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Na pressão

Nunca foi tão atual. Já pararam para interpretar essa música? (Arnaldo)

Na Pressão (1999)

Lenine (1959-)

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa acendeu o fogo
Se cuida, rapaziada
Tem mandinga de cabôco
Mandando nessas parada

Garrafada de serpente
Despacho de cachoeira
Quanto mais o fogo sobe
Mais a panela cheira

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Chacina no centro-oeste
E guerrilha na fronteira
Emboscada na avenida
Tiro e queda na ladeira
Mas feitiço é bumerangue
Perseguindo a feiticeira

***

Mais cuidado. Mais amor. Menos divisão. Vamos juntos!

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Ontem senti beleza, paz, ternura. A partida tranquila do cientista que nos trazia as coisas do céu (minúsculo assim).

Hoje não tem despedida calma, compreendida. Não tem Cosmos, não tem filosofia. Nem sequer posso chamar isso aqui de despedida. A perda de hoje é amarga, cor de sangue, sangue nos olhos.

Foi morta uma mulher do chão, pés no chão, reivindicando para a cidade do Rio de Janeiro as coisas mínimas de se viver – em especial, a paz. Os tambores da terra (também minúsculo assim) bateram forte sobre o crime de ontem a noite, e seguem e seguirão ecoando.

Foi-se de modo violento, covarde, orquestrado, a socióloga Marielle Franco, que cumpria mandato de vereadora e voltava de evento relacionado ao movimento negro. Seu motorista Anderson na rebarba desse crime sujo, não deixo esquecer, é gente igual, o lamento é um só.

Oriunda de favela, negra, mulher, lésbica, de esquerda, denunciando a violência, a polícia militar, relatora de comissão que acompanha a intervenção federal no Rio de Janeiro. Executada por ter qualquer um ou combinação desses atributos permanentes ou temporários.

Os olhos do Rio seguem vermelhos, em sangue de surto acima das médias anuais de conjuntivite que nos assola, a representar claramente a dor coletiva, o medo de quem vive, a vontade louca de fugir. Já foram tantas mortes violentas nesse verão… Tantas.

Ontem partiu o homem voltado para o céu. Hoje perde-se a mulher voltada para a terra. O Céu e a Terra choram. Arnaldo.

PS: Paraliso, para além dessas palavras de dedos que se esforçam. Estou mudo, perplexo, procurando a voz na minha alma, sem conseguir encontrar.

__

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/vereadora-do-psol-marielle-franco-e-morta-a-tiros-no-centro-do-rio.ghtml

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/quantos-mais-precisarao-morrer-postou-vereadora-um-dia-antes-de-ser-assassinada-no-rj.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521080376_531337.html

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/03/15/marielle-franco-denunciou-abusos-de-policiais-do-batalhao-que-mais-mata-no-rio.htm

https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/cidades-do-interior-do-rio-enfrentam-epidemias-e-surtos-de-conjuntivite-petropolis-tem-mais-de-7-mil-casos-este-ano.ghtml

http://www.informerjo.com.br/2018/03/07/saude/rio-de-janeiro-encara-surto-de-conjuntivite/

http://www.ibol.com.br/exibir_conteudo.asp?idsecao=99387&IBOL+na+midia+-+Jornal+do+Brasil+-+surto+de+conjuntivite+-+05/03/2018

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– Homenagem a Stephen Hawking (1942-2018), falecido hoje. –

Lá se foi aquela águia cujos olhos se dirigiam ao infinito. Nós aqui embaixo, perdidos entre ilusões e expectativas de corpo e vida, enquanto a águia perscrutava, ano após ano, os segredos do Universo, só para nos alimentar de sonhos cósmicos, e irmos, ainda que por um flash ínfimo, para além de nossa pequenez. 

Adeus, Hawk King [Rei das Águias], e obrigado por tudo. (Arnaldo)

 

Um curso de vinte anos

Técnicas Naturais para a Gestação, Trabalho de Parto e Pós-Parto será tema de curso oferecido em Campo Grande, MS

Nos dias 14 e 15 de abril estarei em Campo Grande para esse curso, cujas informações vocês podem encontrar em:

https://lacomaterno.com/Cursos/workshop-tecnicas-corporais-e-naturais-para-gestacao-e-o-trabalho-de-parto/ ou em https://www.facebook.com/events/409332082846931/

Pois é… nem parece… Em 1998, eu já trabalhava com terapias corporais, em especial algumas modalidades de massagem e cursava naturopatia. De lá para cá, entre as gestações das minhas quatro filhas biológicas, quanta coisa aconteceu, quantas gestações presenciei enquanto gestava-me enquanto terapeuta.

Em duas décadas, vários divisores de água: o contato com os trabalhos de Ohashi, Reich, Gaiarsa, Lazlò, o desenvolvimento do Shiatsu Emocional, tudo me subsidiava o que viria a aprender diretamente com Michel Odent, Laura Uplindger e Heloísa Lessa, após anos de estudo solitário e dedicação aos encontro de gestação e parto naturais promovidos no Rio de Janeiro.

Foi quando percebi que minha presença no cenário era dúbia: O fato de ser homem e não ter uma formação diretamente associada ao campo me tornava uma espécie de “alien”. Ao mesmo tempo, os atores coadjuvantes mais importantes da gestação mostravam-se (e ainda se mostram) perdidos quanto ao momento e seus papeis: os homens-pais mereciam contato com alguém, um irmão mais velho com experiência e naturalidade pudesse lhes orientar. Daí surgiu o Parapapais, projeto que buscou orientar homens interessados em interagir melhor com o momento da gestação, parto e pós-parto. Mas como resistem! Sigo com o projeto, persisto, e invisto anualmente. Mas para além do mundo dos homens, sigo atendendo famílias. Muitas mães e seus bebês em suas barrigas, alguns já para fora, mas ainda na ligação semi-visceral, seguem me visitando e trazendo alegria para minha vida. Orientar, educar, cuidar dessa turma toda me levou à graduação em Pedagogia, que finalizo nesse ano de 2018.

Ano em que, em convite inusitado, feito pelo Laço Materno, me impulsiono a compartilhar com o mundo um pouco esses vinte anos de atividade e aprendizagens acerca desse recorte de tempo tão precioso para a humanidade. A criação de um curso que reúna técnicas corporais e naturais bem sucedidas, discuta e desconstrua mitos (porque o que mais tem em terapias para gestantes são mitos, lendas, placebos, etc.), e ajudem aos profissionais a aproximarem-se de um ponto de vista menos intervencionista, e mais de ajudar à família com ingredientes que lhes permitam viver o que a fisiologia que habita todo ser humano proporciona.

Estou muito animado para conhecer esse povo bonito de Campo Grande, que têm feito história através do Laço Materno!

Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2018.

Arnaldo V. Carvalho

terapiagestantes

Queda nas despesas em conservação e fiscalização do meio ambiente no país marca a última década,  aponta estudo do WWF-Brasil e Associação Contas Abertas

Financiamento público em meio ambiente © WWF-BrasilO ano de 2018 começou com R$ 3,7 bilhões de gastos autorizados no Ministério do Meio Ambiente e suas autarquias, como o Ibama, o ICMBio, a Agência Nacional de Águas (AANA) e Serviço Florestal Brasileiro. O valor é menor do que o autorizado por lei pelo Congresso para 2017 (R$$ 3,9 bi) e ainda menor do que a autorização de gastos concedida em 2013 (R$ 5 bi), melhor ano da década, em valores corrigidos pela inflação.

Os números apontam uma queda no investimento público provocada pela crise fiscal e agravada pela falta de visão política sobre a importância estratégica em se conservar o meio ambiente e os recursos naturais renováveis no Brasil. Os dados integram o mais amplo estudo sobre os gastos públicos em meio ambiente…

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Ontem em pequeno intervalo, peguei na minha estante do consultório o livro “A expressão emocional dos animais”, escrito pelo Charles Darwin (1809-1882). Ele mesmo!

Adoro esse livro. Como desde sempre, o abri ao acaso. Lá estava Darwin, discorrendo sobre as expressões faciais e corporais do orangotango frente a um espelho recém colocado em sua área no zoológico.

Quanto mais leio Darwin – e vou fazendo isso há tempos –  me impressiono com a dedicação de Darwin a compreender os demais espécimes, como se a eles perguntasse continuamente: me ajuda a descobrir quem ou o que sou?

(Arnaldo V. Carvalho)

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“Em ciência, é frequente que cientistas digam, ‘você sabe, esse é um argumento realmente válido; minha posição é equivocada’, e então eles mudam suas mentes e você não ouve mais aquele ponto de vista deles novamente. Eles realmente fazem isso. Isso não ocorre com tanta frequência como devia, porque cientistas são humanos e mudar as vezes é dolorido. Mas acontece todos os dias. Eu não lembro da última vez que algo assim aconteceu em política ou  religião”.

Carl Sagan (1934-1996)

(Tradução livre de Arnaldo V. Carvalho)

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