Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘consciencia cidadã’

– Tentando votar direito –

Critérios que uso na hora escolher em quem voto

Parte 3: Partidos e grupos econômicos

“Ficha limpa”

Era muito mais difícil votar certo. Porque era muito mais difícil pesquisar. Hoje em dia, driblando-se os fake news e outras distorções do mundo digital, consegue-se puxar a ficha de qualquer um.

A minha “ficha limpa” é um pouco mais rigorosa que a utilizada pela lei assim batizada (e que é útil, veja no link), porque muitos atos ilícitos são para mim extremamente sujos. Votar privilégios e benefícios a si e aos seus grupos de alinhamento que sim pesem ou causem impactos significativos para o Todo da sociedade podem desclassificar o candidato facilmente. Só por esse critério digo que sobra muito, muito pouca gente.

Ou seja, para saber se o candidato é “ficha limpa”, é preciso estudar as engrenagens e instituições que movem a cidade em que se vive, o Estado e o país, e como esses candidatos interagem com elas.

O ex-prefeito que hoje é candidato é oficialmente “ficha limpa”, mas autorizou um desmatamento de alto impacto ambiental para a construção de uma lucrativa indústria, com injustificável lastro de empregos e benefícios (as vezes empreendimento tocado por  empresa que apoiou o candidato no processo eleitoral)? Ficha suja. Ele fez dentro da lei, mas por mim cometeu algo próximo de um crime. No mínimo, o crime da falta de consciência, impensável a um representante do povo.

Sim, me interessa conhecer a trajetória deles pelos partidos e os grupos econômicos com os quais a pessoa está alinhada, para início de conversa.

Partido conta?

Partidos são blocos imensos de pessoas, que concordam com alguns pontos essenciais, mas não em tudo. Por isso todo partido tem debate, tem pré-candidatura, tem frentes, divisões diversas. É por isso que o fato de você achar um candidato de um partido absurdo não é critério para desclassificar o partido inteiro. A coisa muda quando uma boa parte dos candidatos do mesmo partido são duros de engolir, pois isso quer dizer que é justo onde você não concorda que eles se alinham.

Olhar para o partido do candidato conta de duas formas: Na observação do comportamento do candidato em relação a esse mesmo partido, e na observação geral da coerência desse mesmo partido.

A forma como o candidato se relaciona com a política partidária pode dar pistas importantes: Troca de partido como quem troca de roupa? Desconfio. Passeia por partidos notoriamente “centrão”? Desconfio. Apoia tudo o que o partido diz? Estranho.

Se o partido do candidato apoia radicalmente coisas que não fazem sentido nenhum para mim? Desclassifico. Os partidos e seus históricos de coligação também ajudam a gente a entender como eles funcionam. Partido tem uma linha, começa a fazer coligações “esquisitas” com outros partidos que em princípio tem ideias opostas… Desconfio demais.

A análise do partido é especialmente importante quando se pensa em quem votar para deputado estadual ou federal. Isso porque são muitos, e é simplesmente impossível analisar a todos um por um. Para se ter uma ideia, aqui no Rio são quase 2500 candidatos para deputado estadual. O partido ajuda a gerar algum filtro.

Grupos econômicos

Essa parece ser hoje o fator de maior atenção: a economia. Infelizmente os populares analisam muito pouco o papel do enlace entre os grupos econômicos e a economia (dê uma pequena olhada nesse vídeo e entenda melhor a ligação entre produção, grupos econômicos e políticos). Esse enlace nocivo costuma levar estados e países na direção de um colapso. Vejam no que acarretou no Rio e Janeiro a superdependência do petróleo, ou a superdependência da economia nacional pelo agrobusiness.

Candidato que apoia e é apoiado por grupos econômicos que estão alheios às necessidades das pessoas, ou que seguem por rumos insustentáveis (em todos os sentidos), estou fora.

– CONTINUA –

***

Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, escritor, cidadão.

Anúncios

Read Full Post »

– Tentando votar direito –

Critérios que uso na hora escolher em quem voto

Parte 2:

Já vimos que busco olhar para os candidatos sem idolatrias, buscando sua história, suas propostas e seus alinhamentos com pessoas, grupos e ideias. E também que minha escolha passa preferencialmente por políticos que entendam a sociedade como um todo, não somente defendam um trecho com o qual se identifique. É hora de esmiuçar cada um desses critérios, antes de continuarmos. Para isso, notem bem as preliminares conceituais de nossa realidade e como a vejo:

Direita e esquerda

Preciso acrescentar que também não enquadro imediatamente os candidatos segundo a noção que pode ser bastante ampla e subjetiva de “direita e esquerda” (não deixe de ler esse artigo)/(já escrevi um pouco sobre isso aqui). Para mim, a polarização é negativa, simplista, e atrapalha a percepção das pessoas e o diálogo, ao invés de ajudar. Rotular pessoas e sistemas é contraprodutivo e as vezes fico achando que tem muita gente que lucra com isso e a quem interessa “ver o circo pegar fogo” entre as pessoas e suas teorias enquadradoras e reducionistas.

Privilégios: sempre eles?

O país é declaradamente capitalista, mas que mistura elementos anteriores à república: preconceitos graves e diversos; desigualdade sem oportunidades equivalentes na base, clara confusão/mescla/associação entre os poderes governamentais, corporativos e midiáticos; crença na violência como forma de organizar, ordenar, progredir; cultura de privilégios – os historiadores que me rebatam como sempre fazem. Se não há uma cultura de privilégios oficial, há uma oficiosa, grave, e que está cada vez mais escancarada, com menos vergonha de mostrar sua cara. Está aí o “centrão”, as perigosas ligações entre juízes, partidos e políticos, etc… E os silenciosos reis “sem cara”, a fornecer os tais privilégios a que me refiro (empresários, do Brasil e do mundo). Claro que há diferenças: as posições são mais misturadas que antes. Um rei pode ser político, pode ser empresário, líder religioso, membro de um cargo alto da justiça. Pode ser tudo isso ao mesmo tempo, e flertar com outros reis, e jogar seus títeres para lá e para cá.

Afinal, quem são os titereiros por trás dos nomes que elegemos? Quem é o 1% mais rico que detem quase um terço de todas as riquezas do país? Isso é fundamental.

Raízes nefastas, liberalismo utópico, pseudosocialismo

Para quem não entendeu quando na introdução deste artigo, disse que gosto do jogo bem jogado, que fique claro o recado: é muito fácil quem teve acesso a comida, casa, educação, experiências diversas, falar em meritocracia. Compete com uma maioria absoluta de gente miserável, que não teve acesso nem oportunidades reais. Esse é um ponto fundamental: as velhas estruturas de poder comprometem demais a mobilidade social pelo mérito. E quanto a entrada equânime no jogo, disso não abro mão. Já que é para jogarmos um jogo, ou disputarmos uma corrida para algum lugar… Mas há medo, quem não é miserável morre de medo de uma competição ainda mais acirrada do que já enfrenta. Enfrentem seus medos, famílias não materialmente miseráveis! Quero ver o que fazem ante a um aumento de 80% nos números de concorrentes em concursos de atividades bem pagas… Quero ver quando os favelados tiverem acesso a boa escola, boa comida e ricas experiências de vida, o que farão quando virem o número de pessoas vagas crescer para 1000, 2000 para uma só. Quero ver quando negras e negros invadirem por mérito a bolsa de valores, quando os primeiros bilionários negros surgirem no país, terem seus carrinhos particulares nos campos de golfe (VIVA TIGER WOODS!) e os filhos estudando na PUC. A esperança de um liberalismo pra valer, que pode ser encontrado entre as premissas do MISES por exemplo, é injusta se essa base em comum não for antes corrigida.

Por outro lado, precisamos falar sobre pseudosocialismo. Essa palavra socialismo, aliás, dá muita confusão, como dá confusão as ideias de comunismo versus as práticas sociopolíticas tais como foram experienciadas nos países da cortina de ferro e seus seguidores (China e Cuba). É não se estudando os autores originais e a história de uma forma macro que as pessoas passem a acreditar que sistemas são piores do que outros per si; Quando o que conta, sempre, é a maneira como o sistema se exerce. Igualdade de direitos é uma premissa capitalista e uma premissa socialista – teoricamente falando. Se a igualdade de direitos não se aplicou em um regime, não é pela teoria, mas pelos valores pré-infiltrados nas pessoas. Isso aconteceu e segue acontecendo nos diferentes países, dos diversos sistemas. E é por isso que um “capital-socialismo de estado” como os que vemos acontecer nos países escandinavos consegue fazer com que o índice de qualidade de vida das pessoas por lá sejam os mais altos do mundo há anos. O que temos em termos sociais aqui é uma piada de mal gosto. Já virou cinza a conquista social do – doa a quem doer – governo Lula, que alavancou verbas para setores miseráveis, fez a pobreza chegar a universidade (viva Marielle!). Que fique claro: não votei no Lula (e nem votaria!) e discordo totalmente da maneira com que ele realizou os pontos positivos de seus governos (longa discussão), que se mostrou inclusive, como eu já dizia a todos na época das “vacas gordas”, insustentável. Então para medidas sociais, que coloquem todo mundo na corrida em condições competitivas – já que a escolha do país parece ser essa, é preciso muito mais inteligência, criatividade, empatia e estudo do que as manobras que são feitas. E não, não vale espremer o dinheiro da classe média e ajudar os pobres. A distribuição de renda passa por ajustes outros de fluxo financeiro, e outros de fluxo de mentalidades.

– Continua –

Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, cidadão.

Read Full Post »

– Tentando votar direito –

Critérios que uso na hora escolher em quem voto

Parte 1: Quem o político deve representar?

É isso aí, temos que votar de novo.

Presidente COM vice, governador local, dois senadores, e dois deputados (um estadual e um federal). Como você fez suas escolhas? As minhas são baseadas numa combinação de valores, visão de vida e sociedade, e muita pesquisa. Então, para saberem como eu aplico essa combinação nos meus critérios de pesquisa, preciso falar um pouco sobre esses valores e visão de vida.

Eu acredito que o mundo social é movido por Ego, e que 100% das pessoas são egoístas. A diferença básica entre elas é que umas satisfazem seus egos através da felicidade alheia, e outras que encontram satisfação somente em si mesmas. A maioria das pessoas sente que a felicidade alheia é importante porque primitivamente somos animais sociais, ou seja, temos uma forte ligação instintual, somos de bando, de matilha, de alcatéia, de grupo (pleonasmo intencional). É isso o que nos faz “bons”, ou “capazes e afins à bondade”. O nome do sentimento que provoca isso é EMPATIA.

Essa crença pode parecer comum, e é fácil de sustentá-la pois há inúmeros artigos científicos sobre empatia, inteligência coletiva, vínculo/apego, ego, egoísmo e generosidade, etc. O que nunca vi em estudos, porém (me ajudem com isso por favor porque deve existir), é o limite dessa formação de bando, do ponto de vista individual. Ou seja, o quanto uma pessoa é capaz de enxergar quem está muito fora de seus laços óbvios – parentes, amigos próximos, colegas de profissão, etc. – como seus pares. E o quanto isso passa por criação?

Ou seja, qual é a capacidade de João de Deus, nascido na periferia de Salvador, querer que Quincas Welch, rapaz classe média seja tão feliz quanto ele, e vice-versa?

No plano da votação, a primeira pergunta que precisei me responder é: estou votando para sentir que minha cor, minha atividade profissional, minha faixa socioeconomica, seja contemplada, ou quero para todos?

Um amigo me disse nas eleições passadas que votaria em fulano porque ele ia cuidar dos interesses do bairro em que ele mora (zona sul, classe alta do Rio), e outra amiga me disse que votaria em ciclano porque ele era o candidato da categoria profissional dela.

São escolhas, e não as julgo. A minha, porém, é por gente que consiga olhar o macro da situação, consiga se distanciar de sua própria realidade, e enxergar o todo da sociedade, não apenas os setores que acredite me trazer retornos/benefícios mais diretos (isso é especialmente importante para os cargos executivos).

– CONTINUA –

Arnaldo V. Carvalho, pai, terapeuta, educador, escritor, cidadão.

Link para a introdução deste artigo: https://arnaldovcarvalho.wordpress.com/2018/09/18/tentando-votar-direito-1/

 

 

Read Full Post »

Rir na guerra é vilanice

Política brasileira é maquiavélica e não demonstra nenhuma preocupação com o próprio cenário e suas consequências para com a nação

 

Arnaldo V. Carvalho*

 

Semanas antes da Câmara dos Deputados votar o impeachment, especuladores do mercado financeiro já comemoravam, e consultores aqui e lá lançavam aos leigos fórmulas de “como lucrar com queda de Dilma”, ou “fature com a crise”. A maioria não chega a perceber que tal comportamento faz parte de uma crise ética a qual nossa cultura padece mais a cada dia.  Que dirá de Michel Temer, que representou muita gente ao se permitir ser filmado rindo [não] a toa, em sua própria casa, a assistir a derrota de sua adversária (até onde entendo, parceira dos últimos sete anos – da decisão por unirem-se e concorrerem juntos ao momento em que deixou de interessar). Infelizmente, tal gesto representa a alegria de muita gente, de novo pela assombrosa mentalidade que euforiza na destruição do Outro.

 

O fim – a vitória – não justifica o meio – o riso. As vitórias alcançadas por Temer e seu grupo são vitórias de uma guerra, uma guerra política. E não há motivo para risos quando se trata de guerra. Nela, mesmo os vencedores perderam.

 

Incrível que uma guerra política travada no território brasileiro encontre paralelos esdrúxulos para com a guerra do Golfo. O ditador Iraquiano um dia apoiado pelo EUA, tornava-se monstro. O motivo alegado: terrorismo, armamento nuclear; O motivo real: a guerra pelo Petróleo. Civis mortos por todos os lados na caça ao assassino. Museus, monumentos, escolas e universidades, escolas e instituições diversas arrasadas, O espólio de guerra que se arrasta por todos esses anos e leva o país a uma situação miserável como não se viu antes. E ninguém fala nada, “fez-se o certo”. Vejam se não é o que está acontecendo, Lula>Dilma, herois>monstros. Motivo: “afundou” (ela) o país. Motivo oculto: especulação financeira e Petróleo (altamente relacionado a crise da Petrobrás). Consequencia: sucateamento da saúde, educação, miséria geral.

 

O custo social da batalha travada entre os diversos atores políticos no Brasil é incalculável. A angústia do povo,  o descrédito da nação, os direitos humanos ameaçados,  a desestruturação das instituições, tudo isso é parte do ônus de uma guerra política. Se terminasse hoje, levaríamos décadas para refazer o que foi abaixo. E está longe de terminar.

 

O Brasil é o campo de guerra e seu verdadeiro perdedor. Suas pessoas estão divididas em trincheiras que defendem esse ou aquele grupo, e isso nos mantém em um estado de enfraquecimento permanente. Dividir para conquistar, já dizia Julio César**.

 

É claro que você pode ficar satisfeit@ com a saída da Dilma. É um direito seu! Pode encher-se de uma esperança baseada em argumentos diversos. Mas divertir-se? Deleitar-se? Para mim, a emissão daquele sorriso Temer-oso? , e o regozijo do mercado e de tanta gente… É, na verdade, vergonhoso (e muito irresponsável). Tenho e terei vergonha de fazer parte de um país que se presta a esse tipo de atitude.

 

Não há graça no motivo que afasta Pezão do governo do Estado do Rio de Janeiro, não há graça no processo de afastamento de Dilma Roussef, não houve graça na caça ou no enforcamento de Sadam Hussein. Não haverá qualquer graça em comemorar derrota alguma, doença alguma, morte alguma. A derrota do Outro é a derrota da sociedade, é a nossa derrota. No caso particular do Brasil, piora sabermos que derrotas políticas que tenham acontecido ou venham acontecer no tempo presente não foi ou será  uma vitória da transparência sobre a indecência.

 

***

 

* Arnaldo V. Carvalho é pai, terapeuta, pedagogo e cidadão participativo.
** Célebre frase escrita há mais de dois mil anos pelo Imperador romano Julio César. Você sabe em que contexto ele emitiu essa frase? Julio César foi um dos primeiros estadistas a criar um ampo espectro de espionagem no mundo ocidental. Famoso pela conquista das Gálias Celtas (praticamente toda a europa ocidental), Julio César muito antes de efetuar qualquer invasão estudava o povo “Keltoi” (celta, ou “estrangeiro”, em grego), e enviava emissários com a missão de semear discórdia entre os clãs dessas regiões. Ao dividir os clãs, ele os enfraquecia, e a conquista tornava-se fácil. É famosa a ocasião em que, próximo a região da atual França, César precisou de cerca de 40 mil homens para derrotar 250 mil guerreiros celtas, fragmentados por suas disputas internas.

Read Full Post »

 

Anos atrás, fui convidado por uma empresa de consultoria a analisar o perfil de stress dos funcionários de uma fábrica de frango instalada no Rio de Janeiro. O motivo era descobrir porque a mesma tinha um índice de pedidos mensais de demissão na ordem de 30%, por longo tempo (estamos falando de um universo de 2000 (dois mil) funcionários . A quantidade de funcionários afastados por lesão e L.E.R./DORT também era impressionante.

A primeira coisa que me chamou a atenção é que o responsável geral pelo processo produtivo, um veterinário, me mostrava entusiasticamente como o frango era processado, como o ambiente era higienizado, como eles eram eficientes  – mas em nenhum momento se remetia aos funcionários. Contou-me sem remorsos que no início de cada turno a esteira (linha de produção) começava com uma velocidade x, mas aos poucos era acelerada para render mais. Os frangos, que já não tinham boa vida na granja, também não tinham boa morte. Tal como na animação “Fuga das Galinhas” mostra, eles são brutalmente manipulados, tomam choque, chegam as vezes na máquina que os depena ainda com um fio de vida… É muito fácil esquecermos diante de um quadro desses, das pessoas que lá estão.

Estive nas instalações da fábrica por três vezes*, acompanhando todo o processo produtivo, e meus olhos lacrimejavam o tempo todo, por conta do forte odor dos produtos de  limpeza misturados aos vapores dos frangos; o barulho em alguns setores era excessivo, e as proteções auriculares desconfortáveis – com adesão muito limitada da parte dos funcionários. Acessórios de proteção como as luvas de aço usadas pelo pessoal do corte não impediam ferimentos, embora sem dúvida evitasse que o funcionário perdesse dedos ou a mão inteira. Manipular os frangos antes a potente serra de corte era trabalho de homens grandes e fortes, que sob tensão eram os principais candidatos a lesão por esforço repetitivo. Mesmo com vestimentas especiais, o setor de refrigeração congela o que fica de fora do seu corpo (especialmente o rosto) em poucos minutos, e a ordem é que não se fique mais de dez minutos lá dentro. Mas é impossível, porque os homens precisam empilhar, descarregar e carregar, e as vezes ficam bem mais que o estipulado. Há uma carga horária brutal e uma supervisão truculenta. Homens e frangos são tratados de um só modo, nessa RICA indústria. O que mais esperar? A industria avícola é uma fábrica anti-vida.

Ao ler o artigo abaixo, publicado na revista Radis, não pude deixar de me lembrar de tudo o que vi. Já não como frango há muitos anos; Se quando tomei essa atitude foi por pensar em mim mesmo (o frango de granja oferece a menos saudável das carnes), hoje digo que o mais importante em deixar de consumir frango industrializado é não alimentar essa cadeia produtiva nociva.

Arnaldo V. Carvalho, naturopata

* Infelizmente, quando chegamos na fase das entrevistas individuais, a consultoria foi dispensada e o trabalho foi interrompido.

 

Dores e excesso de trabalho

A Comissão de Justiça e Direitos Humanos da Câmara dos Deputados analisou em dezembro as conseqüências do ritmo intenso de trabalho na indústria avícola, que vem gerando uma legião de trabalhadores lesionados e inválidos, vítimas da aceleração do ritmo das nórias (as correntes que transportam o frango até os trabalhadores na linha de produção). Segundo a Folha de S. Paulo, os parlamentares acompanharam os depoimentos com lágrimas nos olhos. “A situação é bem mais grave do que se imaginava. Ficamos emocionados com o grau de crueldade dessa guerra econômica, que produz um exército de mutilados”, disse a deputada Luci Choinacki (PT-SC).

As exportações do setor avícola vêm crescendo vertiginosamente — de 879 milhões de dólares, em 2000, para 2 bilhões e 862 milhões de dólares, até outubro de 2005. Para atender a essa demanda, as empresas aceleram a produção. Um dos problemas dos trabalhadores é a síndrome do túnel do carpo, inflamação do nervo mediano que causa dor aguda da mão ao ombro, incapacitando a vítima e exigindo cirurgias.

FONTE: Revista Radis Súmula, fevereiro e 2006 (ed. 46)

—————————-

Aproveito para convida-los a conhecer a animação MEATRIX e suas continuações, que retratam em pouquíssimos minutos boa parte dos sérios problemas da indústria de criação de frangos, porcos e gado confinado em todo o mundo:

 

Read Full Post »

%d bloggers like this: