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Archive for the ‘Vídeos’ Category

Em 2005, Eliane Brum entrevistou para a Época o Dr. Diaulas. E eu li. E me impressionei. O então promotor lida de forma muito sóbria com temas delicados, cujas discussões não podem ser simplificadas.

Da entrevista (que segue abaixo) para hoje, Diaulas seguiu sua carreira pública e ano passado, aos 54 anos, foi nomeado desembargador do TJDFT. Em paralelo, a vida acadêmica é profícua, e inclui participação em grupos de pesquisa, a escrita de artigos, a atividade docente e diretora. De fato, seu curriculum lattes demonstra uma atividade febril. Pós doc que coordena o curso de direito respeitadíssima UCB, e ao mesmo tempo integra o comitê de ética da faculdade de medicina da UNB, é membro de conselhos editoriais sérios, enfim. É um currículo não somente político, como se costuma esperar dos advogados que galgam posições como a que ele se encontra.
Image result for as sessoes helen huntForam doze anos da entrevista abaixo para cá. E os assuntos nela contidos seguem como tabu no Brasil. Nem mesmo com a exibição do primiadíssimo filme “As Sessões” (já fica a indicação!), em 2012, questões como a sexualidade de deficientes, e o surgimento de uma demanda profissional especializada que ofereça alternativas concretas à questão permanecem no silêncio da sociedade.
Segue a entrevista, para abrir a cabeça de quem nunca pensou sobre tais assuntos, e quem sabe trazer a superfície das casas conversas sobre uma sociedade que respeita as diferentes condições humanas.
(Arnaldo)

Autor de interpretações ousadas da lei, ele se prepara para enfrentar dois tabus: eutanásia e sexo para pessoas com paralisia cerebral

O promotor do Distrito Federal Diaulas Costa Ribeiro tornou-se uma voz singular no mundo pouco permeável a mudanças da Justiça brasileira. A Pró-Vida, promotoria de Direito Médico e Biodireito, idealizada e coordenada por ele, autoriza há anos a troca de sexo para transexuais e a interrupção da gestação de fetos sem cérebro. Com o mesmo empenho, já processou dezenas de profissionais de saúde por erros médicos. Entre os casos mais famosos, destacam-se o do ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana Joaquim Roberto Costa Lopes, que deixou uma paciente em estado vegetativo, e o da acusação por duplo homicídio do falso cirurgião plástico Marcelo Caron.

Corajoso, polêmico (e vaidoso em igual medida), Diaulas coleciona na mesma proporção fãs e desafetos. Popular pelos temas que enfrenta, é um caso raríssimo de homem da Justiça que distribui autógrafos pela rua. Nascido na roça, alfabetizado pela tia, ex-datilógrafo e ex-bancário, orgulha-se de ser dono de uma biblioteca com alguns milhares de livros jurídicos. Entre as preciosidades, uma edição francesa de 1883 de Madame Bovary, composta do romance e do processo por imoralidade movido contra seu autor, Gustave Flaubert, pelo governo da França. Da Europa, onde mantém um intercâmbio acadêmico com diversas universidades, vem a base jurídica para as interpretações mais ousadas da lei. Mas são as pessoas que batem à sua porta com queixas variadas que lhe dão a percepção das necessidades do novo século não-contempladas numa leitura mais ortodoxa do Código Penal.

Diaulas se prepara agora para botar a mão em dois vespeiros: a eutanásia e a garantia de acesso ao sexo por pessoas com paralisia cerebral. Como tudo o que faz, espera muito barulho no caminho. Na segunda-feira, embarcou para uma temporada acadêmica de três meses na Europa, onde dará aulas de Direito Penal no programa de pós-graduação Erasmus Mundus, da União Européia. Antes, recebeu ÉPOCA em sua casa, em Brasília, para a seguinte entrevista.

Diaulas Costa Ribeiro

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Dados pessoais
Mineiro de Monte Carmelo, solteiro, 42 anos, uma filha

Carreira
Promotor do Distrito Federal, idealizador da Promotoria Pró-Vida, sobre temas de Direito Médico e Biodireito, doutor em Direito Penal pela Universidade Católica Portuguesa, pós-doutor em Medicina pela Faculdade Complutense de Madri, seis livros publicados sobre Ministério Público e Biodireito

ÉPOCA – O senhor mexe com as grandes questões da Bioética. Quando e como percebeu que estes são os temas que iriam desafiar a Justiça?
Diaulas Costa Ribeiro –
Quando estava na Europa, fazendo o doutorado, nos anos 90. Saí do Brasil com essas idéias, mas só lá fora percebi que havia interesse em me ouvir. Percebi que os problemas do século XXI seriam de inserção e proteção de Direitos Humanos. Questões sobre como é duro ter sido estuprada e ter de abrir mão de sua intimidade para ir à Justiça pedir autorização para abortar. Sobre como deve ser triste você ter uma falta de sincronia entre seu corpo e sua sexualidade e descobrir que você não é gay, não é homem, não é mulher, não sabe quem você é. Sobre como é triste não ter o direito de decidir o lugar de sua morte, se vai ser numa UTI ou em sua cama, com a pessoa que você gosta segurando a sua mão. Percebi que a Justiça nunca havia pensado nesses temas e que, logo, teria de dar respostas a estas novas demandas. Comecei então a fazer um plano para o Ministério Público, que na minha volta resultou na Pró-Vida, uma promotoria de Direito Médico e Biodireito, com dois médicos-legistas e um odontolegista, além de uma equipe de apoio. Investigamos 90% do que mandamos para a Justiça. As pessoas chegam sem advogado, sem marcar hora, falando a língua que sabem.
ÉPOCA – O senhor vai criar um protocolo para garantir o acesso ao sexo a pessoas com paralisia cerebral grave. Como será isso?

Diaulas – Nós defendemos direitos sexuais para todo mundo, para os presos na cadeia, os adolescentes da Febem. Mas ninguém pensa que as pessoas com lesões cerebrais têm sexualidade normal, têm desejo, têm ereções, têm loucuras. Elas têm uma aparência física que pode não ser bonita, têm automatismos, muitas não têm coordenação motora para se masturbar. Estes são os verdadeiros excluídos da sexualidade. Familiares começaram a me procurar para contar essas histórias, uma mãe me contou, morrendo de vergonha, que é obrigada a masturbar o filho. Pais disseram que levam os filhos a prostitutas e têm medo de ser presos por isso. Então comecei a pensar no que poderia fazer por essas pessoas, em como garantir o direito fundamental que é o do exercício da sexualidade. Pelo Artigo 227 do Código Penal, o pai ou a mãe que levarem seu filho a uma prostituta podem ser condenados a até três anos de prisão pelo crime de mediação (”induzir alguém a satisfazer à lascívia de outrem”). Mas tornar possível o exercício da sexualidade para alguém que não tem outro meio de exercê-la não é prostituição. O papel do MP, neste caso, é viabilizar o acesso e afastar o crime. Vou fazer um protocolo em que o MP se torna o avalista deste excludente de crime, mostrando que não há tipicidade penal neste caso. A figura jurídica que ampara esta tese é a do estado de necessidade, o mesmo que permite o furto de um pão para comer. A Organização Mundial da Saúde preconiza que saúde não é falta de doença, mas o bem-estar físico e mental. Portanto, esta será uma conduta de saúde.
”Uma mãe me contou que é obrigada a masturbar o filho, pais
disseram que levam os filhos a prostitutas e têm medo de ser
presos por isso. O papel do MP é viabilizar o acesso e afastar o crime”
ÉPOCA – Mas como isso vai funcionar na prática?
Diaulas –
Vou procurar as associações de profissionais do sexo e fazer uma triagem, com um cadastro das mulheres que aceitam ter relações sexuais com esse tipo de paciente. Por outro lado, vamos reunir as famílias que querem esse tipo de serviço. E então criar condições de segurança, com a garantia de controle de saúde e o uso obrigatório de preservativos. No primeiro momento, vou iniciar com pessoas com paralisia cerebral, homens. Depois, pretendo ampliar para doentes mentais, o que deve causar maior resistência. E, se houver demanda para isso, vou estender o programa para mulheres com o mesmo tipo de problema. Vou aproveitar esta viagem à Europa – e quero esclarecer que todas as despesas saem do meu bolso – para visitar programas semelhantes. Um deles, na Holanda, foi criado por uma enfermeira para garantir sexo a pacientes com problemas neurológicos. O hospital local fez um convênio com o serviço. E os pacientes são recebidos com carinho. Neste caso, não é comprar sexo, mas cuidado.
ÉPOCA – Não há risco de o MP ser chamado de cafetão?
Diaulas
– Essas pessoas não têm cidadania senão aquela que a gente consegue imaginar para elas. Não estou preocupado com preconceitos. Já enfrentei isso com a luta dos transexuais. Temos de humanizar o debate. Eles não são bonitos como astros de cinema, mas têm desejo. Quem for contra que faça a experiência de suspender sua vida sexual para se colocar no lugar deles. Não o celibato por opção, mas o compulsório. Quem nunca teve impulso sexual que atire a primeira pedra.
#Q#
ÉPOCA – O senhor defende o papel social da prostituta…
Diaulas
– Sou contra a prostituta escravizada, explorada, que tem um rufião. Minha idéia de prostituta é a que tem um papel social. É uma profissão como qualquer outra. Sei que o movimento feminista pode entender mal o meu projeto, mas a prostituta não vende a si mesma nem vende suas partes sexuais ou o seu corpo. Vende seus serviços. Não há nenhuma diferença entre ela e qualquer outro prestador de serviços. Quem protesta dizendo que a prostituta é humilhada ou degradada não é capaz de compreender qual é o objeto desse contrato. O corpo e a dignidade da mulher não são oferecidos ao mercado. Ela pode contratar a prestação dos seus serviços sem que o faça em detrimento de si mesma. Não há sequer incompatibilidade entre a preservação dos Direitos Humanos e a prestação remunerada de serviços sexuais por pessoa adulta. Ofensa aos Direitos Humanos é restringir a autonomia e a liberdade das mulheres a esse negócio.
ÉPOCA – O senhor teve iniciação sexual com uma prostituta?
Diaulas –
Tive. Eu vivia na zona rural e isso era normal. Foi uma pessoa muito importante naquele momento da minha vida. Eu era um menino de 12 para 13 anos, não sabia nem por onde começar a coisa e ela disse: vem cá que eu te ensino tudo, não se preocupe com nada, deixe as coisas acontecer. Uma pessoa humilde, modesta, muito simples, que era tudo o que eu precisava naquele momento. Compreendeu a minha angústia. E me ajudou. Não tenho preconceito contra isso. Depois da maioridade, nunca mais saí com prostitutas no Brasil. E aqui eu coloco uma vírgula, porque vivi no estrangeiro por anos, não vou dizer que não fiz minhas estripulias por lá. No Brasil sempre tive namoradas. Mas, quando precisei de prostitutas, fui muito bem atendido.
ÉPOCA – Mudando de assunto, o senhor afirma que Terri Schiavo não é um caso de eutanásia, mas de Suspensão de Esforço Terapêutico (SET). A diferença é semântica?
Diaulas –
A eutanásia pode ser vista como um gênero de assistência à saúde no fim da vida, mas não foi essa a idéia inserida na opinião pública. Virou sinônimo de nazismo, de matar velhinhos e doentes. Da mesma forma que a palavra aborto virou um monstro, as pessoas fazem sinal-da-cruz quando a ouvem. É preciso tirar o estigma da expressão ou encontrar uma expressão paralela. Não adianta seguir neste caminho, com palavras como ortotanásia ou distanásia, o sufixo ”tanásia” causa arrepios. É preciso criar soluções novas e inteligentes para fenômenos mais antigos. É como uma empresa que está desgastada na opinião pública e pode continuar a mesma se trocar de nome. Esta será minha próxima bandeira.
ÉPOCA – No que consiste a SET?
Diaulas –
Primeiro, não é crime. Não há reação contra a vida. É a natureza que extingue a vida no seu caminho normal. A SET evita a medicalização da morte. As pessoas já estão mortas, mas são mantidas por equipamentos, transformando o que é chamado de ”boa morte” numa morte horrorosa. Isso é aceito em todo o mundo, em nome da autonomia do paciente. No Brasil também existe base jurídica para isso, mas nunca foi feito do ponto de vista formal. As decisões ocorrem na esfera privada da família, dentro de casa. Estamos preparando um protocolo para a SET, com médicos e bioeticistas, formando uma linha para entrar nesse assunto com bases formadas.
ÉPOCA – O que há por trás dessa obsessão pela vida a qualquer preço?
Diaulas
– Os espanhóis chamam essa obstinação de manter o paciente vivo sem vida de ”encarniçamento terapêutico”. Ou seja, reduz a pessoa à carne pura, não à alma. Deixam de ser gente e são reduzidos a um monte de tecidos. O coração bate, mas a pessoa já desapareceu há muito tempo.
ÉPOCA – Por que é tão difícil aceitar a morte?
Diaulas –
Primeiro porque as pessoas passaram a acreditar que existe vida eterna na Terra. Segundo, porque a Medicina passou a dar a idéia de que era possível a vida eterna na Terra. As pessoas começaram a entender a Medicina como um instrumento de vida e esqueceram que o médico é fundamental na morte. A morte passou a ser uma falência da estrutura social, da obra divina ou da Ciência. Esqueceram que a vida eterna só existe se houver uma perspectiva religiosa, mas essa possibilidade não existe para a Ciência. Morrer é muito triste, mas gera muito mais angústia se você viver numa cultura que divulga a idéia de que morrer é inaceitável.
ÉPOCA – Morrer virou antinatural?
Diaulas –
Exato. A coisa mais natural da vida virou antinatural. Um sacrilégio, um pecado. Temos de repudiar a morte através do trauma, da guerra civil que vivemos no Brasil. Mas não a ”morte oportuna”, em que morrer é chegar também a um bom porto, ao outro lado do rio.
ÉPOCA – Essa resistência tem a ver com uma idéia de Medicina que encara a morte como fracasso?
Diaulas –
Os médicos foram educados para ser deuses e a morte é a prova de que são humanos. Não têm culpa de ser arrogantes, são formados pelas faculdades de Medicina para ser arrogantes. Os modelos de ditadura foram caindo um a um. Na política, dentro de casa, onde o chefe de família perdeu o lugar, até a ditadura de Deus caiu. Tudo é negociado. Você faz uma troca, uma promessa, pede uma coisa, dá outra. O último foco de ditadura é o do médico com o paciente. O médico manda, o paciente obedece. Os médicos precisam ser formados para estabelecer dois diálogos. Um com o paciente, outro com a morte. Deixar transparecer que vão estar ao lado do paciente quando chegar o momento em que não vão mais poder fazer nada. Estar ao lado também para ajudar a morrer. A SET entra na esfera do direito clínico, um direito novo da relação médico-paciente na condução do diagnóstico e do prognóstico. É a expressão da autonomia, um conceito já bem fundamentado. Aceito esse remédio, não aceito a intubação, quero ou não quero oxigênio. E assim por diante. Do que é necessário ter certeza é sobre a vontade do paciente. Se ele não a deixou expressa numa escritura pública, num testamento vital, então é preciso provar por testemunhas qual era o desejo dele. Estou sendo procurado por pessoas que contam que seu pai ou mãe morreu na UTI pedindo para ir para casa. Mas a maior parte de nossa clientela não serão velhos, mas jovens, vítimas de trauma. ASET é um ato médico de cuidado.
ÉPOCA – O senhor não teme novos problemas com a Igreja Católica?
Diaulas –
Quem me estimulou a tocar esta questão adiante foi o papa João Paulo II, com seu exemplo, ao deixar o hospital para morrer no Vaticano, perto de quem gostava, sem aceitar o esforço terapêutico. Essa última encíclica silenciosa será a mais importante para o mundo não-católico. Sem dúvida, uma grande contribuição para a causa.
FONTE: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI50183-15228,00-DIAULAS+COSTA+RIBEIRO+PROMOTOR+DE+POLEMICA.html

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… Condenada a morrer sorrindo. Desgraçadamente. (Arnaldo)

 

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Por Arnaldo V. Carvalho

O Brasil têm recebido grandes nomes de esculturas hiperrealistas, como Ron Mueck e Patricia Piccinini. Agora imagine uma ala de museu reunindo esculturas dos expoentes do mundo. É o que oferece o Museu de Bilbao na Espanha.

Para mim, o hiperrealismo faz a humanidade olhar para si mesma, provocando-nos através de uma espantosa “naturalidade as avessas”. Quem está vivo e quem não? Quem somos e quem não somos? Estamos mais a vontade para olhar o não vivo do que para o vivo? Há ou deverá haver pudor em olhar para corpos que não são?

Fora isso, há entre eles, os escultores, aqueles que rompem, tornam-se transrealistas, provocam nossos sentidos com propostas onde o ser humano transvia-se, extrapola-se, e o metahumano aparece como que desenhando uma ficção científica feita realidade.

A experiência é, sempre, imperdível.

Da exposição, denominada “Escultura hiperrealista 1973-2016“, o museu produziu um vídeo e generosamente nos brindou. Compartilho aqui com os leitores.

 

Visite:

https://www.museobilbao.com/exposiciones/escultura-hiperrealista-1973-2016-247

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Vale a pena assistir o novo “Star Wars”?

O Despertar da Força reúne o que a antiga trilogia tem de melhor, repaginado para o cinema atual

Por Arnaldo V. Carvalho

ATENÇÃO: Após a resenha faço comentários cheios de spoilers, mas eles estão escondidos com letra branca. Se você quer ler, basta marcar o texto todo e ele aparecerá. Senão, é um inocente texto sem Spoilers.

Pois é, quem detestou a última trilogia do Star Wars (como eu) ficou ressabiado para saber se esse “novo_star_wars_by_disney” ia funcionar.

Imaginem só. A Disney comprou STAR WARS de George Lucas. Com o sucesso obtido em “trazer de volta” Star Trek, Os executivos de Mickey Mouse chamaram J. J. Abrams para assumir produção e direção do novo filme da franquia. E ele já chegou com uma ideia: “se “O Império Contra-Ataca” é considerada a melhor história, vamos chamar de volta seu principal roteirista”! Marca-se o encontro. Juntos, Abrams e Lawrence Kasdan (que também assina o roteiro de “O Retorno de Jedi” e – para terem ideia de qualidade – “Os Caçadores da Arca Perdida”) sentam na frente da TV e fazem uma “maratona Star Wars”, assistindo a trilogia mais antiga (capítulos IV ao VI), anotando tudo o que “deu certo” ou não. Trocam impressões com fã clubes, revisam dados da época… E criam uma lista do que entrará no novo filme. É isso. A fórmula do sucesso de Star Wars VII: O Despertar da Força é um conjunto de tudo o que funcionou na consagrada trilogia, temperada com uma atualização de “como fazer cinema na segunda década do século XXI”.

 

O resultado é um fun factor super satisfatório! Quem já era fã da velha trilogia curtirá, sentindo que eles realmente conseguiram honrar o “espírito Star Wars”. Quem nunca assistiu conseguirá curtir o filme, conhecer personagens, etc., e ter uma ideia geral do contexto dos filmes anteriores.

 

Só não espere um “filme cabeça” ou algo revolucionário. Vá com a intenção de just for fun e você vai ter muita diversão. Faz parte do filme aderir ao ritmo do cinema da atualidade: ação o tempo todo para prender o sujeito na cadeira. Mais closes, mais combate corpo a corpo, mais impressionante no bom e mal sentido ao mesmo tempo. Arte é conseguir isso sem perda de qualidade de texto e história. Posso antecipar que a produção está DE PARABÉNS.

 

Também por isso, é  filme para se ver em 3D, preferencialmente em salas IMAX ou XD, pois nele a tecnologia vale a pena. As cores quase não se perdem, a cabeça não dói, e embora não pule muita coisa da tela, a noção de profundidade cria uma atmosfera de interação com o filme absurda. E o som dom filme… Putz, numa sala de última tecnologia, não dá para não notar o refinamento do som do filme, de músicas aos barulhinhos de naves e robôs. É incrível mesmo gente.

 

Agora os spoilers (comentários do filme)…

Novos personagens (ACERTADOS!) e atores com incríveis atuações garantem o sucesso de Star Wars VII: O Despertar da Força (atenção marque com o mouse para poder ler)

*** A equipe responsável acertou em cheio ao colocar um personagem negro e uma mulher nos papéis fortes. J. J. Abrams deve ter sido contaminado pela transnacionalidade de Star Trek, incluiu a mulher guerreira e contaminou Star Wars com variedade étnica e de gênero.

*** Aliás quem é essa moça? EXCELENTE ATRIZ! E ESSE MANOLO? EXCELENTE ATOR, a histeria, do personagem é sensacional também. Dois atores de 23 anos, que ainda vão dar muito o que falar. Cheios de personalidade. A Força está com eles!

*** Aparição rápida mas cheia de carisma a do piloto líder dos X-Wing, interpretado pelo Guatematelco Oscar Isaac. Obrigatório que ele aumente sua participação no próximo filme.

*** Harrison Ford está CAQUÉTICO e acho que mais um ano não daria mais para disfarçar. Mas como segue perfeito sendo o canalha Han Solo, agora em versão decadente mas que segue com a estrela da sorte ao lado. Até que…

*** Os ataques de pelanca do novo “Darth Vader versão jovem mimado” são SENSACIONAIS!

*** Já tem brasileiro malicioso dizendo que o tal do novo Darth Vader é argentino (na verdade Kylo Ren, o personagem que também se veste de preto e também usa máscara é na trama neto do próprio Darth Vader e o endeusa). Pura inveja.

*** A máscara do Kylo Ren é bem bobinha, seguindo o visual “queixinho” dos droids da segunda trilogia (episódios I-III), que sempre foram ridículos. Quem foi que inventou esse design? Fez parte do que acabou com a série, que a Força nos livre disso.

*** Não sei se eu desgosto do Adam Driver que faz o papel do Kylo Ren ou… Se AMO.

*** O “novo Imperador” é uma mistura de Golum (Smeagul MY PRECIOUSSSS) com Troll do Hobbit. BEM QUE O GEORGE LUCAS láaááá nos anos 70 disse uma vez que sua obra tinha inspiração na literatura Tolkeniana!

*** Há quem tenha falado mal da princesa Leia, ou melhor da atriz Carrie Fischer que a interpreta. Beirando os sessenta anos, e há tempos sem aparecer nas telas, ela é perfeita. Olhar terno misturado com personalidade forte, essa é a princesa Leia desde o principio e assim ela segue, agora madura e na condição de liderança.

*** Repetecos dão fun factor mas tiram qualquer originalidade: Nova estrela da morte, novo robozinho esperto e fofuxo, novas cenas em um lugar de deserto, em um bar e na mata… O Universo é mesmo muito pouco criativo pelo visto.

*** Mais uma vez os personagens bonecos (ou animações) deixam a desejar. Todos eles. Da criatura laranjinha que foi como uma “yoda-fêmea” para colocar a Rey no caminho da Força ao carinha da “barraca do ferro velho”, eles não são bons. Não são mesmo. Elogios apenas para a capacidade de expressão facial da laranjinha, realmente parece natural, vivo.

*** Quem assistiu e não ficou querendo saber que cara tinha a chefe prateada do Finn ainda como Stormtrooper? Tira o capacete! Tira o capacete!

*** BB-8, o robozinho que eu achei inicialmente “ridículo”, cumpre bem sua função. O final mostra o surpreendente encontro entre ele e o velho R2D2. Para reforçar a ideia de melhoria da tecnologica, BB-8 é uma versão menor de tamanho, mais leve e enxuta… No final a mudança deu oxigênio à saga, valeu a pena!

 

* Arnaldo V. Carvalho, cinéfilo, cidadão honorário de Aldebaran e ex-combatente de caças Tie imperiais. Até se rebelar…

FOTOS

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Pernas pra que te quero: Ah sim. Esse é o novo cinema, com ação o tempo todo para ninguém nem pensar em desgrudar. Cena típica do filme, os dois correndo desesperados. Rsrs…

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Sim sim sim, esse é Jar Jar Abrams e sua nova equipe de segurança. Não podia ser diferente né.

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A quantidade de tipos de cartazes e montagens promocionais para esse filme é de impressionar. Esse aí representa mais ou menos, mas tá bonito!

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Ode ao feminino através da campanha do voto pelas inglesas do início do século XX.

Sobre o filme “As Sufragistas”

Por Arnaldo V. Carvalho*

O filme terminou. Nos abraçamos e levantamos na direção da saída. Caminhamos por alguns minutos até que quebrei o silêncio apenas para registrar no verbo o que os dois sentiam. “Difícil de comentar não”?; “Difícil”, respondeu minha esposa.

Esse é o impacto mínimo que você terá ao assistir “As Sufragistas” no cinema. O filme fala de um assunto que aparentemente tornou-se distante em nossa realidade: o direito das mulheres ao voto.

A sinopse de “As Sufragistas” é simples: conta-se a história das mulheres inglesas que lutaram para ter direito ao voto em seu país. Algumas personagens existiram na vida real. Outras, baseadas em ativistas reais da época. A ficção, aqui, tem o intuito claro de prestar serviço a realidade.

Soa absurdo, aos ouvidos do século XXI, que algum dia homens e mulheres tenham uma diferenciação tão obtusa na esfera dos direitos civis. Mas, sabem, o século XX ainda foi ontem, e em muitos aspectos ainda é hoje.

Com rara destreza, a diretora Sarah Gavron toca em uma cicatriz fina, e ao faze-lo revela que ainda dói. Na verdade, não dói mais porque há uma anestesia que procura esquecer do ocorrido. Mas nas células das mulheres de hoje, descendentes das que sofreram na carne por certas reivindicações, ainda dói e muito.

Para quem se liga nos detalhes técnicos, o filme esbanja qualidade: figurino, cenário, fotografia (que luz! Que cores!) irretocáveis. E para completar, um dos elencos femininos mais expressivos que já vi. Não se deixem levar, no entanto, pelos apelos do cartaz e propagandas do filme, que mostra Meryl Streep, Helena Bonham Carter e Carey aMulligan estampadas, dando a entender que protagonizam a história. Verdadeiramente, Streep apenas faz aparições rápidas – essenciais, incríveis, mas rápidas, enquanto que Bohoncarter e Mulligan dividem o estrelato com atrizes igualmente incríveis, com personagens igualmente importantes! Em especial as britânicas Anne-Marie Duff e a premiada Natalie Press.

O filme provocará reflexões e um verdadeiro choque de realidade em quem o assistir. Impossível não trazer esse passado para os dias atuais e ver como o tema segue precisando de muita discussões, reflexões e novas ações.

Recomendo totalmente. Flores brancas a todas as mulheres e a todos os femininos que habitam os homens.

* * *

Arnaldo V. Carvalho, cinéfilo, a favor da igualdade de direitos e da assimetria funcional e sinérgica de homens e mulheres. De vez em quando sente “vergonha alheia” por certos congêneres.

Reflexões avivadas pelo filme

Sobre o direito feminino

Já entendemos que não é a desigualdade que traz problemas, porque ninguém é igual. O problema gira em torno da igualdade desvantajosa, onde um indivíduo ou uma coletividade tem vantagens em relação a outra; e por outro lado, da supressão de direitos de expressão e participação de todo e qualquer indivíduo nos mecanismos que formulam, representam e agem pela coletividade.

As mulheres do mundo inteiro continuam em situação desigual desvantajosa.

A elas, seguem negados muitos direitos, sobretudo de acesso. Acesso às escolhas, acesso à orientação, acesso à valorização de sua natureza intrínseca – de Mulher! A elas segue sendo negado o direito de usarem o feminino – energia a qual são guardiãs naturais. Não lhe é permitido respeitar seus ciclos hormonais (o repúdio a menstruação, a falta de sensibilidade em obrigar a trabalhar em um dia de cólica ou com uma gravidez avançada ou ainda com vínculo mãe-bebê super estreito), o direito de um discurso feminino ao avançar nas esferas de poder (os interesses do feminino dizem respeito a uma habilidade e desejo de agregação e valorização dos aspectos afetivos, por exemplo).

Como denunciam as sufragistas do filme, foram décadas pleiteando pacificamente o direito ao voto. As mulheres chegaram ao limite de ser exploradas, violentadas, humilhadas, abusadas de todas as formas. Aliás, quando reagiram tais limites já haviam sido em muito extrapolados. A conclusão era a necessidade de reivindicar o direito feminino sob a ótica do masculino: a ótica da violência.

A ótica do masculino ainda é hegemônica

É verdade! A ótica do masculino é a única que realmente é percebida até hoje. Até hoje as mulheres de altos cargos usam “terninho”, tendem aos cabelos curtos e a discursos com muita objetividade e pouco afeto. Para sobreviver no mundo dos homens, são frequentemente mulheres “duras”, para serem “respeitadas”. “Estilo Sargentona” funciona, se for muito delicado “o homem estranha, associa a fraqueza, e então abusa”.

Sobre o Panorama Brasil e nossa Estadista Mulher

Para o Brasil, o filme chega em hora mais que pertinente. Nunca tivemos uma estadista mulher a frente do país. E nunca a figura da mulher através desta foi tão degradada nas últimas décadas. Se a Dilma e seu governo não demonstram terem conseguido bons resultados em seus anos no executivo do país, ela não se mostra pior do que seus antecessores homens. Se ela não trouxe estabilidade econômica como o FHC, não seguiu a cartilha de Washington a risca como ele; Se não trouxe prestígio internacional como Lula, não negociou da mesma forma com bancos, empreiteiros, empresários e políticos, construindo o mais impressionante cartel unificado privado-público que o país já conhecera. Por outro lado, há aspectos inovadores e fundamentais em um processo de maturação da democracia instalada a partir do final da década de 1980 no Brasil: o enfrentamento aos vestígios do militarismo opressor-ditador, levando a frente a Comissão Nacional da Verdade; Bancando a Operação Lava-Jato mesmo ao preço de afundar empresas pseudopúblicas ou ameaçar cabeças dentro do próprio governo. Se o governo dela tem erros graves usados pela oposição para configura-lo como “desastre”, isso não ocorre por ela ser mulher. No entanto, ouve-se sempre xingamentos que não foram desferidos contra outros presidentes que hoje mostram-se alinhados a toda uma história de coronelismo, populismo, paternalismo, nepotismo, negociações e enriquecimentos ilícitos. Tenham certeza, Dilma é mais atacada por ser mulher, ou melhor, é atacada com uma jocosidade humilhante e inédita. Contra ela alçam-se velhos jargões machistas que a mim dão nojo e uma certa vergonha alheia dos demais homens.

Escravidão é tema de mais denúncia e reflexão que a repressão contra a mulher

A repressão tão violenta de humano contra humano parece sobressair-se, nas representações cinematográficas, também contra o gênero masculino. Tomemos o exemplo dos escravos. O quanto retratam os castigos contra homens e o quanto o fazem quando tais retratos denunciam o mal trato às mulheres? O tema escravidão aparece com frequencia, gera discussão, choca. Mas é tão raro vermos algo sobre violência contra a mulher, repressão ou supressão de seus direitos, etc. aparecerem, e quando ocorrem, retratam sobretudo quando se fala do âmbito coletivo! Por quê?

As origens da repressão à mulher e ao feminino

Como será que as decisões sobre o que fazer ficaram para os homens? São diferentes forma de exercício de poder: decidir sobre o casamento, a prole, mas também os rumos da sociedade. Se o homem das cavernas caçava para a fêmea com um bebê de colo poder dedicar-se mais a cria, ele caminhava mais pelas matas, conhecia mais o território e o inimigo. “Para onde vamos?” talvez fosse decisão natural do batedor do grupo, e a ele confiada pelos demais. Tudo mudou! Por que não mudou ainda a forma com que homens e mulheres decidem, por que ainda há tanta dificuldade de escuta e de uma tomada de decisão coletiva?

Por que as mulheres precisam votar e serem votadas.

 As mulheres precisam não só votar mas a sociedade precisa votar mais nelas. Nas mulheres verdadeiramente portadoras do feminino. Como diz em algum momento uma personagem do filme: “porque precisa haver uma outra forma de se viver”. E o voto pode mudar isso.

***

* Arnaldo V. Carvalho, polímata, portador do masculino e do feminino em si, defensor do feminino sagrado que habita homens e mulheres, e sua essencialidade no equilíbrio social. Luta para a cada dia harmonizar-se com sua própria testosterona e seu potencial impulsivo-destrutivo; ainda tem muito o que aprender mas vai melhorando a cada dia.

 

 

A campanha em torno do filme, na versão original, exibe as palavras-chave: “Mothers, Daughters, Rebels (Mães, Filhas, Rebeldes), enquanto que na versão brasileira, “Rebelde” dá lugar a “Revolucionárias”. Pelo visto, a dureza da realidade tal como o filme procura retratar ganha ares de um romantismo em torno da ideia de revolução, na opinião dos tradutores tupiniquins.

 

A protagonista da vida real Emily Davison (a esquerda), martir do movimento pelo Sufrágio Feminino na Inglaterra, e sua intérprete para o cinema, Natalie Press.

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Então chegou.

A conjuntura atual no Estado do Rio de Janeiro (e do Brasil, e do mundo) fez muita gente daqui torcer para chegar. Um novo ano, um ano diferente, um respiro para a vida, que 2015 foi um sufoco.

 

Mas o ano não será diferente, a menos que se consiga ultrapassar o fatídico dia da marmota. É isso mesmo! Você, que acordou no 2016, acordou quase o mesmo. Olhe-se no espelho. Tudo igual. Olhe sua vida. Tudo igual?

 

Então vai ser assim, vai continuar sendo Dia da Marmota para você, a menos que as promessas não fiquem nas promessas, e principalmente, que você viva o que tem de ser vivido. O Feitiço do Tempo consiste em mais do que fazer só o que gosta, gostar do que se faz.

 

Então eu desejo que você que me lê tenha um FELIZ DIA DA MARMOTA!

Grande abraço a todos,

Arnaldo

PS: Alguém notou alguma referência ao velho filme estrelado por Bill Murray em 1993? Pois vou contar um segredinho a quem gosta de ler post scriptums: “O Feitiço do Tempo”, (Groundhog Day) foi nosso filme de Ano Novo, aqui em casa. Eu pessoalmente tinha assistido na época em que o filme saiu, já não lembrava de nada (só do sentido geral), de modo que tal experiência não influenciou muito na escolha, para além da ideia de ser um filme “família”. Escolhemos em cima da hora, pouco antes da virada, e vejam que curioso, o filme terminou faltando três minutos para meia-noite. Filme  que agrada a adultos, adolescentes e mesmo crianças não muito novas, é uma “sessão da tarde” gostosa, de texto interessante, diálogos atemporais, bom ritmo… Algo vai lembrar ao conto de Natal do Charles Dickens (uma pessoa não muito legal passa por uma “experiência mística” ligada ao tempo e que acaba transformando seu caráter – incluindo apologias ao altruísmo etc.). Fica aqui a microresenha do filme, escondida na mensagem de ano novo, através desse PS. Só entende a profundidade do meu desejo de Ano Novo para o mundo, quem assistir. 🙂

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Adoro alaúde. Adoro Sting tocando Alaúde com seu professor. Adoro John Dowland, o compositor medieval a emprestar ao Sting a sua música, letra, arranjos… Que delícia trabalhar assim.

Com direito a saudades inevitáveis dos amigos Alexandre Moschella e Fernanda Bertinato.

 

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