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Posts Tagged ‘arnaldo v. carvalho’

Há cerca de vinte anos, comprei em um sebo um velho livro, bem rabiscado, e com um pequeno recorte de jornal nele esquecido. Por algum motivo, nunca o tirei de lá. Mas também não me interessei a ler.

Recentemente, busquei uma referência nesse velho volume, e dessa vez, o fragmento não passou incólume. Era uma pequena nota de Joyce Pascowitch falando da livreira esotérica Lili Guimarães (1946-), então dona da Livraria Spiro (fechada há alguns anos). Após apresentar a empresária ao público, Pascowitch fez aquelas perguntinhas rápidas, que por vezes trazem pérolas preciosas. No momento, deixo vocês com apenas uma:

A busca mais perfeita é aquela…

– Que garimpa o amor.

Assim disse Lili Guimarães.

(Arnaldo)

PS: A coluna de Joyce trazendo um pouco de Lili Guimarães foi publicada na Folha de São Paulo, em 1996, e está disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/1996/12/29/mais!/1.html

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Despido ao público

Encenação baseada nos diários do fotógrafo Alair Gomes chega à sua última semana no Teatro Laura Alvin (Rio) emocionando a plateia

Por Arnaldo V. Carvalho*

Estive no último final de semana e recomendo a todos – independente de convicções sexuais, de conhecimento acerca da fotografia e da obra de Alair Gomes. Aliás, elegante,  e extremamente atual, “Alair” convida a se conhecer um pouco da personalidade do internacionalmente mais famoso fotógrafo brasileiro: Alair Gomes.

Se a proposta é interessante, a dramaturgia é uma pérola, do texto, passando pela luz, à interpretação apaixonada de Edwin Luisi.

Tudo isso está disponível apenas até domingo no pequeno e charmoso teatro da Casa de Cultura Laura Alvin, no coração de Ipanema.

“Alair” é sobre o corpo, o masculino, a paixão e a negação dos sentidos que nossa sociedade vive. Em 70 minutos, a plateia imerge no ritual hedônico de uma vida inteira, cuja leveza insustentável culmina em lágrimas e palmas pela força do personagem vivido por Luisi. Seu texto, construído a partir de registros de viagem e notas de diário pessoal de Alair Gomes, narra seu encantamento pela beleza energética do jovem masculino, suas formas e nuances. Ao longo da peça, apenas homens em cena. Todos são Alair, de algum modo: Alair e seus vislumbres.Image result for "alair gomes"

A escolha do roteiro é impecável: apresenta Alair, leva-o para sua viagem à Europa, mostra suas impressões de mundo a partir destas, e volta novamente ao Rio de Janeiro onde ele vive suas paixões artísticas, sexuais e afetivas.

Passeia, aos poucos por contrastes, do deleite à solidão, da luz nos olhos ao horror captado por uma alma de rara sensibilidade. Um exemplo: ao mesmo tempo que admirar com os próprios olhos a estátua de Davi mostra-se uma experiência divisora de águas, um encontro com a própria natureza Divina,  sua passagem pela Itália lhe leva ao Coliseu, onde Alair sofre e revela seu horror à violência, e à destruição do corpo humano, da vida, amplificada pela destruição em caráter de espetáculo.

Não pude nesse momento deixar de me remeter à paixão do pintor Renoir pela pele, pela beleza do corpo, e pela luz e sombra… Talvez porque o feminino seja o foco de Renoir, e o masculino o de Alair, no primeiro abundam as cores, no segundo, os tons e matizes entre o branco e o negro não permitem qualquer dispersão para além do objeto retratado. Objeto este que se torna puro desejo.

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Enfim, a peça tem ares de monólogo, embora o protagonista, interpretado por um ícone do teatro e da televisão brasileira, conte com a presença dos jovens André Rosa e Raphael Sander, a cumprir de forma irreprimível seus seus papéis múltiplos como “os rapazes de Alair”. A escolha dos dois foi acertadíssima: Rosa exibe um corpo praiano, esculpido, cabeleira típica dos anos 80, é o masculino a negar o próprio narcisismo. Sander representa os que embarcam na trip de Alair, seduzidos mas ao mesmo tempo, iludindo e desiludindo o fotógrafo.

As cenas reproduzem de forma natural, e com belas passagens de cena, algumas das mais conhecidas fotos e sequências de Alair Gomes. Sua iluminação limpa de cores respeita a própria concepção de uma fotografia que procurou salientar detalhes corporais e enaltecer cada milímetro do corpo. Remete à sutileza, ao desejo, enquanto revela, constrói e joga os personagens em luzes e sombras, tal qual se caracterizava o trabalho fotográfico do artista.

Quem assistir perceberá um trabalho primoroso, de imenso respeito à Alair Gomes, sua vida e sua obra. Ao mesmo tempo, é uma ode ao masculino, a beleza da forma, o sagrado, e à juventude. A cereja do bolo é a consequência dramática de tanta paixão, que se constrói ao longo da trama-em-torno-de-si-mesmo de Alair… e denunciará a sociedade repressora e as negações experimentadas por quem nela é criada (é assistir para descobrir).

 

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Na noite em que estive lá, Edwin Luisi, visivelmente comovido, fechou sua atuação nos contagiando com seu pedido, para que ajudemos a peça, que não conta com patrocínio algum, a encher o teatro.

     – Com todo o prazer, Luisi! E salve Alair!

*  * *

PARA SABER MAIS E IR À PEÇA:  http://www.casadeculturalauraalvim.rj.gov.br/programacao/alair/

 

*Arnaldo V. Carvalho é terapeuta, estudante de pedagogia, e adora compartilhar o que vê e gosta.

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Por Arnaldo V. Carvalho*

Pois é amigos,

Fazia tempo que não postava mais “Dicas de computador” aqui. Agora é uma dica de celular. Dá quase no mesmo. Fato: recentemente restaurei o celular para as configurações de fábrica, retornando o aparelho ao “zero”. Claro que fiz backups de tudo… Bem, QUASE tudo. E o pouco que não fiz (mensagens SMS) depois se revelaram importantes para mim.

Na tentativa de recupera-los (até agora não bem sucedido e com poucas esperanças), enveredei pelo mundo dos programas de computador, aplicativos de celular etc., que prometem recuperar dados perdidos em todo o tipo de situação: apagados por acidente, celulares danificados, e mesmo celulares “formatados” como o meu.

Vou aqui dar dicas para você não deixar acontecer o que houve comigo, a corrigir falhas simples, e adiantar caminho, pois consultei dezenas de páginas, fui a vários fóruns, experimentei um monte de “soluções” e deu para entender algumas coisas:

  1. Se você só apagou algo sem querer, ou se arrependeu, provavelmente conseguirá recuperar (desde que não tenha passado muito tempo, e/ou você já tenha feito muita coisa no seu celular – é isso o que faz com que apague em definitivo, pois uma gravação em cima de outra torna a “arqueologia” do resgate de dados impossível.
  2. Se você fez o que eu fiz e restaurou as configurações de fábrica, provavelmente NÃO conseguirá recuperar, pois os programas simplesmente não conseguem puxar nada por baixo de um processo tão radical.
  3. A grande, absoluta maioria dos programas que prometem recuperar dados gratuitamente são na verdade pagos, e não têm a eficiência prometida, com exceção de situações simples como apagar uma foto, se arrepender, imediatamente usar um programa desses e recupera-la. Vou descrever as experiências que tive com cada um deles.

Os softwares e apps que testei:

Antes de mais nada você precisa saber duas coisas: o que é “root” e quais seriam as vantagens de usar um programa de computador para usar seu celular, ao invés de simplesmente baixar um app direto nele e sair tentando recuperar os dados.

ROOT: Muitos apps e programas vão dizer que precisam de “root”, ou “rootear” seu celular. “Dar root” quer dizer, na linguagem do celular, permitir que o usuário através de programas, possa entrar literalmente no cerne lógico do computador, ir na RAIZ (Root) dele. Isso significa, como todos os programas gostam de deixar claro, que ao mesmo tempo que as varreduras atrás de informação perdida são as mais profundas possíveis, por outro lado podem oferecer RISCOS ao celular. Riscos que, segundo li, podem detonar mesmo seu celular. É como um neurocirugião mexer no seu cérebro, saca? Pode curar, pode… Ferrar de vez. Então o primeiro passo é sempre, sempre, tentar não usar. E se nada mais der certo, e se o que você tem para recuperar valer até mesmo o risco de perder o celular… Então pode-se ir em frente. Como não fui bem sucedido sem root, entrei na fase de explorar todas as alternativas com root. A experiência de “rootear” é um capítulo a parte, que publiquei neste artigo.

SOFTWARE x APP: A vantagem de baixar um programa para o seu computador, e através dele (conectado por cabo usb) rastrear o celular é simples: você não está colocando mais dados dentro do celular, e isso quer dizer que as chances de você gravar por cima do que quer encontrar estão reduzidas – maior a possibilidade de “vitória”! Então, recomendo que você primeiro tente fazer esse procedimento. Se nada mais der certo, então pode-se partir para os apps.

Agora, sim, veja o que já testei e os comentários:

  • Wondershare Dr. Phone Toolkit para Android (inglês): O software é muito bem organizado e os desenvolvedores tem uma página de suporte e uma comunidade em torno que parece ser bem ativa. O programa explicitamente é mais “esperto” para interagir com a marca SAMSUNG do que com os outros. Ele é fácil de usar, faz um “root” seguro e temporário. Ele permite você procurar apenas por contatos e sms… mostra todos os resultados que obteve, você pode visualiza-los. Mas caso queira traze-los de volta, precisa se registrar. Acho justo. Já os demais itens procuráveis (fotos, vídeos, documentos, etc. etc., só pagando até para procurar. Na minha experiência com o celular ALCATEL não fui bem sucedido, ele não achou o que eu queria (mensagens SMS), então não perdi tempo, passei para o próximo.

COM ROOT: Ele realmente tem uma experiência macia, positiva na conexão com o celular. Boa interface, pede educadamente autorização para o “Superuser” (é o programa da Kingo que passa a controlar as “coisas root” uma vez que você instale o “Kingo Root”, e uma vez dada, a tela do celular informa da autorização, enquanto que a tela do computador mostra o percentual do trabalho. Rapidamente ele concluiu seu trabalho… Infelizmente não achou minhas mensagens, o que me desanimou bastante.

  • Aiseesoft Free Android Data Recovery da empresa: Bem mais simples, ele foi lá, varreu e nada achou além do que o Dr. Phone. Com uma diferença, ele nem procura mas por outras coisas além de contatos de telefone e logs de chamadas (ridículo), mas pelo menos te permite resgatar. No meu caso, muito grave, ele não achou nada, e pediu para eu baixar outro software (Kingo Root) da mesma empresa para “dar o root” e ir mais fundo. Resolvi passar para outro.

COM ROOT: Ele recomendou o Kingo Root mas quando tentei conecta-lo rooteado a segurança avisou que ele estava tentando instalar o Towelroot. Não teriam a mesma função? Esperei um pouco e o programa se “cansou”, dizendo que não conseguiu acessar o root. Ele então diz que se quiser fazer uma leitura profunda tem que apertar o botão com root e ele somente abre uma página no navegador, apontando para o Kingo novamente…

COM ROOT (Segunda tentativa): Como nada consegui com os outros, resolvi aceitar as regras do jogo dele. Achei que ia de novo pedir o Towelroot… Mas não. No lugar dele, instalou o FoneGO. Rastreou, achou um pouquinho mais de contatos que antes. Muito  danificados… Deixa pra lá…

  • Tenorshare Android Data Recovery: Esse “cara” tem um jeito diferentão. Na primeira página da empresa eles já anunciam inclusive recuperar dados de celulares como o meu, cujos dados se foram na restauração de configuração de fábrica. Instalação rápida, e ele pede para esperar com paciência, pois ele vai “conseguir autorização de superusuário”. Ele quis dizer foi buscar informações de meu celular como se ele estivesse rooteado. Como não está por enquanto, abriu uma página de como eu posso fazer root. Fiquei por aí mesmo.

COM ROOT: Foi o primeiro software que tentei com o root… O que aconteceu? Ficou mais de dez minutos tentando fazer algo com uma tela dizendo para eu esperar pacientemente de três a cinco… Desisti.

  • Eassos Android Data Recovery: Logo de cara pede Root, e me mostra que “não vai ter jeito”. Ele não me deu opções claras de buscar pelos SMS, tendo uma interface mais complicada que os demais. Mesmo fazendo root, o aplicativo da Eassos está fora da jogada.

COM ROOT: A tela bem seca dele abre e, se você não seleciona o que quer em um botão meio escondido, ele escaneia da cabeça dele. Tendo eu selecionado ou não, ele exibiu em segundos uma tela de que o processo não deu certo, e pede que eu troque o cabo USB!

  • Thundershare Free Android Data Recovery: Mesma coisa, conectou-se ao celular e pediu o root.

COM ROOT: Abriu e escaneou geral. Nada de SMS velho. Nada a mais que os outros. Quando pedi a título de teste que recuperasse três contatos que ele achou no lixo, entrou uma tela pedindo e-mail de registro e uma chave de registro… E um botão “comprar”. Não vale nada disso para recuperar três contatos fáceis. Que desanimo.

  • MobiKin Doctor for Android: Idem.

COM ROOT: WOW, o rastreamento dele foi rápido, rápido demais. Achou mais contatos que os demais! Diria que foi o melhor. Mas nada das minhas SMS.

Atenção sobre todos os softwares: As vezes você não percebe bem a tentativa do programa obter autorização do “superuser” para mexer na raiz do computador. Abra o superuser e veja se não tem uma autorização pendente, pois o Scan do programa pode ter ficado sem “ir fundo” (isso aconteceu com o Mobikin por exemplo).

Nem tentei:

  • 7-Data Android Recovery: Nem tentei, pois ele não foi desenhado para recuperar SMS. Parece um aplicativo mais simples, para quem apenas apagou uma foto sem querer por exemplo.
  • Remo Recover for Android: Idem, embora seja mais simpático que o 7-data.

Uma vez frustradas as tentativas de recuperação via computador, parti para os APPS.

Depois de buscar por dicas na Internet e pesquisar muito no Google App, baixei diversos deles, e antes de comentar um por um, devo dizer que a experiência me ensinou o seguinte:

  • Há uma infinidade de aplicativos para recuperação de imagens, que aparentemente são mais fáceis de trazer de volta que os SMS, que estão atrelados a arquivos do sistema;
  • Recuperação e Restauração são coisas muito diferentes. A maioria dos Apps é do tipo “Backup & Restore”, e isso significa que ele recupera tudo o que ele mesmo salvou previamente! Portanto, no meu caso, são inúteis. Muitos apps que prometem recuperar (recovery) são na verdade desse tipo;
  • Os apps são mesmo muito mais limitados que os softwares para PC que se conectam ao celular.

Dito isto, comento agora a experiência que tive com os seguintes aplicativos de celular:

  • GT Recovery: O app da empresa chinesa parece realmente tentar vasculhar as profundezas do celular. Mas no caso do SMS, nada encontrou. Um detalhe interessante é que pesquisando você encontrará vários “GT Recovery”. São todos iguais! A empresa deve lançar versões com “cores diferentes”, talvez para aparecer mais na lojinha de apps da Google, mas não muda nada.
  • GT SMS Recovery: Poxa, um específico da GT para meu problema! Só que deu no mesmo.
  • SMS Recovery: Esse aplicativo é uma piada. É mais um daqueles que na verdade é “Backup & Recovery”.
  • Dr. Fone: Esse talvez seja o mais badalado dos apps, pois é a versão app do software para PC. Na verdade, parece que é a única empresa que realmente se preocupou em tentar rastrear a memória interna profunda em busca de dados. Na leitura gratuita que ele fez, não visualizou nada de diferente de seu irmão para computador.
  • Undeleter: Esse é um programa clean, honesto, mas pelo visto o poder de fogo para SMS é pequeno. Nada feito. De qualquer forma, recomendo a tentativa para outras buscas.
  • Data Recovery Program: É desses “Backup & Recovery”.
  • Mobile Data Recovery: Também  desses “Backup & Recovery”.
  • Deleted Data Recovery: Uma lixeirinha com ícone de reciclagem. É só abrir e ele já rastreia, e te passa resultados, lindinho. Mas só varre mesmo mídias: vídeos, imagens, músicas, etc. Se faz isso bem eu não sei.

Conclusão…

(como sempre) Prevenir é a verdadeira solução para o futuro: não dê mole

Pois é minha gente, lá se foi meu patrimônio intelectual, além de horas e horas de vãs tentativas… Ao mesmo descobri o “root” e saio da experiência com um celular muito melhor do que antes. Fora isso, muito tempo e mufa queimada a toa, e por não querer que mais ninguém passe por isso, fica aqui a velha máxima, que serve para a saúde do corpo, da cabeça, e dos dispositivos eletrônicos todos. PREVENÇÃO. No caso dos celulares, instale de uma vez um app de backup na nuvem e seja feliz. Teste algumas vezes no primeiro mês, para ter certeza que o bicho funciona. O meu celular veio com um de fábrica, o “one touch”; ele não funcionou direito, e seja porque a tecnologia não era boa, seja porque eu não soube usar, sim, foi aí que me dei mal. Então… Teste e aprenda a fazer a coisa direitinho.

***

*Arnaldo V. Carvalho, cidadão do mundo, professor, terapeuta e pai, de vez em quando briga feio com a tecnologia que usa, e compartilha suas experiências (e agruras) com o lado high-tech da sociedade.

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Dar root no celular Android e “turbina-lo”

Por Arnaldo V. Carvalho*

Precisei rootear meu celular para tentar recuperar mensagens perdidas. No processo de aprender, descobri uma infinidade de vantagens, que você pode querer igualmente para o seu celular. Uma delas pude aplicar imediatamente: finalmente consegui eliminar aplicativos chatos que vieram “de fábrica” e não podiam ser removidos. Isso porque “rootear” é ter o controle total do celular, e o fabricante, em princípio, impede que isso aconteça para que o usuário comum não consiga numa dessas, sem querer, estragar o sistema operacional e inutilizar o telefone.

Pois bem, uma vez convencido da necessidade de rootear meu celular, comecei a estudar como fazer isso da forma mais eficaz, tranquila e segura. O que vou mostrar é um “combo” no que aprendi nos seguintes sites, e mais alguns que basicamente se repetem:

Basicamente, os textos sobre Root explicam o que é, os riscos e como fazer. Sobre essa última etapa, cada texto indica um software diferente, muitas vezes ligado à empresa que publicou o texto e normalmente vende um app ou software que requer Root. Mas vamos seguir esse “script”.

O que é:

“Dar root” ou “Rootear” quer dizer, na linguagem do celular Android, permitir que o usuário através de programas, possa entrar literalmente no cerne lógico do computador, ir na RAIZ (Root) dele. Isso significa, como todos os programas gostam de deixar claro, que ao mesmo tempo que as varreduras atrás de informação perdida são as mais profundas possíveis, por outro lado podem oferecer RISCOS ao celular. Riscos que, segundo li, podem detonar mesmo seu celular. É como um neurocirugião mexer no seu cérebro, saca? Pode curar, pode… Ferrar de vez. Além disso, os fabricantes não querem que você remova aplicativos deles e de seus parceiros e condicionam a garantia do celular a NÃO DAR O ROOT (o meu celular por exemplo vem com apps da Vivo que são um saco, só ocupam memória, e não podem ser removidos). Então, se você é super satisfeito com a interface, o desempenho e as funcionalidades do seu celular, Root não é para você.

Por outro lado, um celular com “superacesso”como se fala das  autorizações do usuário quando o celular está “rooteado” pode utilizar apps poderosos, que só funcionam desse jeito. Ele pode fazer backups mais rápido, pode escolher de verdade todos os aplicativos que quer ter e remover todos os que não interessam, e ainda remover ou mudar aquela tela de abertura do celular. Ele também pode recuperar arquivos perdidos com facilidade, aumentar o espaço de memória interna, melhorar o desempenho, economizar bateria, etc., etc., etc. É tanta coisa boa que seu celular pode ganhar uma nova vida, literalmente – e muito melhor.

Mas a opção mais radical com o Root é para a galera que simplesmente usa um outro sistema operacional, uma configuração 100% nova no aparelho. É mais do que uma simples”tunagem”, é mesmo como uma outra alma no velho corpo. Essa eu deixo para os fortes…

Como fazer?

Rootear pelo visto é uma arte. Há diferentes softwares de Root, e cada um deles pede para você mexer em certas configurações do seu celular antes dele conseguir resolver seu problema. Diferentes softwares possuem diferentes preparações prévias. Além disso, os aplicativos de root precisam saber identificar com perfeição qual é o modelo de aparelho, porque sendo a arquitetura interna sempre diferente,não há um root “genérico” para todos. Os que foram indicados, dos textos que li são:

  • Towelroot
  • Superoneclick
  • Oneclickroot
  • iRoot
  • SuperRoot
  • Rootgenious
  • Kingo Root

Escolhi o que pareceu mais simples, rápido, gratuito e referenciado em mais de um texto: o Kingo root. Além de todas essas impressões, o pessoal da Kingo disponibilizou instruções específicas explicando sobre o root no Alcatel Onetouch, o meu celular (eles têm diversas orientações específicas para muitos modelos de celular, confira se tem para o seu). Esses são requisitos que você precisa pesquisar antes de dar o Root, sem dúvida.

Foi muito fácil! Baixei o programa, instalei, conectei meu celular ao computador pelo cabo USB. O programa se conectou ao celular e fez o resto. Celular rooteado, O Kingo Root instala para você também o “Kingo Superuser” que basicamente indica programas que usam root e são muito bons.

Está aí minha gente, celular com root é o que há, e se fizer direitinho não tem mistérios.

Fico a disposição para toda a sorte de dúvidas e comentários!

***

 

* Arnaldo V. Carvalho é encantado com a tecnologia, mexe com computadores desde oito anos, e adora fuçar em programas, software e hardware. De vez em quando se mete numa enrascada e publica soluções aqui.

 

 

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As empresas-máfias de taxis poderão incitar agressões a motoristas Uber?

Arnaldo V. Carvalho*

Primeiro você tem que saber que nas grandes cidades uma quantidade importante de taxis são controlados por “máfias legalizadas”. São empresas que controlam grandes frotas de carros e, embora legais, cometem ações dignas de gângsters. Controlam milhões anuais e são capazes até mesmo de matar. É isso aí.

Em Porto Alegre, por exemplo, um dos mafiosos mandou matar um motorista que resolveu trocar o taxi pelo Uber (mais detalhes aqui). Aqui no Rio, os chamados “Barões do Taxi” somam 15 empresas, e faturam juntos 6,7 milhões por mês. Eles aumentam a pressão de taxistas mais pobres, que não tem autonomia, contra o Uber, já que extorquem os motoristas com diárias pesadas. A coisa não é diferente em Vitória, Espírito Santo.

Embora legal, tem algo que não cheira bem… Afinal, na teoria, o dono precisa rodar diariamente com sua autonomia, e a partir desse não cumprimento certo, geram-se uma série em cascata de irregularidades. Elas estão bastante bem denunciadas, mas nada é feito, em lugar nenhum. Ano passado a Giovana Sartori explorou muito bem o tema, dando mais informações sobre essa realidade lá pelos pampas.

Aí é que se começa a perceber  o quanto a Uber deve incomodar a esses grupos. A entrada da empresa no Brasil forçou um reboliço nesse mercado de autonomias, etc., o que certamente descontenta a “elite do taxi”.

Não me admira que surjam desses grupos uma construção ideológica sinistra, por trás das agressões recorrentes de taxistas a motoristas Uber. Os motoristas de frota, oriundos de uma escala social com maior dificuldade, são explorados ao extremo, e tornam-se vulneráveis como massa de manobra (mais aqui). Sentem-se revoltados com o Uber, acham que a “concorrência” lhes atrapalha, e que não precisam fazer nada para mudar o jeito deles de trabalhar.

Não quero dizer com isso que só esse tipo de motorista existe, ou que todos são “pau mandado”, ou que ainda não hajam tantos motoristas verdadeiramente autonomos se reunindo em torno de uma insana e luta armada contra a Uber. Fato: é uma situação que agrava o problema. No mundo dos taxis, somam-se comportamentos ruins, quem passam pela simples má conduta com os passageiros (recorrente aqui no Rio), aos atos violentos e agressões que temos vivenciado diariamente nas cidades onde o Uber. Se gangues informais de taxistas tem um incentivo a mais pelas máfias de taxi, que se apure isso com urgência.

***

Arnaldo V. Carvalho repudia toda forma de violência e está farto de ver e ouvir histórias de agressão de taxistas contra motoristas Uber e seus passageiros.

 

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Marcel Marceau, dança, terapia e eu

Por Arnaldo V. Carvalho*

Quando criança, era deslumbrado com o controle corporal e suas ilusões de movimento. Minhas primeiras lembranças mais organizadas (cinco, sei anos de idade) são permeadas pelo fascínio pela mímica, apresentada por minha mãe, com referências, é claro, a Marcel Marceau.

Nos anos 70, década em que nasci, Marceau passou pelo Rio de Janeiro, apresentando-se na Monsieur Pujol (casa de espetáculos do falecido Miele). Também teria quadros exibidos no “Fantástico”… O pantomimo estava no auge, o mundo se encantava, e eu, tão pequeno, simplesmente não sabia mas respirava tal encanto.

Como eu gostava de empurrar paredes invisíveis e sentir-lhes a forma! Foi natural que já maiorzinho, “criança anos 80”, tivesse, através deste gosto Marceaunesco o apreço por Michael Jackson, que à época lançava seu Moonwalker e os sucessos “Billy Jean”, “Bad” e “Thriller”. E não é que Michael também era fã de Marceau?

O “break-dance”, filho do soul e do funk, pai do Hip-hop e do Rap estava nascendo e eu comprava revistas que ensinavam o passo-a-passo de manobras, entre as quais me atraiam as que simulavam o “robô” – pura mímica dançada.

A adolescência veio e me distraiu com a descoberta do amor, com acampamentos, esportes, e com escola (a “má distração”)… Mas do coração a mímica nunca saiu.

Em 1997 tive minha grande oportunidade de assistir Marcel Marceau no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e compreendi profundamente o sentido da materialização pelo vazio. O silêncio e o movimento me fizeram rir e chorar, e hipnotizado e agradecido, saí do teatro com uma lembrança eterna.

A mímica inspira a dança, e a dança inspira o Shiatsu

Nesse momento eu já praticava Shiatsu, e pouco depois estudei um pouco de ballet, jazz e sapateado, em paralelo com outras formações corporais terapeuticas. Conheci e tornei-me fã da obra do mestre Kazuo Ohno, da dança Butô (mesmo mais velho, Ohno fez aulas com Marceau, vejam só). E ao mesmo tempo, ao longo desses anos, segui estudando diversos trabalhos de contato corporal. Foi assim que passei pela massagem thai, o lomilomi, a massoterapia ocidental, espondiloterapia, ayurvedica, aromaterapia, drenagem linfática e outros. Mas foi o professor de Ohashiatsu Marco Duarte, bailarino, que me apontou o caminho para que eu encontrasse a dança dentro de minha terapia. Ohashi é o maior mestre vivo de Shiatsu, e trouxe para a terapia uma organicidade inédita, um sistema de movimentação que é base para todas as demais formas de expressão e estilos de Shiatsu fluídos.

Mesmo assim, mesmo com tantas formações, eu queria mais. Queria descobrir um corpo diferente daquele visto pela terapia, pois em minha área, chega a um momento em que sentimos como se todas terapias se repetissem – já não há nada novo, porque o corpo é um só, e no fim das contas, as terapias corporais são apenas variações de umas poucas fontes originais(1).

Para seguir crescendo, percebi que precisava ir para fora da terapia, precisava ir ao corpo são, ao corpo expressivo, às possibilidades ainda não exploradas… E lembrei da mímica. E foi ali que, na busca por ela, encontrei o mímico Alberto Gaus e o Solar da Mìmica. Descobri um outro gênero expressivo, e o trouxe para a terapia.

Foi assim que, aos poucos, a mímica em mim inspirou a dança, que fez imergir a terapia para dentro da alma; e a terapia, finalmente, se percebeu impossível fora do contexto de uma relação – da superfície da racionalidade e das palavras, à imensidão oceânica do inconsciente eu-outro. Se terapia é relação, se faço dela uma dança onde convido meus atendidos a dançar a Dança da Vida, então ela tem de ser boa e saudável para os dois envolvidos. Sobre isso, tenho insistido junto aos meus alunos: terapia não pode ajudar ao Outro e torna-lo doente! Essa percepção profunda tem sido uma das minhas bandeiras enquanto professor.

Em 2009, no Congresso Internacional de Shiatsu em Madrid, encantei-me com o ideograma “Odori” (dança) na versão Shodo de Kazuko Hagiwara. Arrematei a peça, então a venda, e desde então ela segue me inspirando no movimento de yin-yang.

Nessa mesma época, Sylvio Porto me mostrava, através de duras sessões de massagem e terapia reichiana, a arte da expressão da alma sem condicionamentos. Tais movimentos me permitiram uma sustentação para momentos pessoais muito difíceis.

Iniciava-se em minha vida um período de sofrimento, perdas na carne, reviravoltas na vida e nas relações. Mas também vieram novas descobertas, pessoas e possibilidades. Tudo muito intenso. Afinal, é na temperatura alta que se forja o aço e se fundem especiarias em novos sabores. Independente da dor e do prazer, lá estava minha mãe para seu eterno filho pródigo, com a sabedoria de seu silêncio acolhedor e cheio de arestas invisíveis, pantomímicas.

Por volta de 2010, minha “Fênix Interior”, minha identidade tal como eu havia construído, tão cheia de divisões, morrera para ressurgir com uma qualidade mais complexa.

Surgiu aí o encontro derradeiro da mímica-terapia-dança em mim, junto com a experiência um tanto inédita de integração-integridade psicoafetiva. No processo, aprendi mais sobre a ver, ouvir, expressar, e coloquei tudo na dança de minha terapia, a serviço das pessoas.

Não foi um processo rápido: Sete anos se passaram.

Em 2016, me fiz em silêncio, reduzi meus cursos e imergi em outra esfera de aprofundamento e maturidade. Iniciei a travessia de minha quadragésima década com a paz do reconcílio com meus referenciais masculinos e femininos. Mergulhei na pedagogia, e para ela, o terapeuta oferece o que sabe. Mas principalmente aprende para, quem sabe, deixar de existir – por tornar-se desnecessário. Odori mais uma vez me transportou, do butô para a mímica, da mímica ao butô, da somas destes para a terapia. Não há dança nem terapia que não seja relacional, e no movimento do silêncio operam-se transmutações das almas ali alinhadas. Expectador-Artista, Atendido-Terapeuta, expansões e recolhimentos encarnados a guardar um a semente do outro.

Seguirei recolhido em 2017 ou estarei pronto para uma nova expansão? Já não importa verdadeiramente. Importa-me o agora. Neste momento, a quietude me alcança,  e reencontro minha Mãe-Marcel_Marceau, após um dia de sessões em que danço, no chão e descalço, a dança da vida.

Posfácio

Um presente da minha mãe

Estamos em tempo de comemorar a possibilidade de existir da Sagrada Família, em cada lar. Através da imagem do nascimento, nossa cultura homenagem a chegada do novo, da esperança, e do ciclo de aprendizagem do casal através de seu abençoado filho.

Para mim, esse texto é sobre um filho que cresceu. E reconheceu. É um presente de Natal para mim mesmo e para minha mãe. E está estendido a vocês que me leem. Pequeno texto-memória-ensaio, está pleno de ternura em direção aos meus atendidos, tão vitais em minha caminhada. Através dele, saberão que, não fosse também por minha mãe, eu não poderia atende-los do jeito particular com que o faço. Muito obrigado a todos.

É a primeira vez que falo das influências dela no meu trabalho, aliás. Então o texto fica também como uma correção histórica. O sentimento de gratidão não costuma ser expressado em público para além dos prêambulos rituais dos livros… Mas quem sabe, essa homenagem poderá inspirar outros filhos a também agradecerem às suas mães? Tenho pessoalmente agradecido ela sempre, há anos. Porque não ia querer que aquela árvore generosa saísse desse mundo sem saber – mesmo que jamais me cobre.

Aqui, a gratidão se direciona a oportunidade que sua sensível alma me ofereceu lá atrás – e eu agarrei. Mas para as tantas outras coisas, que não caberia em texto ou livro nenhum, vale ser genérico: Obrigado por tudo mãe.

***

* Arnaldo V. Carvalho é terapeuta e trabalha na ilusória linha entre corpo-mente-energia.

(1). A consciência disso me fez ousar ao apresentar em 2007, no congresso internacional Fitness Brasil, um curso ensinando três técnicas “distintas”, utilizando a análise comparada para obter bons resultados.

 

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Pelo direito de escolher como ir e vir

E porque eu escolho o Uber

Por Arnaldo V. Carvalho

Sabe por que tem que ter Uber? Porque pessoas querem Uber. Pessoas querem poder escolher como se transportar. Querem decidir com quem se relacionar profissionalmente – inclusive na hora de decidir ir de ônibus, navio, avião, taxi ou uber.

Estamos em um mundo onde a escolha precisa ser respeitada. Escolhe-se o sexo, a religião, como se tem filho, e não se pode escolher o transporte? Não dá né? Imagine se os fabricantes de GPS devem tentar impedir aplicativos como o Waze, ou quem sabe, se o telégrafo deveria fazer protesto contra o telefone, e este contra o celular; e as  estações de rádio deveriam reclamar do surgimento da TV, e esta da Internet… Século XXI, please. As tecnologias vieram para dar mais alternativas, novas possibilidades em todos os segmentos humanos. Ir e vir é básico, e eu quero poder escolher como faço isso.

Taxi e Uber são serviços diferentes

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

Eu nunca fui um cliente de taxi. Não é meu perfil. Acho caro, e não gosto ficar esperando por um carro “acidentalmente” passar pelas ruas para poder chamar. Também não ando com dinheiro e quase nunca o taxista aceita cartão. Enfim, não pegava taxi regularmente antes do Uber, e por isso mesmo, não vejo o Uber como uma “alternativa” ao taxi, apenas como um novo serviço.

Mas é claro que já peguei taxis ocasionais. Infelizmente, minha experiência pessoal em Niterói, São Paulo e Rio de Janeiro me trouxe corridas agradáveis do que gostaria. Carros esquisitos (quando cheira a cigarro erghh nem se fala), motoristas mau humorados ou de “direção truculenta”, tipos “malandrões”, as vezes com músicas que não gosto, e por vezes ainda tendo que ouvir abobrinha (que não paguei para ouvir). Ou vocês acham que Agostinho, o personagem encarado por Pedro Cardoso em “A Grande Família” só existe na ficção? Tem aos montes! E na vida real, quase nunca são “divertidos”.

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Por essas e outras, nunca fui cliente de taxi.

Mas sou cliente Uber. O Uber é a minha cara. Baseado em aplicativo (eu adoro); Não mexo com dinheiro ou cartões ao final da corrida (ótimo, simplesmente agradeço e tchau, sem perda de tempo); Quando peço, me falam qual é o carro e mostram a cara do sujeito com uma nota (posso desistir por precisar de um carro maior ou simplesmente querer outro que me agrade mais – adoro). Todo motorista tem Waze (adoro); Se estiver com sede, posso pedir uma aguinha. E o percentual de carros e motoristas decentes é muito mais alto que do taxi (ufa). Ah, sim, se eu esquecer o celular ou o guarda-chuva, é fácil localizar o motorista e combinar de buscar (quando aconteceu comigo, ele mesmo fez contato e deixou o que esqueci no local que pedi!). Também posso economizar e ter ótimos papos usando o Uber Pool, dividindo o carro com outras pessoas, otimizando o trânsito com isso. Em uma ocasião especial, posso contratar o Uber Black, quem sabe. Mas o principal de tudo é que, se o serviço for abaixo do ideal, eu dou nota, e notas ruins tiram os maus motoristas do serviço. Simples assim. O “mundo dos taxis” seria outro se isso fosse possível!

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

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* Arnaldo V. Carvalho é escritor, cidadão brasileiro e adepto da liberdade de escolha da forma de ir e vir.

 

 

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