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Ela tem paciência”.

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Há alguns anos, meu irmão Rodrigo Vianna, obstetra, foi ao México passar uns dias com a parteira tradicional Angelita, uma referência.

Quando, ao voltar, encontrou-se comigo, perguntei: “Rodrigo, de tudo o que você aprendeu com ela, o que percebeu de mais importante? O que, afinal, ela tem de diferente para conseguir uma taxa de sucesso tão grande com as mães que vão à “casita” ter seus filhos?”

Meu irmão fez uma pausa silenciosa, olhou para baixo… E respondeu: “Paciência”. “Ela tem paciência”.

(Arnaldo)

 

 

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Tempos de prece (3)

 

Heaven – Yusuf Islam (Cat Stevens) Tradução aqui

The moment you walked inside my door
I knew that I need not look no more
I’ve seen many other souls before
Ah but Heaven must’ve programmed you
The moment you fell inside my dreams
I realized all I had not seen
I’ve seen many other souls before
Ah but Heaven must’ve programmed you
Oh, will you, will you, will you?
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
And if you walk along and if you lose your way
Don’t forget the one who gave you this today
Follow true love, follow true love
Follow true love, follow true love
Oh, will you, will you, will you?
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
And if a storm should come and if you face away
That may be the chance for you to be safe
And if you make it through the trouble and the pain
That may be the time for you to know his name
The moment you walked inside my door
I knew that I need not look no more
I’ve seen many other souls before
Ah but Heaven must’ve programmed you
The moment you fell inside my dreams
I realized all I had not seen
I’ve seen many other souls before
Ah but Heaven must’ve programmed you
The moment you said I will
I knew that this love was real
And that my faith was seen
Oh, Heaven must’ve programmed you
The moment I looked into your eyes
I knew that they told no lies
There would be no good byes
Ah ‘cause Heaven must’ve programmed you
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
I go where true love goes
Compositores: Yusuf Islam

Tempos de prece (2)

 

A paz

A paz invadiu o meu coração
De repente, me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
Onde eu já não me enterro mais
A paz fez um mar da revolução
Invadir meu destino, a paz
Como aquela grande explosão
Uma bomba sobre o Japão
Fez nascer o Japão da paz
Eu pensei em mim
Eu pensei em ti
Eu chorei por nós
Que contradição
Só a guerra faz
Nosso amor em paz
Eu vim
Vim parar na beira do cais
Onde a estrada chegou ao fim
Onde o fim da tarde é lilás
Onde o mar arrebenta em mim
O lamento de tantos “ais”
Compositores: Lucas Correa De Oliveira / Wilibaldo Neto
Intérprete: Gilberto Gil

Tempos de prece (1)

Amo.

My sweet Lord by George Harrison (tradução? clique aqui)

My sweet Lord
Mm, my Lord
Mm, my Lord
I really want to see you
Really want to be with you
Really want to see you, Lord
But it takes so long, my Lord
My sweet Lord
Mm, my Lord
Mm, my Lord
I really want to know you
I really want to go with you
Really want to show you, Lord
That it won’t take long, my Lord
(Hallelujah)
My sweet Lord
(Hallelujah)
My Lord
(Hallelujah)
My sweet Lord
(Hallelujah)
I really wanna see you
I really wanna see you
I really wanna see you Lord
I really wanna see you Lord
But it takes so long, my Lord
(Hallelujah)
My sweet Lord
(Hallelujah)
Mm, my Lord
(Hallelujah)
My my my Lord
(Hallelujah)
I really wanna know you
(Hallelujah)
I really wanna go with you
(Hallelujah)
I really wanna show you, Lord
That it won’t take long, my Lord
(Hallelujah)
Mmm
(Hallelujah)
My sweet Lord
(Hallelujah)
My my Lord
(Hallelujah)
Mmm
My Lord
(Hare Krishna)
My my my Lord
(Hare Krishna)
My sweet Lord
(Krishna, Krishna)
Oohh
(Hare Hare)
Now I really wanna see you
(Hare Rama)
I really wanna be with you
(Hare Rama)
I really wanna see you Lord
But it takes so long, my Lord
(Hallelujah)
Mmmm
My Lord
(Hallelujah)
My my my Lord
(Hare Krishna)
My sweet Lord
(Hare Krishna)
My sweet Lord
(Krishna, Krishna)
My Lord
(Hare Hare)
Mmmm
(Gurur Brahma)
Mmmm
(Gurur Vishnu)
Mmmm
(Gurur Devo)
Mmmm
(Maheshwara)
My sweet Lord
(Gurur Sakshaat)
My sweet Lord
(Parabrahma)
My, my my Lord
(Tasmayi Shree)
My, my my my Lord
(Guruve Namah)
My sweet Lord
(Hare Rama)
(Hare Krishna)
My sweet Lord
(Hare Krishna)
My sweet Lord
(Krishna Krishna)

aaa

Misturar para confundir, dividir para conquistar: O caldeirão ferve e a Bruxa ri

Por Arnaldo V. Carvalho

Aos que foram atentos a história do antigo Império Romano, devem saber que sua origem vitoriosa ocorreria com o fim da República de Roma, após o famoso general ditador Caio Júlio César (100a.C-44a.C.) anexar as Gálias (basicamente toda a Europa Ocidental) e reclamar na capital poder absoluto para si.

César desenvolveu uma estratégia quase infalível, que permitiu a Roma anexar territórios inteiros com um uso de força minimizado. A tática divide et vinces* foi descrita pelo César (embora já utilizada com sucesso por Alexandre o Grande e posteriormente por Napoleão Bonaparte) tratava de uma guerra de informação, onde ele basicamente enviava espiões que, infiltrados nos grupos de interesse, tratavam de plantar a “semente da discórdia” entre clãs rivais, criando todo tipo de intrigas, enquanto enviavam preciosas informações que permitiam a ele estudar as características e pontos fracos de cada povo.

Plantar confusão nos dias de hoje envolve misturar conceitos, fatos, etc., e é aí que se forma o caldo das divisões. Formam-se divisões em assuntos os quais na verdade todos querem soluções reais. Ou seja, interessam a todos, dizem respeito a todos, e podem sim alcançar a todos. A mistura quente, que confunde situações tangentes, é a dinamite da bruxa, como denuncia a música Na Pressão (1999), de Lenine (1959-).

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Trecho da música Na Pressão, de Lenine.

Temos aí uma multiplicidade de violências institucionalizadas e culturalizadas, e na pressão que o medo provoca, a bruxa ri. Fatos ocorridos e que vão para as notícias de jornal – assassinatos, torturas, discriminações, estupros, roubos, etc., se juntam ao que não vai estar na mídia – como o desprezo e cada um deles é dinamite, cada um deles se soma, temperada pela saliva da besta-fera do ódio, ácida, quente. A bruxa é a anti-vida sorrindo diante de nossas divisões.

O que tenho visto no caso Marielle Franco, por exemplo, é icônico. Tenho recebido em meus grupos sociais uma série incrível de comentários onde diferentes pontos reivindicatórios – todos legítimos – entram em choque.

Uma das maiores confusões é em relação à atenção que se têm dispensado à execução da socióloga versus a de todos os outros assassinatos cometidos diariamente no país. Me repetindo em relação a comentário que fiz em cima de um post do Facebook:

“Nenhuma morte deve passar despercebida. Cada uma deve ser cobrada pela particularidade que a envolve.

Morreu depois de ser assaltado? É uma cobrança, não pode acontecer.

Morreu executada porque se meteu em área “dominada”? É outra cobrança.

Morreu de fome? É outra cobrança.

Matou? É outra cobrança (afinal a sociedade tem sim ligação com a origem de pelo menos a maior parte dos assassinos)

Mandou matar? Mais uma cobrança.

Consumiu o produto que gera uma cadeia de mortes? Outra cobrança.

Enfim, para cada uma deve haver da sociedade uma cobrança. Por respostas, por atitudes.

Misturar tudo não ajuda. Dividir o povo não ajuda”.

Cada pessoa e/ou grupo, que além de se manifestar precisa viver sua vida – trabalhar, estar com os seus em suas alegrias e doenças, cuidar de si, sua mente e corpo, etc. – tem todo o direito de escolher seus temas, e um não diminui o outro. Tudo é muito, muito grave e precisa igualmente de atenção.

Um amigo fez o outro tipo de afirmativa-cobrança, na verdade já uma mistura entre a primeira que comentei – por que a morte dela está parecendo mais importante que outras), e uma segunda: esse barulho todo é porque ela era do partido X (no caso, o PSOL, que se auto-define como um partido “de esquerda”). Minha resposta segue a mesma linha, é simples (em relação à escrita original, adicionei links aqui no blog):

“Amigo, não sou PSOL nem nada disso. Nenhuma morte deve passar em branco, nenhuma.

Agora, você pode usar a memoria e se perguntar: por que o medico morto a facada na Lagoa Rodrigo de Freitas (2015) teve visibilidade da imprensa e um monte de gente assassinada de forma barbara, que no máximo aparece em jornais estilo “O Povo” não tem? E a juiza executada com 21 tiros (2011) em Niterói?

O que traz visibilidade de imprensa a uma morte?

Te dou duas hipóteses: ou o crime aconteceu em área de alta circulação dos grupos privilegiados (caso do médico) ou a pessoa executada tinha algum tipo de atuação extremamente incomoda, talvez sabendo coisas que “não deveria saber”. Foi o caso da juíza e é o caso da Marielle.

Vejam mais sobre a briga da juíza Patrícia Acioli com o lado podre da polícia

Ambas foram mortas no embate com a “banda podre” da Polícia Militar, e em breve tenho certeza que pessoas começarão a ligar os pontos.

Não esqueça meu amigo que tivemos um colega (no meu caso amigo) morto por assalto no mês passado, e assassinato seguido de roubo é um serio problema a ser denunciado e execução planejada de queima de arquivo é outro problema.

Ambos precisam parar e para isso devemos cobrar das autoridades. Mas por favor não vamos cair no erro de misturar as coisas”.

Nem misturar, nem diminuir qualquer um dos fatos.

Os temas reivindicatórios devem ser sempre claros, para não confundir e enfraquecer. Aqui estamos claramente conversando sobre o eixo da “violência”, e suas ramificações precisam ser desembaraçadas se quisermos enxergar as situações com lucidez.

Então, caros leitores, máxima atenção: se continuarmos confundindo, seguiremos divididos, e permaneceremos presas fáceis da Bruxa que está a solta.

Arnaldo V. Carvalho pai, terapeuta, pedagogo, cidadão.

 

* A célebre frase de Júlio César já havia sido citada por mim no artigo “Risada sem Graça” na ocasião do golpe contra a presidência da república eleita por voto popular. Possivelmente a citarei outras vezes, visto que esse é o principal ingrediente do caldo da Bruxa que destrói a humanidade e seus povos.

Na pressão

Nunca foi tão atual. Já pararam para interpretar essa música? (Arnaldo)

Na Pressão (1999)

Lenine (1959-)

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa acendeu o fogo
Se cuida, rapaziada
Tem mandinga de cabôco
Mandando nessas parada

Garrafada de serpente
Despacho de cachoeira
Quanto mais o fogo sobe
Mais a panela cheira

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Chacina no centro-oeste
E guerrilha na fronteira
Emboscada na avenida
Tiro e queda na ladeira
Mas feitiço é bumerangue
Perseguindo a feiticeira

***

Mais cuidado. Mais amor. Menos divisão. Vamos juntos!

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Ontem senti beleza, paz, ternura. A partida tranquila do cientista que nos trazia as coisas do céu (minúsculo assim).

Hoje não tem despedida calma, compreendida. Não tem Cosmos, não tem filosofia. Nem sequer posso chamar isso aqui de despedida. A perda de hoje é amarga, cor de sangue, sangue nos olhos.

Foi morta uma mulher do chão, pés no chão, reivindicando para a cidade do Rio de Janeiro as coisas mínimas de se viver – em especial, a paz. Os tambores da terra (também minúsculo assim) bateram forte sobre o crime de ontem a noite, e seguem e seguirão ecoando.

Foi-se de modo violento, covarde, orquestrado, a socióloga Marielle Franco, que cumpria mandato de vereadora e voltava de evento relacionado ao movimento negro. Seu motorista Anderson na rebarba desse crime sujo, não deixo esquecer, é gente igual, o lamento é um só.

Oriunda de favela, negra, mulher, lésbica, de esquerda, denunciando a violência, a polícia militar, relatora de comissão que acompanha a intervenção federal no Rio de Janeiro. Executada por ter qualquer um ou combinação desses atributos permanentes ou temporários.

Os olhos do Rio seguem vermelhos, em sangue de surto acima das médias anuais de conjuntivite que nos assola, a representar claramente a dor coletiva, o medo de quem vive, a vontade louca de fugir. Já foram tantas mortes violentas nesse verão… Tantas.

Ontem partiu o homem voltado para o céu. Hoje perde-se a mulher voltada para a terra. O Céu e a Terra choram. Arnaldo.

PS: Paraliso, para além dessas palavras de dedos que se esforçam. Estou mudo, perplexo, procurando a voz na minha alma, sem conseguir encontrar.

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https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/vereadora-do-psol-marielle-franco-e-morta-a-tiros-no-centro-do-rio.ghtml

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/quantos-mais-precisarao-morrer-postou-vereadora-um-dia-antes-de-ser-assassinada-no-rj.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521080376_531337.html

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/03/15/marielle-franco-denunciou-abusos-de-policiais-do-batalhao-que-mais-mata-no-rio.htm

https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/cidades-do-interior-do-rio-enfrentam-epidemias-e-surtos-de-conjuntivite-petropolis-tem-mais-de-7-mil-casos-este-ano.ghtml

http://www.informerjo.com.br/2018/03/07/saude/rio-de-janeiro-encara-surto-de-conjuntivite/

http://www.ibol.com.br/exibir_conteudo.asp?idsecao=99387&IBOL+na+midia+-+Jornal+do+Brasil+-+surto+de+conjuntivite+-+05/03/2018

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