Nem tudo o que frustra é mal

Estes são o índice e o começo de uma historinha que criei ao longo do período de dissertação, onde me disciplinei a escrever no máximo uma página por dia, a título de refresco mental em horas de não rendimento. O resultado foi essa pitoresca história, começada como um ensaio sobre tecnologia e inteligência artificial, e terminada comédia romântica. Vou postar diariamente, cada dia um “fascículo”, porque como diz Oswaldo Montenegro, todo chato “diz que inventou uma música e toca as seiscentas que fez”. Espero que gostem.

Nem tudo o que frustra é mal

Por Arnaldo V. Carvalho*

LITERATURA EM FASCÍCULOS DE UMA PÁGINA

I Início

II Estupefato

III Maggie

IV O bunker

V Uma decisão perturbadora

VI Maggie loira

VII Recepção da obra

VIII A carta

IX Segredos de Maggie

X A casa caiu

XI Passeio

XII O ciúme de Maggie

XIII A guerra das IAs

XIV Tarde demais

XV Maggie insone

XVI O novo romance

XVII Violeta

XVIII Maggie vai ter um bebê

XIX Vida dupla

XX Só quero ser eu

XXI O bebê de rosemaggie

XXII Entrevista em Palo Alto (1), (2), (3), (4), (5)

XXIII Duas recepções no aeroporto

XXIV A mãe de Maggie

XXV Preso na torre

XXVI Nasce o bebê ou um bebê

XXVII Maggie e a IA

XXVIII Violetas na janela

XXIX Segredos de liquidificador

XXX O destino das máquinas de escrever

Epílogo e Extras

* Arnaldo V. Carvalho é escritor, terapeuta, professor, não necessariamente nessa ordem.

Beatles barroco (II)

Segue mais uma transposição de canções dos Beatles para arranjos clássicos típicos do Barroco. Estes foram feitos pelo Shin’ichirō Ikebe (1943-), um respeitável compositor clássico japonês que leva créditos em uma série de trabalhos, inclusive composições magistrais feitas para filmes de Akira Kurosawa como Sonhos e Rapsódia em Agosto. A proposta aqui é bem mais literal do que aquele realizada por Rifkin e recomendada aqui na semana passada. Ouve-se, também, o aparecimento de grandes músicas do cenário clássico usadas como arcabouço para algumas peças, como por exemplo na inaugural Let it Be, que emerge de uma abertura a lembrar o Cânone em Ré de Pachelbel, ou a entrada beethoviana de Ticket to Ride. Mesmo com boas ideias, considero que o álbum teve menos sucesso – e certamente menos originalidade – que a tentativa de Rifkin. E você, o que acha?

Beatles… Barroco?


Joshua Rifkin (1944-) é musicólogo, maestro, pianista e professor da Universidade de Boston, EUA. Em algum momento de sua longa carreira, resolveu portar algumas música dos Beatles, na chave “como seriam se fossem escritas nos tempos da música clássica barroca”? O resultado é esse incrível álbum, “The Baroque Beatles Book”, um incrível exercício musical. Para quem como eu é amante tanto de música barroca quanto dos Beatles, uma maravilha! Destaque para os títulos das músicas, devidamente rebatizados com muito bom humor e gosto. Não deixem de apreciar, em especial,
Les Plaisirs (Ticket to Ride) e When I was young (Help!).

Chega de seis por meia dúzia.

Stone, Professor Lawrence – Epsom & Ewell History Explorer

Se as revoluções significam nada mais que a substituição de uma elite governante coesa e autocentrada por outra, se um punhado de homens inescrupulosos pilotam o barco do Estado da maneira como querem, qualquer que seja a bandeira constitucional sob a qual eles viajam, então a diferença entre a tirania e a democracia torna-se obscura, para dizer o mínimo.
Lawrence Stone, historiador (1919-1999)

Na miséria humana, a origem da crueldade

Alexander Neill (January 17, 1883 — September 23, 1973), Scot educator,  psychologist | World Biographical Encyclopedia

A crueldade deve ter ignorância, a fim de proteger o sádico contra qualquer compreensão de sua própria natureza pervertida.

A. S. Neill

Charge de Otávio (1970)

Um longo parêntesis

(Fragmento de “Liberdade no Lar: problemas da família”, escrito por Neill e publicado em 1970 no Brasil, pela IBRASA. A charge de Otávio – Otávio Câmara de Oliveira – , está presente na mesma página do livro (161) e retrata um modelo de pai bastante afinado com uma ideologia bastante fortalecida no Brasil, cinquenta anos depois. Para que não frase de Neill e charge não se configurem subjetivas demais para alguns, transcrevo aqui o trecho onde se insere, e verão que de lá para cá, pouco mudou. Mudam as formas de violência, as aparências, mas as origens seguem formando a sociedade que temos – Páginas 160 e 161:

“Pais que chicoteiam os filhos estão sempre prontos a uma explicação desenvolta, e quando rigorosamente interrogados sobre seus motivos, habitualmente colocam-se na defensiva dizendo que um gato ensina seus gatinhos batendo-lhes com a patinha disciplinadora. Não conheço pais, ainda, que respondam, honestamente: “bato em meu filho porque o detesto, detesto a mim mesmo, à minha esposa, ao meu emprego, as minhas relações, e de fato detesto a própria vida. Bato-lhe porque é pequeno e não pode devolver-me as pancadas. Bato-lhe porque tenho medo de meu patrão e quando ele vem para cima de mim eu desconto no garoto, em casa.

Se os pais fossem honestos o bastante para dizer isso, ou parte disso, não teriam necessidade de ser cruéis com seus filhos. A crueldade deve ter ignorância, a fim de proteger o sádico contra qualquer compreensão de sua própria natureza pervertida.”).