e tendenciosismos

Focado em denegrir Karl Marx e o socialismo, texto que circula na Internet sob autoria anônima tem como alvo associar um “mau Karl Marx” com o Socialismo, e este com os governos do PT atual. Que salada! Dissecamos o mesmo para quem quer a verdade acima das ideologias (corro delas!).

Por Arnaldo V. Carvalho*

 

Após um seminário sobre Marx e Educação, uma colega me perguntou sobre a veracidade das informações de um texto sobre Karl Marx circulando na Internet.

O texto, de “autoria desconhecida”, demonstra, para alem dos equívocos acerca da vida de Marx, desconhecimento sobre a cultura do século XIX e um numero de preconceitos arraigados ao longo de cada sentença.

Não sou especialista em marxismo ou socialismo. Tudo o que li das fontes originais de Karl Marx me fez ver que não há em Marx (como não há em Engels) Deus ou Diabo, como querem os radicais de todos os lados. Mas, considerando o contexto de época, Marx expõe raciocínios muito interessantes. Por outro lado, o que li não dele mas SOBRE a obra de Marx costura suas ideias com a de muitos outros, e os resultados são os mais variados.
A agressividade dos adjetivos empregados pelo escrito que criticarei aqui deixa a certeza de que seu único propósito é denegrir o pensamento marxista e a visão socialista da sociedade. Em tempos de descontentamento com o poder vigente, encabeçado pelo Partido dos Trabalhadores (PT) – em sua origem um herdeiro ideológico do socialismo -, este tipo de texto costuma surgir, insuflando as massas e aumentando a tensão politica.

Segue o texto na integra e em seguida o mesmo dissecado por mim, oferecendo ao leitor a oportunidade de rever a própria historia de Marx, do socialismo e dos preconceitos entranhados na cultura brasileira. Relativizar é preciso!

Karl Marx foi sustentado pela esposa por 16 anos enquanto escrevia “O Capital” até que ela ficasse pobre. Só teve um único emprego fixo em 64 anos de vida, e foi como correspondente do jornal “New York Herald” por breve período e que não resultava em quantias suficientes para manter a família.
Embora estudioso de economia, era cronicamente irresponsável nas finanças pessoais e sempre passou necessidades. Em 1852, quando morava em Londres sem ter mais para onde correr, Marx tentou penhorar alguns talheres de prata com o brasão da família da esposa quando o dono da loja, desconfiado daquela criatura de cabelos desgrenhados e mal vestida, chamou a polícia.
Viu 4 de seus 7 filhos morrerem ainda bebês pela vida insalubre e miserável que sua vagabundice impôs à família, viu duas de suas três filhas sobreviventes se suicidarem, traiu a mulher que o sustentou por anos a fio com a melhor amiga dela, e ainda deu o bebê nascido desta relação para o amigo rico Engels criar. Morreu pobre, intelectualmente debilitado e com um abscesso no pulmão. Somente 11 pessoas incluindo Engels foram ao seu enterro.
Esse é o ídolo da esquerda. O “pai do socialismo”. Sujeito ordinário, preguiçoso e imoral, que não conseguiu sequer colocar a própria vida em ordem. É este pilantra, em muitos aspectos similar ao Lulla, o criador do sistema que tem a pretensão de trazer a solução para o mundo?
Pois é. Cada um tem a referência que merece.
E o Paul Johnson cita no livro “The Intelectuals” que esse energúmeno, além de tudo, não tomava banho e não fazia a barba por muito tempo. Seus seguidores também deixam a barba crescer sem saber por que.
Mas, suas ideias errôneas, ainda estão por aí, a estrepar com o mundo, a azarar com a sociedade. Pior de tudo é que estamos sendo vítimas desses sórdidos caolhos, gigolôs da miséria, parasitas e aproveitadores, os Schmarotzers, na línguagem de seus conterrâneos alemães. Até quando, como diria Catilina, o senador romano? (autor desconhecido)

Radiografia do tendenciosismo no texto:

Karl Marx foi sustentado pela esposa por 16 anos enquanto escrevia “O Capital” até que ela ficasse pobre.

– Marx e sua esposa passaram por fortes privações em razão da perseguição que sofreram. O filósofo e advogado não levou 16 anos escrevendo “O Capital”. Até onde se sabe, a relação entre Marx e Jenny von Westphalen sua esposa era de grande companheirismo.
– Aqui temos uma grave demonstração de machismo. O autor considera negativo que um homem seja sustentado por sua mulher para estudar, pesquisar e gerar algumas das teses mais importantes de seu tempo. Se O Capital tivesse sido escrito por uma mulher sustentada por seu marido, teria problema? Se foi uma escolha do casal utilizar o patrimônio, fosse originalmente da família do homem ou da mulher, para uma grande realização, haveria problema?
– Os problemas financeiros da Família Marx foram causados pela constante perseguição e necessidade de mudança (de país!), o que somente estabilizou em 1841 quando chegam em Londres (já em complicada situação financeira).

Só teve um único emprego fixo em 64 anos de vida, e foi como correspondente do jornal “New York Herald” por breve período e que não resultava em quantias suficientes para manter a família.
– Na verdade, Marx foi correspondente do New York Tribune. Desconfio que autor saiba disso, pois à época, o “Herald” era tido como jornal sensacionalista, enquanto que o Tribune, uma alternativa mais séria aos leitores americanos. Ambos os jornais se fundiram muitos anos depois (1924).

– Esse, porém, não foi o único trabalho de Marx, que aliás, trabalhou por toda a sua vida. Infelizmente, a renda obtida por direitos autoriais de “O Capital” somente foram repassados a família de Marx após sua morte.

– Seu contrato no Tribune, embora tenha lhe gerado proventos estáveis, não funcionava exatamente como um “emprego fixo” como entendemos hoje. O  pensamento empregatício, amplamente impregnado em nossa sociedade, é algo que não corresponde. Marx era filósofo. Era um profissional liberal, e liberais não trabalham obrigatoriamente em “emprego fixo”, ou seja, não necessariamente possuem um patrão, uma carteira assinada, etc. Essa frase indica que o autor do texto está escrevendo para as massas, já alienadas e presas à mentalidade empregatícia.

– Também busca hierarquizar as próprias condições de emprego, onde o fixo tem mais idoneidade que o temporário, o sob demanda, freelance etc. Desvaloriza-se assim o trabalho intelectual, ressaltando a virtude capitalista de valorização dos que “vencem por meio do suor braçal” (vale lembrar que são poucos os que tem essa trajetória de sucesso no capitalismo).

– A importância de sua obra foi reconhecida por Engels e foi em boa parte patrocinada. Muitos intelectuais, cientistas e artistas dependem de mecenas para seguirem realizando suas obras.

 

Embora estudioso de economia, era cronicamente irresponsável nas finanças pessoais e sempre passou necessidades.

– “Sempre passou necessidades” não é verdade. Mas com certeza priorizou seu dinheiro para seus estudos, suas campanhas junto às massas, deixando o necessário para o “sobreviver”.
Em 1852, quando morava em Londres sem ter mais para onde correr, Marx tentou penhorar alguns talheres de prata com o brasão da família da esposa quando o dono da loja, desconfiado daquela criatura de cabelos desgrenhados e mal vestida, chamou a polícia.

– Não consegui apurar essa informação, mas é bem possível. dado o contexto em que se encontrava nesse ano, onde passava os dias mais difíceis de sua vida. Sujeito mal trapilho, entra em uma loja com objetos caros, qual é o raciocínio? “Só pode ser roubado”. Jean Valjan (personagem de Victor Hugo, protagonista do clássico “Os Miseráveis”) encarna o popular que já passou por isso. Você já passou? Então com certeza não sabe o que é.

 

Viu 4 de seus 7 filhos morrerem ainda bebês pela vida insalubre e miserável que sua vagabundice impôs à família,

– Após ser expulso de três países diferentes, por insistir em fazer a aplicação prática de suas teses cientificas, denunciando a exploração junto aos trabalhadores, chegou em condições muito difíceis mesmo na Inglaterra. Os anos 50 os castigaram, e apesar de “O Capital” ser nesse momento um best-seller na Europa, Marx jamais recebeu os royalties por sua publicação (o dinheiro chegou a família vários anos após sua morte). A miséria fez com que eles passassem fome e frio, com impossibilidade de contar com assistência médica ou outras. Vagabundice?

 

viu duas de suas três filhas sobreviventes se suicidarem,

– Os suicídios ocorreram apos a morte de Marx, e portanto ele não os viu. As razões foram bem diferentes e em nada se relacionam com o pai ou sua criação.
traiu a mulher que o sustentou por anos a fio com a melhor amiga dela, e ainda deu o bebê nascido desta relação para o amigo rico Engels criar.

– Embora não haja provas documentais, tudo leva a crer que Isso de fato aconteceu. A mulher em questão se chamava Helene Demuth, trabalhava na casa de Marx e lá vivia. Ela fôra empregada na casa dos Westphalen, e após o casamento de Marx e Jenny, foi viver com o casal e com eles ficou até o fim dos dias. Politizada, era também do partido comunista e ajudava a rever os escritos de Marx. Apesar de sua contribuição e atividade, viveu no ostracismo intelectual por ser mulher, amante, condenada até mesmo pelos marxistas da época, que elaboraram o comportamento idealizado de um cidadão comunista.

 

Morreu pobre, intelectualmente debilitado e com um abscesso no pulmão.

– Pois é, morrer pobre é um problema. Na programação neoliberal, um homem de vulto, “bem sucedido” tem que morrer com dinheiro. Esse é o projeto de vida do capitalista.
Somente 11 pessoas incluindo Engels foram ao seu enterro.

– Os números divergem, mas até onde consta, foram poucos mesmo, talvez uns quinze. É preciso levar em conta que Marx passou por muitas agruras na Inglaterra, e seu círculo mais próximo era sem dúvida limitado. Talvez, mais do que o número, devêssemos levar em conta a qualidade das pessoas que lá estavam.

– A doutora em história Nívia Pombo**, ao revisar esta minha refutação acrescentou que: “Em uma época de severa repressão do Estado, dificilmente algum trabalhador (se é que seriam esses os homens que o autor do texto esperava localizar no funeral) poderia faltar um dia de trabalho para homenagear uma persona non grata por todos os empresários”.

 

Esse é o ídolo da esquerda. O “pai do socialismo”. Sujeito ordinário, preguiçoso e imoral, que não conseguiu sequer colocar a própria vida em ordem.

– Seria possível, sem se dobrar ao status quo do capitalismo que nascia na total ausência de direitos trabalhistas?

 

É este pilantra, em muitos aspectos similar ao Lulla, o criador do sistema que tem a pretensão de trazer a solução para o mundo? Pois é. Cada um tem a referência que merece.

– Finalmente o autor declara seu propósito: sujar para sujar. Associou a imagem prejudicada de Marx a do Lula, (escrito com dois eles para vincular ao rejeitado ex-presidente Collor), e assim atacou simultaneamente o PT, o socialismo, e finalmente – esse é o ponto, contextualizado pelo momento atual em que o texto circula (o governo Dilma).

 

E o Paul Johnson cita no livro “The Intelectuals” que esse energúmeno, além de tudo, não tomava banho e não fazia a barba por muito tempo.

– Não conhecia o Paul Johnson e sua obra. Mas dando uma olhada, é assustador. Um escritor que se “especializou” em criar livros com “Mini-biografias” depreciativas, com olhar destrutivo sobre todo tipo de gente famosa. E acima de tudo, um hipócrita, cuja vida pessoal, pelo que consegui perceber, é facilmente alvo de críticas muito semelhantes à que ele faz a Marx.

– A barba de Marx não é exótica em seu tempo, pelo contrario, era o costume típico da elite dominante da época. Veja Charles Darwin, Engels, Dom Pedro II, todos bem barbados. A barba caiu em desuso com o tempo, e as culturas que a mantiveram (como a árabe), propositalmente rebaixada, é associada a sujeira e a barbárie… A estrategia aqui esta sendo usada contra a aparência de Marx.

 

Seus seguidores também deixam a barba crescer sem saber por que.

– o autor aqui tenta associar a imagem das pessoas que compreendem o socialismo como alternativa ao sistema neoliberal à de pessoas crédulas, alienadas, que seguem às cegas uma ideologia.
Mas, suas ideias errôneas, ainda estão por aí, a estrepar com o mundo, a azarar com a sociedade. Pior de tudo é que estamos sendo vítimas desses sórdidos caolhos, gigolôs da miséria, parasitas e aproveitadores, os Schmarotzers, na línguagem de seus conterrâneos alemães.

– O autor acredita que, a essa altura, o leitor já estará bem incomodado com Marx, por força de sua retórica. Isso lhe dá permissão para borrifar uma linha de xingamentos inconsistentes e mais uma vez com doses de preconceito (caolhos são sórdidos), e acaba em sua empolgação até mesmo errando no português.

 

Até quando, como diria Catilina, o senador romano?

– A frase é: “Qvosque tandem abvtere, Catilina, patientia nostra? (Até quando, Catilina, abusarás de nossa paciência?)

E é desferida por Cícero (106-43 a. C.) contra Lúcio Sergio Catilina (108-62 a. C.) senador condenado por conspirar contra a República Romana. Seus contemporâneos o tinha como uma pessoa ambiciosa, ardilosa e cruel.

– A citação equivocada nos faz pensar, tamanho seu absurdo, que o texto é apenas uma piada de mau gosto, que tenta testar a cultura, ou a inteligencia, ou a visão critica de quem o lê.

– Por curiosa coincidência, refutei esse texto (apenas acrescentando este parágrafo posteriormente) pouco antes e publiquei esse texto dias após a atual fase da “Operação Lava Jato”, denominada Catilinárias. Trata-se de uma referência aos homens públicos investigados que atentam contra a democracia e o interesse geral da nação.

 

(Desconheço o autor)

– Nada como se esconder atrás do anonimato, após ter a coragem de publicar algo tão ofensivo, repleto de calúnias e tendenciosismo!

– Sete adjetivos e muitas mais interjeições depreciativas, em seis parágrafos que, de fato, não merecem atenção, e se gasto alguma energia nisto é porque, como minha colega, muitas outras pessoas podem estar nesse momento – por desconhecimento, ou até uma pré-construção cultural – lendo o livro e sendo incitadas ao ódio.

 

*  *  *

 

* Arnaldo V. Carvalho, polímata, adora caçar apócrifos e desmascarar idólatras. Deixa claro que nunca votou no Lula, na Dilma ou no PT. Não é filiado a partido algum, não é socialista ou liberal, comunista ou conservador. Detesta rótulos. E relativiza.

** Doutora Nívia Pombo, atualmente professora de História da UERJ, é também minha digníssima esposa – nada como ter uma cientista ao lado, para me revisar e evitar gafes!

 

Referências úteis

  • GAY, Peter. O Século de Schnitzler –  a formação da cultura da classe média (1815-1914). São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

 

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Recebi por e-mail mais um apócrifo, dessa vez atribuído a Millôr Fernandes. O texto é uma apologia à ditadura militar brasileira que governou o país por quase todo o século XX. Quem substituiu a autoria verdadeira pelo nome de Millôr parece se prover da ironia, tendo o cartunista combatido com sua “arma-caneta” tal regime (aos mais novos lembro que Millôr Fernandes foi um dos ativos artistas de “O Pasquim“), e inclusive tendo sido perseguido por ele.

Não vou reproduzi-lo aqui, pois seria dar bola de mais para o que não merece. Mas ele pode ser encontrado neste link. Caso um dia tenha disposição poderei contrapor os argumentos do texto com uma infinidade de outros, para tornar o cenário menos irreal.

Vejam o que diz o próprio Millôr sobre o texto:

Seu verdadeiro autor é Anselmo Cordeiro (veja a carta do próprio em http://elvisrossi.blogspot.com.br/2011/06/militar-e-incompetente-demais-militares.html). Ele se orgulha. Eu sentiria vergonha. Aliás, sinto. Vergonha alheia.

Arnaldo.

 

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Mulher, manual de preservação da Espécie

(Fábio Reynol)*

O desrespeito à natureza tem afetado a sobrevivência de vários seres e entre os mais ameaçados está a fêmea da espécie humana.


Tenho apenas um exemplar em casa,que mantenho com muito zelo e dedicação, mas na verdade acredito que é ela quem me mantém.

Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha ‘Salvem as Mulheres!’
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da feminilidade a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:

1. Habitat

Mulher não pode ser mantida em cativeiro. Se for engaiolada, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que as prenda e as que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse de uma mulher, o que vai prendê-la a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente.
.
2. Alimentação correta

Ninguém vive de vento. Mulher vive de carinho. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ela não receber de você vai pegar de outro.

Beijos matinais e um ‘eu te amo’ no café da manhã as mantém viçosas e perfumadas durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não a deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial.

3. Flores

Também fazem parte de seu cardápio – mulher que não recebe flores murcha rapidamente e adquire traços masculinos como rispidez e brutalidade.

4. Respeite a natureza

Você não suporta TPM? Case-se com um homem. Mulheres menstruam, choram por nada, gostam de falar do próprio dia, discutir a relação? Se quiser viver com uma mulher, prepare-se para isso.

5. Não tolha a sua vaidade

É da mulher hidratar as mechas, pintar as unhas, passar batom, gastar o dia inteiro no salão de beleza, colecionar brincos, comprar muitos sapatos, ficar horas escolhendo roupas no shopping.
Entenda tudo isso e apoie.

6. Cérebro feminino não é um mito

Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino. Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente o aposentaram!). Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração.
Se você se cansou de colecionar bibelôs, tente se relacionar com uma mulher. Algumas vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja dessas, aprenda com elas e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com os homens, a inteligência não funciona como repelente para as mulheres.

Não faça sombra sobre ela.
Se você quiser ser um grande homem tenha uma mulher ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ela brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ela estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda.
Aceite: mulheres também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.
O homem sábio alimenta os potenciais da parceira e os utiliza para motivar  os próprios. Ele sabe que, preservando e cultivando a mulher, ele estará salvando a si mesmo.
E meu amigo, se você acha que mulher é caro demais, vire gay.

Porque só tem mulher, quem pode!

* Mais um texto que circula apócrifo, com autoria quase sempre atribuída a Luiz Fernando Veríssimo, mas também a Drauzio Varella, entre outros. O verdadeiro autor, Fábio Reynol, explica o contexto em que o produziu na publicação original de seu site. (Arnaldo)

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*** Por favor, prestigie o autor do poema visitando seu site: www.poetrybycharlescfinn.com/ Please, let´s prestige Poet Charles C. Finn. Visit his webpage (adress above) ***
Guardei por anos esse texto, entitulado “Máscaras” e de “autoria desconhecida”. Contudo, o nome do texto é outro, e o autor é americano, vivo, e tem um site muito amável colocado no ar por sua maior fã: sua esposa (o que torna tudo ainda mais belo). Seu nome é Charles C. Finn. Tenho a responsabilidade de creditar os textos aos seus devidos autores, e preservar tanto quanto possível a integridade de seus escritos. Esse é um texto fantástico, que trata de uma realidade interna de cada um de nós, manifestando-se em direção ao Outro. Assim, publico aqui o original em inglês, a versão que mais circula em e-mails pela Internet e minha tradução direta do original. Desfrutem. Arnaldo.
.
Minha tradução:
Não seja enganado por mim.
Não seja enganado pela face que visto.

Por eu vestir uma máscara, um milhar de máscaras,

máscaras que eu temo tirar
e nenhuma delas sou eu.
Fingir é uma arte que é uma segunda natureza para mim,
mas não seja enganado,
Pelo Amor de Deus, não se deixe enganar.
I dou a você a impressão de que sou seguro,
de que tudo é ensolarado e sem perturbações comigo, por dentro e por fora,
que confiança é meu nome e sangue frio é meu jogo,
que as águas são calmas e eu estou no comando
e que eu não preciso de ninguém,
mas não creia-me.
Minha superfície pode parecer gentil, mas minha superfície é minha máscara,
sempre mudando e sempre escondendo,
Por baixo, desvela-se a não complacência.
Por baixo desvela-se confusão, e medo, e solidão.
Mas eu escondo isto. Eu não quero que ninguém saiba.
Entro em pânico ao pensar na minha fraqueza exposta.

É por isso que freneticamente eu crio uma máscara para por trás esconder-me

uma fachada sofisticada indiferente

para me ajudar a fingir,

para escudar-me da olhadela que sabe.

Mas uma olhadela dessas é precisamente minha salvação, minha única esperança,
e eu sei disso.
Isto é, se ela é seguida de aceitação
se é seguida de amor.
É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo

dos muros da prisão que construí eu mesmo

das barreiras que eu ergui tão dolorosamente.
É a única coisa que vai me assegurar
de que eu não posso me assegurar,
que eu realmente tenha algum valor.
Mas eu não digo isso a você.
Eu não me atrevo, estou com medo.
Estou com medo que sua olhadela não seja seguida de aceitação,
que não vá ser seguida de amor.
Eu tenho medo que você pense menos de mim,
que você ria, e sua risada poderia matar-me.
Estou co medo que bem lá dentro eu não seja nada
e que você vai ver isso e me rejeitar.
Então eu jogo, meu jogo, meu desesperado jogo de fingir,
com uma fachada de segurança por fora
e uma criança a tremer por dentro.
Então começo o desfile brilhante mas vazio de máscaras,
e minha vida se torna um front.

Converso com você sem propósito, nos suaves tons de diálogo superficial.
Eu digo a você tudo que na verdade é nada,
e nada que na verdade é tudo,

o que está a chorar dentro de mim.
Então quando eu for para minha rotina
não seja enganado pelo que estou dizendo.
Por favor, escute atentamente e tente escutar o que eu não estou dizendo,
o que eu gostaria de conseguir dizer,
o que para sobreviver eu preciso dizer,
mas o que eu não posso dizer.
Eu não gosto de esconder.
Eu não gosto de jogar jogos falsos e superficiais.
Eu quero parar de joga-los.
Eu quero ser genuíno, espontâneo e eu mesmo
Mas você tem que me ajudar.
Você tem que estender sua mão
mesmo quando esta é a última coisa que eu pareço querer.

Somente você pode enxugar para longe de meus olhos
o olhar fixo e vazio de morto-vivo.
Somente você pode invocar minha vivacidade
Cada vez que você é doce, sutil e encorajador,
cada vez que você tenta entender porque você realmente se importa,
meu coração começa a desenvolver asas —
asas bem pequenas,
asas bem débeis,

mas asas!

Com seu poder de me tocar os sentimentos

você pode soprar vida em mim.
Eu quero que você saiba disso.
Quero que você saiba o quão é importante para im,
O quão você pode ser um criador – um honesto criador de Deus –
dessa pessoa que sou eu.
se você escolher faze-lo.
Você pode, você mesmo, quebrar o muro sob o qual eu tremo,
Você pode, você mesmo, remover minha máscara,
Você pode, você mesmo, me libertar de meu mundo sombrio de pânico,
de minha prisão solitária,
se você escolher faze-lo.
Por favor, escolha faze-lo.

Não passe por mim.
Não será fácil para você.
Um a longa convicção de menos-valia constrói muros fortes.
Quanto mais perto você se aproximar de mim
o escurecedor eu posso contra atacar.
É irracional, mas a despeito do que os livros dizem sobre o homem
frequentemente eu sou irracional.
Eu luto contra cada coisa que eu choro perder.
Mas me disseram que o amor é mais forte que muros fortes
e nisto reside minha esperança.

Por favor tente vencer essas muralhas
com mãos firmes porém gentis
para uma criança que está bastante sensível.

Quem eu sou, você pode vislumbrar?
Eu sou alguém que você conhece muito bem.
Por eu ser cada homem que você encontra
e ser cada mulher que você encontra.

Charles C. Finn, Setembro de 1966
Charles C. Finn (+- 1946-*) **
Tradução de Arnaldo V. Carvalho
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O Original:
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Please Hear What I’m Not Saying

Jester mask Don’t be fooled by me.
Don’t be fooled by the face I wear
For I wear a mask, a thousand masks,
Masks that I’m afraid to take off
And none of them is me.

Pretending is an art that’s second nature with me,
but don’t be fooled,
for God’s sake don’t be fooled.
I give you the impression that I’m secure,
that all is sunny and unruffled with me,
within as well as without,
that confidence is my name and coolness my game,
that the water’s calm and I’m in command
and that I need no one,
but don’t believe me.

My surface may be smooth but
my surface is my mask,
ever-varying and ever-concealing.
Beneath lies no complacence.
Beneath lies confusion, and fear, and aloneness.
But I hide this. I don’t want anybody to know it.
I panic at the thought of my weakness exposed.
That’s why I frantically create a mask to hide behind,
a nonchalant sophisticated facade,
to help me pretend,
to shield me from the glance that knows.

But such a glance is precisely my salvation,
my only hope, and I know it.
That is, if it is followed by acceptance,
If it is followed by love.
It’s the only thing that can liberate me from myself
from my own self-built prison walls
from the barriers that I so painstakingly erect.
It’s the only thing that will assure me
of what I can’t assure myself,
that I’m really worth something.
But I don’t tell you this. I don’t dare to. I’m afraid to.

mask I’m afraid you’ll think less of me,
that you’ll laugh, and your laugh would kill me.
I’m afraid that deep-down I’m nothing
and that you will see this and reject me.

So I play my game, my desperate, pretending game
With a façade of assurance without
And a trembling child within.
So begins the glittering but empty parade of Masks,
And my life becomes a front.
I tell you everything that’s really nothing,
and nothing of what’s everything,
of what’s crying within me.
So when I’m going through my routine
do not be fooled by what I’m saying.
Please listen carefully and try to hear what I’m not saying,
what I’d like to be able to say,
what for survival I need to say,
but what I can’t say.

I don’t like hiding.
I don’t like playing superficial phony games.
I want to stop playing them.
I want to be genuine and spontaneous and me
but you’ve got to help me.
You’ve got to hold out your hand
even when that’s the last thing I seem to want.
Only you can wipe away from my eyes
the blank stare of the breathing dead.
Only you can call me into aliveness.
Each time you’re kind, and gentle, and encouraging,
each time you try to understand because you really care,
my heart begins to grow wings —
very small wings,
but wings!

With your power to touch me into feeling
you can breathe life into me.
I want you to know that.
I want you to know how important you are to me,
how you can be a creator–an honest-to-God creator —
of the person that is me
if you choose to.
You alone can break down the wall behind which I tremble,
you alone can remove my mask,
you alone can release me from the shadow-world of panic,
from my lonely prison,
if you choose to.
Please choose to.

Do not pass me by.
It will not be easy for you.
A long conviction of worthlessness builds strong walls.
The nearer you approach me
the blinder I may strike back.
It’s irrational, but despite what the books may say about man
often I am irrational.
I fight against the very thing I cry out for.
But I am told that love is stronger than strong walls
and in this lies my hope.
gold mask Please try to beat down those walls
with firm hands but with gentle hands
for a child is very sensitive.

Who am I, you may wonder?
I am someone you know very well.
For I am every man you meet
and I am every woman you meet.

By Charles C. Finn (+- 1946-*) **

O texto que circula na Internet

Máscaras

“Não deixe se enganar por mim. Não se engane com as máscaras que uso, pois eu uso máscaras que eu tenho medo de tirar, e nenhuma delas sou eu.
Fingir é uma arte que se tornou uma segunda natureza para mim, mas não se engane.

Eu dou a impressão de que sou seguro, de que tudo está bem e em paz comigo, que meu nome é confiança e tranqüilidade;
é meu tema que as águas do mar são calmas e eu que estou no comando sem precisar de ninguém.
Mas não acredite, por favor.

Minha aparência é tranqüila, mas é apenas uma aparência, é uma máscara superficial, mas é a que sempre varia e esconde.
Por baixo não há tranqüilidade, complacência ou calma.
Por baixo, está meu mal em confusão, medo e abandono.
Mas eu oculto tudo isso, pois eu não quero que ninguém veja.

Fico em pânico ante a possibilidade de que minha fraqueza fique exposta,
e é por isso que eu crio máscaras atrás das quais eu me escondo com a fachada de quem não se deixa tocar,
para me ocultar do olhar que sabe.
Mas esse olhar é justamente minha salvação. Eu eu sei disto.
É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo, dos muros da prisão que eu mesmo levantei,
das barreiras que eu mesmo tão dolorosamente construo.

Mas eu não digo muito disso à você. Não sorria, tenho medo.
Tenho medo que seu olhar não seja de amor e atenção.
Tenho medo que você me menospreze, que ria de mim, me ferindo.
Tenho medo de que lá dentro do interior de mim mesmo, eu não valha nada e que você acabe vendo e me rejeitando.

Então eu continuo a viver meus jogos, meus jogos de fingimento, com a fachada de segurança de fora e sendo uma criança tremendo por dentro.
Com um desfile de máscaras, todas vazias, minha vida se tornou um campo de batalha.
Eu converso com você uma conversa infantil e superficial.
Digo à você tudo que não tem a menor importância e calo o que arde dentro de mim.
De forma que, não se deixe enganar por mim.
Mas por favor, escute e tente ouvir o que eu não estou dizendo e que eu gostaria de dizer.

Eu não gosto de me esconder, honestamente eu não gosto.
Eu tão pouco gosto de jogos tolos e superficiais que faço.
Eu gostaria mesmo era de ser genuíno, espontâneo, eu mesmo, e você tem que me ajudar, segurando a minha mão,
mesmo que quando esta for a última coisa que eu aparentemente necessitar.

Cada vez que você me ajuda, um par de asas nasce no meu coração.
Asas pequenas e frágeis, mas asas.
Com sua sensibilidade, afeto e compreensão, eu me torno capaz.
Você me transmite vida. Não vai ser fácil para você.
A idéia de que eu não valho nada vem de muito tempo e criou muros fortes.
Mas o amor é mais forte que os muros, e aí está a minha esperança.

Por favor ajude-me a destruir esses muros, com mãos fortes, mas gentis,
pois uma criança é muito sensível e eu sou uma criança.

E agora você poderia se perguntr quem sou eu? Eu sou uma pessoa que você conhece muito bem. Porque eu sou todo homem,toda mulher, toda criança… todo o ser humano que você encontra!”

*   *   *

** A idade de Charles C. Finn é um mistério entre seus fãs. A família, embora possua um site muito carinhoso onde se encontra o poema original e outros textos do mesmo autor, não revela em momento nenhum a idade do autor. Como sabemos que Finn publicou seu texto em 1966 no início de sua carreira como professor, podemos calcular que ele tinha seus vinte e poucos anos.

Referências / Para saber mais

http://www.poetrybycharlescfinn.com/pleasehear.html

http://www.jwjonline.net/poems/poem/mask/

http://www.reflexos-da-alma.com/mascaras.html

http://thinkexist.com/quotes/charles_c._finn/

http://www.bookfinder.com/author/charles-c-finn/

 

*** Por favor, prestigie o autor do poema visitando seu site: www.poetrybycharlescfinn.com/ Please, let´s prestige Poet Charles C. Finn. Visit his webpage (adress above) ***

Minha aparência é tranqüila, mas é apenas uma aparência, é uma máscara superficial, mas é a que sempre varia e esconde.
Por baixo não há tranqüilidade, complacência ou calma.
Por baixo, está meu mal em confusão, medo e abandono.
Mas eu oculto tudo isso, pois eu não quero que ninguém veja.

Fico em pânico ante a possibilidade de que minha fraqueza fique exposta,
e é por isso que eu crio máscaras atrás das quais eu me escondo com a fachada de quem não se deixa tocar,
para me ocultar do olhar que sabe.
Mas esse olhar é justamente minha salvação. Eu eu sei disto.
É a única coisa que pode me libertar de mim mesmo, dos muros da prisão que eu mesmo levantei,
das barreiras que eu mesmo tão dolorosamente construo.

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Apenas nesta manhã, eu vou deixar a louça na pia e, deixar! você me ensinar a montar seu quebra-cabeças.

Apenas nesta tarde, eu vou desligar o telefone, manter o computador fora do ar e, sentar-me com você no quintal e soltar bolhas de sabão.

Apenas nesta tarde, eu não vou gritar nenhuma vez, nem mesmo resmungar, quando você gritar e acenar para o carrinho de sorvetes; e vou comprar um se ele passar.

Apenas nesta tarde, eu não vou me preocupar com o que você vai ser
quando crescer.

Apenas nesta tarde, eu vou deixar você ajudar-me a assar biscoitos e não vou ficar atrás de você, tentando consertá-los.

Apenas nesta tarde, vamos ao McDonald’s e, comprar um Mc Lanche Feliz para nós dois, para que você possa ganhar dois brinquedos.

Apenas nesta noite, vou segurá-lo em meus braços e, contar-lhe uma
história sobre como você nasceu e, como eu amo você.

Apenas nesta noite, eu vou deixar você espirrar a água da banho e não ficar nervoso.

Apenas nesta noite, vou deixar você ficar acordado até tarde, enquanto ficamos sentados na soleira, contando todas as estrelas.

Apenas nesta noite eu vou me aconchegar ao seu lado por horas e, perder meus shows favoritos na TV.

Apenas nesta noite, quando eu passar meus dedos entre seus cabelos
enquanto você reza, eu vou simplesmente ser grato a Deus por ter me dado o maior presente do mundo.

Eu vou pensar nas mães e pais que procuram por seus filhos perdidos; nas mães e pais que visitam a sepultura de seus filhos, ao invés de suas camas; nas mães e pais que, estão em hospitais vendo seus filhos sofrerem, sem que isto tenha sentido e, gritando por dentro que não podem mais suportar isto.

E, quando eu te dar um beijo de boa noite, vou te segurar um pouquinho mais forte, por um pouquinho mais de tempo.

E, é então que, eu vou agradecer a Deus por você e, não pedir nada a Ele… exceto mais um dia.

(Autor Desconhecido)

 

*   *   *

Gostaria muito de saber o autor desse texto, mas não encontrei nenhuma referência na Internet. Ao ler com atenção percebe-se que as sentenças foram construídas originalmente na língua inglesa. Busquei pela mesma e encontrei várias versões. O site Snope já havia feito um belo trabalho investigativo, inclusive demonstrando que o texto foi modificado inúmeras vezes e utilizado em campanhas fictícias para crianças igualmente fictícias a morrer de câncer e congêneres… http://www.snopes.com/inboxer/medical/arlington.asp

A autoria desse belo texto, contudo permanece desconhecida, embora seu apelo seja sempre um lembrete aos pais workaholics, a todo aquele que tem dificuldade de sair de seu próprio mundo por algumas horas e olhar para o Outro em formação, que no caso é seu próprio filho.

Arnaldo V. Carvalho

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Há muitos anos, meu avô mandou fazer uma rodagem de muitas cópias deste texto, pois o considerava profundamente. Compartilho aqui. Arnaldo

Uma Mensagem a Garcia

Elbert Hubbard (1856-1915)

Em todo este caso cubano, um homem se destaca no horizonte de minha memória como o planeta Marte no seu periélio. Quando irrompeu a guerra entre a Espanha e os Estados Unidos, o que importava a estes era comunicar-se rapidamente com o chefe dos insurretos, Garcia, que se sabia encontrar-se em alguma fortaleza no interior do sertão cubano, mas sem que se pudesse precisar exatamente onde. Era impossível comunicar-se com ele pelo correio ou pelo telégrafo. No entanto, o Presidente tinha que tratar de assegurar-se da sua colaboração, e isto o quanto antes. Que fazer?

Alguém lembrou ao Presidente: “Há um homem chamado Rowan; e se alguma pessoa é capaz de encontrar Garcia, há de ser Rowan”.

Rowan foi trazido à presença do Presidente, que lhe confiou uma carta com a incumbência de entregá-la a Garcia. De como este homem, Rowan, tomou a carta, meteu-a num invólucro impermeável, amarrou-a sobre o peito, e, após quatro dias, saltou, de um barco sem coberta, alta noite, nas costas de Cuba; de como se embrenhou no sertão, para depois de três semanas, surgir do outro lado da ilha, tendo atravessado a pé um país hostil e entregando a carta a Garcia – são cousas que não vêm ao caso narrar aqui pormenorizadamente. O ponto que desejo frisar é este: Mac Kinley deu a Rowan uma carta para ser entregue a Garcia; Rowan pegou da carta e nem sequer perguntou: “Onde é que ele está?”.

Hosannah! Eis aí um homem cujo busto merecia ser fundido em bronze imarcescível e sua estátua colocada em cada escola do país. Não é de sabedoria livresca que a juventude precisa, nem instrução sobre isto ou aquilo. Precisa, sim, de um endurecimento das vértebras, para poder mostrar-se altivo no exercício de um cargo; para atuar com diligência, para dar conta do recado; para, em suma, levar uma mensagem a Garcia.

O General Garcia já não é deste mundo, mas há outros Garcias. A nenhum homem que se tenha empenhado em levar avante uma empresa, em que a ajuda de muitos se torne precisa, têm sido poupados momentos de verdadeiro desespero ante a imbecilidade de grande número de homens, ante a inabilidade ou falta de disposição de concentrar a mente numa determinada cousa e fazê-la.

Assistência irregular, desatenção tola, indiferença irritante e trabalho mal feito parecem ser a regra geral. Nenhum homem pode ser verdadeiramente bem sucedido, salvo se lançar mão de todos os meios ao seu alcance, quer da força, quer do suborno, para obrigar outros homens a ajudá-lo, a não ser que Deus Onipotente, na sua grande misericórdia, faça um milagre enviando-lhe como auxiliar um anjo de luz.

Leitor amigo, tu mesmo podes tirar a prova. Estás sentado no teu escritório, rodeado de meia dúzia de empregados. Pois bem, chama um deles e pede-lhe: “Queira ter a bondade de consultar a enciclopédia e de me fazer uma descrição sucinta da vida de Corrégio “.

Dar-se-á o caso do empregado dizer calmamente: “Sim, Senhor” e executar o que se lhe pediu?

Nada disso! Olhar-te-á perplexo e de soslaio para fazer uma ou mais das seguintes perguntas:

Quem é ele?

Que enciclopédia?

Onde é que está a enciclopédia? Fui eu acaso contratado para fazer isso ?

Não quer dizer Bismark?

E se Carlos o fizesse?

Já morreu?

Precisa disso com urgência?

Não será melhor que eu traga o livro para que o senhor mesmo procure o que quer?

Para que quer saber isso ?

E aposto dez contra um que, depois de haveres respondido a tais perguntas, e explicado a maneira de procurar os dados pedidos e a razão por que deles precisas, teu empregado irá pedir a um companheiro que o ajude a encontrar Garcia, e, depois voltará para te dizer que tal homem não existe. Evidentemente, pode ser que eu perca a aposta; mas, segundo a lei das médias, jogo na certa. Ora, se fores prudente, não te darás ao trabalho de explicar ao teu “ajudante” que Corrégio se escreve com “C” e não com “K “, mas limitar-te-ás a dizer meigamente, esboçando o melhor sorriso. “Não faz mal; não se incomode “, e, dito isto, levantar-te-ás e procurarás tu mesmo. E esta incapacidade de atuar independentemente, esta inépcia moral, esta invalidez da vontade, esta atrofia de disposição de solicitamente se pôr em campo e agir – são as cousas que recuam para um futuro tão remoto o advento do socialismo puro. Se os homens não tomam a iniciativa de agir em seu próprio proveito, que farão quando o resultado do seu esforço redundar em benefício de todos? Por enquanto parece que os homens ainda precisam de ser feitorados. O que mantém muito empregado no seu posto e o faz trabalhar é o medo de se não o fizer, ser despedido no, fim do mês. Anuncia precisar de um taquígrafo, e nove entre dez candidatos à vaga não saberão ortografar nem pontuar – e, o que é mais, pensam que não é necessário sabê-lo.

Poderá uma pessoa destas escrever uma carta a Garcia?

– Vê aquele guarda-livros?, dizia-me o chefe de uma grande, fábrica.

– Sim, que tem?

– É um excelente guarda-livros. Contudo, se eu o mandasse, fazer um recado, talvez se desobrigasse da incumbência a contento, mas também podia muito bem ser que no caminho entrasse em duas ou três casas de bebidas, e que, quando chegasse ao seu destino, já não se recordasse da incumbência que lhe fora dada .

Será possível confiar-se a um tal homem uma carta para entregá-la a Garcia?

Ultimamente temos ouvido muitas expressões sentimentais externando simpatia para com os pobres entes que mourejam de sol a sol, para com os infelizes desempregados à cata do trabalho honesto, e tudo isto, quase sempre, entremeado de muita palavra dura para com os homens que estão no poder.

Nada se diz do patrão que envelhece antes do tempo, num baldado esforço para induzir eternos desgostosos e descontentes a trabalhar conscienciosamente; nada se diz de sua longa e paciente procura de pessoal, que, no entanto, muitas vezes nada mais faz do que “matar o tempo”, logo que ele volta as costas. Não há empresa que não esteja despendindo pessoal que se mostre incapaz de zelar pelos seus interesses, a fim de substituílo por outro mais apto. E este processo de seleção por eliminação está se operando incessantemente, em tempos adversos, com a única diferença que, quando os tempos são maus e o trabalho escasseia, a seleção se faz mais escrupulosamente, pondo-se fora, para sempre, os incompetentes e os inaproveitáveis. É a lei da sobrevivência do mais apto. Cada patrão, no seu próprio interesse, trata somente de guardar os melhores – aqueles que podem levar uma mensagem a Garcia.

Conheço um homem de aptidões realmente brilhantes, mas sem a fibra precisa para gerir um negócio próprio e que ademais se torna completamente inútil para qualquer outra pessoa, devido à suspeita insana que constantemente abriga de que seu patrão o esteja oprimindo ou tencione oprimi-lo. Sem poder mandar, não tolera que alguém o mande. Se lhe fosse confiada uma mensagem a Garcia, retrucaria provavelmente: “Leve-a você mesmo”.

Hoje este homem perambula errante pelas ruas em busca de trabalho, em quase petição de miséria. No entanto, ninguém que o conheça se aventura a dar-lhe trabalho porque é a personificação do descontentamento e do espírito de réplica. Refratário a qualquer conselho ou admoestação, a única cousa capaz de nele produzir algum efeito seria um bom pontapé dado com a ponta de uma bota de número 42, sola grossa e bico largo.

Sei, não resta dúvida, que um indivíduo moralmente aleijado como este, não é menos digno de compaixão que um fisicamente aleijado. Entretanto, nesta demonstração de compaixão, vertamos também uma lágrima pelos homens que se esforçam por levar avante uma grande empresa, cujas horas de trabalho não estão limitadas pelo som do apito e cujos cabelos ficam prematuramente encanecidos na incessante luta em que estão empenhados contra a indiferença desdenhosa, contra a imbecilidade crassa e a ingratidão atroz, justamente daqueles que, sem o seu espírito empreendedor, andariam famintos e sem lar.

Dar-se-á o caso de eu ter pintado a situação em cores demasiado carregadas? Pode ser que sim; mas, quando todo mundo se apraz em divagações quero lançar uma palavra de simpatia ao homem que imprime êxito a um empreendimento, ao homem que, a despeito de uma porção de impecilhos, sabe dirigir e coordenar os esforços de outros e que, após o triunfo, talvez verifique que nada ganhou; nada, salvo a sua mera subsistência.

Também eu carreguei marmitas e trabalhei como jornaleiro, como, também tenho sido patrão. Sei portanto, que alguma cousa se pode dizer de ambos os lados.

Não há excelência na pobreza de per si; farrapos não servem de recomendação. Nem todos os patrões são gananciosos e tiranos, da mesma forma que nem todos os pobres são virtuosos.

Todas as minhas simpatias pertencem ao homem que trabalha conscienciosamente, quer o patrão esteja, quer não. E o homem que, ao lhe ser confiada uma carta para Garcia, tranquilamente toma a missiva, sem fazer perguntas idiotas, e sem a intenção oculta de jogá-la na primeira sarjeta que encontrar, ou praticar qualquer outro feito que não seja entregá-la ao destinatário, esse homem nunca, fica “encostado” nem tem que se declarar em greve para, forçar um aumento de ordenado.

A civilização busca ansiosa, insistentemente, homem nestas condições. Tudo que um tal homem pedir, ser-lhe-á de conceder. Precisa-se dele em cada cidade, em cada vila, em cada lugarejo, em cada escritório, em cada oficina, em cada loja, fábrica ou venda. O grito do mundo inteiro praticamente se resume nisso: Precisa-se, e precisa-se com urgência de um homem capaz de levar uma mensagem a Garcia.

*   *   *

Sobre esse texto, em 1913 o autor escreveu:

Esta insignificância literária, UMA MENSAGEM A GARCIA, escrevi-a uma noite, depois do jantar, em uma hora. Foi a 22 de fevereiro de 1899, aniversário natalício de Washington, e o número de março da nossa revista “Philistine” estava prestes a entrar no prelo. Encontrava-me com disposição de escrever, e o artigo brotou espontâneo do meu coração, redigido, como foi, depois de um dia afanoso, durante o qual tinha procurado convencer alguns moradores um tanto renitentes do lugar, que deviam sair do estado comatoso em que se compraziam, esforçando-se por incutir-lhes radioatividade.

 

A idéia original, entretanto, veio-me de um pequeno argumento ventilado pelo meu filho Bert, ao tomarmos café, quando ele procurou sustentar ter sido Rowan o verdadeiro herói da Guerra de Cuba. Rowan pôs-se a caminho só e deu conta do recado – levou a mensagem a Garcia. Qual centelha luminosa, a idéia assenhoreou-se de minha mente. É verdade, disse comigo mesmo, o rapaz tem toda a razão, o herói é aquele que dá conta do recado que leva a mensagem a Garcia.

 

Levantei-me da mesa e escrevi “Uma mensagem a Garcia” de uma assentada. Entretanto liguei tão pouca importância a este artigo, que até foi publicado na Revista sem qualquer título. Pouco depois da edição ter saído do prelo, começaram a afluir pedidos para exemplares adicionais do número de Março do “Philistine”: uma dúzia, cinquenta, cem, e quando a American News Company encomendou mais mil exemplares, perguntei a um dos meus empregados qual o artigo que havia levantado o pó cósmico.

 

– “Esse de Garcia” – retrucou-me ele.

 

No dia seguinte chegou um telegrama de George H. Daniels, da Estrada de Ferro Central de Nova York, dizendo: “Indique preço para cem mil exemplares artigo Rowan, sob forma folheto, com anúncios estrada de ferro no verso. Diga também até quando pode fazer entrega “.

 

Respondi indicando o preço, e acrescentando que podia entregar os folhetos dali a dois anos. Dispúnhamos de facilidades restritas e cem mil folhetos afiguravam-se-nos um empreendimento de monta.

 

O resultado foi que autorizei o Sr. Daniels a reproduzir o artigo conforme lhe aprouvesse. Fê-lo então em forma de folhetos, e distribuiu-os em tal profusão que, duas ou três edições de meio milhão se esgotaram rapidamente. Além disso, foi o artigo reproduzido em mais de duzentas revistas e jornais. Tem sido traduzido, por assim dizer, em todas as línguas faladas.

 

Aconteceu que, justamente quando o Sr. Daniels estava fazendo a distribuição da Mensagem a Garcia, o Príncipe Hilakoff, Diretor das Estradas de Ferro Russas, se encontrava neste país. Era hóspede da Estrada de Ferro Central de Nova York, percorrendo todo o país acompanhando o Sr. Daniels. O príncipe viu o folheto, que o interessou, mais pelo fato de ser o próprio Sr. Daniels quem o estava distribuindo em tão grande quantidade, que propriamente por qualquer outro motivo.

 

Como quer que seja, quando o príncipe regressou à sua Pátria mandou traduzir o folheto para o russo e entregar um exemplar a cada empregado de estrada de ferro na Rússia. O breve trecho foi imitado por outros países; da Rússia o artigo passou para a Alemanha, França, Turquia, Hindustão e China. Durante a guerra entre Rússia e o Japão, foi entregue um exemplar da “Mensagem a Garcia” a cada soldado russo que se destinava ao front.

 

Os japoneses, ao encontrar os livrinhos em poder dos prisioneiros russos, chegaram à conclusão que havia de ser cousa boa, e não tardaram em vertê-lo para o japonês. Por ordem do Mikado foi distribuído um exemplar a cada empregado, civil ou militar do Governo Japonês.

 

Para cima de quarenta milhões de exemplares de “Uma Mensagem a Garcia” têm sido impressos, o que é sem dúvida a maior circulação jamais atingida por qualquer trabalho literário durante a vida do autor, graças a uma série de circunstâncias felizes. – E. H.

 

 

 

East Aurora, dezembro 1, 1913

*   *   *

Saiba mais sobre esse texto:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mensagem_a_Garcia

http://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/mensagem-a-garcia/25870/

*   *   *

Nota: Há na Internet mais de uma versão do mesmo texto. Acredito ser questão de tradução e condensação em alguns casos. Não encontrei apócrifos. (Arnaldo)

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Vocês sabem, em geral, não gosto – estou farto de certa forma – de textos de auto-ajuda com conteúdos diretivos: “faça isso”, “seja feliz”, “durma mais”, “sinta prazer”… Acho tudo isso um saco, falso, e obviamente, condicionante. Mas há um textinho diretivo que não deixa de ser interessante – talvez mais por sua história que pelo conteúdo. Escrito por Edson Marques, ele circulou e circula por aí como se fosse de Clarice Lispector. Uma grande agência de publicidade não chegou a autoria e usou numa campanha para a FIAT. O FILHO da Lispector deu uma de “João-sem-braço” e recebeu uma bolada de DIREITOS AUTORAIS(!!!), o comercial foi rodado, e… E aí que o VERDADEIRO AUTOR Edson Marques comprou uma briga que dura mais de dez anos na justiça para reverter toda essa mistura de confusão, malandragem e falta de apreço pela autenticidade das coisas. Segue aí o texto MUDE (talvez bastante apropriado nesta época do ano, onde muita gente se propõe a aproveitar o fim do calendário para fazer disso o fim de padrões, comportamentos etc.), com links para o caso. (Arnaldo)

MUDE

Mude, mas comece devagar.

Porque a direção é mais importante, que a velocidade.

Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.

Mais tarde, mude de mesa.

Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.

Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,

calmamente, observando, com atenção, os lugares por onde você passa.

Tome outro ônibus. Mude por uns tempos o estilo de roupas.

Dê os seus sapatos velhos, procure andar descalço alguns dias.

Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia ou no parque

e ouvir o canto dos passarinhos.

Veja o mundo de outras perspectivas.

Abra e feche gavetas e portas com a mão esquerda.

Durma no outro lado da cama. Depois, procure dormir em outras camas.

Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.

Corrija a postura. Coma um pouco menos. Escolha comidas diferentes.

Novos temperos, novas cores, novas delícias.

Almoce em outros locais, compre pão em outra padaria.

Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.

Escolha outro mercado…Outra marca de sabonete, outro creme dental…

Tome banhos em novos horários.

Use canetas de outras cores, vá passear em outros lugares,

ame muito, cada vez mais.

Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as, seja criativo.

E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,

longa, se possível sem destino.

Experimente coisa novas, troque novamente,

Mude, de novo. Experimente outra vez.

Você certamente conhecerá coisas melhores e coisas piores

do que as já conhecidas, mas não é isso que importa.

O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia.

Só o que está morto não muda.

(Edson Marques)

*   *   *

Comentários (Arnaldo V. Carvalho)

COMENTÁRIO 1 – MAIS UM APÓCRIFO. Mais uma vez um texto atribuído à Clarice Lispector em quase tudo que é lugar na Internet; Lispector, que nunca publicou poemas… Pobre Clarice, sempre enfiada onde não tem a menor chance de estar. Sacanagem com o Edson Marques e em relação aos diversos casos semelhantes, com todos os autores contemporâneos, que permanecem no anonimato apesar de provarem haver capacidade para textos lindos e que nos tocam o coração.

COMENTÁRIO 2 – POBREZA HUMANA, INOCÊNCIA, “FODA-SE”  OU O QUÊ?: Me entristece perceber que as pessoas não conseguem identificar a não autoria de certos autores. Autores consagrados como Fernando Pessoa, J. Luis Borges e Clarice Lispector têm seus nomes emplacados em textos que JAMAIS poderiam pertencer a eles. Fico pensando que quem deixa passar batido esse fato deve ter o seguinte raciocínio em seu cérebro: “já ouvi falar do autor” > “ele é famoso” > “ele é bom” > “o texto é bom”. De fato desconhecem a maioria dos autores, menos ainda seu contexto de época, a linguagem geral utilizada naquele momento e lugar – para não ir tão longe a ponto da pessoa identificar as nuances que caracterizam os textos de dado autor… Não dá para dizer “o brasileiro é ignorante”. Isso ocorre em todos os países do mundo (embora eu consiga notar mais especialmente nas Américas – mas isso, penso, dever ser porque é o que nos chega). Posso pensar que o mundo lê mal, mesmo que leia muito (é só ver o caso do texto “Instantes” atribuído ao J. L. Borges – afinal argentino não tem fama de ler muito?). Se lê mal, mal percebe. Percebe mal seu entorno, seu ambiente, o OUTRO. Reich tem razão, a couraça do segmento OCULAR é o primeiro desafio a ser vencido na humanidade.

LINKS sobre apócrifos diversos e sobre o Escândalo do texto MUDE:

http://www.desafiat.blogspot.com/

http://veja.abril.com.br/090703/p_103.html

http://br.dir.groups.yahoo.com/group/masonline/message/5554?var=1

http://pensador.uol.com.br/frase/MTk5NDI0/

http://mude.blogspot.com/

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