Unboxing: um ensaio

UNBOXING

Arnaldo V. Carvalho

O interfone toca, e Leonardo já sabe o que é. Aliás, ele já esperava há alguns dias. Imediatamente, desce o elevador, e pega a encomenda na portaria. Sobe de volta fingindo calma, quase podendo sentir o aroma do que o aguarda dentro da embalagem. Os dias que separaram o click final da compra daquele momento foram de pura expectativa.

Não, ele não abriria imediatamente. Precisava terminar seu trabalho. Precisava ter o tempo necessário a viver a experiência sem pressa, integralmente. Afinal, não foi para um rasgar de papeis e plásticos, tal qual um faminto devora qualquer coisa, que dedicou horas lendo resenhas, assistiu vídeos, trocou informações… Ele sabia da qualidade da marca, sabia do cuidado de quem criou esse produto. Ele já os admirava, de outras experiências. 

Esperou a noite, esperou as crianças serem pelas mãozinhas levadas por Morfeu ao doce sonhar. Esperou estar só ele e sua caixa. Não era uma encomenda qualquer.

  Um vinho.

   Um livro.

        Um CD.

.

Não. Era um sonho. Uma promessa. Um delírio.

Pegou seu estilete e cuidadosamente, removeu as fitas que sustentavam o envólucro em torno do objeto. Como um cirurgião hábil, despiu a caixa do papel pardo que o oprimia. As cores da caixa saltaram. A ilustração de seu artista preferido. O autor da obra assinalado no topo. Um gênio. A marca de confiança, ali, abaixo. A certeza do que era agora era o regozijo da presença. Mais uma vez o estilete, agora ainda mais cuidadoso: um fio de plástico foi criado em volta da tampa, de modo que ela pode ser aberta mantendo a segunda pele intacta, pronta para seguir protegendo, o interior, talvez por bom tempo. O aroma era inconfundível, mistura de madeira, plástico e papel novos. Aparentemente, tudo em ordem. A textura dos objetos foi sentida uma a uma: cubos de madeira; tabuleiro em material cartonado, dobrado em quatro partes; dados material translúcido; fichas, ainda unidas na matriz de corte, pedindo para serem destacadas. Ainda não havia decidido fazer isso naquele instante. Miniaturas sofisticadas em um cinzento que – quem sabe! – um dia tomará coragem e pintará. Lembrou dos amigos, imaginou o personagem que cada um gostaria de utilizar. Pegou o manual, tão belo! Sem comparações com o PDF prévio que havia lido. Tê-lo em mãos. Passar da introdução diretamente aos créditos, sem deixar de admirar as ilustrações. Sim, ele iria destacar as fichas. Ao menos parte! Sempre há risco de uma ficha se desprender “mal” e isso lhe causar algum dano. O estilete. Assim. Pouco a pouco, elas se dispersavam sobre a mesa, junto dos componentes e da insígnia de primeiro jogador – que aliás tinha igualmente uma arte especial, tão temática! Naquele dia, a experiência já estava completa. Não. Precisava ver montado. Um setup inicial, ou ao menos uma prévia desse. Abriu o tabuleiro no meio da mesa. Majestoso. Quantos detalhes. Um trilho de pontos de vitória. Parece que essas áreas devem receber os personagens. Colocou, quase aleatoriamente, alguns aqui e ali. Experimentou os dados. Sim, foi uma boa compra. Pediu do fundo da alma para que o domingo não demorasse a chegar, e seguiu feliz guardando tudo de volta na caixa, com amor de criança e cuidado de adulto. Deixou a caixa adormecer na mesa, sem coragem de colocá-la na estante naquela noite. E foi se recolher.

Escrito por Arnaldo V. Carvalho

O interfone toca, e Leonardo já sabe o que é. Aliás, ele já esperava há alguns dias. Imediatamente, desce o elevador, e pega a encomenda na portaria. Sobe de volta fingindo calma, quase podendo sentir o aroma do que o aguarda dentro da embalagem. Os dias que separaram o click final da compra daquele momento foram de pura expectativa.

Não, ele não abriria imediatamente. Precisava terminar seu trabalho. Precisava ter o tempo necessário a viver a experiência sem pressa, integralmente. Afinal, não foi para um rasgar de papeis e plásticos, tal qual um faminto devora qualquer coisa, que dedicou horas lendo resenhas, assistiu vídeos, trocou informações… Ele sabia da qualidade da marca, sabia do cuidado de quem criou esse produto. Ele já os admirava, de outras experiências. 

Esperou a noite, esperou as crianças serem pelas mãozinhas levadas por Morfeu ao doce sonhar. Esperou estar só ele e sua caixa. Não era uma encomenda qualquer.

  Um vinho.

   Um livro.

        Um CD.

.

Não. Era um sonho. Uma promessa. Um delírio.

Pegou seu estilete e cuidadosamente, removeu as fitas que sustentavam o envólucro em torno do objeto. Como um cirurgião hábil, despiu a caixa do papel pardo que o oprimia. As cores da caixa saltaram. A ilustração de seu artista preferido. O autor da obra assinalado no topo. Um gênio. A marca de confiança, ali, abaixo. A certeza do que era agora era o regozijo da presença. Mais uma vez o estilete, agora ainda mais cuidadoso: um fio de plástico foi criado em volta da tampa, de modo que ela pode ser aberta mantendo a segunda pele intacta, pronta para seguir protegendo, o interior, talvez por bom tempo. O aroma era inconfundível, mistura de madeira, plástico e papel novos. Aparentemente, tudo em ordem. A textura dos objetos foi sentida uma a uma: cubos de madeira; tabuleiro em material cartonado, dobrado em quatro partes; dados material translúcido; fichas, ainda unidas na matriz de corte, pedindo para serem destacadas. Ainda não havia decidido fazer isso naquele instante. Miniaturas sofisticadas em um cinzento que – quem sabe! – um dia tomará coragem e pintará. Lembrou dos amigos, imaginou o personagem que cada um gostaria de utilizar. Pegou o manual, tão belo! Sem comparações com o PDF prévio que havia lido. Tê-lo em mãos. Passar da introdução diretamente aos créditos, sem deixar de admirar as ilustrações. Sim, ele iria destacar as fichas. Ao menos parte! Sempre há risco de uma ficha se desprender “mal” e isso lhe causar algum dano. O estilete. Assim. Pouco a pouco, elas se dispersavam sobre a mesa, junto dos componentes e da insígnia de primeiro jogador – que aliás tinha igualmente uma arte especial, tão temática! Naquele dia, a experiência já estava completa. Não. Precisava ver montado. Um setup inicial, ou ao menos uma prévia desse. Abriu o tabuleiro no meio da mesa. Majestoso. Quantos detalhes. Um trilho de pontos de vitória. Parece que essas áreas devem receber os personagens. Colocou, quase aleatoriamente, alguns aqui e ali. Experimentou os dados. Sim, foi uma boa compra. Pediu do fundo da alma para que o domingo não demorasse a chegar, e seguiu feliz guardando tudo de volta na caixa, com amor de criança e cuidado de adulto. Deixou a caixa adormecer na mesa, sem coragem de colocá-la na estante naquela noite. E foi se recolher.

*Arnaldo V. Carvalho, pedagogo e terapeuta, é um estudioso da aprendizagem e das subjetividades humanas em torno do lúdico e dos jogos de tabuleiro.

Não são de Paulo Freire

Frase e poema a ele atribuídos não são deles.

Não é dele.

A bela citação “a educação não muda o mundo, a educação muda as pessoas, as pessoas mudam o mundo” NÃO É de Paulo Freire. É de Carlos Rodrigues Brandão. Segundo o Instituto Paulo Freire (IPF), a referência correta é: BRANDÃO, Carlos Rodrigues. Minha Casa o Mundo. Aparecida-SP: Ideias & Letras. 2008, p. 164.

Sesc São Paulo - Ciclo Educar Hoje - Carlos Rodrigues Brandão | Facebook
Carlos R. Brandão

Na real, a frase de Brandão, na íntegra, é:

Paulo sabia bem que por conta própria a educação não muda o mundo. A educação
muda as pessoas. As pessoas mudam o mundo
.

Pelo menos foi assim que a encontrei em outro livro de Brandão (esse eu tenho), “Paulo Freire, educar para transformar: fotobiografia”, publicado pela Mercado Cultural em 2005.

A confusão, no entanto, não é a toa. Carlos R. Brandão (1940-), livre docente da UNICAMP, é um importante educador Freireano. Eu o li algumas vezes. Na primeira, anos atrás, no livrinho de bolso da Coleção Primeiros Passos “O que é Método Paulo Freire”. Para a educação, Brandão escreveu ainda nesta coleção “O que é educação”, “o que é educação popular”, e ainda “O que é Folclore”. Mas ele escreveu dezenas de livros, sobre a educação amorosa, pacífica e crítica. E sobre Paulo Freire – com certeza! Desde o retorno ao exílio Brandão foi amigo de Paulo Freire e com ele fez muitas viagens.

Ele dá um recado interessante nesse vídeo:

“A Escola”

O poema “A Escola” também não é dele. Segue a resposta original do IPF:

  • De acordo com os filhos de Paulo Freire, esse poema não foi escrito por ele e sim por uma educadora que estava assistindo a uma palestra dele. Com base no que ouvia, ela foi escrevendo o poema utilizando frases e ideias de Freire. No final da palestra aproximou-se dele e lhe entregou o papel, sem se identificar. Freire nunca publicou esse poema em nenhum de seus livros, embora suas ideias sobre a escola tenham sido captadas pela autora e traduzidas no poema. 

Seguem aí meus amigos, mais uma libertação da verdade, pelo fim dos apócrifos. Não precisamos de falsas autorias, por propósito algum. Precisamos, por outro lado, conhecer a verdadeira assinatura por trás das escritas ou as fontes confiáveis, a fim de que o estranhamento seja o primeiro passo para a a verdade.

Arnaldo V. Carvalho, pai, escritor, educador, terapeuta e caçador de apócrifos nas horas que não tem.

Terapia ética-responsável: o “Shiatsu Emocional Reichiano Biodançante” de Hirã Salsa

La Danse (Matisse) – Wikipédia, a enciclopédia livre
Fonte da foto: Wikipedia. Ver: https://pt.wikipedia.org/wiki/La_Danse_(Matisse)

Quero apresentar a vocês um pouco do trabalho de Hirã Salsa, que conjuga em sua formação essas “três frentes” poderosas de terapia: a Biodança, o Shiatsu Emocional e a Massagem Reichiana. Segue o fio!

Terapia ética-responsável: o “Shiatsu Emocional Reichiano Biodançante” de Hirã Salsa

Por Arnaldo V. Carvalho

La Danse, quadro de Matisse, foi eleita por Rolando Toro – criador da Biodanza – como símbolo da expressão coletiva, da alegria de viver, da importância da conexão para a existência plena, animal social que todo ser humano é. Não se pode reconectar apenas com a mente, sem a experiência “de corpo completo”, não se encontra caminho, na mente/linguagem, para a reconexão com essa forma de existir. Por isso a Terapia Reichiana vai além do verbo; o Shiatsu Emocional vai além do verbo; e a Biodanza (Biodança) vai além do verbo. Quanto a isso, estamos todos atentos, com você pode ler neste texto, escrito há quase dez anos: https://arnaldovcarvalho.wordpress.com/2012/05/01/um-tempo-para-o-corpo-e-para-o-coracao/. Uma boa terapia vale a pena, vale MUITO a pena! Mas claro, ela depende, como toda atividade humana, da qualidade do encontro. Isso é algo que o bom terapeuta precisa saber conduzir. E sem dúvida, formações relacionadas a Reich, incluindo o Shiatsu Emocional e a Biodança, ajudam muito nessa qualidade. Um pouco mais sobre essas terapias:

Terapia Reichiana e Massagem Reichiana: Wilhelm Reich, médico, cientista e psicanalista, foi o precursor das chamadas psicoterapias corporais. Ele percebeu que o material emocional reprimido nas pessoas sempre está presente e contido no corpo, e que os desequilíbrios fixados impediam a natural autorregulação dos sujeitos. Desenvolveu uma série de teorias e práticas que influenciaram a maior parte das psicoterapias corporais surgidas, como a Biossíntese, Biodinâmica, a Gestalt, a Bioenergética, a Biodança, o Shiatsu Emocional, dentre outras. Reich deu nome a três técnicas distintas de seu trabalho (que também caracterizam suas fases de pesquisa): a Análise do Caráter; a Vegetoterapia; e a Orgonoterapia. A chamada Terapia Reichiana é uma proposição metodológica baseada em autores que foram alunos ou pacientes de Reich – em especial Elsworth Baker; ou seus seguidores diretos; Podem utilizar, com diferentes ênfases, cada uma dessas fases. A Massagem Reichiana é uma técnica dentre outras muitas técnicas da Terapia Reichiana, mas pode ser realizada de modo independente do restante.

Shiatsu Emocional: a terapia japonesa Shiatsu é revista em sua teoria e prática, sob um olhar terapêutico fortemente focado nas emoções, e sob influência do pensamento reichiano. O trabalho utiliza a fala como forma de emersão superficial de conteúdos, que serão trabalhados em profundidade no contato corporal com Meridianos e Couraças. Ver mais

Biodanza (ou Biodança): Trabalho de grupo, com forte alinhamento às teorias reichianas, especialmente no conhecimento das couraças psíquicas inibitórias que se refletem no corpo. A Biodança utiliza música, expressão e interação humana para que as pessoas possam vivenciar, em ambiente seguro, o não vivenciado (e/ou o reprimido) , amadurecer e enfim tornar a vida fluida.

Três terapias que propõem, de diferentes formas, a resgatar uma habilidade latente porém por vezes adormecida, ou mesmo entorpecida, que é a de conectar com a vida. Três terapias que se completam, se potencializam na figura de um terapeuta único, sobre o qual desejo falar: Hirã Salsa.

Hirã Salsa

Anos atrás, recebi em uma palestra sobre Shiatsu e Ansiedade o atual professor de Shiatsu e facilitador de Biodanza Hirã Salsa. Em transição de vida e carreira, Hirã abraçou o Shiatsu, o Shiatsu Emocional, e com ele o mundo das psicoterapias corporais. De lá para cá, quantas vivências! Diversos cursos de Shiatsu Emocional comigo, aprofundando-se a cada um deles, indo às atividades dedicadas a quem já compreende e pratica o Shiatsu com maestria, fazendo a formação de professores. Hoje, é professor na Shiem – Escola de Shiatsu, a escola oficial de Shiatsu Emocional. Uma biblioteca inteira lida e por vezes discutida comigo; uma vivência incrível em Biodanza com a facilitadora didata (é como chamam pessoas de grau elevado nesta terapia) Gleice Marcondes; o Sotai com Arturo Valenzuela; a formação em Massagem Reichiana com meu antigo professor Sylvio Porto, incrível e orgulhoso de radicalizar nos pressupostos de Wilhelm Reich, o pai das psicoterapias corporais.

Hirã vive o desafio de agarrar-se a vida e ao prazer de viver “apesar de”. Como todos, é gente, é humano, tem suas angústias, tem seus obstáculos. Hirã não precisa esconder nada disso em terapia. Vive os processo com o Outro, não é um “Guru” tentando dizer como o outro deve ser, nem um “terapeuta-porta” que se faz hermético. Hirã também não vive a farsa típica de fingir, diante do Outro, ser figura indefectível. E essas são bases sólidas de sua terapia, ética-responsável, verdadeiro “Shiatsu Emocional Reichiano Biodançante”.

Como todo terapeuta que utiliza responsavelmente o Shiatsu Emocional, Hirã se permite o apenas ser quem é. Como todo facilitador de Biodanza, é quem é e é comprometido com a Vida. Como todo reichiano, reconhece que as transformações psíquicas são oriundas de um processo que não pode ser forçado a base de técnicas de extravasamento ocorridas sem uma estruturação devida.

Em suma, Hirã é uma indicação certa para uma terapia individual de continuidade (com forte base em Shiatsu Emocional), ou para uma terapia coletiva vivencial (Biodanza), ou ainda, para quem deseja aprender o Shiatsu e o Shiatsu Emocional.

Recomendo a todos os que vivem em Niterói ou Rio de Janeiro e buscam uma terapia, no intuito de tornarem suas existências mais significativas, de encontrarem recursos de harmonização com o meio ou simplesmente, fazer o dia a dia ser melhor, mais saudável e conectado com a Vida. Os contatos seguem nas imagens de chamada:

Arnaldo “de Barros”: haicais serelelepípedos

Arnaldo “de Barros”: haicais serelelepípedos

O vento mugiu feliz, ao atravessar o capim fresco.
(Arnaldo V. Carvalho)

*

Em paz, o sol contemplou o pôr-da-humanidade.
(Arnaldo V. Carvalho)

*

A formiga comprou uma cigarra, acendeu e seguiu trabalhando, certa de que o prometido inverno jamais lhe chegaria.
(Arnaldo V. Carvalho)

03/08/2021

Amo Manoel de Barros! E você? Gostou de algum nessa pequena homenagem? Repasse! Tens os seus? Coloque nos comentários!

Abraços, Arnaldo

*

Sobre meu capítulo no super livro “Brincar e Educar”

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O capítulo sobre jogos de tabuleiro passa por uma rápida diferenciação entre os jogos de tabuleiro e suas versões mais atuais, construídos sob as premissas de design de jogos de tabuleiro, surgida na virada do século XX para o XXI, e então entra na pegada prática, de como se utilizarem os jogos em educação. A ideia é apontar para o básico do que se preocupar para que os jogos sejam uma ferramenta bem utilizada e aprendentes e educadores possam viver uma experiência recompensadora de ensino-aprendizagem através deles. Adiciono ao capítulo um vídeo especial, acessado a partir de um QR Code incluso no próprio livro, com conteúdos complementares a este. Acho que no final ficou uma experiência introdutória proveitosa para aqueles que estão começando a perceber o poder dos jogos de tabuleiro em educação.

O geral do livro

Este livro compõe a incrível coleção da Editora Supimpa, toda focada em educação lúdica.

Como a própria editora apresenta em seu site:

 A obra nasce da nossa inquietação em apresentar caminhos para uma educação mais lúdica e que possa priorizar as experiências significativas para o desenvolvimento daquele que brinca, para todos! 

No sumário, vê-se que são muitos os autores e temas, o que justificam as 350 páginas em formato A4:

Sumário – Autores

O brincar na sua essência (André Barros) / Interesses culturais para o brincar e o educar (Luiz Pina) / Jogos comperativos (Arnaldo Villa) / Brincadeiras psicomotoras (Elma Veloso) / Jogos de tabuleiro (Arnaldo Carvalho) / O brincar (Marina Capistrano) / Brincadeira, jogo ou esporte? (Fabricio Monteiro) / A riqueza do simples brincar (Luciane Farias) / Brincando para o futuro (Jouener Araújo) / Práticas holísticas na escola (Cristiane Pelozato) / O Brincar livre e a natureza (Vanice M. Godines) / O jogo como ferramenta terapêutica (Vânia Durão) / Quem quer brincar põe o dedo aqui (Sandra Bittencourt) / O brincar na Educação Infantil (Fabiana Vieira) / O brincar em Festas (Tiago Nunes) / Jogos cooperativos (Veronica Rikansrud) / O brincar (Luis Veneziani) / Brincar desde cedo (Vera Melis) / Contação de histórias inclusiva (Cleide Almeida) / Brinquedo natureza (Alex Alves) / O novo desafio da recreação (Emerson Dorigatti) / Recreação em Piscinas (Virgilio Abrahão) / Analogias e metáforas na educação (Luciana Moreira) / O brincar na primeira infância (Jérsica Kuhn) / O faz de conta e o Aprender (Fernando Nery) / A sinestesia da arte no brincar (Fabiana Temponi) / Onde queremos chegar com a educação? (Rafael Pontes) / O lúdico que habita em mim (Joice Santos) / Caça ao tesouro geográfico (Mirella Rosenberger) / Integração espontânea (Gabriel Teixeira) / O brincar como inspiração pedagógica (Cecilia Prando) / O brincar, a psicomotricidade e a educação (Luciana Imperador) / O imaginário e as narrativas infantis (Luciana Souza) / Se aprende língua estrangeira brincando? (Jéssica Xavier) / O brincar na família (Leticia Garcia) / Jogos de mesa inclusivos (Priscila Ribeiro) / Eu brinco, tu brincas e nós brincamos (Bruno Rossetto e Carmen Lopes) / O brincar da cultura afro-brasileira (Hugo Victor) / A recreação na espiritualidade (Gleison Ribeiro) / O brincar e a cultura (Camila Evelyn) / A história da boneca de pano negra (Mirela Arruda e Rita de Cássia) / Percepção visual na infância (Amalia Cardoso) / A intencionalidade pedagógica no brincar (Dirce Soares) / O professor como agente transformador (Mindrea) / A autoestima das crianças em vulnerabilidade social (Anderson Caetano) / Aprender, brincar e incluir (Marli Vizim) / O brincar livre e a natureza (Tatiane Teixeira) / Os jogos a as habilidades psicomotoras (Cristiane Nunes) / A música na aprendizagem infantil (Julio Anderson) / Estimulação psicomotora na escola (Vivian Mazzeo) / Obesidade infantil no Brasil (Everton Silva)

Uma inovação do livro é que ele acompanha, utilizando QR Code, 60 vídeoaulas com conteúdos gravados pelos autores em seus capítulos.

Brincar e Educar pode ser adquirido diretamente na editora, em:

https://brincadeirasejogos.lojavirtualnuvem.com.br/produtos/brincar-e-educar-conceitos-praticas-e-inspiracoes/

É projeto.

– É projeto.

– Não, para. Apenas uma terrível coincidência. De fato o incêndio do Museu Nacional é algo triste, mas daí a dizer que é projeto? Não.

– É projeto.

– Olha só, isso não tem nada a ver. Foi comprado medicamento mas a imprensa quer desacreditar. Além disso tem muita coisa aí que tem sido plantada pelos comunistas. Genocidas são eles!

– É projeto.

– Querem colocar a culpa em quem? Os indígenas nem eram para estar ali.

– É projeto.

– Nada a ver. Os fazendeiros agora tem o direito de proteger suas terras e o governo só quis enaltecer esse benefício. Você não defenderia seu lar se pudesse?

– É projeto.

– Cinemateca? O que é isso?

ESTAMOS VIVENDO UM INTERMINÁVEL PROJETO DE 4 ANOS.
4 ANOS DO DIA DA MARMOTA ASSASSINA, TODOS OS DIAS.
FREIEM O MONSTRO. QUEBREM A MALDIÇÃO. VOTEM DIFERENTE.
ARNALDO V. CARVALHO

O futuro online dos editores vetoriais… chegou

Para todos os gostos e bolsos, plataformas de edição de imagens e desenhos vetoriais sofrem pipocam em toda a parte e prometem simplicidade e funcionalidade

Por Arnaldo V. Carvalho*

Ferramentas profissionais como Corel Draw e Adobe Ilustrator terão de conviver com uma miríade de plataformas online que prometem disponibilizar todas as funções básicas necessárias a confecção de ilustrações, gráficos e imagens vetoriais.

Uma alternativa aos programas caros e complexos, essas plataformas ainda tem a vantagem de não pesar na memória e processamento do computador, e assim pode ajudar também quem tem uma configuração de hardware mais limitada. Pelo mesmo motivo, também podem ser operadas em qualquer máquina com Internet – o que ajuda em trabalhos colaborativos. Não requerer instalação também é uma vantagem.

Conheça agora uma seleção dessas ferramentas gratuitas ou com versões gratuitas, que fiz especialmente para quem está buscando conhecer esse tipo de plataforma:

1. DESYGNER

Para pequenas peças destinadas às redes sociais, a versão gratuita serve perfeitamente. Importe uma imagem, adicione um pequeno texto e efeitos. E pronto. A ferramenta de desenho cumpre o básico. No Desygner, aparentemente, tudo gira em torno dele tentar vender as funcionalidades pagas, em especial os templates super legais.

Em meu teste achei que a principal vantagem é o botão “Share”, que você pode usar a qualquer momento da sua edição e já disponibilizar seu trabalhinho em todas as suas redes sociais.

2. VECTR

Já tem mais cara de editor profissional, e conta com uma interface limpa, bem funcional. Em cinco minutos já havia conferido as principais funcionalidades, é mesmo uma plataforma incrível e fácil de usar. Após concluir sua arte, você pode salva-la em seu computador, em .SVG, .PNG ou .JPG. Mas ele é bom para quem quer mesmo desenhar: não há templates, mostras ou figurinhas pré-prontas. Outra coisa legal dele é que cada arte sua fica em um endereço web compartilhável. Isso quer dizer que você pode desenhar e ser visto “em tempo real” por alguém que você queira, basta compartilhar o link. Assim, sessões coletivas de desenho, ou mesmo o uso do Vectr como vitrine de um artista que está trocando informações com seu contratatante é possível. Finalmente, eles prometem que a versão básica disponível será GRATUITA PARA SEMPRE (segundo a plataforma há pretenção de uma versão pro mas o que está hoje disponível veio para ficar).

3. FATPAINT

Esse editor gratuito permite que você, após concluir sua arte, a disponibilize para lojas virtuais que podem utiliza-la na confecção sob demanda de camisetas, bonés, canecas, etc… E assim o “dono” da arte já pode sair ganhando dinheiro!

Infelizmente não deu para testar, pois ele exige o Adobe Flash Player para rodar no navegador, e recentemente deixei de usa-lo.

4. Gravit

Esse é o queridinho da vez. Investiram pesado em marketing e a plataforma está se espalhando rápido. Muito fácil de usar, cheia de templates desde a versão gratuita, você exporta a sua arte uma vez que adquira a “versão pro” por R$100,00 (06/10/2020). Eu diria que vale cada centavo, especialmente comparado a outros sites e na comparação de custos com os softwares profissionais. Se tudo o que você precisa é de uma plataforma rápida de criação de chamadas, logos, banners etc. para seus eventos, redes sociais, cursos e demais atividades, pode ser mesmo uma excelente opção. AH, sim! Já tem em português!

Aqui estão as diferenças entre a versão gratuita e a paga.

5. SVG Editor (da Catscarlet)

Uma programadora ou um programador da China (Catscarlet) disponibilizou um editor vetorial gratuito online, com código aberto (opensource). Por enquanto ele é bem basicão, mas já conta com uma série de possibilidades. Até onde vi, é prático de operar, mas limitado por exemplo no uso de fontes de letras, dentre outras questões. De qualquer forma, compete com os demais serviços. Se você quer algo simples e ao estilo “quero me virar com a vida digital livre”, vale o teste!

6. YouIDraw

Me impressionei bastante com as possibilidades artisticas desse editor online. Gratuito. Mais um que tem a encrenca das fontes de letras (teoricamente ele importaria mas não consegui nada), o que o torna mais próprio para desenho e pintura. Há uma versão paga (sistema de assinatura mensal) para você poder exportar arquivos em formato vetorial (na gratuita é possível exportar em .PNG). O banco de templates dele é muito bom e há múltiplas possibilidades de pinceis, cores, camadas, conversão para curvas, etc., etc.

No fim, fico entre ou YouIDraw e o Gravit. E você?

Depois me conte. Um abraço, Arnaldo

* Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, pedagogo, não é artista mas é pai de artistas, e vive procurando alternativas que o ajudem a se virar quando precisa.

Caçador de apócrifos de citações lúdicas (1)

Não, Platão não falou sobre jogar para conhecer alguém

Por Arnaldo V. Carvalho*


Pois é. Quem estuda ludicidade e jogos de tabuleiro está sempre a citar grandes pensadores da humanidade… Mas sem checar. Já tem tempo que implico com isso, como sabem…

Então vamos à algumas das mais famosas que, em exame, percebe-se serem falsas ou terem sido “forçadas”:

"Você pode descobrir mais sobre uma pessoa em uma hora de jogo do que em um ano de conversa". (atribuída a Platão)

De acordo com o site americano de verificação de citações “Quote Investigator“, a autoria é falsa. Eles explicam que a menção a essa frase, embora pitoresca, nem positiva é: em 1670 o manual de conduta “A Letter of Advice to a Young Gentleman Leaveing the University Concerning His Behaviour and Conversation in the World” [Uma carta de conselho a um jovem cavalheiro que deixa a universidade sobre seu comportamento e conversação no mundo], escrito pelo reverendo Richard Lingard, refere-se (negativamente) aos jogos de azar.

Cópia do livro republicado em 1907, explica que esse foi o primeiro livro publicado em Nova Iorque! Um manual de conduta dedicada a Lord Lanesborough, recomendando entre outras coisas a moderação nos jogos**.

Traduzo aqui o trecho onde se encontra a frase original, que aos poucos foi se modificando, passou por citação sem autoria, e em algum momento atribuiu-se a Platão:

Fique atento ao jogar dados ou jogos de azar com frequência ou de forma intensa, pois isso é mais cobrado do que os sete pecados mortais; você até pode se permitir uma certa quantia que seja tranquila para gastar no jogo, agradar os amigos e passar as noites de inverno, e isso o tornará indiferente ao evento. Se você observar a disposição de um homem ao vê-lo jogar (apostar), então aprenderá mais sobre ele em uma hora do que em sete anos de conversa, e pequenas apostas irão o levarão rapidamente às grandes quantias, quando então ele estará fora da proteção do Senhor.

Tradução livre do excerto citado no Quote Investigator, por minha autoria (Arnaldo)

Para dar crédito à dúvida, ainda busquei pelos textos de Platão disponíveis em língua portuguesa, e nada encontrei. O estudo do Quote Investigator, portanto, me parece completo, é fantástico e merece a leitura. Mas o básico aí está.

***


* Arnaldo V. Carvalho, pedagogo e terapeuta, estuda jogos de tabuleiro e suas aplicações educacionais. Seu mestrado em educação pesquisa o chamado “professor do tabuleiro”, ou seja, educadores que hoje se encontram envolvidos com abordagens pedagógicas lúdicas, com ou baseadas em jogos não eletrônicos.

** Em inglês, há uma diferença importante entre jogo (game) e jogar (play), sendo jogo [game] tanto substantivo como verbo; quando verbo, ainda mais no contexto em que o texto foi escrito, o jogo é especialmente associado ao jogo de apostas ou de azar.