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Quando mestres livros e memórias se vão… E é preciso encarar tudo isso

Por Arnaldo V. Carvalho*

Passou por esta vida meu querido mestre Douglas Carrara. Encerrando-se a passagem do sol pelo signo de Leão em fins de agosto, despediu-se após 74 anos dedicados à Vida, em seu sentido mais verdadeiro, intenso, puro.

Mais do que qualquer outro professor que tenha tido, a naturopatia era Douglas: o antropólogo, botânico, fitoterapeuta, tinha na visão científica sua forma de ir ao encontro e defender a natureza e os povos que nela vivem mais integrados do que nós. Sertanejos, indígenas, seus fazeres e saberes, e o meio que os cercava foram a principal bandeira deste homem que se mostrou incansável por tantas e tantas décadas.

Douglas também foi responsável pelo Naturo-data, o banco de dados sobre plantas medicinais mais completo que já vi. Escrito inteiramente em uma “língua morta” de computador, Douglas preparava-se para finalmente ver seu projeto, executado de forma rigorosa, ganhar asas sendo convertido para Java(1) através de uma parceria. Torço que sua esposa Jania e seus filhos levem o projeto adiante, pois é um bem da humanidade, e creio, seria de profundo desejo dele.

Primeiras memórias

Lembro-me de meu primeiro contato com o Professor Douglas. O Centro de Estudos de Naturopatia Aplicada (CENA) aguardava por um palestrante, que falaria aos novos alunos, numa espécie de cerimônia para marcar o início da formação. Eu era um dos alunos que aguardava e, no atraso, um dos presentes começou a conversar conosco, demonstrando grande conhecimento acerca dos saberes naturopáticos.  Lá estava aquele senhor magro, barbado, óculos e fala pausada, a costurar tramas de pensamentos cuja profundidade se fazia alcançar pela eloquência. Quando a coordenadora do curso desistiu de aguardar o palestrante, pediu ao Douglas que falasse a nós. Ele já falava, e nós já estávamos todos encantados. Lembro de olhar para os olhos de algumas colegas, e todos – como o meu – brilhavam.

A fitoterapia era a área mais forte na formação do CENA. Dedicada a ela, uma constelação de professores atuou diretamente conosco por um ano e meio somente nos desdobramentos deste assunto: o biólogo e raizeiro Ary Moraes, o fitoterapeuta Fernando Fratane, o médico suíço Dario Laüppi e o Professor Douglas. Quando as disciplinas de botânica e fitoterapia começaram, foi Douglas quem nos introduziu a esse conhecimento. Estudamos a taxonomia vegetal com alguém que falava dela como se referisse a parentes bem conhecidos. O conhecimento fluía naturalmente dele para nós, e de suas lições, nunca esqueci.

A consciência das políticas nacionais e internacionais de proteção à fauna, à flora e aos povos da floresta, a biopirataria, o indigenismo, os bancos de sementes e DNA vegetal, bem como os últimos estudos nestas e outras áreas, eram assuntos que permeavam os conteúdos de aula. Assim, descobríamos como identificar labiadas ou asteráceas, que vegetais produziam alcalóides, mucilagens, terpenóides, etc., onde cada espécie crescia, como se aclimatava, que usos tradicionais se observava em diferentes grupos sociais no Brasil e mundo, mas aprendíamos também sobre um todo na interação humanidade-natureza. Após a formatura de minha turma, o CENA fechou. Em uma cascata que levou embora uma série de cursos similares, na mesma época.

A velha naturopatia, alternativa mais a margem das profissões de saúde que qualquer outra, por se aproximar “perigosamente” das falas e saberes de raizeiros, rezadores, parteiras e indígenas, daria lugar à renovada Naturologia, que fugia de competir com a alopatia e se firmava pelas evidências científicas produzidas no loco acadêmico.

Praxis naturopática

Mas minha atividade continuou, e meus contatos e aprendizados com Professor Douglas persistiram… até hoje. Douglas me narrou muitos casos de tratamento, verdadeiros mistérios por ele desvendados após exaustivas pesquisas. E me enveredou por esse espírito detetive, que habitua meu caminho profissional e me torna bastante dedicado em compreender um caso clínico com profundidade bem além dos protocolos. Esse espírito investigativo nos aproximava muito e rendeu muitos encontros entusiasmados, onde um inspirava o outro em novas elaborações e conjecturas no resolver de casos de saúde.

No tempo do Portal Verde(2) convidei-o mais de uma vez para dar palestras, cursos, participar de debates. Juntos, estivemos em congressos, e seguimos trocando ideias confabulando oportunidades de levar a público o conhecimento sobre a relação entre o ser humano e as coisas da natureza. E assim ele seguiu sendo meu mestre informal, de quem aprendi e por quem gostaria de ter feito muito mais do que fiz.

A partida do meu professor decreta meu próprio fim na atividade profissional que abracei por bastante tempo: a naturopatia. É um momento difícil, mas são horas.

O fim da minha naturopatia

Até aqui, guardei meu trabalho de curso sobre a Salvia officinalis, corrigido por ele. Chegou a hora de me despedir. Assim como este simplório trabalhinho, o restante de minha biblioteca sobre plantas medicinais, alimentação natural, geoterapia e outros temas relevantes da naturopatia, que levei vinte anos compondo com autores selecionados e algumas preciosidades, vão embora para outros ares, outras mentes – e que possam ser tão úteis, lidos e luminosos como foram para mim.

Com os livros, vai-se embora mais um naturopata, atrás de seu mestre. Um lado inteiro de mim.

Talvez possa dizer que me despedi mais aos poucos do que ele. Já não sou um verdadeiro naturopata. Meu contato com a natureza tem se tornado cada vez mais circunscrito. Tenho feito pouco pela causa natural, já não divulgo minha expertise profissional e apenas aqueles que me conhecem há mais tempo ainda me procuram para orientação profissional nesses termos. A medida que reduzi minha experiência ao contexto da somatopsíquica(3), foram ficando para trás meus anos de estudos sobre ervas medicinais, alimentação, e técnicas diversas oriundas da natureza, aprendidas sobretudo na fusão Carrariana da etnomedicina com a ciência.

Agora, me restará  buscar fundo a naturopatia e Prof. Douglas em recônditos de mim, para não permitir a insipidez da mente humana dissociada do corpo natural, do indivíduo e de Gaia.

***

* Arnaldo V. Carvalho: pai, terapeuta, gente. Ex-naturopata.

Notas

(1) Java é uma linguagem de computador, amplamente utilizada na atualidade, e que pode permitir ao Projeto Naturo-data alcançar finalmente a Internet.

(2) Portal Verde é um projeto de fomento à saúde e a qualidade de vida iniciado em 1999 por mim e dois parceiros (Luiz Otávio Miranda e Altamiro V. Carvalho). Entre 2000 e 2008 funcionou como centro de terapias em Niterói. Desde seu fechamento, permaneceu na Internet como um site divulgador de notícias relacionadas à uma vida naturalmente mais saudável.

(3) Somatopsíquica é como podemos chamar a compreensão de como os processos corporais (soma) interferem na mente (psiquê). É o inverso da Psicossomática. Atualmente basicamente meu trabalho consiste em observar como a mente transfere informações para o corpo e como este lhe retorna. O trabalho terapêutico passa essencialmente pela compreensão desse endo-relacionamento, e de como isso se comunica com o meio externo, em especial nos interrelacionamentos.

Mais sobre Douglas Carrara:

http://www.bchicomendes.com/cesamep/poscurri.htm

http://www.recantodasletras.com.br/autores/douglascarrara

http://www.constelar.com.br/constelar/121_julho08/mapatestedouglas_mapa2.php

 

 

 

 

 

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A redescoberta do jejum

Jejum e bem-estar parecem ser conceitos completamente antagônicos nos dias de hoje. Se comer passou a ser muito mais uma forma de aliviar as tristezas e ansiedades, fechar a boca para todas as delícias que a indústria alimentícia nos oferece é visto como um sacrifício supremo. Mas, na contra-mão dessa idéias, algumas pessoas começam a descobrir agora que o jejum, se bem utilizado, é uma excelente terapia para viver com mais saúde.

O naturopata e terapeuta corporal Arnaldo V. Carvalho é um dos que recomendam – e praticam – essa milenar forma de tratamento e limpeza orgânica. Por um dia a cada mês, Arnaldo alimenta-se apenas com água ou suco de frutas e garante que a prática pode oferecer muitos benefícios: o jejum limpa as mucosas intestinais, elimina metais tóxicos e oxigena o organismo. “Jejuar pode ajudar ainda a combater doenças infecciosas, diminuir a pressão arterial e melhorar a acuidade mental”, diz Arnaldo.

A prática não tem origem oriental, como parece. No ocidente, Hipócrates, o pai da medicina, já utilizava o jejum terapeuticamente, na Grécia. Mas, com o advento da medicina moderna a partir do século 16, a prática do jejum acabou restrita apenas a atos religiosos, para limpeza espiritual, e políticos, como forma de protesto. No oriente, entretanto, onde a medicina e a religiosidade sempre andaram juntas, o jejum alimentar nunca deixou de ser praticado.

Segundo Arnaldo Vilhena, o próprio estilo de alimentação que adotamos faz com que o jejum não seja um sacrifício para o corpo: “Não apenas comemos mal como também comemos em excesso, muito mais do que precisamos. Por isso, quando em jejum, o corpo trabalha com as suas reservas, que são muitas, e de forma alguma será prejudicado pela falta do alimento”, diz ele.

Um tempo para o corpo

Os processos alimentares despendem uma quantidade muito grande da energia que circula em nosso corpo. Depois de uma refeição, por exemplo, cerca de dois terços do sangue se concentram no processo digestivo. Como comemos em excesso e mastigamos pouco, os outros processos orgânicos acabam prejudicados, já que o corpo fica constantemente envolvido com a alimentação. Com o jejum, o organismo consegue o tempo necessário para reequilibrar os seus processos fisiológicos, fazendo com que todos os órgãos sejam igualmente “assistidos”.

Essa necessidade natural do corpo pode ser muito bem observada nas crianças. Quando elas contraem uma doença infecciosa, por exemplo, perdem logo o apetite e só o recuperarão depois que o organismo estiver livre da infecção. Essa recusa do corpo em comer é a forma que ele encontra de concentrar-se na cura da infecção.

Segundo Arnaldo, acostumamo-nos a ver a cura como um processo externo, quando na verdade ela é um processo tão natural quanto respirar. O corpo está constantemente se auto-curando e o jejum permite que essa cura seja mais eficiente, promovendo tempo e espaço para que os mecanismos curativos do corpo atuem onde estão sendo necessários. Por isso, o jejum é terapêutico por si só. “Na verdade, o período de sono é um pequeno jejum. O que se faz é prolongar este período, dando ao organismo mais chances de se curar, de se regenerar”, diz Arnaldo.

O bom jejum

Em geral, quem pratica o jejum terapêutico o faz com regularidade: priva-se dos alimentos por um dia inteiro a cada período de tempo, normalmente um mês. Apesar dos apelos de consumo alimentar, a demanda vem aumentando aos poucos e o jejum vem sendo utilizado até mesmo para emagrecimento. Segundo Arnaldo, a prática é eficaz para combater os hábitos compulsivos de alimentação: “Quanto mais se come, mais se estimula as papilas gustativas e mais se tem vontade de comer. Se esse estímulo é interrompido, a compulsão pela comida acaba ou diminui”.

Há cerca de 30 anos, o jejum foi utilizado como alternativa de emagrecimento e acabou virando moda. Alguns médicos chegavam a internar seus pacientes em hospitais, para que deixassem de comer e assim emagrecessem. Como qualquer método drástico para perder peso, a moda do jejum logo se mostrou ineficaz.

“Quando utilizado de forma rotineira para emagrecimento, o jejum é muito prejudicial e há várias contra-indicações para a prática, como diabetes, problemas renais e de coração”, alerta o endocrinologista Mário Negreiros, professor da Universidade Federal Fluminense e autor do livro Obesidade – mitos e verdades, da editora Cultura Médica. Ele lembra ainda que o jejum sem acompanhamento médico pode levar também à anorexia e não recomenda a prática para crianças e adolescentes.

Segundo Arnaldo, ainda que sem os exageros do passado, muitas pessoas estão descobrindo que é melhor ficar sem comer um dia inteiro do que se privar dos alimentos que gostam em nome da boa forma. Além de desintoxicar o corpo e permitir que os alimentos sejam melhor digeridos, o jejum pode colaborar para o emagrecimento por um outro processo: estudos recentes descobriram que o jejum é capaz de queimar as cetonas, que são gorduras incompletas que normalmente não conseguem ser reabsorvidas pelo organismo e ficam depositadas nas células.

Seja com a finalidade de emagrecimento, cura ou desintoxicação, todo jejum precisa ser orientado por um especialista, principalmente por conta das distorções que a prática possui. O jejum deve começar assim que se acorda e quem jejua pode praticar suas atividades normalmente. Ao contrário do que se imagina, pessoas de saúde normal quando em jejum terapêutico podem trabalhar, se divertir, levar a vida normalmente, já que o corpo possui muitas reservas que podem ser utilizadas nesse período.

É muito importante beber bastante água e, de acordo com a finalidade do jejum, ela pode ser substituída por chás ou sucos de frutas frescos e naturais. Limão, pera e abacaxi são as mais utilizadas, pois são consideradas depurativas. Quanto à fome, Arnaldo afirma que muitas pessoas sequer a sentem. No entanto, deve-se sempre respeitar os limites do corpo e da mente: “Em alguns casos, beber mais água é o suficiente, mas só se deve manter o jejum enquanto ele puder ser feito confortavelmente”, diz Arnaldo.

Outro alerta é em relação aos limites do jejum. Normalmente, 24 horas é suficiente para beneficiar o organismo. Por fim, deve-se comer alimentos leves na noite anterior ao início do jejum e nunca comemorar o término do período num rodízio de pizza, por exemplo. O melhor é voltar ao ritmo alimentar normalmente, para que os benefícios do jejum sejam permanentes. “Se o indivíduo é saudável e pratica o jejum terapeuticamente, para desintoxicar o organismo, certamente irá se beneficiar”, diz o dr. Mário Negreiros.

PUBLICADO ORIGINALMENTE NO SITE PLANETA VIDA – Um informativo que foi descontinuado. Por volta do ano 2000.

ATENÇÃO LEITOR: Se você conhece a jornalista que preparou esta matéria, por favor faça contato comigo.

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Gravado ONLINE para o programa Ponto de Vida da TV ABCD, contei ao terapeuta e entrevistador Eugenio Yochida um pouco sobre a origem de meu trabalho, como funcionam algumas das técnicas que utilizo, e quais são minhas frentes de trabalho atuais.

Na pauta, inclui-se a naturopatia, as técnicas de controle mental, o Shiatsu Emocional, a psicoterapia corporal, a orientação aos pais grávidos e a importância de uma gestação e parto saudáveis para a saúde humana.

Imagem do programa Ponto de Vida: entrevista com Arnaldo V. Carvalho

A entrevista pode ser acessada diretamente pelo link: http://bit.ly/124dVEK

Espero que gostem e se motivem a seguir conhecendo mais sobre as terapias que funcionam pela observação dos mecanismos naturais da Vida, que basicamente são as que sigo.

Um abraço a todos os leitores do blog.

Arnaldo V. Carvalho

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Um desafio da naturopatia é a promoção da saúde oral adequada, tendo em vista:

– que ela é ponto de partida de um todo maior;

– ela abriga diversas correlações somáticas / reflexologicas;

– é ponto de contato com o Outro e com a Natureza;

– é área posicionada em ponto estratégico (abaixo do cérebro).

Tomemos por base a relação harmoniosa, a ecologia humana interligada a da Terra, e compreenderemos melhor sobre quão sábia é a tradição dos povos em tantos casos. Assim que nossos índios há muito descobriram o Juá e entre seus utilizadores vemos uma boca sempre saudável até a velhice; enquanto que no Egito e parte da península arábica e ásia, se tinha Miswak (Salvadora persica). Trata-se de uma planta cujos pequenos gravetos possuem a característica de abrirem-se como cerdas, que fazem muito bem a função mecânica da escovação, facilitando a limpeza entre dentes (não substitui o fio dental de acordo com meus testes, mas é mais eficiente que uma escova comum), e do fundo da boca (região dos sisos) e associados a substâncias bactericidas, tornaram-se importantes aliados na prevenção da cariogênese entre esses povos.

Algumas pessoas viajam para os países árabes e trazem gentilmente Miswak (também chamada de Sewak conforme a procedência), compartilhando conosco. Atualmente, elas são embaladas de maneira a preservar suas propriedades, e chegam ao consumidor médio de forma padronizada através da indústria  Recomendo conhecerem a Prof. de Dança do Ventre Beatriz Simbiya Ricco, que tem divulgado o uso da Miswak por aqui.

O sabor volátil de miswak tem fundo de raiz forte (wasabi), o que nos leva a considerar que há certamente moléculas terpenoides a fazer parte de suas propriedades terapêuticas.

Miswak (capinha)

A sensação de limpeza e polimento dental proporcionada por prazerosa escovação com miswak, e a certeza de que não estamos entrando em contato com a química das pastas de dente, ou com excesso de flúor  faz desse tipo de aparato uma acessório fantástico à higiene oral.

Recomendo!

Arnaldo V. Carvalho, Naturopata

Referências científicas

Al-lafi T, Ababneh H. The effect of the extract of the
miswak (chewing sticks) used in Jordan and the Middle East
on oral bacteria. Int Dent J. 1995 Jun; 45(3):218-22.

Almas K, Al-zeid Z. The immediate antimicrobial effect
of a toothbrush and miswak on cariogenic bacteria: a clinical
study. J Contemp Dent Pract. 2004 Feb; 1(14):105-14.
Almas K, Al-lafi TR. The natural toothbrush. World
Health Forum. 1995; 16(2):206-10.

Miswak (capinha)

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– Cocô, muito prazer!

Por Arnaldo V. Carvalho*

Tenham em mente: cocô perfeito é aquele que sai sem qualquer dor, e quando a gente passa o papel no rabiote não sai nada ou praticamente nada. Acredito que com essa pista 99% de vocês pensou “ih, e agora?”, hehehe. Mas é verdade. Para um bom cocô, a primeira coisa a fazer é rever a relação que se tem com ele. Cocô é a coisa mais próxima que existe da terra fértil que tem aquele cheirinho bom quando a chuva bate. A maioria das pessoas cria má relação com o cocô desde… sempre. Vamos ver?

Na ordem do despertar fisiológico, é mais ou menos assim: a gente primeiro é tocado, então respira, depois mama e depois faz xixi e cocô. Isso aí. Troca de calor, depois troca de ar, depois troca de materiais, o leite pelo cocô. Umhum, nascemos, e por mais humanizado que seja um parto, o que se segue ao momentinho pele com pele com a mãe (momento mágico e privilégio infelizmente de uma minoria) é a colocação de FRALDAS. A fralda diz ao bebê “essa região do seu corpo é diferente; e diz com o silêncio: “não receberás contato, e nem mesmo tu entrarás em contato com essa região”. Ninguém quer “se sujar”!!! Mas o que pode haver num xixi ou num cocô recém nascido, que veio de um ambiente 100% descontaminado, que experimentou nos intestinos e nos rins apenas líquido amniótico, que em boas condições é límpido, quase uma lágrima? Já dizia minha mãe “bicho de goiaba é goiaba”.

… “é a coisa mais próxima que existe da terra fértil que tem aquele cheirinho bom quando a chuva bate

Vamos pra frente. Então o bebê fez seu primeiro cocô na fralda. O cocô fica de minutinhos a bem mais que isso em contato com a pele. O cocô do bebê é bem ácido, a pele dele bem fininha… resultado: assa a toa! O cerebrinho louco de vontade de aprender e ter seu neo-cortex supimpão registra em seu diário de bordo da espaçonave Vida: “mamei. senti um aperto na barriga. saiu um material quentinho. alívio. depois ardor e manipulações várias”. Trocando de razão para emoção, o cerebro reptiliano-dinossaurico do nenemzinho acusou no serzinho a seguinte ordem de acontecimentos emocionais: prazer-desconforto-prazer-dor-desconforto. Que lição! Mas não fica por aí. A mamãe ou quem lá for tirou a fralda. O campo visual do bebê é aquele ser que lhe livra daquela coisa que faz perder contato da pelve. Ele vê uma pessoa fazer expressão de nojo, fazer “hummmm” torcendo o nariz e afastando o rosto, olhando de lado para aquela “criação”. Registra na memória aquela expressão. Mais tarde, ela estará associada a emoções negativas. Ou seja, cocô não pode ser coisa boa – embora instantes antes tivesse sido prazeroso! Como se não bastasse, as vezes por um montão de motivos que não cabem aqui (até cabem mas aí já é detalhe demais), o cocô prende lá dentro. Povo faz de tudo, bebê desconfortabilíssimo, e… supositório de glicerina. Aplicação fora da ordem programada para o ânus, desconforto que salva: coça coça e AVALANCHE! Lá vem o cocô como por mágica, bastante. O supositório diz: “não consegues sozinho” e diz “essa coisa terrível tem de sair daí”. É… cocô é mesmo uma merda.

Aí vem aquela fase segunda, depois de tantos registros: o uso do vaso. O bebê andava tão feliz porque agora já sabia andar, e podia simplesmente abaixar-se de cócoras para fazer fácil seu cocozinho! Quanta liberdade, e tudo tão fácil! E se não houvesse fralda, se o bicho-homem ainda não teimasse em deixar de ser bicho, o tal cocozinho ainda ia direto para a terra, sem o desconforto da acidez das fezes, com o prazer do fazer. Mas ok, ele usa fralda. E ao sentir o quentinho, sente prazer – é claro! E claro, também não entende – ainda – porque os adultos fazem cara feia, abanam o nariz em sinal de cheirinho ruim. O nenê já está careca de saber disso. Só não entende porque. Por ele, o cocô já deveria ter sido explorado com toda a sensorialidade: olhado, cheirado, tocado, até comido! Alguns até que conseguem. Mas… sabe lá o que os adultos pensam disso, eles detestam, e então o euzinho do nenem que quer muito pertencer (e não só possuir como pensam alguns a respeito do egocentrismo pueril) já está bastante catequizado no primeiro ano de vida. Já viu inclusive que cocô é algo que se esconde, que o papai e o irmão mais velho e todo mundo se esconde quando o faz. O que poderia ser uma natural busca por privacidade pela liberdade fisiológica, pelo ato de parir as fezes livre dos estímulos corticais ocorridos na percepção de ser observado será transferido para mera proibição “sob pena”, uma vez que as fezes são ali imediatamente isoladas, eliminadas, e todos os seus resquícios devem desaparecer o quanto antes.

Que invenção essa tal de PRIVADA (sacaram agora o nome né?). Ao menor sinal de que “está afim” de defecar, lá vai o serzinho ser transportado as pressas para ela. No vasinho ocidental, ou mesmo no pinico, o menininho ou meninina é sentado(a) numa posição bem menos fisiológica, as pernas já não podem pressionar o abdômem, a pelve já não encontra-se encaixadinha. Segue-se uma explicação, seguem-se perguntas, estimula-se o cérebro racional para mais um daqueles atos que deveria ser dos mais instintivos de todos. Mas isso não é nada, pois é para fazer no lugar certo que nosso cortex serve mesmo. O problema mais sério é quando depois disso a criancinha ouve: “só saia daí quando fizer”. O ato é uma prisão!

É, não é difícil que para aqueles que são castigados com o “banquinho” associem em seu inconsciente mais uma vez castigo – a pose, a ideia do cantinho e do isolamento, tudo isto está lá. Veja que estamos falando da criação “normal”, “carinhosa”; não vou entrar nos vandalismos que adultos cometem com as crianças com punições das mais variadas ligadas a cocô. Nesse momento meus amigos, já seria milagre, façanha da maravilhosa inteligência humana estar de 100% bem com o cocô.

E não é casual que com cinco anos haja grande espanto – e grande atração, e risadas! – ao se falar publicamente – “cocô”! “xixi”! Publicamente, onde é “proibido”. Delícia de transgressão, os adultos ficam chocados. O ex-nenem exerce sua liberdade e diz: “eu posso”. Mas embora digam e riam dos adultos, já não entendem mais como os macacos conseguem segurar cocô na própria mão para jogar nos humanos que se divertem a base de encarcera-los. O nojo já é emoção desenvolvida. Mais velho um pouquinho, e fica o libertário registro: liberta-se essa má relação na fala com todos os “merdas!” e “bostas” e “que cagada!” aquilo que se aprisionou em tempos remotos. E como cocô sai por buraco e no ser humano todo buraco existe para dar prazer – presente que mamãe natureza coloca na gente para a gente curtir nossa fisiologia e os movimentos de interação do corpo com a Terra – hão de surgir fios-terra e as versões mais diferentes de analidade para todos os lados. Associada a sexualidade, a analidade reconquista para o ser o contato com algo que lhe foi tomado nesse estranho momento em que nosso primeiro presente concreto ao mundo tornou-se algo a ser combatido, escondido, detestado.

O cocô deve ter sofrido uma considerável depreciação nas culturas em que a higiene natural  desapareceu (já reparou como os animais em seus ecossistemas naturais sempre são higiênicos?) e favoreceu doenças, pestes etc. até ser substituída pela higiene programada por uma racionalidade. Dá para imaginar o susto desses primeiros homens a resolverem olhar de novo para o corpo humano, a ver vermes de todos os tamanhos e quantidades movimentando-se nas fezes, ao perceberem quantas doenças – algumas letais – estavam associadas aos diversos parasitas intestinais. Sim, estamos até hoje atrelados a essa racionalidade surgida em contra-movimento a esse período, que carecia de muitas informações e gerou uma relação fóbica com o que via – fezes de fato bastante degradadas, frutos de corpos doentes, mal alimentados em todos os sentidos e desprovidos da higiene natural.

Não duvidemos que dessa neurose oriunda cocô está a origem da criação de um sistema sanitário inviável, que despeja algo que deveria ir para a TERRA em rios e mares. Talvez seja preciso rever a maneira de nos relacionarmos com o cocô para isso tudo começar a mudar.

E agora? “Sujou”!

Agora é o esclarecimento contra a regra cega. Entender que as bactérias que estão no cocô já estavam dentro do corpo (alguém já havia se tocado disso?) e que portanto não se devem teme-las dessa maneira neurótica que a sociedade alimenta. Entender que se temos higiene na entrada do material obviamente produziremos material de saída limpo e fértil (gratidão e contrapartida do corpo ao solo que o alimentou). Entender que o corpo tem mecanismo de prazer para todos os seus buracos: tudo o que entra e sai pelos 7 buracos da cabeça e pelos 3 buracos da pelve, geralmente na ordem gravitacional: entra pelos buracos de cima e sai pelos buracos de baixo (A sagrada excessão do sexo é mais um daqueles detalhes que tornam o sexo o que é: sagrado, disposto a brotar o yin do yang e o yang do yin). Ou seja, fazer cocô por instinto pode (e tem tudo para!) ser prazer. Entender que fazer cocô para além de descarga material é também descarga imaterial, de energia psíquica relacionada ao que já não precisamos carregar mais. Entender que o cocô pede momento de pausa, de recolhimento bom e contato do corpo consigo mesmo, como todo momento de descarga ou uso dos buracos de baixo (mesmo o contato sexual é um contato consigo – o consigo que vive no outro e forma no casal a Unidade, que lindo isso!).

Obviamente, falar de cocô é falar de material rico em enxofre, e nosso nariz já ensinou que material com enxofre nos desagrada, e nos desagrada para nos afastarmos mesmo, nos afastarmos porque enxofre é liberado no ar por bactérias anaeróbias, e a gente sem dúvida não tá afim delas – ao contrário, aprisionamos elas todas no bondão do cocô e mandamos elas para fora do corpo. Dali de fora ele se despede de nós, não sem antes nos oferecer de presente precioso meio de perceber nosso interior.

Uma benção do cocô é vermos qual é o resultado daquilo que comemos. Se não olhamos, não sabemos. Se não aprendemos a perceber pelas muitas diferenças de cheiro o que está acontecendo dentro do corpo, fica difícil de se estabelecer uma terapeutica! Muito pum? Glutem, oxalatos e má mastigação. O olfato é parte de nosso sistema de higiene natural, e é parte do sistema que nos leva a proximidade ou tomada de distância com tudo na vida: comida, animais ou vegetais potencialmente perigosos, parceiros sexuais, filhos, pais, e vida bacteriológica, encontrada em tudo o que tem matéria orgânica em decomposição – seja o cocô seja uma carcaça de animal ou vegetal podres. Assim, o cheiro de ovo podre associado a amebas, o cheiro ácido-apodrecido do excesso de carne, ou azedo do excesso de leite ou proteínas de difícil digestão, ou ainda o cheiro aparentado ao da bosta de vaca, que pode mostrar que o fígado precisa de cuidados. Muco? Dependendo da cor, consistência, cheiro é agressão química, alimentação com excesso de amido, possível presença de vermes. Cheiros, cores, consistência, presença de elementos vários, tudo deve ser investigado, pois tudo revela. O que estava dentro agora está fora, é nosso aviso de como está dentro. Não é preciso achar que os cocô-amigos gastam um tempo enorme de observação. O olho que vê com naturalidade capta em um segundo tudo o que é preciso captar no exame visual, que será complementado com a informação olfativa.

É pessoal, vamos por a mão na massa (sentido figurado!), sem medo de ser feliz: olhar o cocô, ver os detalhes, buscar correlaciona-lo com o humor, com o que se comeu. Fazer contato com esse lado de gente que a gente tem!.

* Arnaldo V. Carvalho, naturopata, estudioso do Pensamento Reichiano, da Medicina Tradicional Chinesa, do psiquismo e da Saúde Primal. Autor do livro Shiatsu Emocional, palestrante e conferencista conhecido internacionalmente. Atende no Rio e em São Paulo. arnaldovc@portalverde.com.br

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Há tempos não ministro um curso em Niterói. De aromaterapia, é ainda mais raro. É curiosa, a vida. De repente ela te leva para Portugal, São Paulo, Vitória, Buzios, Itacaré, Caruarú, Ituiutaba, João Pessoa, etc… Te leva todo canto para compartilhar um pouco de você refletido por óleos essenciais, formulações e histórias… E de repente a gente sente falta, falta de voltar pra casa. Ofereço após muito tempo esse pouco de mim que é a Aromaterapia, uma paixão que estudo desde 1993. Quem estiver lá, vai gostar, tanto quanto eu. Os amigos, a quem peço a benção, torcerão por mim, de certo; E que o Universo conspire, para que cada um saia engrandecido da experiência que vamos ter.

CURSO DE AROMATERAPIA

DIAS 19 E 26 DE JUNHO

LOCAL: Logos Estudos e Consultoria – Icaraí, Niterói – RJ – Brasil

TEL de CONTATO: 21 2711-6066 begin_of_the_skype_highlighting              21 2711-6066      end_of_the_skype_highlighting (Nelma Guerra)

E-MAILs: nelmaguerra5@uol.com.br

SERÃO 2 SÁBADOS COM OITO HORAS DE DURAÇÃO CADA.

CONTEÚDOS:

Curso Básico de Aromaterapia – 16H

OBJETIVOS: Trazer as bases fundamentais na compreensão e perfeita utilização de óleos essenciais, ácidos graxos e demais matérias-primas e técnicas da aromaterapia; Fornecer ao aluno um panorama detalhado do mercado e das técnicas associadas; Permitir que o aluno possa produzir com qualidade e segurança produtos de aromaterapia para utilização pessoal ou profissional; Conhecer os principais óleos essenciais e óleos gordos utilizados no mercado europeu e mundial para a prática de aromaterapia, inclusive com sua descrição geral e propriedades terapêuticas.

PROGRAMA:

• Bases de Aromaterapia
• Aspectos históricos e panorama mercadológico atual;
• Noções botânicas e farmacológicas;• Generalidades sobre óleos essenciais e óleos carreadores:
– Formas de extração de óleos
– Características fisico-químicas
– Óleo essencial x essência
– Óleo carreador não refinado x refinado
– Propriedades terapêuticas gerais

• Veículos empregados em aromaterapia;o
• Formas de administração terapeutica de óleos;
• Descrição e propriedades específicas de cada um dos óleos estudados no curso (cerca de 50 tipos).
• Lei das sinergias;
• Taxas de Evaporação;
• Limitações e Contra-indicações;
• Formulações básicas;

OBS: Durante o curso são aplicadas dinâmicas e práticas diversas; Todos as preparações ocorridas em aula ficam com os alunos; Rica apostila e certificado inclusos.

Site dos cursos de Aromaterapia do Prof. Arnaldo: Clique aqui

INVESTIMENTO:

R$300,00 que poderão ser divididos em 3 vezes com cheques pré datados.

FACILITADOR:

terapeuta corporal e naturopata

ARNALDO V. CARVALHO

Autor do livro: “Shiatsu Emocional”, fundador e administrador do site e blog Aromatologia e Aromaterapia. Ministra cursos relacionados à saúde natural, inclusive aromaterapia em diversos estados do Brasil e exterior.

Visite:

http://www.portalverde.com.br

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aromatologia.wordpress.com

www.shiatsuemocional.com.br

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