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Série de pequenos textos sobre gestação, parto, pós-parto e seus contextos é publicada no Laço Materno

Por Arnaldo V. Carvalho

Em meio aos movimentos que giram em torno de minha chegada a Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para o I Curso de Técnicas Naturais para a Gestação, Parto e Pós-Parto, o Laço Materno lançou alguns de meus textos. São ensaios em prosa simples e direta, onde procuro dar voz a minha reflexão e experiência terapeutica na área, abordando temas que, mesmo já sendo bastante explorados por livros e artigos, seguem com aspectos sutis que ainda precisam ser melhor tratados.

Até o dia de hoje, 07 de abril de 2018, a série já tinha sido publicada praticamente pela metade:

  1. Me apresento ao leitor… https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-textos-ineditos-sobre-o-gestacao-parto-e-pos-parto/
  2. Contatos imediatos que o bebê no útero tem com o mundo exterior e seus impactos na vida. https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-contatos-imediatos-os-contatos-que-o-bebe-no-utero-tem-com-o-mundo-exterior-e-seus-impactos-na-vida/
  3. Lugar de Homem no Parto é Onde? https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-lugar-de-homem-no-parto-e-onde/
  4. Intervenções terapeuticas na gravidez e seus impactos no empoderamento da mulher. https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-as-intervencoes-terapeuticas-na-gravidez-e-seus-impactos-no-empoderamento-da-mulher/
  5. Sexo e gravidez: O Detalhe Z. https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-sexo-e-gravidez-o-detalhe-z/https://lacomaterno.com/ensaios-do-nascimento-sexo-e-gravidez-o-detalhe-z/

Até a próxima quarta-feira, acredito que eles terão dobrado o número de publicações (a série Ensaios já foi toda escrita). Abordaremos o pensamento oriental na gravidez, a naturopatia, questões imunitárias e outras. Os textos, como eu disse, tocam em assuntos que podem ser chave e a diferença entre um momento de vida maravilhoso e realizador ou não. Mas não se propõe a ser “Manual”, nem oferece tantos detalhes de solução… Simplesmente porque seria necessário muita conversa, interação, discussão, para que as relativizações imprescindíveis do cenário não corressem risco de se tornarem superficiais.

Fica aqui meu pedido aos leitores que leiam, curtam dentro da página do Laço Materno, comentem, peçam outros temas, etc.

Abraços, Arnaldo

 

 

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Ela tem paciência”.

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Há alguns anos, meu irmão Rodrigo Vianna, obstetra, foi ao México passar uns dias com a parteira tradicional Angelita, uma referência.

Quando, ao voltar, encontrou-se comigo, perguntei: “Rodrigo, de tudo o que você aprendeu com ela, o que percebeu de mais importante? O que, afinal, ela tem de diferente para conseguir uma taxa de sucesso tão grande com as mães que vão à “casita” ter seus filhos?”

Meu irmão fez uma pausa silenciosa, olhou para baixo… E respondeu: “Paciência”. “Ela tem paciência”.

(Arnaldo)

 

 

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Misturar para confundir, dividir para conquistar: O caldeirão ferve e a Bruxa ri

Por Arnaldo V. Carvalho

Aos que foram atentos a história do antigo Império Romano, devem saber que sua origem vitoriosa ocorreria com o fim da República de Roma, após o famoso general ditador Caio Júlio César (100a.C-44a.C.) anexar as Gálias (basicamente toda a Europa Ocidental) e reclamar na capital poder absoluto para si.

César desenvolveu uma estratégia quase infalível, que permitiu a Roma anexar territórios inteiros com um uso de força minimizado. A tática divide et vinces* foi descrita pelo César (embora já utilizada com sucesso por Alexandre o Grande e posteriormente por Napoleão Bonaparte) tratava de uma guerra de informação, onde ele basicamente enviava espiões que, infiltrados nos grupos de interesse, tratavam de plantar a “semente da discórdia” entre clãs rivais, criando todo tipo de intrigas, enquanto enviavam preciosas informações que permitiam a ele estudar as características e pontos fracos de cada povo.

Plantar confusão nos dias de hoje envolve misturar conceitos, fatos, etc., e é aí que se forma o caldo das divisões. Formam-se divisões em assuntos os quais na verdade todos querem soluções reais. Ou seja, interessam a todos, dizem respeito a todos, e podem sim alcançar a todos. A mistura quente, que confunde situações tangentes, é a dinamite da bruxa, como denuncia a música Na Pressão (1999), de Lenine (1959-).

Olho na pressão, tá fervendo
Olho na panela
Dinamite é o feijão cozinhando
Dentro do molho dela

A bruxa mexeu o caldo
Se liga aí, ô galera
Tá pingando na mistura
Saliva da besta-fera

Trecho da música Na Pressão, de Lenine.

Temos aí uma multiplicidade de violências institucionalizadas e culturalizadas, e na pressão que o medo provoca, a bruxa ri. Fatos ocorridos e que vão para as notícias de jornal – assassinatos, torturas, discriminações, estupros, roubos, etc., se juntam ao que não vai estar na mídia – como o desprezo e cada um deles é dinamite, cada um deles se soma, temperada pela saliva da besta-fera do ódio, ácida, quente. A bruxa é a anti-vida sorrindo diante de nossas divisões.

O que tenho visto no caso Marielle Franco, por exemplo, é icônico. Tenho recebido em meus grupos sociais uma série incrível de comentários onde diferentes pontos reivindicatórios – todos legítimos – entram em choque.

Uma das maiores confusões é em relação à atenção que se têm dispensado à execução da socióloga versus a de todos os outros assassinatos cometidos diariamente no país. Me repetindo em relação a comentário que fiz em cima de um post do Facebook:

“Nenhuma morte deve passar despercebida. Cada uma deve ser cobrada pela particularidade que a envolve.

Morreu depois de ser assaltado? É uma cobrança, não pode acontecer.

Morreu executada porque se meteu em área “dominada”? É outra cobrança.

Morreu de fome? É outra cobrança.

Matou? É outra cobrança (afinal a sociedade tem sim ligação com a origem de pelo menos a maior parte dos assassinos)

Mandou matar? Mais uma cobrança.

Consumiu o produto que gera uma cadeia de mortes? Outra cobrança.

Enfim, para cada uma deve haver da sociedade uma cobrança. Por respostas, por atitudes.

Misturar tudo não ajuda. Dividir o povo não ajuda”.

Cada pessoa e/ou grupo, que além de se manifestar precisa viver sua vida – trabalhar, estar com os seus em suas alegrias e doenças, cuidar de si, sua mente e corpo, etc. – tem todo o direito de escolher seus temas, e um não diminui o outro. Tudo é muito, muito grave e precisa igualmente de atenção.

Um amigo fez o outro tipo de afirmativa-cobrança, na verdade já uma mistura entre a primeira que comentei – por que a morte dela está parecendo mais importante que outras), e uma segunda: esse barulho todo é porque ela era do partido X (no caso, o PSOL, que se auto-define como um partido “de esquerda”). Minha resposta segue a mesma linha, é simples (em relação à escrita original, adicionei links aqui no blog):

“Amigo, não sou PSOL nem nada disso. Nenhuma morte deve passar em branco, nenhuma.

Agora, você pode usar a memoria e se perguntar: por que o medico morto a facada na Lagoa Rodrigo de Freitas (2015) teve visibilidade da imprensa e um monte de gente assassinada de forma barbara, que no máximo aparece em jornais estilo “O Povo” não tem? E a juiza executada com 21 tiros (2011) em Niterói?

O que traz visibilidade de imprensa a uma morte?

Te dou duas hipóteses: ou o crime aconteceu em área de alta circulação dos grupos privilegiados (caso do médico) ou a pessoa executada tinha algum tipo de atuação extremamente incomoda, talvez sabendo coisas que “não deveria saber”. Foi o caso da juíza e é o caso da Marielle.

Vejam mais sobre a briga da juíza Patrícia Acioli com o lado podre da polícia

Ambas foram mortas no embate com a “banda podre” da Polícia Militar, e em breve tenho certeza que pessoas começarão a ligar os pontos.

Não esqueça meu amigo que tivemos um colega (no meu caso amigo) morto por assalto no mês passado, e assassinato seguido de roubo é um serio problema a ser denunciado e execução planejada de queima de arquivo é outro problema.

Ambos precisam parar e para isso devemos cobrar das autoridades. Mas por favor não vamos cair no erro de misturar as coisas”.

Nem misturar, nem diminuir qualquer um dos fatos.

Os temas reivindicatórios devem ser sempre claros, para não confundir e enfraquecer. Aqui estamos claramente conversando sobre o eixo da “violência”, e suas ramificações precisam ser desembaraçadas se quisermos enxergar as situações com lucidez.

Então, caros leitores, máxima atenção: se continuarmos confundindo, seguiremos divididos, e permaneceremos presas fáceis da Bruxa que está a solta.

Arnaldo V. Carvalho pai, terapeuta, pedagogo, cidadão.

 

* A célebre frase de Júlio César já havia sido citada por mim no artigo “Risada sem Graça” na ocasião do golpe contra a presidência da república eleita por voto popular. Possivelmente a citarei outras vezes, visto que esse é o principal ingrediente do caldo da Bruxa que destrói a humanidade e seus povos.

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Ontem senti beleza, paz, ternura. A partida tranquila do cientista que nos trazia as coisas do céu (minúsculo assim).

Hoje não tem despedida calma, compreendida. Não tem Cosmos, não tem filosofia. Nem sequer posso chamar isso aqui de despedida. A perda de hoje é amarga, cor de sangue, sangue nos olhos.

Foi morta uma mulher do chão, pés no chão, reivindicando para a cidade do Rio de Janeiro as coisas mínimas de se viver – em especial, a paz. Os tambores da terra (também minúsculo assim) bateram forte sobre o crime de ontem a noite, e seguem e seguirão ecoando.

Foi-se de modo violento, covarde, orquestrado, a socióloga Marielle Franco, que cumpria mandato de vereadora e voltava de evento relacionado ao movimento negro. Seu motorista Anderson na rebarba desse crime sujo, não deixo esquecer, é gente igual, o lamento é um só.

Oriunda de favela, negra, mulher, lésbica, de esquerda, denunciando a violência, a polícia militar, relatora de comissão que acompanha a intervenção federal no Rio de Janeiro. Executada por ter qualquer um ou combinação desses atributos permanentes ou temporários.

Os olhos do Rio seguem vermelhos, em sangue de surto acima das médias anuais de conjuntivite que nos assola, a representar claramente a dor coletiva, o medo de quem vive, a vontade louca de fugir. Já foram tantas mortes violentas nesse verão… Tantas.

Ontem partiu o homem voltado para o céu. Hoje perde-se a mulher voltada para a terra. O Céu e a Terra choram. Arnaldo.

PS: Paraliso, para além dessas palavras de dedos que se esforçam. Estou mudo, perplexo, procurando a voz na minha alma, sem conseguir encontrar.

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https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/vereadora-do-psol-marielle-franco-e-morta-a-tiros-no-centro-do-rio.ghtml

https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/quantos-mais-precisarao-morrer-postou-vereadora-um-dia-antes-de-ser-assassinada-no-rj.ghtml

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/15/politica/1521080376_531337.html

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/03/15/marielle-franco-denunciou-abusos-de-policiais-do-batalhao-que-mais-mata-no-rio.htm

https://g1.globo.com/rj/regiao-serrana/noticia/cidades-do-interior-do-rio-enfrentam-epidemias-e-surtos-de-conjuntivite-petropolis-tem-mais-de-7-mil-casos-este-ano.ghtml

http://www.informerjo.com.br/2018/03/07/saude/rio-de-janeiro-encara-surto-de-conjuntivite/

http://www.ibol.com.br/exibir_conteudo.asp?idsecao=99387&IBOL+na+midia+-+Jornal+do+Brasil+-+surto+de+conjuntivite+-+05/03/2018

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– Homenagem a Stephen Hawking (1942-2018), falecido hoje. –

Lá se foi aquela águia cujos olhos se dirigiam ao infinito. Nós aqui embaixo, perdidos entre ilusões e expectativas de corpo e vida, enquanto a águia perscrutava, ano após ano, os segredos do Universo, só para nos alimentar de sonhos cósmicos, e irmos, ainda que por um flash ínfimo, para além de nossa pequenez. 

Adeus, Hawk King [Rei das Águias], e obrigado por tudo. (Arnaldo)

 

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Técnicas Naturais para a Gestação, Trabalho de Parto e Pós-Parto será tema de curso oferecido em Campo Grande, MS

Nos dias 14 e 15 de abril estarei em Campo Grande para esse curso, cujas informações vocês podem encontrar em:

https://lacomaterno.com/Cursos/workshop-tecnicas-corporais-e-naturais-para-gestacao-e-o-trabalho-de-parto/ ou em https://www.facebook.com/events/409332082846931/

Pois é… nem parece… Em 1998, eu já trabalhava com terapias corporais, em especial algumas modalidades de massagem e cursava naturopatia. De lá para cá, entre as gestações das minhas quatro filhas biológicas, quanta coisa aconteceu, quantas gestações presenciei enquanto gestava-me enquanto terapeuta.

Em duas décadas, vários divisores de água: o contato com os trabalhos de Ohashi, Reich, Gaiarsa, Lazlò, o desenvolvimento do Shiatsu Emocional, tudo me subsidiava o que viria a aprender diretamente com Michel Odent, Laura Uplindger e Heloísa Lessa, após anos de estudo solitário e dedicação aos encontro de gestação e parto naturais promovidos no Rio de Janeiro.

Foi quando percebi que minha presença no cenário era dúbia: O fato de ser homem e não ter uma formação diretamente associada ao campo me tornava uma espécie de “alien”. Ao mesmo tempo, os atores coadjuvantes mais importantes da gestação mostravam-se (e ainda se mostram) perdidos quanto ao momento e seus papeis: os homens-pais mereciam contato com alguém, um irmão mais velho com experiência e naturalidade pudesse lhes orientar. Daí surgiu o Parapapais, projeto que buscou orientar homens interessados em interagir melhor com o momento da gestação, parto e pós-parto. Mas como resistem! Sigo com o projeto, persisto, e invisto anualmente. Mas para além do mundo dos homens, sigo atendendo famílias. Muitas mães e seus bebês em suas barrigas, alguns já para fora, mas ainda na ligação semi-visceral, seguem me visitando e trazendo alegria para minha vida. Orientar, educar, cuidar dessa turma toda me levou à graduação em Pedagogia, que finalizo nesse ano de 2018.

Ano em que, em convite inusitado, feito pelo Laço Materno, me impulsiono a compartilhar com o mundo um pouco esses vinte anos de atividade e aprendizagens acerca desse recorte de tempo tão precioso para a humanidade. A criação de um curso que reúna técnicas corporais e naturais bem sucedidas, discuta e desconstrua mitos (porque o que mais tem em terapias para gestantes são mitos, lendas, placebos, etc.), e ajudem aos profissionais a aproximarem-se de um ponto de vista menos intervencionista, e mais de ajudar à família com ingredientes que lhes permitam viver o que a fisiologia que habita todo ser humano proporciona.

Estou muito animado para conhecer esse povo bonito de Campo Grande, que têm feito história através do Laço Materno!

Rio de Janeiro, 13 de fevereiro de 2018.

Arnaldo V. Carvalho

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Ontem em pequeno intervalo, peguei na minha estante do consultório o livro “A expressão emocional dos animais”, escrito pelo Charles Darwin (1809-1882). Ele mesmo!

Adoro esse livro. Como desde sempre, o abri ao acaso. Lá estava Darwin, discorrendo sobre as expressões faciais e corporais do orangotango frente a um espelho recém colocado em sua área no zoológico.

Quanto mais leio Darwin – e vou fazendo isso há tempos –  me impressiono com a dedicação de Darwin a compreender os demais espécimes, como se a eles perguntasse continuamente: me ajuda a descobrir quem ou o que sou?

(Arnaldo V. Carvalho)

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