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ou… Os jovens de agora e os Yuppies do futuro farão a diferença?

Por Arnaldo V. Carvalho*

Antonio Gramsci estaria descabelado com as novas formas de capitalismo que tomam conta do planeta… Mas esperançoso com os também novos movimentos reivindicativos, que organizam massas e resistem, e têm como diferença a forte presença do que chamava ele de “intelectualidade orgânica”: Gente oriunda de condições socioeducativas de mais qualidade, capazes de, para além de uma análise profunda e abrangente das diferentes situações, colocar a mão na massa, engajar, e fazer a diferença. São lideranças de coletividades inteiras, “lideranças preparadas”. É o que vemos no Brasil, por exemplo, no trabalho de Guilherme Boulos junto aos movimento dos sem teto: filósofo, psicanalista, e militante desde os quinze anos, ele representa uma leva de jovens que enxergam os males do sistema em que vivem para uma parcela de pessoas que é maioria absoluta. São jovens que estão hoje na busca não por “seu pirão primeiro”, mas pelo “Nós”.

Alguns desses, encontram-se engajados na política, e quase sempre, engrossam fileiras de partidos mais inclinados às causas dos desprivilegiados (porque “trabalhadores” não são só os pobres). Na Espanha, os movimentos populares deram origem ao “Podemos“, que é dirigido por um cientista político e ultrapassa as velhas ideias de “direita e esquerda”. Por aqui, com todas as críticas, vemos partidos como PSOL ou novos movimentos políticos apartidários, como Agora! e diversos outros, recebendo levas cada vez mais significativas de professores universitários, etc. Compenetrados em observar a sociedade a partir de um olhar “cientificamente menos egoísta”, ou para fora das estruturas socioeconomicas vigentes, essas pessoas são capazes de agir em perspectiva , na certeza de que o enfrentamento ao status quo é da máxima urgência para o futuro da humanidade.

Se um jovem de classe média ou alta, que tem acesso à boa educação, se sensibiliza com causas sociais e ambientais (vamos lembrar que essas causas são na verdade uma só), e decide fazer algo, imagine se desde criança elas já crescesse desenvolvendo esse tipo de consciência e proatividade.

Pois é o que começa a acontecer em todo o planeta, com as “superescolas”, que apostam em uma formação com ênfase em conceitos como cosmopolitismo, sustentabilidade e nova economia. No Brasil, já aportam Iniciativas globais como a Schumacher School, celeiro de educadores e educandos “holísticos”, ou a Avenues, escola para os filhos das elites (as mensalidades custam em torno de R$10.000,00), que prepara a criança para o mundo – literalmente, desenvolvendo habilidades de liderança com – em princípio – preocupações ambientais, sociais e mesmo existenciais.

Surgirá daí um coletivo de intelectuais orgânicos para fazer o sonho de Gramsci se tornar realidade?

Talvez disso dependa, para além de conteúdos oferecidos por uma escola, de uma farta oferta de carga emocional amorosa – capaz de preservar a latente sensibilidade que nasce com cada ser humano, e se não suspensa por mecanismos culturais, torna um indivíduo com sentimento de vínculo em relação a sua própria espécie homo sapiens (1). Em outras palavras, a educação formal possivelmente precisa estar associada à uma criação onde o potencial afetivo possa seguir sua direção natural. E quanto a isso, se não há escola, há iniciativas, métodos e discussões, como vemos por exemplo no trabalho da API – Attachment Parenting Internacional, que versa sobre criação com “apego” (sentimento de vínculo)(2).

Vamos torcer para que esses futuros novos “yuppies cosmopolitas” realmente cresçam não focados em aumentar os patrimônios de suas famílias, mas conscientes, desejosos de ver o mundo melhorar para além de seus umbigos protegidos por carros blindados e muros de condomínios de luxo – e dispostos a agir para isso.

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(1) Ver ODENT, Michel. Pode o homem sobreviver a medicina? Rio de Janeiro: IMO, 2017.(2) No Brasil, o API é representado pelo educador parental Thiago Queiroz.

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* Arnaldo V. Carvalho, terapeuta, pai, aprendiz de pedagogo, cidadão do mundo.

 

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