Patrícia Bastos e Dante Ozzetti + Luedji Luna

Fazia tempo que não me impressionavam as vozes novas da MPB. Mas assistam esta cantora amapaense com quem “esbarrei” na Internet:

Seu parceiro é Dante Ozzetti, um violonista e arranjador premiadíssimo. Não para menos. At last but not least, deixo um vídeo impactante em que ela e Ledji Luna tocam juntas e se apresentam, em um quilombo no Amapá (Curiaú) pelo festival Mana 2021. Que coisa linda.

“Acredito que ter um caminho espiritual não nos isenta de nossa responsabilidade humana”.

Não conheço ninguém desse grupo, quem foi o proponente ou o autor do texto da leitura coletiva feita no vídeo. Mas gostei muito do posicionamento por parte daqueles que buscam se tornarem pessoas melhores a cada dia e tem pelo visto o Amor e o conhecimento como chave principal em suas práticas, técnicas e saberes. Corajosamente, o grupo saúda a ciência, protesta contra o negacionismo, acolhe a censura psicológica daqueles que estão calados (inclusive) porque temem os julgamentos e chamam para a realidade, para a ruptura do silêncio e um re-posicionamento no mundo frente a todo o desrespeito a ocorrer no cenário político atual.

É muito importante que esse “mundo nova era”, ou “zen”, “bichogrilo” etc. abandone a característica “isentona”, como se fosse coerente simplesmente fingir o que não está acontecendo, como se fosse bacana criar uma “bolhinha paradisíaca” e lá ficar, enquanto a Vida está sendo implacavelmente atacada.

Afirmar responsabilidade humana foi um ato para lá pé no chão! Estou com eles! Me representam!

Minha gratidão aos autores e participantes do vídeo – torço que algum deles se comunique para eu poder colocar os devidos créditos aqui no blog!

Elas brilham, brilham muito!

Musical impossível de se ver na Broadway ou em qualquer outro teatro do mundo homenageia mulheres, inspira, expõe questões sociais e encanta plateias

Por Arnaldo V. Carvalho

Esta é uma resenha de

Semana passada uma conhecida comentou ter ido a um musical em Copa: “Elas brilham, já ouviu falar? É sobre mulheres”. Ela, que já havia assistido a grandes espetáculos no Rio, em Nova York e países da Europa, estava impressionada. “Qualidade Broadway?”, eu provoquei, e ela me disse um sim tímido, como quem quer expressar: “tão bom quanto, mas muito diferente”.

É essa a essência de “Elas Brilham”, Musical que também fui assistir, e conseguiu a façanha de me emocionar do primeiro ao último número.

Uma resenha profissional e maravilhosa (bem melhor que a minha), escrita por Andréia Bueno, está aqui: https://acessocultural.com.br/2022/08/doc-musical-elas-brilham-realiza-curta-temporada-no-rio-de-janeiro/. Caso prefira, me ler é só continuar!

Para quem já havia assistido a 60! Década de Arromba, 70? Década do Divino Maravilhoso, sabe que essa é a terceira criação do gênero Doc. Musical assinada por Frederico Reder e Marcos Neuer – uma proposta original e diferente de espetáculo, cheio de lirismo mas com uma narrativa que aproxima os expectadores de recortes da história bastante relevantes do país. E sem dúvidas, esse novo espetáculo demonstra que a dupla chegou ao seu auge de maturidade no que tange ao Doc. Musical, e quanto a isso aponto aqui algumas observações:

  • A primeira marca disso é que foi possível sentir a obra como fruto da coletividade, uma coletividade quase 100% feminina. Quase toda a orquestra e todo o elenco, inclusive, é composto por mulheres. Afinal, como encenar sobre mulheres históricas sem a escuta e participação direta de mulheres? Até por isso, vou me referir aos méritos da peça como simplesmente “a peça” ou “o musical”, e não apenas aos seus criadores.
  • A segunda marca é a ousadia extrema. Desapegaram-se de algumas referências típicas dos grandes musicais, como elencos enormes, coreografias hipercomplexas e atrizes e atores exibindo corpos de beleza normotípica. Ao invés disso, concentraram-se em qualidade e diversidade. Escolhidas a dedo, foram arrebatadas estrelas da música e do canto: Sabrina Korgut, Ivanna Domenyco, Diva Menner, Jullie, Thalita Pertuzatti, Débora Pinheiro e Ludmillah Anjos. Sete incríveis mulheres, brancas e pretas, mais novas e mais velhas, mais magras e mais gordas, descobertas por si mesmas mulheres em diferentes momentos de vida… Todas maravilhosas e impecáveis. Uma elite de voz e emoção.
  • A terceira é a marca da autenticidade: as atrizes, que se revezam dando corpo e voz a história das mulheres através dos séculos, do Brasil, da música, também tem seu momento de narrarem-se. É um dos mais emocionantes números, sem dança, em “cru” de voz falada e cantada, onde a plateia descobre que não se tratam de entidades místicas descidas à terra apenas para entreter os mortais. Ali por trás da magia, há mulheres, mulheres com suas histórias e dores, e que se estão ali foi por uma construção de muita luta, dedicação e superação.

Do ponto de vista artístico e crítico, as brasileiras que marcaram da história da música às conquistas sociais do gênero, no país, seriam mais do que suficientes para compor uma narrativa de peso (se houve quem tivesse acusado os musicais sobre os anos 60 e 70 como “chapa branca”, Elas Brilham não deixa dúvidas do posicionamento artístico acerca das realidades violentas que vivemos). Mas para um público de ouvido e lentes acostumadas com as americanidades, talvez tenha sido inevitável que a peça oferecesse momentos destacando personalidades e cantoras estadunidenses, entremeadas a momentos que marcaram a história da Mulher naquele país e mundo a fora.

É assim, em harmonia entre mulheres de lá e de cá e de outras partes, que no palco e em telas auxiliares (o espetáculo não economiza em recursos audiovisuais), somos trazidos à música e à causa da mulher. Deparamo-nos com Rosa Parks, Elza Soares, Aretha Franklin e Ella Fitzgerald, Annie Lennox, Marielle Franco, Tina Turner e Janis Joplin, Elis Regina, Elba Ramalho, Dercy Gonçalves, Alcione e Madonna… dentre muitas outras!

Aliás, é digno de nota a qualidade e originalidade com que as combinações e fractais musicais vão surgindo sempre com força, em uma variedade de gêneros incomum. A atmosfera é de valorização da mulher em sua diversidade, o que passa pelo reconhecimento de uma sociedade machista e seus problemas, pela indignação que brota mesmo nos espíritos engajados com esta que talvez seja nos tempos atuais a principal causa a ser enfrentada pela humanidade. Mas, como parte do Girl Power em seu melhor aspecto, tudo é feito com muita força e muita beleza. De cabeça, posso lembrar das lindas composições música/interpretação/luz/figurino e trazer ao leitor que a peça passa por samba, MPB, rock, disco, pop, axé e mesmo o chamado “feminejo”, que mesmo para quem não gosta (como eu), entra ali com uma pertinência mais que cabível…

Não dá para terminar sem dizer que não, essa peça jamais poderia ter sido criada na ou para a Broadway. Nada se viu de parecido, nem lá nem aqui. Não tenho dúvida, porém, que por onde passar, Elas Brilham terá como resultado o arrebatamento das plateias de qualquer canto. Assim como Carmen Miranda encantou os americanos no início do século XX, agora é esse coletivo o que parece ser a contribuição mais genial do teatro musical nos últimos tempos.

Você pode saber sobre muitas das escolhas musicais, das mulheres enaltecidas e dos vínculos entre a música e o fortalecimento de uma sociedade melhor para todos no PDF oficial da peça: https://drive.google.com/file/d/1vhgmZtbcijI9r6V2c0gy0qGsodKH-jlO/view

Esse será o último final de semana de Elas Brilham no Rio de Janeiro. Mas soube que a peça estará em diversas capitais do país. Fiquem de olho, preparem-se, NÃO PERCAM. Vale cada centavo. Vai para a Vida.

Site oficial da peça: https://www.elasbrilham.com.br/

A peça Elas Brilham e minha conhecida do início do texto: um curto relato de empoderamento feminino

A minha conhecida, cuja trajetória conheço bem, já passou por muitos ciclos em sua terapia. Anos atrás, começou a se tratar de sintomas difusos como ansiedade e desconfortos pelo corpo…. Na época, ela quase não associava o que vivia com uma antiga má relação afetiva. Viveu por muitos anos com um homem que de amor e respeito pouco ofereceu. Viúva, trabalhou na terapia a importância de encontrar valor em si mesma. Recentemente, deu-se conta, experimentando uma nova relação, que da velha restara um certo preferir estar “mal acompanhada do que só”. Não durou: mais forte, mais ela, minha conhecida experimentou, pela primeira vez em seus 62 anos de vida, estar só como preferência a estar mal acompanhada. Semana passada, me contou que está de paquera nova. Mas já adiantou que a recusa a ir com ela em Elas Brilham (ela contou para ele que veria de novo para lhe fazer companhia, já que a peça era excelente e tinha certeza de que valeria a pena para ele) era um sinal de alerta. Não, ela decidiu que brilha e homem nenhum lhe tirará isso mais. Agora vejam só: criativamente, Elas Brilham tornou-se para ela, um teste anti-machista de primeira qualidade. Genial.

Dia do Rock: Todos convocados a ouvirem Rosetta Tharpe!

Venham comigo! Neste momento, estudo para o doutorado, ao som de Sister Rosetta Tharpe, considerada a madrinha do Rock’n Roll. Que voz, que guitarrista!

Conheça, ouça, curta, homenageie o rock e suas raízes, contendo um pouco de gospel, blues e com o toque “roll” da guitarra de Tharpe.

“Não é o tipo de imagem que estamos acostumados a pensar na história do rock’n roll. Não pensamos na mulher negra que está por trás do jovem homem branco”.

Gayle Wald

(…) há um pouco dela em todo rock’n roll.

Anthony Heilbut

E abaixo um documentário sobre mais essa diva do rock’n roll!

Livro Jogos de Tabuleiro na Educação é o item mais vendido da Devir na grande convenção nacional de jogos de tabuleiro (DOFF)

Pois é leitoras e leitores, eu tenho duas notícias bacanas: primeiro é que o livro Jogos de Tabuleiro na educação, organizado por Paula Piccolo e eu, contando com autores fundamentais da teoria, design e aplicação dos jogos de tabuleiro em educação, foi lançado em março na Bett Educar (SP) e na Livraria Leitura (RJ). Eu havia anunciado em meu blog específico de educação, mas não aqui ainda. https://aprendizdeprofessor.wordpress.com/2022/05/21/livro-jogos-de-tabuleiro-na-educacao-com-lancamento-no-rj/)

A segunda notícia é que o livro vende bem, foi o produto com mais cópias vendidas no stand da Devir no megaevento Diversão Offline – o maior em se tratando de jogos de tabuleiro no país. Será sinal de que os “gamers” estão ligados no poder educacional dos jogos, ou será que os educadores tem uma “veia gamer” dentro de si e abundam a comunidade dos jogos, até por reconhecerem que jogo e aprendizado formam um ótimo casamento?

Um fato: repercutiu na comunidade de jogadores, sendo notícia entre muitos criadores de conteúdo no país, como se pode ver nesse apanhado de links:

https://newsrpg.wordpress.com/2022/05/31/jogos-de-tabuleiro-na-educacao/

https://www.ludopedia.com.br/topico/59849/instituto-jedai-material-de-pesquisa-sobre-jogos-de-tabuleiro-na-educacao

https://meepledivino.blog.br/2022/04/devir-lancara-livros-sobre-jogos-de-tabuleiro-no-brasil/

Mas difusões eletrônicas a parte, a maior alegria para um organizador e autor de livro como eu é o feedback de quem está lendo. Tenho recebido o contato dos leitores e bastante feliz que o livro está sendo ao mesmo tempo útil e agradável para eles. Viva!

Enfim. O jogo está nas livrarias para quem quiser, mas ainda tenho alguns exemplares comigo, de minha cota de autor, e posso enviar autografado, por R$50,00 (mais frete se houver). Quem tiver interesse é só me procurar diretamente.

Abraços do Arnaldo

“Retratos de família”: publicação reúne visões pessoais acerca dos jogos de tabuleiro

Capa de Retratos de Família, organizado por Luiz Cláudio Silveira Duarte.

Cada capítulo, um primeiro nome. Começa com Paula, Fábio, Daniel, Arnaldo (sim, eu), e seguem muitos nomes até o último, Luiz Cláudio que organizou a obra. 32 pessoas, 32 retratos do significado pessoal de jogo, segundo essa “família do tabuleiro” que Luiz Cláudio reuniu magistralmente, em 32 capítulos. Uns são curtinhos, de uma página objetiva (mas não sem ser plena de significado); outros gorduchos e divagantes (como o meu).

Quando o Luiz Cláudio Silveira Duarte (https://lcduarte.com/) me convidou a fazer parte do projeto, não tinha muita ideia do que e como essa costura ia ser feita. A única certeza é que esse velho amigo, com quem troco desde… 2007? Sobre os jogos e o lúdico tem uma visão excepcional de jogo, é fera na escrita, entende de editoração e faz tudo muito bem feito. Só podia sair como saiu. Uma pérola generosa, gratuita e disponível via Internet para todos (https://lcduarte.com/pdf/Retratos_de_familia.pdf)!

É uma leitura deliciosa, um livro de cabeceira a estar em qualquer kindle ou tablet na hora de dormir, ou quando se quer ir à rede e balançar conversando relaxadamente com cada autora ou autor.

Basta ir ao link acima e experimentar. Garanto que vão curtir.

I Retiro Lúdico-Terapêutico reúne jogos, histórias, Yoga e Shiatsu

Um final de semana para experimentar e refletir sobre diferentes facetas da ludicidade

Nem sempre ganhando, nem sempre perdendo mas… Sempre aprendendo a jogar

(Da canção consagrada por Elis Regina, composição de Guilherme Arantes)

As histórias, os jogos, as terapias que envolvem corpo e mente, e a arte de aprender e ensinar me unem ao Yogue Carlos Henrique Viard Jr., em uma amizade que já dura mais de trinta anos.

Agora, estamos reunindo pessoas em torno de uma atividade única, com tudo o que mais gostamos: o I Retiro Lúdico-Terapêutico. A oferta é de um final de semana inteiro sem pressa, com vivências lúdicas e reflexões acerca do desenvolvimento pessoal e coletivo – através das histórias, do jogar e de atividades como Yoga e Shiatsu.

Escolhemos montar um retiro nesse molde tão diferente porque reconhecemos a qualidade transformadora da ludicidade presente nos jogos e das histórias. Tanto para mim, como para Henrique, o jogo ensinou a vida: ambos crescemos jogando e colecionando histórias – e assim vivemos nossos amores, construímos nossas famílias e “vingamos” criativamente, rompendo com expectativas de um viver normotípico, onde o espaço para jogar e narrar(-se) é muitas vezes reduzido.

O riso, uma das facetas do lúdico, bem como a curiosidade e o desejo de conexão que todo ser humano traz consigo é tema de discussão proposta por Umberto Eco, através de seus personagens Guillermo e Jorge, em O Nome da Rosa; É afirmativa de Osho que “o riso é tão sagrado quanto a prece”; e foi o historiador cultural Huizinga que disse que somos Homo ludens antes de sermos sapiens, porque do lúdico veio a própria cultura que não se separa do que somos e da natureza da inteligência. Vê-se, na expressão lúdica, o motor humano da arte, da poesia, da criatividade, do foco, da persistência, da cooperação, do gosto por aprender e também da alegria de viver. O que pode ser mais importante nos dias de hoje?

Como nos deixamos viver com baixo acesso ao lúdico?

Vamos mudar isso. Tudo tem um começo, um ponto de partida. E para quem já começou, sabe que há pontos de passagem, de nutrição da alma, de encontro, de exercício de viver, de afirmativa do que se é, pensa, sente, vive, acredita. Daí que vamos ao retiro. É necessário. É saudável. É Vivo.

Será de 2 a 4 de setembro, no pequeno paraíso chamado Villa Noguê (Insta @vilanogue). Fica em Petrópolis, Região Serrana do Rio, a apenas uma hora e meia do Rio de Janeiro ou Niterói. Contaremos com acomodações confortáveis e alimentação saudável, deliciosa e diversificada. Com direito a levar família não participante.

Vem com a gente? Ah! A programação conta ainda com participação especial da psicóloga Juliana Quaresma! Veja abaixo a programação em detalhes:

Programação do Retiro Lúdico Terapêutico com Arnaldo V. Carvalho e Carlos Henrique Viard Jr.

Pode ser interessante saber: as atividades são todas independentes, de modo que os retirantes não precisam se sentir obrigados a cumpri-la. Caso desejem pular atividades e simplesmente aproveitar Villa Nogue, está tudo certo. Afinal, compreende-se que a ludicidade só existe mediante a participação voluntária!

Para saber mais, conversar sobre o retiro e se inscrever, o melhor contato é o celular/whatsapp: 21 99418-8862 (Prof. Carlos Henrique) – Instagram @viard.yoga. Qualquer coisa podem me procurar também.

PS: Não vai? Tudo bem, ajuda a divulgar! 🥰🙏 Caso queira e possa, abaixo seguem imagens de nossa divulgação.

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Ninguém precisa gostar de samba…

… Para entender o recado da Mangueira em 2019. (Arnaldo)

Samba-Enredo 2019 – Histórias Para Ninar Gente Grande

Fonte: https://www.letras.mus.br/mangueira-rj/samba-enredo-2019-historias-para-ninar-gente-grande/

G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira (RJ)

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Mangueira, tira a poeira dos porões
Ô, abre alas pros teus heróis de barracões
Dos Brasis que se faz um país de Lecis, jamelões
São verde e rosa, as multidões

Brasil, meu nego
Deixa eu te contar
A história que a história não conta
O avesso do mesmo lugar
Na luta é que a gente se encontra

Brasil, meu dengo
A Mangueira chegou
Com versos que o livro apagou
Desde 1500 tem mais invasão do que descobrimento
Tem sangue retinto pisado
Atrás do herói emoldurado
Mulheres, tamoios, mulatos
Eu quero um país que não está no retrato

Brasil, o teu nome é Dandara
E a tua cara é de cariri
Não veio do céu
Nem das mãos de Isabel
A liberdade é um dragão no mar de Aracati

Salve os caboclos de julho
Quem foi de aço nos anos de chumbo
Brasil, chegou a vez
De ouvir as Marias, Mahins, Marielles, malês

Beatles barroco (II)

Segue mais uma transposição de canções dos Beatles para arranjos clássicos típicos do Barroco. Estes foram feitos pelo Shin’ichirō Ikebe (1943-), um respeitável compositor clássico japonês que leva créditos em uma série de trabalhos, inclusive composições magistrais feitas para filmes de Akira Kurosawa como Sonhos e Rapsódia em Agosto. A proposta aqui é bem mais literal do que aquele realizada por Rifkin e recomendada aqui na semana passada. Ouve-se, também, o aparecimento de grandes músicas do cenário clássico usadas como arcabouço para algumas peças, como por exemplo na inaugural Let it Be, que emerge de uma abertura a lembrar o Cânone em Ré de Pachelbel, ou a entrada beethoviana de Ticket to Ride. Mesmo com boas ideias, considero que o álbum teve menos sucesso – e certamente menos originalidade – que a tentativa de Rifkin. E você, o que acha?