Antes do sol sair

Céu sobre Mergulhão Praça XV

Em 2014, o celular anterior ainda tirava fotos melhores do que o atual. Esta aqui deve ter uns três anos. Para chegar ao trabalho no RJ uma de minhas alternativas era chegar ao Rio de Janeiro de barca. Próximo a estação, o ponto de ônibus se situava em um mergulhão. Do plano mais baixo, isso é o que se via na madrugada que acompanhava minha ida à labuta.

Em SP, por outro lado, chegava na rodoviária e ainda levava quase meia hora dentro dos subterrâneos paulistas, para o metrô finalmente me deixar na Dr. Arnaldo e me encantar com a beleza da manhã.

#o alvorecer é lindo #alvorecerlindo

Arnaldo, 22 de Jul de 2014

PS: as fotos de SP um dia as tive, pena não encontra-las para compartilhar.

Carinha nova no blog

Amigos, precisei trocar a carinha do blog, depois de tantos anos. Eu gosto mais até da versão antiga, mas ela não funciona bem nos celulares… Sinal dos tempos, e da vida pedindo para a longeva ponte outonal dar lugar ao vale iluminado do verão.

Fica aqui imagenzinha da velha, para quem quiser recordar. (Arnaldo)

PS: todos os conteúdos estão mantidos!

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Um ano depois, prisão e exílio.

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Mas é isso que é a juventude que diz que quer tomar o poder? Vocês têm coragem de aplaudir, este ano, uma música, um tipo de música que vocês não teriam coragem de aplaudir no ano passado! São a mesma juventude que vão sempre, sempre, matar amanhã o velhote inimigo que morreu ontem! Vocês não estão entendendo nada, nada, nada, absolutamente nada. Hoje não tem Fernando Pessoa. Eu hoje vim dizer aqui, que quem teve coragem de assumir a estrutura de festival, não com o medo que o senhor Chico de Assis pediu, mas com a coragem, quem teve essa coragem de assumir essa estrutura e fazê‑la explodir foi Gilberto Gil e fui eu. Não foi ninguém, foi Gilberto Gil e fui eu! Vocês estão por fora! Vocês não dão pra entender. Mas que juventude é essa? Que juventude é essa? Vocês jamais conterão ninguém. Vocês são iguais sabem a quem? São iguais sabem a quem? Tem som no microfone? Vocês são iguais sabem a quem? Àqueles que foram na Roda Viva e espancaram os atores! Vocês não diferem em nada deles, vocês não diferem em nada. E por falar nisso, viva Cacilda Becker! Viva Cacilda Becker! Eu tinha me comprometido a dar esse viva aqui, não tem nada a ver com vocês. O problema é o seguinte: vocês estão querendo policiar a música brasileira. O Maranhão apresentou, este ano, uma música com arranjo de charleston. Sabem o que foi? Foi a Gabriela do ano passado, que ele não teve coragem de, no ano passado, apresentar por ser americana. Mas eu e Gil já abrimos o caminho. O que é que vocês querem? Eu vim aqui para acabar com isso! Eu quero dizer ao júri: me desclassifique. Eu não tenho nada a ver com isso. Nada a ver com isso. Gilberto Gil. Gilberto Gil está comigo, para nós acabarmos com o festival e com toda a imbecilidade que reina no Brasil. Acabar com tudo isso de uma vez. Nós só entramos no festival pra isso. Não é Gil? Não fingimos. Não fingimos aqui que desconhecemos o que seja festival, não. Ninguém nunca me ouviu falar assim. Entendeu? Eu só queria dizer isso, baby. Sabe como é? Nós, eu e ele, tivemos coragem de entrar em todas as estruturas e sair de todas. E vocês? Se vocês forem… se vocês, em política, forem como são em estética, estamos feitos! Me desclassifiquem junto com o Gil! junto com ele, tá entendendo? E quanto a vocês… O júri é muito simpático, mas é incompetente. Deus está solto! Fora do tom, sem melodia. Como é júri? Não acertaram? Qualificaram a melodia de Gilberto Gil? Ficaram por fora. Gil fundiu a cuca de vocês, hein? É assim que eu quero ver.
Chega!

(E canta É proibido Proibir)

Minha mãe ganhou um disco (CD) do Caetano. Eu me lembro. Ficou esquecido ao lado da vitrola, fui eu quem resolveu botar para tocar. Outras Palavras era o nome do álbum. De fato, algumas músicas dali eu ouço muito pouco por aí, não estão entre as mais populares. Eu amo aquela, quando ele fala: “como dois robôs, mas ninguém mais quente que nós, DE QUE NÓS”. Não sei de quando é o disco. Sei que fiquei muito assustado quando dele começaram a sair berros. Um som estranho, uma guitarra intrépida que tentava vencer os gritos. Eram vaias.

Irrompe a voz de Caetano.

Possesso.

Possuído.

Soa o medo, mas soa muito mais a coragem. Quanta força. SABE O QUE ESTÃO PARECENDO? MATAR AMANHÃ O VELHOTE INIMIGO QUE MORREU ONTEM! Não precisei escutar de novo. Nem reler. Ouvi e gravei para sempre essa frase. E também: QUEM TEVE CORAGEM DE ENTRAR E SAIR DAS ESTRUTURAS, FOI GILBERTO GILLLL!!! GILBERTO GIL E FUI EU!!! Eu era jovem, tinha o quê? Vinte anos? Nunca esqueci do arrepio no braço e na coluna, indo até o alto da cabeça, enquanto ouvi aquilo. Estremeci em seguida. Para todo e qualquer amigo que chegava, eu mostrava essa faixa. Não entendia completamente o contexto, mas sua força. Todos se impressionavam.

Não se falava de ditadura na minha casa. Não era proibido, acho que em casa nada era muito proibido. Simplesmente não se falava. Talvez porque fosse passado.

Não existia Internet.

Fiquei com o discurso, e compreendi a crítica à cegueira da juventude, que segue votando errado, segue apostando em causas inúteis. Não é culpa nossa (falo como o “Eu” jovem que escutou o CD pela primeira vez). E não é mesmo.

Merecíamos chegar nessa idade tão potente bem mais preparados para compreender o lugar onde estamos e o que é preciso fazer.  (Arnaldo V. Carvalho)

***

Agora tem Internet, tem acesso fácil. Caetano e gravadoras do Caetano, espero que não se importem com essa humilde postagem.

 

Estarei hoje na manifestação em prol da Educação Pública no Brasil.

Bom dia! Hoje estarei nas manifestaçoes pela Educação Pública, com meu livro: “Liberdade sem Medo: Summerhill”, escrito pelo diretor da escola inglesa que foi a primeira democrática do mundo. Esse livro mudou minha vida quando li ainda na adolescência, e se hoje sou um pedagogo, devo a ele.

Estarei lá mesmo que chova e mesmo que tentem reprimir, seja com os recuos de fala que caracterizam esse governo, seja com aparato policial.

Eu estarei lá porque a educação pública não pode ser moeda de troca pela reforma da previdência.

Estarei lá porque quero não só reverter os cortes, mas cobrar das autoridades mais respeito em relação às universidades e escolas públicas. Balbúrdia é o que vejo no governo, com cuecas cheias de dinheiro, helicóptero de cocaína e laranjas e milicianos para todos os lados.

Estarei porque sou pedagogo e qualquer aprendente que me olha está automaticamente observando cada ato meu, e avaliando e aprendendo quando for o caso.

Eu realmente não acredito no “vão lá, façam por mim”. Sou do aprendizado Maker , mão na massa, trabalho em equipe, projeto de vida, democracia.

Ninguém fica para trás, ninguém solta a mão de ninguém. Hoje, a bella não receberá ciao, pois ela estará comigo também. Vamos todos.

Convoco vocês meus amigos. Todos somos educadores!

Arnaldo V. Carvalho

Minha conta Netflix foi hackeada!

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Segurança digital em 2019: Como não esquentar a cabeça com o Windows 10 (Notebook/PC) e Android (Celular).

Por Arnaldo V. Carvalho**

ATENÇÃO: Como as pragas virtuais (e as soluções para elas) estão sempre se renovando, só confie nesse artigo em 2019.

Começou assim: a série que assistia aparecia em francês, com legendas em francês. “Tilt esquisito do Netflix”, pensei. Passaram-se umas poucas semanas até que um dia, não foi possível assistir um filme. Motivo? Supostamente o direito a acesso simultâneo a que tenho direito já estava preenchido. Corre para a ajuda do Netflix, e o resultado foi claro: o serviço estava sendo usado por terceiros. Segundo os registros a página de registros dos acessos à conta*, o principal telespectador pirata da minha conta acessava da Argélia (o que justifica ele mudar para francês). Acessos também foram feitos da Suécia, da Grécia e do Brasil. Como?! “É muito fácil hackear uma conta”, me contou o profissional de suporte no chat.

Ao menos, acabar com aquilo foi fácil. Seguindo as instruções do agente de segurança da Netflix, de uma vez só se desconecta tudo e todos e se altera a senha. Fim. Devem já ter localizado outra conta para vampirizarem, a essa altura.

Enquanto os especialistas em segurança digital da Netflix não conseguem proteger as contas à altura, o episódio me levantou a lebre da segurança digital dos meus dados.

E aqui vou eu compartilhar o que andei fazendo para me proteger mais do que antes.

Passo 1: MUDAR AS SENHAS IMPORTANTES E TORNÁ-LAS DIFERENTES

Se você como eu tem aquela “senha padrão” para quase tudo, é hora de mudar isso. Cada lugar, uma senha. Se uma foi roubada, será mais difícil de se acessar todo o seu mundo digital. Mas é muita senha né? Rola então gerenciadores de senhas, se você precisar.

Um bacana é o nativo no Chrome: Quer opções? Veja essa matéria.

Passo 2: Baixar antivírus de confiança para o todos os dispositivos (PC, Note, celular… TODOS TODOS TODOS.

Como já perdi horas pesquisando os melhores dos últimos tempos, adianto esse trabalho para você. Após muito Google cheguei ao site da organização AV-TEST, que se dedica a um monitor de desempenho dos principais antivírus do mercado, mantendo-o sempre atualizado. Compilei a lista dos que tem nota máxima, tanto para celular como PC/Notebook). Aqui está:

Melhores Antivirus para celular (Android) em 2019:

(Cheque em: https://www.av-test.org/en/antivirus/mobile-devices/)

Esses são os campeões dos último testes, realizados em janeiro de 2019. Há duas notas  oferecidas para antivirus de celular: fator de proteção e facilidade de uso. Os campeões obtiveram a nota máxima, que é 6, nos dois quesitos. Eu escolhi o AVG, porque era o que menos ocupava espaço na memória e gratuito (ele tem umas propagandas internas que definitivamente não me perturbam).

Preciso dizer que, entre os antivírus citados, o que muda é que eles podem vir com muitos recursos extras (é aí que tentam realmente se diferenciar e conquistar clientes). Muitos tem gerenciadores de senha, proteção contra roubo (alguns permitem até você rastrear o telefone remotamente), proteção de dados diversos e muito mais. O AVG que é simplezinho não tem nada disso, o que faz considerar realmente uma versão paga e com tentadores recursos de limpeza e segurança.

Melhores antivirus para Notebook/ PC (Windows) em 2019:

(Cheque você mesmo em: https://www.av-test.org/en/antivirus/home-windows/)

Os campeões do ano pelo AV-TEST até aqui são:

  • Avira Antivirus Pro
  • Bit Defender
  • Bull Guard
  • McAfee
  • Norton
  • Vipre

Esses campeões da AV-TEST tem nota máxima para proteção, e facilidade de uso, como o celular. Mas também recebem nota máxima em performance, algo necessário na avaliação de antivírus para computadores pois muitos são lentos e ou afetam a performance geral dos mesmos.

Talvez você se surpreenda com minha decisão: Me mantive com o antivírus nativo do Windows, o Defender. Isso porque ele recebe nota máxima em proteção, que era o mais importante para mim, e nota “quase máxima” nos demais quesitos: 6 (proteção), 5.5 (performance), 5.5 (usabilidade). Outros artigos foram lidos para me dar certeza da decisão (aqui e aqui).

Passei o Defender na máquina três vezes, nas suas três possibilidades (rápido, avançado, e offline). Tudo limpo. Fiquei tranquilo. No entanto, a Netflix recomenda outros programas, alguns não avaliados pelo AV-TEST. Como o Defender não implica com outros antivirus, decidi testar mais dois (vai que…). Baixei o Adware e o Malwarebytes. O Adware deu problema na instalação, e isso para mim foi o suficiente para não seguir em frente com ele. O Malwarebytes instalou fácil e me deu 15 dias de teste da versão prêmium. Tudo o que precisava, pois não tenho a intenção de ficar com ele. É mais como pedir uma segunda opinião a um médico fora do caso. Nada sério. Ele deu falsos alarmes (só sei porque meus conhecimentos de informática permitem afirmar isso), o que é compatível com a nota mediana que obteve no AV-TEST (4.5)

A lição é: não fuja dos campeões que listei: eles realmente são diferenciados. As únicas exceções são o Windows Defender, caso o seu esteja rodando em Windows 10 (as versões anteriores não trabalham tão bem), e uma outra que não havia citado, o popular Avast, que é uma alternativa gratuita.

Passo 3 (só para quem tem Netflix): Cheque as atividades das contas de tempos em tempos e/ou quando a empresa te avisar de um novo acesso

A Netflix envia e-mails para o titular da conta quando um novo acesso ocorre de outro lugar. É a “senha” para visitar as últimas atividades e últimos acessos, conferindo se bate com os usos que você e sua família vem fazendo. Se tiver coisa estranha, repita a operação de segurança: troque a senha e desconecte todos os usuários.

Bons acessos e atividades para vocês!

Arnaldo

* É preciso acessar esse link para cada conta da sua casa, para ter certeza.

** Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, pedagogo, e como você se preocupa com segurança digital.

Palestra gratuita sobre Jogos na Educação com Arnaldo V. Carvalho (Escola Alecrim, Teresópolis – RJ)

Jogos: como usar para educar

Palestra sobre Jogos na Educação com Arnaldo V. Carvalho, pela Escola Alecrim, Teresópolis – RJ acontece no próximo sábado 10 de novembro

Os jogos de mesa ocupam pouco destaque na educação brasileira, bem como em suas tradições em família. Países com alto IDH tem a cultura do jogo de tabuleiro como uma ferramenta sócio educacional amplamente difundido e praticado.

No entanto, engana-se quem acha que os jogos de tabuleiro utilizados na educação se restringem aos tradicionais como Dominó ou Xadrez, ou ainda aos “clássicos” do século XX como Banco Imobiliário ou War.

No século XXI, o jogo de tabuleiro se caracteriza por uma grande diversidade de propostas temáticas, impressionante qualidade de materiais e engenhosidade de regras – o que os torna altamente atrativos para os estudantes, e altamente útil aos educadores! E é sobre isso que será conversado na palestra gratuita “Jogos: Como usar para Educar”, com o Prof. Arnaldo V. Carvalho, a acontecer no próximo dia 10 (sábado), em Teresópolis.

“A proposta desta palestra é apresentar essa possibilidade mágica de unir o lúdico ao educativo, no utilizar do jogo como estratégia de aprendizagem pelas famílias e pela escola”, diz Arnaldo. Pai, educador e terapeuta, nos últimos dois anos ele tem sido o responsável pelas oficinas e palestras sobre jogos na educação no Instituto de Educação do Rio de Janeiro (ISERJ).

A palestra é gratuita e aberta ao público, sendo parte de um ciclo de palestras do Jardim Escola Alecrim. Organizado pela empresa parceira Ecofocus. Acontece no bairro de Vargem Grande, em Teresópolis, Rio de Janeiro. O horário programado é de 15H as 17H30m, e o telefone de contato é (21) 99449-6891.

***

Para onde olha essa criança?

Esse menino nasceu e cresceu durante a ditadura militar. Ele não sabia. Para onde ele olha? Um bichinho, uma distração do fotógrafo?

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Onde estará esse brilho, esse brilho nos olhos, nesse menino hoje, com quarenta e poucos anos? Porque ele precisará reencontrar esse olhar e de novo, atravessar os novos tempos. Agora, sabendo.

* * *

Essa foto eu ia publicar no dia das crianças, participando pela primeira vez desse movimento bonitinho das pessoas apresentarem “a criança que foram” em fotos antigas. Mas o clima do momento… O texto era outro. Deixa pra lá.

Arnaldo V. Carvalho, pai, escritor, terapeuta, professor.

A paciência e o limite na reparação de erros do passado

Era um casal bonito aquele. Agora é mais.

O rapaz viajou. Foi uma longa viagem, e a primeira vez – desde a adolescência, que ficara para trás vinte anos antes – que ele havia se afastado dela.

No início, sentiu saudade e solidão. A solidão cresceu. Ele resolveu mexer o corpo para passar o tempo e quem sabe, sentir-se melhor. Emagreceu. Encontrou uma energia que não conhecia. Sentiu-se após alguns meses, pela primeira vez, bem com ele – independente dela. Adaptou-se a poder ser apenas ele. A solidão continuava.

Ele ainda pensava nela todos os dias quando foi cortejado. Meses depois, por um instante não pensou. E viveu aquele romance de exaltação ao próprio eu. Foi curto, já era quase hora de voltar.

Ela sofria de saudades. Sabia que ele também tinha muitas. Era verdade. Mas ao contrário dela, que seguia-se sentindo com um pedaço a menos da própria carne, ele não, se conjuntou em outra conjuntura. Ao menos parcialmente.

No dia do voo, ele tremia de excitação. E culpa. E medo.

O retorno foi a reconjunção do casal bonito, que tanto se amava, que tanto ardia um pelo outro, que tanto era Um.

Mas com um algo qualquer de diferente, inexplicável.

Ele não aguentou. Seu coração decidiu deixar pistas. Ela encontrou. A verdade veio a tona. Ele chorou, chorou, chorou, por ter sido traído por seu próprio ego. Chorou porque nunca quis deixar de ser Um com ela. Nunca, a não ser naquele curto momento, em que o desejo de se firmar como ele mesmo tenha vencido.

E ela chorou, chorou, chorou. Principalmente por raiva. Muita raiva. Raiva de sua própria escolha de ter seguido com um pedaço a menos por todo esse tempo. Raiva por não ter feito nada por si. E obviamente, pela atitude dele. Infiel.

Mas havia verdade na dor e no choro dele, e ela sabia.

E ele curvou-se ante dela, cabisbaixou-se a parti de seu erro, e submeteu-se ao purgatório.

Por que? Chorava ela raivosa, toda noite, por noites e noites?

Por que? Ela gritava irritada, com os dentes amostra.

Você não podia… Ela trazia e meio a uma conversa qualquer sobre qualquer outro assunto.

Foi assim por semanas; Semanas não, meses.

Mas ela sabia do arrependimento, podia senti-lo; E por todo aquele tempo, ele não esteve em nenhum lugar errado, nenhum lugar que não fosse o de pedir perdão, reafirmar o amor, e desejar ali estar.

Ela perguntou tudo o que queria perguntar – e foi bastante doído, mas ela queria saber. E ele contou tudo o que ela pediu. As vezes perguntava a ela se aquilo era realmente tão importante. As vezes era. Uma tortura. Mas dava o que pensar.

A mente dela, a existência dela, não saía mais daquele lugar.

Até que houve um limite. Não foi imposto. Foi sugerido.

– Se não conseguir parar, não conseguiremos.

Foi ele quem disse. E ela sabia que era verdade. Ela já sabia tudo. Inclusive que não era possível apagar, menos ainda voltar no tempo. Ela sabia e o amava e desejava ardentemente.

Doía nos dois. E era inviável seguir sendo apenas memória e dor. Aquele casal de antes havia morrido.

O Amor, semente eterna das transformações que perduram e fazem bem, não!

Inteligente, ela começou a observar que precisava ser Um sem ele, que ele havia voltado uma pessoa melhor em vários sentidos e isso era inspirador.

Ele sabia que não conseguiria mas não ser o Um que era com ela, sem ser um Um ele mesmo.

E ambos agora sabiam que queriam ser Um juntos mas serem Um eles mesmos.

Não podiam esquecer. Nem era para. Mas era preciso limites, era preciso avançar para além da marca que ficou. Era preciso olhar para a cicatriz pensando no tanto que aquilo representava – não só na dor do momento, mas no processo de cura da ferida e o quanto o Todo se tornou mais forte. E o quanto a experiência de ser humano se fazia ali. Muitas lições numa mesma situação.

Foi desse amor que nasceu a cura, o perdão, um casal novo, quente, mais belo e jovial que o de antes.

Foi desse amor que nasceu um fruto que hoje dá muitas alegrias a esse casal. Quem diria, antes, quando eram Um sem serem para si mesmos, perseguiram tanto esse filho e nada. Agora sim, inteiros os dois, vingou aquele que representa um pouco do todo de cada um.

E eles são felizes para quase sempre e assim seguirão.

*-*-*

Essa é uma história verídica que acompanhei em consultório. Um processo muito doído e difícil. E que nos ensina sobre Amor, mas sobretudo, sobre a paciência necessária de quem erra ou representa o erro, e a necessidade de limites em relação a memória.

Eu a trouxe nesse momento, porque é patente que a sociedade entenda a importância da memória. De não se passar borracha nos erros – não devem ser esquecidos. Mas que sim, ao mesmo tempo deve haver um limite sobre isso.

É um tema em Roma e outras cidades históricas na Itália e outros países, o quanto se deve explorar o território em termos arqueológicos. Eles sabem que debaixo das vilas, cidades, debaixo de praticamente toda as casa da Itália, a chance de se encontrarem vestígios importantes da antiguidade são enormes. Mas as pessoas que lá vivem também precisam viver! Precisam ocupar esses espaços, olhar para frente.

Então, trazendo para a realidade brasileira, não, não podemos esquecer a escravidão, a genocídio indígena, a ditadura, as explorações diversas, momentos de sangue e dor por todo o país. É fato. É passado. Deve ter marcos e serem tratados com seriedade e respeito. E ocupar aquele momento do dia e da vida em que devemos nos perguntar: para onde queremos ir?

A dor do negro, dos indígenas, das mulheres, de todos os oprimidos precisa ser ouvida. Será ouvida muitas vezes, à exaustão, por gerações. É NECESSÁRIO! Não se desfaz a dor na psique coletiva em uma vida gente. São várias. O tempo é de aprender a escutar, de baixar a cabeça (os “Eles” – as pessoas que tiveram acesso a uma situação sóciocultural privilegiada – majoritariamente brancas), e humildemente de pedirem perdão (não com comiseração mas agindo pela construção de uma nova história), e afirmarem o Amor ou sair do caminho e deixar que Elas (as pessoas que já nasceram desprivilegiadas, em um Brasil de tantos erros e distorções sociais históricas) encontrem seus espaços (isso é respeito, e é o mínimo).

Minha escolha é pelo Amor. Da ação pelo fim das diferenças valorativas enntre as pessoas.

A todos os meus amigos cujo lugar de fala é repleto dessas memórias de repressão, machismo, misoginia, eu digo: sejam como essa “Ela”! Não deixem “Ele” esquecer! Gritem, revoltem-se, e não tolerem nada além de paciência, voz baixa e arrependimento sincero. Fiquem atentas a sinceridade de “Ele”.

Com as gerações sendo continuamente ouvidas, vai passar. Em algum momento, a dor vai tomar outra forma, uma cicatriz dará lugar ao buraco. Poderá a realidade irreparável da cicatriz social ser ponto de olhar e lembrar, com dor mas também para a importância da reparação no crescimento da sociedade. Escolheremos.

Será o tempo de se pensar no fim das armas, das guerras, dos cantos tristes. Será o fim dos cativeiros emocionais, porque cada um poderá ser Um e poderá ser o Um-Todo ao mesmo tempo.

Mas isso é uma outra história, uma história ainda distante de nosso tempo.

***

Arnaldo V. Carvalho e filho de um pai imigrante português (possivelmente com raízes árabes cristãs novas), com uma mãe neta de portugueses, indígenas e sabe-se lá quantas etnias atrás disso. Classe média, vida simples. Educador, pai, terapeuta, cidadão brasileiro.

 

 

Educações: Qual a real solução?

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Educações: Qual a real solução?

Roda de conversa com Arnaldo V. Carvalho no Museu da República (RJ), no próximo sábado (dia 29/09/2018).

Sábado agora (29/09/2018) estarei com uma roda de conversa com o tema: “Educações: qual a real solução?”. Em uma linha, será um bate-papo sobre as realidades da educação escolar e não escolar, pública e privada, na busca de soluções viáveis que atendam as diversidades e suas necessidades. Esse papo vai acontecer na Virada Política RJ, um evento APARTIDÁRIO, criado por pessoas comuns. Queremos discutir problemas e soluções como cidadãos. Vale muito conhecer (veja programação aqui)!

Um pouco mais

O pensamento político nacional encontra-se polarizado, gerando um desgastante debate entre o público e o privado, entre a escola e a família, etc. Queremos ultrapassar isso, visitar modelos de transição e pensar em como podemos enquanto sociedade enfrentar os desafios atuais de modo a evitar distorções e políticas que privilegiem uns em detrimento de outros.

Assim, os temas guias da conversa situam-se entre a criação de filhos, a responsabilidade de escola x família nessa criação, de um lado; e de outro, o que é possível se pensar em educação para o século XXI e como gerar acesso por todos a isso, incluindo o que surge de melhor não importa se no público ou privado.

Nossa Roda, que vai acontecer no salão do segundo andar do museu, as 15:30, terá um tempo curto, o que nos forçará a sermos objetivos em um tema tão complexo. Mas são sementes.

Sobre mim e porque coordeno a Roda de Conversa Educações

Aos que não me conhecem ainda, explico porque estarei responsável sobre falar de educação: Estou mergulhado no tema desde sempre.

Passei por muitas escolas, públicas e privadas, o adolescente rebelde percebendo que a educação dos anos de 1980 e 1990 como uma furada. Naquele tempo mesmo comecei a ler sobre outros modelos de educação, incluindo o montessoriano e a pedagogia Waldorf, mas me encantando – e lendo tudo sobre – Summerhill, a mãe das escolas democráticas e não-diretivas.

Mal cresci virei pai, e errei a beça nesse e em todos os outros papeis de minha vida. Nessa mesma época, me conectei com Zoë Redhead de Summerhill, me tornei um penpal friend de uma estudante de lá, e propaguei em 1999 a campanha Save Summerhill (a escola na época era ameaçada de fechamento pelas autoridades). Também fui moderador da maior comunidade no Orkut sobre o tema, o Summerhill Brasil. Nessa época então já atuava como terapeuta, professor e palestrante de cursos e oficinas na área de saúde natural e qualidade de vida.

Hoje dirijo uma escola de Shiatsu, fomento o projeto Parapapais, sou graduando em pedagogia pelo Instituto Superior de Educação do Rio de Janeiro – e lá ministro oficinas sobre: Jogos na Educação;  Sono e Sonhar na Educação; Postura e Consciência Corporal na Educação. Sou membro ativo da rede Creative Learning, ligada ao MIT, entre outras.

E ainda erro! Mas também aprendo, muito, cada vez mais. E essa é uma das premissas da aprendizagem. É preciso viver e enfrentar o medo de errar para se poder, mesmo com uma queda ou outra, transformar-se. Você não pensa assim? Ótimo, precisamos de você lá, queremos te ouvir!

Vamos aprender e desenhar juntos uma nova educação, para pessoas de todas as idades. Educação é um direito de todos, em todas as idades!

Para entenderem o que é o evento Virada Política

A Virada Política é um festival anual, de entrada franca, que reúne num mesmo espaço pensadores e pensadoras, ativistas e artistas para discutir política para além dos partidos. O evento propõe atividades de diversas naturezas, como: diálogos (painéis com palestra seguida de debate); oficinas e workshops mãos na massa para a aplicação de ideias; intervenções artísticas e outras, ou seja, expressões políticas em diversos formatos. O festival já acontece há 4 anos em São Paulo e esse ano terá sua segunda edição no Rio de Janeiro, em 29 de setembro, no Museu da República, no Catete.

PROGRAMAÇÃO COMPLETA:

https://drive.google.com/file/d/1LjlsCNVk4bjOpziR5UeVUnjXeRNqUDa7/view