O futuro online dos editores vetoriais… chegou

Para todos os gostos e bolsos, plataformas de edição de imagens e desenhos vetoriais sofrem pipocam em toda a parte e prometem simplicidade e funcionalidade

Por Arnaldo V. Carvalho*

Ferramentas profissionais como Corel Draw e Adobe Ilustrator terão de conviver com uma miríade de plataformas online que prometem disponibilizar todas as funções básicas necessárias a confecção de ilustrações, gráficos e imagens vetoriais.

Uma alternativa aos programas caros e complexos, essas plataformas ainda tem a vantagem de não pesar na memória e processamento do computador, e assim pode ajudar também quem tem uma configuração de hardware mais limitada. Pelo mesmo motivo, também podem ser operadas em qualquer máquina com Internet – o que ajuda em trabalhos colaborativos. Não requerer instalação também é uma vantagem.

Conheça agora uma seleção dessas ferramentas gratuitas ou com versões gratuitas, que fiz especialmente para quem está buscando conhecer esse tipo de plataforma:

1. DESYGNER

Para pequenas peças destinadas às redes sociais, a versão gratuita serve perfeitamente. Importe uma imagem, adicione um pequeno texto e efeitos. E pronto. A ferramenta de desenho cumpre o básico. No Desygner, aparentemente, tudo gira em torno dele tentar vender as funcionalidades pagas, em especial os templates super legais.

Em meu teste achei que a principal vantagem é o botão “Share”, que você pode usar a qualquer momento da sua edição e já disponibilizar seu trabalhinho em todas as suas redes sociais.

2. VECTR

Já tem mais cara de editor profissional, e conta com uma interface limpa, bem funcional. Em cinco minutos já havia conferido as principais funcionalidades, é mesmo uma plataforma incrível e fácil de usar. Após concluir sua arte, você pode salva-la em seu computador, em .SVG, .PNG ou .JPG. Mas ele é bom para quem quer mesmo desenhar: não há templates, mostras ou figurinhas pré-prontas. Outra coisa legal dele é que cada arte sua fica em um endereço web compartilhável. Isso quer dizer que você pode desenhar e ser visto “em tempo real” por alguém que você queira, basta compartilhar o link. Assim, sessões coletivas de desenho, ou mesmo o uso do Vectr como vitrine de um artista que está trocando informações com seu contratatante é possível. Finalmente, eles prometem que a versão básica disponível será GRATUITA PARA SEMPRE (segundo a plataforma há pretenção de uma versão pro mas o que está hoje disponível veio para ficar).

3. FATPAINT

Esse editor gratuito permite que você, após concluir sua arte, a disponibilize para lojas virtuais que podem utiliza-la na confecção sob demanda de camisetas, bonés, canecas, etc… E assim o “dono” da arte já pode sair ganhando dinheiro!

Infelizmente não deu para testar, pois ele exige o Adobe Flash Player para rodar no navegador, e recentemente deixei de usa-lo.

4. Gravit

Esse é o queridinho da vez. Investiram pesado em marketing e a plataforma está se espalhando rápido. Muito fácil de usar, cheia de templates desde a versão gratuita, você exporta a sua arte uma vez que adquira a “versão pro” por R$100,00 (06/10/2020). Eu diria que vale cada centavo, especialmente comparado a outros sites e na comparação de custos com os softwares profissionais. Se tudo o que você precisa é de uma plataforma rápida de criação de chamadas, logos, banners etc. para seus eventos, redes sociais, cursos e demais atividades, pode ser mesmo uma excelente opção. AH, sim! Já tem em português!

Aqui estão as diferenças entre a versão gratuita e a paga.

5. SVG Editor (da Catscarlet)

Uma programadora ou um programador da China (Catscarlet) disponibilizou um editor vetorial gratuito online, com código aberto (opensource). Por enquanto ele é bem basicão, mas já conta com uma série de possibilidades. Até onde vi, é prático de operar, mas limitado por exemplo no uso de fontes de letras, dentre outras questões. De qualquer forma, compete com os demais serviços. Se você quer algo simples e ao estilo “quero me virar com a vida digital livre”, vale o teste!

6. YouIDraw

Me impressionei bastante com as possibilidades artisticas desse editor online. Gratuito. Mais um que tem a encrenca das fontes de letras (teoricamente ele importaria mas não consegui nada), o que o torna mais próprio para desenho e pintura. Há uma versão paga (sistema de assinatura mensal) para você poder exportar arquivos em formato vetorial (na gratuita é possível exportar em .PNG). O banco de templates dele é muito bom e há múltiplas possibilidades de pinceis, cores, camadas, conversão para curvas, etc., etc.

No fim, fico entre ou YouIDraw e o Gravit. E você?

Depois me conte. Um abraço, Arnaldo

* Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, pedagogo, não é artista mas é pai de artistas, e vive procurando alternativas que o ajudem a se virar quando precisa.

Caçador de apócrifos de citações lúdicas (1)

Não, Platão não falou sobre jogar para conhecer alguém

Por Arnaldo V. Carvalho*


Pois é. Quem estuda ludicidade e jogos de tabuleiro está sempre a citar grandes pensadores da humanidade… Mas sem checar. Já tem tempo que implico com isso, como sabem…

Então vamos à algumas das mais famosas que, em exame, percebe-se serem falsas ou terem sido “forçadas”:

"Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversa". (atribuída a Platão)

De acordo com o site americano de verificação de citações “Quote Investigator“, a autoria é falsa. Eles explicam que a menção a essa frase, embora pitoresca, nem positiva é: em 1670 o manual de conduta “A Letter of Advice to a Young Gentleman Leaveing the University Concerning His Behaviour and Conversation in the World” [Uma carta de conselho a um jovem cavalheiro que deixa a universidade sobre seu comportamento e conversação no mundo], escrito pelo reverendo Richard Lingard, refere-se (negativamente) aos jogos de azar.

Cópia do livro republicado em 1907, explica que esse foi o primeiro livro publicado em Nova Iorque! Um manual de conduta dedicada a Lord Lanesborough, recomendando entre outras coisas a moderação nos jogos**.

Traduzo aqui o trecho onde se encontra a frase original, que aos poucos foi se modificando, passou por citação sem autoria, e em algum momento atribuiu-se a Platão:

Fique atento ao jogar dados ou jogos de azar com frequência ou de forma intensa, pois isso é mais cobrado do que os sete pecados mortais; você até pode se permitir uma certa quantia que seja tranquila para gastar no jogo, agradar os amigos e passar as noites de inverno, e isso o tornará indiferente ao evento. Se você observar a disposição de um homem ao vê-lo jogar (apostar), então aprenderá mais sobre ele em uma hora do que em sete anos de conversa, e pequenas apostas irão o levarão rapidamente às grandes quantias, quando então ele estará fora da proteção do Senhor.

Tradução livre do excerto citado no Quote Investigator, por minha autoria (Arnaldo)

Para dar crédito à dúvida, ainda busquei pelos textos de Platão disponíveis em língua portuguesa, e nada encontrei. O estudo do Quote Investigator, portanto, me parece completo, é fantástico e merece a leitura. Mas o básico aí está.

***


* Arnaldo V. Carvalho, pedagogo e terapeuta, estuda jogos de tabuleiro e suas aplicações educacionais. Seu mestrado em educação pesquisa o chamado “professor do tabuleiro”, ou seja, educadores que hoje se encontram envolvidos com abordagens pedagógicas lúdicas, com ou baseadas em jogos não eletrônicos.

** Em inglês, há uma diferença importante entre jogo (game) e jogar (play), sendo jogo [game] tanto substantivo como verbo; quando verbo, ainda mais no contexto em que o texto foi escrito, o jogo é especialmente associado ao jogo de apostas ou de azar.

Seminário online sobre jogos de tabuleiro modernos na aprendizagem reúne quatro feras da área

Na próxima quarta-feira dia 8, a Necto Gamificação promoverá um encontro ao vivo com especialistas no uso educacional do jogo de tabuleiro. Estarão presentes a pioneira Laíse Lima do Oficinas Lúdicas, da Bahia; Carolina Modanezi, game designer que dirige a editora Fagulha Jogos; Arnaldo V. Carvalho, pedagogo coordenador do LabJog e o proprietário da Necto, Jorge Nolasco, idealizador do 1º Seminário Online de Jogos e Gamificação (jun/2020).

O “Encontro com Mentores ao Vivo: Jogos de Tabuleiros Modernos na Aprendizagem” acontece às 19h00 do dia 08 de julho (2020), ao custo simbólico de R$9,90. Inscrições podem ser feitas pelo Sympla:

https://www.sympla.com.br/encontro-com-mentores-jogos-de-tabuleiro-na-aprendizagem__892449

Live sobre Michel Odent na próxima quarta-feira

Nessa quarta (24/06/2020) estarei nessa live com a obstetra Heloísa Lessa, grande autoridade em parto ecológico do Rio de Janeiro. Conversaremos sobre mais um tema referente às contribuições científicas de Michel Odent para a humanidade: a enorme abrangência e alcance de seu pensamento.

Conhecido por sua atuação no cenário do nascimento, Odent, que completa 90 anos agora em julho, segue altivo na busca por formular perguntas cruciais à vida humana; Para tanto, combina os mais diversos campos da ciência de forma surpreendente.

Odent não se absteve de discutir acerca de polêmicas e propostas revolucionárias impressas em livros de diferentes áreas do saber. Como exemplo, menções surpreendentes ao Homo ludens de Huizinga, à medicina oriental e A função do Orgasmo de Wilhelm Reich constam em suas diversas obras.

Saberes não científicos, porém, por vezes seguem como base de inspiração para Odent filosofar em torno de dados recolhidos e analisados em pesquisas realizadas pelas grandes universidades do mundo. Seus pensamentos não tergiversam deixando pontas soltas ou sem afluírem para algo prático: tudo converge para uma necessidade, cuja urgência é anunciada de forma cada vez mais impactante, a cada livro que escreve, a cada palestra que oferece.

A quem deseja entender a atualidade do longevo cientista e professor, basta dizer que seu último livro, publicado em fins de 2017, utiliza em boa parte citações de trabalhos científicos com menos de dez anos – com uma amostra significativa de artigos publicados menos de um ano antes de sua escrita. Sempre foi assim.

Para uma humanidade que ainda tenta entender “quem somos, de onde viemos e para onde vamos?”, a obra de Odent despe o Homo de sua cultura e oferece pistas fundamentais acerca de nossa natureza e a escolha por respeitá-la – em nome da sobrevivência da espécie.

Vejo vocês lá!
ARNALDO

Quem é o opressor?

Bertold Brecht: Teatro e Poesia (Download)

Da Violência

Do rio que tudo arrasta se diz que é violento.

Mas ninguém diz violentas

As margens que o comprimem.

(Bertold Brecht – 1898-1956)

(Tradução do escritor português Arnaldo Saraiva (1939-)

Youtube de Arnaldo V. Carvalho: inscreva-se!

YTarnie.jpgCaros leitores,

Estou participando de um edital e preciso de inscrições no meu canal youtube! Lá sempre ofereço conteúdos variados, atualmente mais focado nos jogos de tabuleiro , mas com playlists diferentes, com músicas, saúde, educação… Se inscrever me dá força! http://www.youtube.com/c/arnaldovcarvalho

Um abraço de fé,

Arnaldo V. Carvalho

Qual é a melhor sala de cinema no Rio de Janeiro para assistir o último Star Wars (e seus outros filmes preferidos)?

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Nota prévia: esse artigo analisa como um todo a qualidade salas de cinema de Niterói e da Zona Sul e Zona Norte do Rio de Janeiro.

Parte 1: Sala especial? O que são exatamente? São diferentes? Vale a pena assistir Star Wars: Ascensão Skywalker numa delas?

Por Arnaldo V. Carvalho*

Ainda lembro da sensação. As luzes se apagam e logo após o icônico texto em scroll, o gigantesco cruzador espacial, maior nave do Império surge em 3D como detrás de nós na direção do espaço infinito da tela. Valeu cada centavo ter assistido ao Star Wars anterior (o “8”, “O Último Jedi”) na sala XD do Cinemark em Niterói, RJ! Big tela, resolução excelente, som excelente. O som aliás é capaz de reproduzir até mesmo o som de um objeto se deslocando de um lado para o outro. Isso faz uma incrível diferença lúdica nas incríveis batalhas à laser.

Como a tecnologia melhora a cada ano, mais uma vez fui ao encalço da melhor experiência visual, sonora e de conforto no Rio de Janeiro, que não fosse absurdamente longe de mim (sinto muito Barra da Tijuca), nem absurdamente cara (sinto muito cadeirinhas que tremem).

Na busca por encontrar o melhor, quebrei a cabeça no emaranhado de informações dispersas e superficiais na Internet, e finalmente entendi o que significa realmente o conceito de “sala especial de cinema” para as empresas. Independente da sala pertencer à UCI, Kinoplex, Cinemark, etc.: as empresas padronizam um “pacote” de recursos oferecidos e lhes dão um nome. Esse pacote inclui equipamentos de exibição melhores (projetor de vídeo, equipamento de som e suas caixas e distribuição), formato das cadeiras e seu espaçamento e a arquitetura geral da sala. Mas as diferenças são apontadas sempre de forma vaga. Qual então será a melhor sala especial para vermos Star Wars no Rio de Janeiro?

A resposta não é simples. Basicamente, porque há três fatores principais que influenciam no resultado final:

  1. A adequação da tecnologia de exibição à tecnologia utilizada para a gravação do filme;
  2. A adequação arquitetônica aos aparelhos;
  3. O fator presencial humano.

O fator 1 é: Star Wars: Ascensão Skywalker foi gravado com a tecnologia IMAX, e seu som é disponibilizado em mais de um formato (os principais são Dolby Atmos e Auro 11.1). Em tese, a melhor sala é a que oferece o máximo potencial de exibição que a própria gravação permite. Trocando em miúdos: não adianta colocar um filme gravado com tecnologia de última geração numa TV dos anos de 1980 e esperar fidelidade de som ou imagem. A tecnologia de exibição tem que acompanhar ao máximo a de reprodução. Então a priori, a melhor sala em termos visuais seria a IMAX, no UCI Barra da Tijuca. Mas como já adiantei, lá é longe para mim.

O fator 2 pode reduzir a experiência. O tamanho da tela, importante para que se favoreça a imersão do expectador, passa por aí também. É preciso que, para ter uma tela gigante, o aparelho dê conta de projetar sem perda de resolução. Em conversa com a professora da Escola de Cinema Darcy Ribeiro, minha amiga Renata Palheiros, ela explicou que por vezes a sala de cinema não está preparada adequadamente para os aparelhos de última geração que recebe, o que justifica diferença de desempenho entre salas diferentes usando os mesmos projetores. Será que a incrível sala IMAX da UCI consegue alcançar o máximo potencial da tecnologia de gravação do Star Wars? Testem e comentem aqui!

O fator 3, me explicou Renata, é que hoje não há projetistas profissionais que preparem a exibição dos filmes de modo personalizado. Um projecionista poderia fazer diferença na exibição de um filme, checando e adequando volume de som, brilho etc. de sala para sala. Com o aumento da tecnologia, essa é uma profissão praticamente extinta.

Talvez porque essa padronização de salas sofra variáveis dentro das unidades de uma mesma empresa parece haver uma espécie de “acordo secreto”, onde as empresas de compromete a falarem de forma superficial sobre as características dessas salas. Como saber quais são as diferenças reais entre as salas especiais? Isso explica porque qualquer tentativa de buscar a informação na Internet parece inútil, e as experiências relatadas em fóruns e redes sociais é uma verdadeira confusão de opiniões, para além de uma questão de gosto pessoal.

Quando assisti o Star Wars: Os Últimos Jedis, a sala XD do Niterói Plaza Shopping foi realmente incrível. Ela continua sendo top, mas esse ano não pretendo atravessar a Baía de Guanabara. Por aqui, na Zona Sul do Rio, há um concorrente de peso: as salas Kinoevolution, do Kinoplex, instaladas no Rio Sul. Como o Cinemark e sua sala XD, Kinoevolution promete tela gigante e som fabuloso. Essa será minha escolha essa ano, e depois conto para vocês.

Quer saber mais sobre as salas especiais do Rio de Janeiro e as tecnologias nelas empregadas? Na parte 2 escrevo detalhes sobre as tecnologias 3D usadas nas salas do Rio de Janeiro: IMAX, XD, XPLUS, Kinoevolution, etc., e na parte 3 bato o martelo sobre qual é a melhor sala, oferecendo de bônus uma tabela completa de salas, preços, horários e locais para você escolher a melhor opção!

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*Arnaldo V. Carvalho, pai, pedagogo, terapeuta, adora qualidade de vida, tecnologia, cinema e compartilhar descobertas com amigos!

Dia de chamamento.

Arnaldo V. Carvalho

Esse dia é um chamamento. É só um chamamento. Um chamamento aos irmãos de África, ao que há de África em você. Você sabe. És humano. Todos viemos de lá.

Mas você também sabe. Diferente de nossos mais antigos ancestrais nômades, desbravadores do globo, nossos irmãos de África viveram espalhamento forçado nos últimos 600 anos. Por todos os continentes, homens, mulheres e crianças, enviados em tumbeiros fétidos. Escravizados.

Nenhum território recebeu tantos como o nosso Brasil. 4,8 milhões, quase a metade do total de negros que vieram às Américas. Você sabe, nossos irmãos foram humilhados, torturados, tratados como bicho nenhum jamais fora tratado por seus semelhantes. Mas você sabe? Você consegue admitir?

Eles continuam sendo.

De muitos territórios da África, seguem emigrando, forçados pela fome, pelas guerras, pela miséria. Migram da África para todo lado. Por aqui, migram também: dos miseráveis interiores de um Brasil afroindígena para suas bordas mesquinhamente mais ricas.

A africanidade, porém, nunca deixou de ser e sempre será riqueza fundamental da humanidade. As histórias tristes que costumam nos marcar como “o que é África” não devem e não podem ofuscar tantas outras, tão diferentes e esplendorosa. Lembra-nos a escritora Chimamanda, a história única é um perigo! Lembra-nos a historiadora Nívia Pombo,  a África é um caleidoscópio de riquezas culturais, étnicas, linguísticas. Seus indivíduos têm o dom de construir histórias de vida plenas de significado humano.

Então é hora de voltar a reconhecer os irmãos e sua força, a origem comum, a humanidade.

Esse dia é um chamamento.

Negro não é cor da consciência que nos chama. Negra é a cor de tudo o que está sob a terra onde não bate a luz e as plantas vão buscar alimento. É a cor do inconsciente e da raiz que nutre a todos nós.

Eu quero trazer uma música para esse dia. Uma música de chamamento. Um hino. Pensei em “Carne” da Elza Soares.

Eu quero algo brasileiro, quero trazer a vocês uma cantora preta, poderosa, para a todos dizer: preta é poder!

Elza Soares, Teresinha de Jesus, Carmen Costa, Jovelina Pérola Negra; quem sabe Teresa Cristina ou Alcione, quem sabe Iza, Nara Couto ou Bia Ferreira (por favor, descubram esse nomes todos no Youtube, são fundamentais).

Aí vem minha infância branca de classe média e apartamento de bairro bom, amante dos brancos Beatles e Carpenters… E tudo o que não é brasileiro. Que teve mãe preta (que saudades, Antonieta!), “tratada com carinho” pela família (embora comesse só, na cozinha, embora seu quartinho fosse minúsculo, mal arejado e jamais pudera ser arrumado a seu gosto, tendo de dividi-lo com trapos e quinquilharias da minha avó). Ela era “minha”, minha “Tia Anastácia” pessoal –  a fazer bolinhos de arroz deliciosos e a me ameaçar com a colher de pau quando eu tentava furtar alguns antes de irem para mesa. Eu tinha mais prazer da ameaça falsa, da fuga da cozinha às risadas do que pelo bolinho. Naturalmente a minha segurança de patrãozinho branco revelava uma relação de poder impensável em minha visão de mundo atual. Foi esse mesmo Eu que teve seu primeiro amigo preto somente aos sete anos de idade, e que já rapaz jamais pensara um dia em se apaixonar por uma preta, “não por preconceito só não me atrai”.

A memória de quem já fui ainda se ancora em mim, e me tornou mais permeável à música americana. Então não me entenda mal, a música que oferecerei a você nesse dia de chamamento é americana. É aquela que me fez tremer pela primeira vez ao ouvir uma música. E ela é negra, feminina, poderosa, libertada/libertadora. É verdade, não me permiti tremer ante à força de uma música, antes de ouvir Nina Simone pela primeira vez. Quando digo tremer, é a catarse física mesmo, que começou por um arrepio na espinha, do dorso ao alto da cabeça, e em trechos dos braços e pernas; passou por um marejado de olhos e finalizou em tremedeira. Atribuo a tremedeira a um passo dado à uma importante ruptura de identificações estabelecidas no meu Eu.

Ain’t got no / I got Life marcou meu chamamento, há uns anos atrás. “Eu sou negro”, eu dizia ouvindo Simone dentro de mim, talvez iludido. “Eu sou negro!” “Somos negros!”, “Somos todos negros!”, “TEMOS DE SER NEGROS!”, “ENTENDI”!

Não há caminho, meus amigos. Porque não há negros. Não há brancos. Há oprimidos marcados pela forma. Os oprimidos devem e estão nos ensinando. Nos ensinando a nos Libertar – de verdade – por dentro e por fora.

A cor? A cor é uma construção das relações destrutivas de poder. Esse poder que cala corpos e polui a humanidade com a malévola névoa de diferenças pela aparência e escolhas. Como se houvesse mais de um tipo de humano!

Que possam ouvir Nina Simone em silêncio, estando só para ela. Que se permitam ao impacto. Que ela chacoalhe a alma de vocês e liberte. O que é nosso jamais poderá ser tirado de fato.

Arnaldo V. Carvalho, 20 de novembro de 2019.

***

Posfacio (ou agradecimentos às lembranças)

Este texto foi feito sob a permissão interna de uma chuva de lembranças distantes do meu passado. Apenas algumas relatada no escrito. Mas não posso deixar de agradecer por outras que me acompanharam no meu processo de escrita. Agradeço ao escotismo, com sua diversidade econômica e étnica presente no grupo no qual fiz parte, que me deu muitos amigos pobres e pretos (não lembro de um único amigo escoteiro preto que não fosse pobre). Minha amizade por eles me fez subir os morros e comunidades da cidade de Niterói, onde cresci. Salvou-me a acolhida negra dos amigos do hospital universitário onde minha mãe trabalhava. Pobres de grana, riquíssimos em amor, alegria, vida. Nadia, Cristina, Maurício, Antonio Carlos. O carinho do preto para com o molequinho branco não será esquecido. Obrigado amados amigos, onde quer que estejam. Acho que foi nessa época em que minha mãe aos poucos começou a me salvar do Apartheid que ainda acomete alguns conhecidos da infância branca por mim vivida.

Para você sempre saber qual é a música

Por Arnaldo V. Carvalho*

Tem hora que você quer saber qual é a música que está tocando na rádio, na rua, ou na sua cabeça. Bem, a tecnologia que está na sua mão pode te ajudar em qualquer circunstância! Seguem aqui 3 opções:

1) Identificador de música do Assistente Google (para o celular)

Aí você se encantou com uma música que está tocando no rádio do Uber em que você está. Mas quem está cantando? Qual é o nome?

Tem vários jeitos de saber! O mais fácil é pedir ao Assistente Google no seu celular (Android). Ativa ele e pergunta pro celular: “que música é essa?”. Ele vai “ouvir” a música e identifica-la para você!

Reprodução

Para saber mais sobre como usar esse recurso, vá no artigo original do Olhar Digital: https://olhardigital.com.br/dicas_e_tutoriais/noticia/melhor-que-o-shazam-como-identificar-musicas-por-meio-do-google-assistente/78636

2) Um app para o seu celular: Soundhound ou Shazam:

Esses são apps concorrentes, você baixa e aciona quando quer reconhecer uma música. Não sei dizer qual é melhor, nem se vencem o recurso do Google. Já usei satisfatoriamente o Shazam. Se você tem a experiência com algum deles, por favor escreva nos comentários que será útil para os leitores!

3) A música está só dentro da sua cabeça? Murmure ela para o Midomi!

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Eu fiz meu “hmm.. mmm” no Midomi e ele colocou a música certa (Eye in the Sky do Alan Parsons Project) como primeira opção!

Esse site é sensacional, e pode ser acessado direto do seu computador. Basta murmurar a música com hum-hum-hum ou nã-nã-nã… rs, e ele te retorna a música provável ou opções do que poderia ser… Sensacional!

Midomi também é uma rede social de “karaokê”. As pessoas podem gravar sua voz cantando “a seco” (voz pura), ou seu solfejo, ou mesmo fazer uma produçãozinha melhor. Assim é possível escutar muitas versões caseiras, espontâneas e amadoras das músicas que você gosta… Ou gravar as suas próprias.

* Arnaldo V. Carvalho, pai, pedagogo, terapeuta e entusiasta do compartilhar coisa boa ou que faz pensar.

 

Alma que não se esquece.

 

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– Esperou eu morrer para aparecer? Cretino.
– Puxa, Dona Ângela…
– Ó, não faz isso comigo não!
– Não faço… É que…

Não gostava de despedidas. Nenhuma delas.

E não gostava nada da ideia de partir.
Viver não é grande coisa, talvez algum código nas sombras de sua mente lhe repetissem continuamente. E daí que ela fugiu muito dela, por muitos meios.

O contato humano, contudo era a certeza da vida. E a salvava. Por isso a falta de contato sempre fora rejeitada, insuportável que era.

Sobretudo, na alegria dos filhos. Eles a ancoravam por aqui. O orgulho deles mostrado em cada bronca, a maioria dela falsa mas que ela jurava serem verdadeiras.

– Pim eu não quero saber.
– Ah Carol não vem com essa.

Ela ainda fala comigo, aqui dentro de mim. Esbraveja. Eu a abraço e tudo se desfaz. No final ela me perdoa por eu ter de deixa-la mais uma vez. E sei que, entre nós, está tudo bem. Sempre.

Dona Ângela, mãe do meu compadre, irmão espiritual querido, chegou e partiu desse mundo no mesmo dia – dia 5 de julho – e no mesmo local. Um ciclo que e fecha, e com muito desenvolvimento, redenção e beleza. (Arnaldo)

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