Para mim e para Barnum

To me there is no picture so beautiful as smiling, bright-eyed, happy children; no music so sweet as their clear and ringing laughter.

“Não há para mim nenhuma imagem tão bela quanto a de uma criança a sorrir com seus olhos brilhantes; nenhuma música tão doce como sua risada pura e ressonante.”

Phineas Taylor Barnum (1810-1891)

(livre tradução minha – Arnaldo V. Carvalho)

Ibn Arabi…

Ó Maravilha,

um jardim por entre as chamas!

Meu coração tornou-se capaz de todas as formas: É um pasto de gazelas, o convento do cristão,

Um templo para os ídolos, a Caaba do peregrino, o rolo da Torá, o texto do Corão.

Sigo a religião do Amor. Para onde quer que avancem as caravanas do Amor, lá é meu credo e mantenho minha fé.

(Ibn Arabi, 1165-1240)

Representação de Ibn Arabi (artista desconhecido: ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibn_Arabi#/media/Ficheiro:Ibn_Arabi.jpg).

Dos poetas Sufi, Rumi talvez seja o mais conhecido. No entanto, poucos sabem que certamente ele compôs inspirado por uma figura que viu criança e acompanhou na juventude, o nobre Ibn Arabi. Com uma obra extensa obra (atribuem cerca de 800, 100 delas preservadas no original), Ibn Arabi influenciou para além do mundo árabe, embora o ocidente ainda pouco o conheça. Neste pequeno poema de exaltação ao Amor como maior do que os nomes, habita uma de suas mais conhecidas frases, repetida pelos sociólogos Thomas Luckmann e Peter Berger, no tratado sobre a sociologia do conhecimento: “Livrai-nos, Alá, do mar de nomes!”.

É interessante observarmos a similitude da proposta com a de Sai Baba: considerado um avatar contemporâneo, o iluminado indiano indica-se expressão de Deus, adicionando que todos somos – o que falta a absoluta maioria é essa consciência). Pois Ibn Arabi se classificava de modo similar, como ser perfeito, em seu caso, “por herança”. Se a encarnação é um desdobramento essencial, certamente não há iluminados ex nihilo. Tudo tem origem, e o que se torce é que o planeta tenha tempo de conhecer o estado maior de harmonia do Ser Maior (Universo, Cosmos, Deus, Natureza, Todo). Afinal, dizem os Vedas: “Tu és Aquilo; Tudo isto é Aquilo; e Só Aquilo É”. Mais uma vez, Ibn Arabi se mostra em sintonia com o sagrado universal, quando escreve: “É Ele, o revelado em cada rosto, procurado em todos os sinais, contemplado por todos os olhos, adorado em todos os objetos de adoração e perseguido no invisível e no visível. Nenhuma de Suas criaturas sequer pode falhar em encontrá-Lo em sua natureza primordial e original”*. Nesse sentido, o yogue Carlos Henrique Viard Júnior, a quem considero meu irmão espiritual, brincou comigo uma vez anos atrás, quando eu me despedi lhe desejando que “vá com Deus”: “e tem outro jeito?”, me disse rindo.

A certeza que me vem ao coração é só uma: em todas as épocas, em todas as partes surgiram pessoas a compreenderem e divulgarem que o Amor ignora diferenças – de nomes, costumes, raças, credos, línguas, e tudo o que vem da cultura – e nos leva à essência da Unidade. (Arnaldo)

* Tradução livre minha, do inglês.

Saiba mais sobre Ibn Arabi e sua obra:

https://ibnarabisociety.org/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ibn_Arabi

Chega de seis por meia dúzia.

Stone, Professor Lawrence – Epsom & Ewell History Explorer

Se as revoluções significam nada mais que a substituição de uma elite governante coesa e autocentrada por outra, se um punhado de homens inescrupulosos pilotam o barco do Estado da maneira como querem, qualquer que seja a bandeira constitucional sob a qual eles viajam, então a diferença entre a tirania e a democracia torna-se obscura, para dizer o mínimo.
Lawrence Stone, historiador (1919-1999)

Na miséria humana, a origem da crueldade

Alexander Neill (January 17, 1883 — September 23, 1973), Scot educator,  psychologist | World Biographical Encyclopedia

A crueldade deve ter ignorância, a fim de proteger o sádico contra qualquer compreensão de sua própria natureza pervertida.

A. S. Neill

Charge de Otávio (1970)

Um longo parêntesis

(Fragmento de “Liberdade no Lar: problemas da família”, escrito por Neill e publicado em 1970 no Brasil, pela IBRASA. A charge de Otávio – Otávio Câmara de Oliveira – , está presente na mesma página do livro (161) e retrata um modelo de pai bastante afinado com uma ideologia bastante fortalecida no Brasil, cinquenta anos depois. Para que não frase de Neill e charge não se configurem subjetivas demais para alguns, transcrevo aqui o trecho onde se insere, e verão que de lá para cá, pouco mudou. Mudam as formas de violência, as aparências, mas as origens seguem formando a sociedade que temos – Páginas 160 e 161:

“Pais que chicoteiam os filhos estão sempre prontos a uma explicação desenvolta, e quando rigorosamente interrogados sobre seus motivos, habitualmente colocam-se na defensiva dizendo que um gato ensina seus gatinhos batendo-lhes com a patinha disciplinadora. Não conheço pais, ainda, que respondam, honestamente: “bato em meu filho porque o detesto, detesto a mim mesmo, à minha esposa, ao meu emprego, as minhas relações, e de fato detesto a própria vida. Bato-lhe porque é pequeno e não pode devolver-me as pancadas. Bato-lhe porque tenho medo de meu patrão e quando ele vem para cima de mim eu desconto no garoto, em casa.

Se os pais fossem honestos o bastante para dizer isso, ou parte disso, não teriam necessidade de ser cruéis com seus filhos. A crueldade deve ter ignorância, a fim de proteger o sádico contra qualquer compreensão de sua própria natureza pervertida.”).

Filhos: são da Vida.

Teus filhos não são teus filhos.

São filhos e filhas da Vida, anelando por si própria.

Vêm através de ti, mas não de ti,

E embora estejam contigo, a ti não pertencem.

Podes dar-lhes teu amor, mas não teus pensamentos,

Pois que eles têm seus pensamentos próprios.

Podes abrigar seus corpos, mas não suas almas.

Pois que suas almas residem na casa do amanhã, que não podes visitar sequer em sonhos.

Podes esforçar-te por te parecer com eles, mas não procures fazê-los semelhantes a ti,

Pois a vida não recua, e não se retarda no ontem.

Tu és o arco do qual teus filhos, como flechas vivas, são disparados

Que a tua inclinação, na mão do arqueiro, seja para a alegria.

Khalil Gibran (1883-1931)

Quem foi Kahlil Gibran? (6 de janeiro de 1883 – 10 de abril de 1931) –  Monitor do Oriente

Eu sei mas não devia

Não é? (Para ler até o fim, é necessário clicar no “continuar lendo”, e assim você vai para o blog que publicou originalmente o texto!)

Sarau Benedito

Marina Colasanti

Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor.
E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora.
E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas.
E porque não abre as cortinas logo se acostuma
a acender cedo a luz.
E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.
A gente se acostuma a acordar de manhã
sobressaltado porque está na hora.
A tomar o café correndo porque está atrasado.
A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem.
A comer sanduiche porque não dá para almoçar.
A sair do trabalho porque já é noite.
A cochilar no ônibus porque está cansado.

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Tinha de ser Mia Couto!

Mia Couto – Wikipédia, a enciclopédia livre

“Nós quase nada sabemos sobre os vírus e as bactérias. E essas duas entidades são a base da própria vida. Dizemos que essas criaturas são invisíveis apenas porque nós não as podemos ver. Chamamos-lhe de micro-organismos. Custa-nos a admitir, mas quem controla a existência e a evolução da vida são essas criaturas ditas invisíveis. Não somos nós. Essas criaturas estão, nesse sentido, mais próximas de Deus do que nós”.
(Mia Couto, poeta e biólogo 1955-)