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Esse é o quinto de uma série de cartões postais que estou publicando aqui no Blog. Linda arte, ótima mensagem, maravilhosa proposta da Binky para o Elos da Saúde, com ilustração da Mariana Massarani.

Esse é o quarto de uma série de cartões postais que estou publicando aqui no Blog. Linda arte, ótima mensagem, maravilhosa proposta da Binky para o Elos da Saúde, com ilustração da Mariana Massarani.

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Em novembro me engajei na campanha pela conscientização sobre a importância da avaliação e tratamento da próstata. Assim como fazem os pioneiros australianos, durante todo o período permiti a barba crescer, para chamar atenção dos amigos que ao comentarem, recebiam como resposta:

– É Novembro Azul, já marcou seu exame?

Considerações naturopáticas e  psicossomáticas naturalmente serão feitas em artigo especialmente para esse fim (no prelo), mas o fato é que a displasia (aumento) da próstata ocorre com a idade em 100% dos homens, e é a partir desse crescimento que o câncer pode brotar. Então, não tem jeito, tem que ficar de olho e tratar.

Te digo como prevenir em breve em meu artigo. Como tratar também. Mas nada do que será dico substitui fato de que você, homem que me lê e chegou aos 40, precisa parar de achar que é super-homem e se cuidar. (Arnaldo)

 

Trocadilho infame

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Paul de Selfie, para não deixar dúvida que chegou para mim via zap de um fã dos Beatles. Linda foto! Alguém arrisca o ano? (Arnaldo)

 

Esse é o quarto de uma série de cartões postais que estou publicando aqui no Blog. Linda arte, ótima mensagem, maravilhosa proposta da Binky para o Elos da Saúde, com ilustração da Mariana Massarani.

Encontro histórico

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Um amigo me mandou pelo whatsapp essa foto maravilhosa: John Lennon e Chuck Berry tocando juntos. Sensacional!!! E fica o mistério: quem será o felizardo baterista-cowboy, que ao fundo participava desse sarau lendário? (Arnaldo)

E atenção: Um primo viu o post e já mandou logo o vídeo épico desse encontro. Valeu Tony!:

Maravilha ficou completa.

Sugestão de músicas para ouvir enquanto lê esse texto: “Sound of Silence“, “Blackbird“, “Guaranteed” e ou “One day at a time

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/21/Charles-mansonbookingphoto.jpg

A morte do marginal Charles Manson aos 83 anos mais uma vez traz à mídia o retrato de uma sociedade doente

Arnaldo V. Carvalho*

Ainda mais para quem não é americano, os crimes e [demais] loucuras cometidos pela chamada “Família Manson” no final dos anos 60 já jazia na poeira do tempo, até que a imprensa publicitou sobre a morte de seu protagonista maior, Charles Manson.

Nos cientes de sua existência, a sensação geral foi de alívio. Em mim, apenas um baixar de olhos, porque confesso, espelhei suas sombras nas minhas.

Eu conheço a raiva do mundo, da vida, da dor e do prazer. Fui uma criança explosiva, brigona, com uma solidão estranha, levada para depressões na juventude; e tive muito, muito medo de tudo. Raiva é medo disfarçado. Ou é filha do medo. Me acredito quase “salvo”, porque o amor das pessoas que me criaram me salvou. Aqui, destaco meus irmãos com paciência infinita, que me neutralizavam quando eu muito pequeno os atacava com toda a minha força física e falavam baixo para só me liberarem quando eu me acalmasse. Isso me deu contornos, limites, e me manteve sóbrio. Mesmo assim, meu destempero eclodiu muitas vezes ao longo dos anos e ofendeu as pessoas que mais amei nessa vida.

Eu seria diferente de Manson se tivesse sido rejeitado desde a concepção, e estuprado, violentado, drogado, tudo desde sempre? Eu teria morrido, de um jeito ou de outro.

Se conseguirmos por um segundo esquecer acerca de todo o mal que sua vida doentia conseguiu proporcionar à Vida: pensando apenas no sofrimento acumulado, 83 anos é pesado muita, muita coisa. Não sei como ele viveu. Não sei.

Mas sei que para sobreviver com um background desses, rompe-se com cultura, normalidade, com a razão e com a emoção. No lugar dele, duas possibilidades são aparentemente as únicas possíveis ao corpo-mente: pelo menos um dele tem que morrer. Se não é o corpo arrebatado pela energia anti-vida, então será a mente. O X na testa que Manson se fez dizendo-se “estar fora” daquela sociedade, daquela jurisdição, daquele mundo, já estava feito há tanto tempo em seu coração. O corpo encarcerado por tantas décadas era o de um natimorto-vivo, o mais atormentado dos zumbis, cujo destino tornou-se devorar mentes e levar outros a conhecer o inferno com ele, durante toda a sua longa existência e até o fim. Me surge uma primeira pergunta: Psicopatas serão sobreviventes físicos de recônditos profundos de almas torturadas e mortas mesmo antes do nascimento?

A força de um “ninguém”

Notem, usei no título o termo “marginal”. Nada mais apropriado: Manson ficou à margem da sociedade desde seu nascimento. Uma vez perguntaram a ele “quem era Charles Manson”. Caretas depois, ele disse: “ninguém”. É o que ele foi, desde sempre.

Manson já era “menos um” há tempos. Me preocupo com os “ninguéns” soltos por aí, influenciando pessoas, semeando a trágica doença da perversidade silenciosa e oculta. Me preocupo com os ninguéns sendo neste momento fabricados por essa sociedade bizarra. E estou atento a meus ninguéns e os de vocês, pessoas “normais” que me leem.

São Mansons que promovem o “Jogo da Baleia Azul”, são Mansons que ensinam adolescentes a se cortarem para “aliviar sofrimento”, são Mansons os que misturam hoje prazer com humilhação, e espalham em mais de cinquenta tons de cinza a ideia de prazer misturado com dor. Nesse instante, eles estão na Grande Rede, aliciando menores, incitando à morte por assassínio ou suicídio, incentivando aos jovens que se apartem de vez de suas famílias. Eles estão usando a solidão depressiva dos jovens que estão desprovidos de referências adultas concretas (porque os pais são ausentes, trabalhando o dia inteiro, ou formaram outras famílias, ou ou ou…). E para concluírem seu intento, de formar novos Mansons iguais a eles, sugerem toda a forma de descaracterização da pessoa como parte da vida coletiva. Descaracteriza-se o gênero, consome-se substâncias ilícitas ou aparentemente ilícitas, ouve-se músicas que reforçam o mote, usam-se redes sociais que não as gerais, cria-se um “submundo” onde eles são acolhidos.

A “promessa” Manson é a promessa do Fauno, com desafios e uma espécie confusa de valorização da condição do abandonado, presa fácil uma vez que caia no labirinto emocional oferecido por pessoas assim.

Para o mundo, o demonio-marginal Charles Manson, parafraseando Gentileza, era um ninguém indigesto. Uma verdade inconveniente. Porque ele é mais um produto de nossa sociedade que como disse Tomio Kikushi, não é somente louca, mas enlouquecedora.

Resposta reichiana

Manson mostrou ao mundo como um ninguém pode se tornar uma ameaça. O psiquiatra Wilhelm Reich (1897-1957), pouco antes de Manson nascer, tentou precaver a sociedade sobre a “peste emocional”, o ninguém que vive nas pessoas, e que quando “assume o controle” – é o caso – possui um poder destrutivo e contaminante.

“… olhando prudentemente em torno, entendi o que te escraviza: ÉS TU TEU PRÓPRIO NEGREIRO” . (REICH, 1974, p.24)

Ele estudou como esse mal coletivo se forma e espalha, e apontou soluções. Mostrou o caminho do Amor Natural e ao mesmo tempo, denunciou o “Pequeno Homem”* que nos habita, e é oriundo do medo e da repressão. Mas não foi ouvido. Otimista, o Reich da década de 1930 errou quando previu que a sociedade de cinquenta anos depois poderia estar mais preparada para o que ele tinha a dizer. Seguimos afastados do amor, reprimidos, hipócritas, e com isso perversos, cruéis, violentos, doentes sexualmente, psiquicamente, corporalmente.

A estruturação sadia da psiquê parece ter um limite sensível às experiências vividas, e talvez por isso eu não conheça uma biografia de gente que nasceu e cresceu em condições tão brutais e terminou bem (saudável, inclinado à vida, e a inspirar outras vidas). É possível manter-se são mesmo após grandes sofrimentos, e nem é preciso recorrer à exemplos místicos como Jesus Cristo, Buda ou Krishna (todos nascidos e criados com amor); temos muitos mártires e heróis contemporâneos que nos provam isso. Mas eles conseguiram porque já estavam estruturados. Convido ao leitor a me apresentar uma grande pessoa que tenha sido condenada ao nada desde sempre.

O questionamento, então, passa a ser: quando a sociedade vai abrir os olhos para o impacto do nascimento, da força do Amor, incluindo o contorno do limite infantil que também é expressão de afeto e interesse verdadeiro pela criança?

Ou pior: quantos Charles Mansons ou mais grave, quantas famílias Mansons seguirão sendo formadas até que a sociedade finalmente se liberte das velhas fórmulas morais, punitivas e adoecedoras das almas?

Na restauração da sanidade coletiva da humanidade, a única revolução possível, e a única saída para o caos crescente segue sendo Ele, o Amor.

***

* Um livro simples, direto e esclarecedor sobre esse “ninguém” que há em nós foi escrito por Reich em 1948 e traduzido no Brasil como “Escuta, Zé Ninguém“. Antes disso ele já falava da doença anti-vida, em publicações como a “Psicologia de Massas do Fascismo”, de 1933, entre outros, e depois, em 1952, o “Assassinato de Cristo”, mais uma grave denúncia à peste emocional deflagrada pela coletividade de “Ninguéns”. Reich antecipava os passos de Charles Manson, e isso rende outro e bem mais complexo artigo.

Maddox Manson, mais Mad do que manso. Louco, psicopata, “do mal”. Quantos Mansons existem hoje por aí, promovendo mortes de almas inteiras?

 

Para saber mais sobre Charles Manson

http://observador.pt/2017/11/20/charles-manson-o-assassino-mais-infame-do-mundo-esta-morto-tinha-83-anos-passou-46-na-prisao/

https://books.google.com.br/books?id=IYidCwAAQBAJ&pg=PT334&lpg=PT334&dq=entrevista+maddox+manson&source=bl&ots=on68aMf5p8&sig=c8PNAPEDu8o2lWqbO72kgxtXa1k&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwiSoM-FitDXAhWEgJAKHdeBCBsQ6AEIJzAA#v=onepage&q=entrevista%20maddox%20manson&f=false

http://sicnoticias.sapo.pt/mundo/2017-11-20-Charles-Manson-lider-de-seita-psicopata-assassino-um-dos-criminosos-mais-perigosos-da-America

http://fenix1374.blogspot.com.br/2013/03/charles-milles-maddox-manson-nascido-em_20.html

http://justificando.cartacapital.com.br/2014/11/26/charles-manson-louco-ou-genio-crime/

 

 

https://citacoes.in/media/authors/21009_eduardo-galeano.jpeg

“Tinham as mãos amarradas, ou algemadas, e ainda assim os dedos dançavam, voavam, desenhavam palavras. Os presos estavam encapuzados; mas inclinando-se conseguiam ver alguma coisa, alguma coisinha, por baixo. E embora fosse proibido falar, eles conversavam com as mãos.

Pinio Ungerfeld me ensinou o alfabeto dos dedos, que aprendeu na prisão sem professor:

— Alguns tinham caligrafia ruim — me disse —. Outros tinham letra de artista.

A ditadura uruguaia queria que cada um fosse apenas um, que cada um fosse ninguém: nas cadeias e quarteis, e no pais inteiro, a comunicação era delito.

Alguns presos passaram mais de dez anos enterrados em calabouços solitários do tamanho de um ataúde, sem escutar outras vozes além do ruído das grades ou dos passos das botas pelos corredores. Fernandez Huidobro e Mauricio Rosencof, condenados a essa solidão, salvaram-se porque conseguiram conversar, com batidinhas na parede. Assim contavam sonhos e lembranças, amores e desamores; discutiam, se abraçavam, brigavam; compartilhavam certezas e belezas e também dúvidas e culpas e perguntas que não tem resposta.

Quando é verdadeira, quando nasce da necessidade de dizer, a voz humana não encontra quem a detenha. Se lhe negam a boca, ela fala pelas mãos, ou pelos olhos, ou pelos poros, ou por onde for. Porque todos, todos, temos algo a dizer aos outros, alguma coisa, alguma palavra que merece ser celebrada ou perdoada.

GALEANO, Eduardo. O livro dos abraços. L&PM

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