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Archive for the ‘Cidadania’ Category

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Misturar para confundir, dividir para conquistar: O caldeirão ferve e a Bruxa ri

Por Arnaldo V. Carvalho

Aos que foram atentos a história do antigo Império Romano, devem saber que sua origem vitoriosa ocorreria com o fim da República de Roma, após o famoso general ditador Caio Júlio César (100a.C-44a.C.) anexar as Gálias (basicamente toda a Europa Ocidental) e reclamar na capital poder absoluto para si.

César desenvolveu uma estratégia quase infalível, que permitiu a Roma anexar territórios inteiros com um uso de força minimizado. A tática divide et vinces* foi descrita pelo César (embora já utilizada com sucesso por Alexandre o Grande e posteriormente por Napoleão Bonaparte) tratava de uma guerra de informação, onde ele basicamente enviava espiões que, infiltrados nos grupos de interesse, tratavam de plantar a “semente da discórdia” entre clãs rivais, criando todo tipo de intrigas, enquanto enviavam preciosas informações que permitiam a ele estudar as características e pontos fracos de cada povo.

Plantar confusão nos dias de hoje envolve misturar conceitos, fatos, etc., e é aí que se forma o caldo das divisões. Formam-se divisões em assuntos os quais na verdade todos querem soluções reais. Ou seja, interessam a todos, dizem respeito a todos, e podem sim alcançar a todos. A mistura quente, que confunde situações tangentes, é a dinamite da bruxa, como denuncia a música Na Pressão (1999), de Lenine (1959-).

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Trecho da música Na Pressão, de Lenine.

Temos aí uma multiplicidade de violências institucionalizadas e culturalizadas, e na pressão que o medo provoca, a bruxa ri. Fatos ocorridos e que vão para as notícias de jornal – assassinatos, torturas, discriminações, estupros, roubos, etc., se juntam ao que não vai estar na mídia – como o desprezo e cada um deles é dinamite, cada um deles se soma, temperada pela saliva da besta-fera do ódio, ácida, quente. A bruxa é a anti-vida sorrindo diante de nossas divisões.

O que tenho visto no caso Marielle Franco, por exemplo, é icônico. Tenho recebido em meus grupos sociais uma série incrível de comentários onde diferentes pontos reivindicatórios – todos legítimos – entram em choque.

Uma das maiores confusões é em relação à atenção que se têm dispensado à execução da socióloga versus a de todos os outros assassinatos cometidos diariamente no país. Me repetindo em relação a comentário que fiz em cima de um post do Facebook:

“Nenhuma morte deve passar despercebida. Cada uma deve ser cobrada pela particularidade que a envolve.

Morreu depois de ser assaltado? É uma cobrança, não pode acontecer.

Morreu executada porque se meteu em área “dominada”? É outra cobrança.

Morreu de fome? É outra cobrança.

Matou? É outra cobrança (afinal a sociedade tem sim ligação com a origem de pelo menos a maior parte dos assassinos)

Mandou matar? Mais uma cobrança.

Consumiu o produto que gera uma cadeia de mortes? Outra cobrança.

Enfim, para cada uma deve haver da sociedade uma cobrança. Por respostas, por atitudes.

Misturar tudo não ajuda. Dividir o povo não ajuda”.

Cada pessoa e/ou grupo, que além de se manifestar precisa viver sua vida – trabalhar, estar com os seus em suas alegrias e doenças, cuidar de si, sua mente e corpo, etc. – tem todo o direito de escolher seus temas, e um não diminui o outro. Tudo é muito, muito grave e precisa igualmente de atenção.

Um amigo fez o outro tipo de afirmativa-cobrança, na verdade já uma mistura entre a primeira que comentei – por que a morte dela está parecendo mais importante que outras), e uma segunda: esse barulho todo é porque ela era do partido X (no caso, o PSOL, que se auto-define como um partido “de esquerda”). Minha resposta segue a mesma linha, é simples (em relação à escrita original, adicionei links aqui no blog):

“Amigo, não sou PSOL nem nada disso. Nenhuma morte deve passar em branco, nenhuma.

Agora, você pode usar a memoria e se perguntar: por que o medico morto a facada na Lagoa Rodrigo de Freitas (2015) teve visibilidade da imprensa e um monte de gente assassinada de forma barbara, que no máximo aparece em jornais estilo “O Povo” não tem? E a juiza executada com 21 tiros (2011) em Niterói?

O que traz visibilidade de imprensa a uma morte?

Te dou duas hipóteses: ou o crime aconteceu em área de alta circulação dos grupos privilegiados (caso do médico) ou a pessoa executada tinha algum tipo de atuação extremamente incomoda, talvez sabendo coisas que “não deveria saber”. Foi o caso da juíza e é o caso da Marielle.

Vejam mais sobre a briga da juíza Patrícia Acioli com o lado podre da polícia

Ambas foram mortas no embate com a “banda podre” da Polícia Militar, e em breve tenho certeza que pessoas começarão a ligar os pontos.

Não esqueça meu amigo que tivemos um colega (no meu caso amigo) morto por assalto no mês passado, e assassinato seguido de roubo é um serio problema a ser denunciado e execução planejada de queima de arquivo é outro problema.

Ambos precisam parar e para isso devemos cobrar das autoridades. Mas por favor não vamos cair no erro de misturar as coisas”.

Nem misturar, nem diminuir qualquer um dos fatos.

Os temas reivindicatórios devem ser sempre claros, para não confundir e enfraquecer. Aqui estamos claramente conversando sobre o eixo da “violência”, e suas ramificações precisam ser desembaraçadas se quisermos enxergar as situações com lucidez.

Então, caros leitores, máxima atenção: se continuarmos confundindo, seguiremos divididos, e permaneceremos presas fáceis da Bruxa que está a solta.

Arnaldo V. Carvalho pai, terapeuta, pedagogo, cidadão.

 

* A célebre frase de Júlio César já havia sido citada por mim no artigo “Risada sem Graça” na ocasião do golpe contra a presidência da república eleita por voto popular. Possivelmente a citarei outras vezes, visto que esse é o principal ingrediente do caldo da Bruxa que destrói a humanidade e seus povos.

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Nunca foi tão atual. Já pararam para interpretar essa música? (Arnaldo)

Na Pressão (1999)

Lenine (1959-)

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa acendeu o fogo
Se cuida, rapaziada
Tem mandinga de cabôco
Mandando nessas parada

Garrafada de serpente
Despacho de cachoeira
Quanto mais o fogo sobe
Mais a panela cheira

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Chacina no centro-oeste
E guerrilha na fronteira
Emboscada na avenida
Tiro e queda na ladeira
Mas feitiço é bumerangue
Perseguindo a feiticeira

***

Mais cuidado. Mais amor. Menos divisão. Vamos juntos!

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Resultado de imagem para olhos de sangue

Ontem senti beleza, paz, ternura. A partida tranquila do cientista que nos trazia as coisas do céu (minúsculo assim).

Hoje não tem despedida calma, compreendida. Não tem Cosmos, não tem filosofia. Nem sequer posso chamar isso aqui de despedida. A perda de hoje é amarga, cor de sangue, sangue nos olhos.

Foi morta uma mulher do chão, pés no chão, reivindicando para a cidade do Rio de Janeiro as coisas mínimas de se viver – em especial, a paz. Os tambores da terra (também minúsculo assim) bateram forte sobre o crime de ontem a noite, e seguem e seguirão ecoando.

Foi-se de modo violento, covarde, orquestrado, a socióloga Marielle Franco, que cumpria mandato de vereadora e voltava de evento relacionado ao movimento negro. Seu motorista Anderson na rebarba desse crime sujo, não deixo esquecer, é gente igual, o lamento é um só.

Oriunda de favela, negra, mulher, lésbica, de esquerda, denunciando a violência, a polícia militar, relatora de comissão que acompanha a intervenção federal no Rio de Janeiro. Executada por ter qualquer um ou combinação desses atributos permanentes ou temporários.

Os olhos do Rio seguem vermelhos, em sangue de surto acima das médias anuais de conjuntivite que nos assola, a representar claramente a dor coletiva, o medo de quem vive, a vontade louca de fugir. Já foram tantas mortes violentas nesse verão… Tantas.

Ontem partiu o homem voltado para o céu. Hoje perde-se a mulher voltada para a terra. O Céu e a Terra choram. Arnaldo.

PS: Paraliso, para além dessas palavras de dedos que se esforçam. Estou mudo, perplexo, procurando a voz na minha alma, sem conseguir encontrar.

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https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/vereadora-do-psol-marielle-franco-e-morta-a-tiros-no-centro-do-rio.ghtml

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/quantos-mais-precisarao-morrer-postou-vereadora-um-dia-antes-de-ser-assassinada-no-rj.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521080376_531337.html

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/03/15/marielle-franco-denunciou-abusos-de-policiais-do-batalhao-que-mais-mata-no-rio.htm

https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/cidades-do-interior-do-rio-enfrentam-epidemias-e-surtos-de-conjuntivite-petropolis-tem-mais-de-7-mil-casos-este-ano.ghtml

http://www.informerjo.com.br/2018/03/07/saude/rio-de-janeiro-encara-surto-de-conjuntivite/

http://www.ibol.com.br/exibir_conteudo.asp?idsecao=99387&IBOL+na+midia+-+Jornal+do+Brasil+-+surto+de+conjuntivite+-+05/03/2018

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Ainda lembro como se fosse ontem. Eu e minhas filhas, frequentadores da Biblioteca-parque da Av. Presidente Vargas (centro) chegando e dando com a cara na porta, encontrando um fantasma adormecido por conta do (des)governo Pezão.

Já vai fazer um ano. O governo silencia, como faz com tudo o que diz respeito a Educação e Cultura. Uma lástima, a debelar esperanças de algum futuro para os viventes no Rio de Janeiro. (Arnaldo)

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Em novembro me engajei na campanha pela conscientização sobre a importância da avaliação e tratamento da próstata. Assim como fazem os pioneiros australianos, durante todo o período permiti a barba crescer, para chamar atenção dos amigos que ao comentarem, recebiam como resposta:

– É Novembro Azul, já marcou seu exame?

Considerações naturopáticas e  psicossomáticas naturalmente serão feitas em artigo especialmente para esse fim (no prelo), mas o fato é que a displasia (aumento) da próstata ocorre com a idade em 100% dos homens, e é a partir desse crescimento que o câncer pode brotar. Então, não tem jeito, tem que ficar de olho e tratar.

Te digo como prevenir em breve em meu artigo. Como tratar também. Mas nada do que será dico substitui fato de que você, homem que me lê e chegou aos 40, precisa parar de achar que é super-homem e se cuidar. (Arnaldo)

 

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Tenho ouvido de colegas que existem servidores estaduais do Rio de Janeiro que ainda caem na conversa fiada de que a privatização da lucrativa Companhia Estadual de Águas e Esgotos (CEDAE) tinha como causa prioritária a normalização do pagamento dos salários atrasados. Pois bem, hoje, exatas 48 horas após a Assmebleia Legislativa do Rio de […]

via Primeiro privatiza, depois bloqueia os servidores e aposentados que se explodam — Blog do Pedlowski

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As empresas-máfias de taxis poderão incitar agressões a motoristas Uber?

Arnaldo V. Carvalho*

Primeiro você tem que saber que nas grandes cidades uma quantidade importante de taxis são controlados por “máfias legalizadas”. São empresas que controlam grandes frotas de carros e, embora legais, cometem ações dignas de gângsters. Controlam milhões anuais e são capazes até mesmo de matar. É isso aí.

Em Porto Alegre, por exemplo, um dos mafiosos mandou matar um motorista que resolveu trocar o taxi pelo Uber (mais detalhes aqui). Aqui no Rio, os chamados “Barões do Taxi” somam 15 empresas, e faturam juntos 6,7 milhões por mês. Eles aumentam a pressão de taxistas mais pobres, que não tem autonomia, contra o Uber, já que extorquem os motoristas com diárias pesadas. A coisa não é diferente em Vitória, Espírito Santo.

Embora legal, tem algo que não cheira bem… Afinal, na teoria, o dono precisa rodar diariamente com sua autonomia, e a partir desse não cumprimento certo, geram-se uma série em cascata de irregularidades. Elas estão bastante bem denunciadas, mas nada é feito, em lugar nenhum. Ano passado a Giovana Sartori explorou muito bem o tema, dando mais informações sobre essa realidade lá pelos pampas.

Aí é que se começa a perceber  o quanto a Uber deve incomodar a esses grupos. A entrada da empresa no Brasil forçou um reboliço nesse mercado de autonomias, etc., o que certamente descontenta a “elite do taxi”.

Não me admira que surjam desses grupos uma construção ideológica sinistra, por trás das agressões recorrentes de taxistas a motoristas Uber. Os motoristas de frota, oriundos de uma escala social com maior dificuldade, são explorados ao extremo, e tornam-se vulneráveis como massa de manobra (mais aqui). Sentem-se revoltados com o Uber, acham que a “concorrência” lhes atrapalha, e que não precisam fazer nada para mudar o jeito deles de trabalhar.

Não quero dizer com isso que só esse tipo de motorista existe, ou que todos são “pau mandado”, ou que ainda não hajam tantos motoristas verdadeiramente autonomos se reunindo em torno de uma insana e luta armada contra a Uber. Fato: é uma situação que agrava o problema. No mundo dos taxis, somam-se comportamentos ruins, quem passam pela simples má conduta com os passageiros (recorrente aqui no Rio), aos atos violentos e agressões que temos vivenciado diariamente nas cidades onde o Uber. Se gangues informais de taxistas tem um incentivo a mais pelas máfias de taxi, que se apure isso com urgência.

***

Arnaldo V. Carvalho repudia toda forma de violência e está farto de ver e ouvir histórias de agressão de taxistas contra motoristas Uber e seus passageiros.

 

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