Acreditar? Não há pressa.

https://i1.wp.com/www.meditationinliverpool.org.uk/Images/Buddha-Life-Story/Buddha-200s.jpg“Não se apresse em acreditar em nada, mesmo se estiver escrito nas escrituras sagradas. Não se apresse em acreditar em nada só porque um professor famoso que disse. Não acredite em nada apenas porque a maioria concordou que é a verdade. Não acredite em mim. Você deveria testar qualquer coisa que as pessoas dizem através de sua própria experiência antes de aceitar ou rejeitar algo.”

(Siddartha Gautama, o Buddha, Kalama Sutra 17:49)

Acredito e procuro seguir.

“Pode-se tocar alguém somente como um objeto, como uma doença, como uma coisa, como um objeto de prazer, pode-se tocar alguém como a um Deus e até mesmo não ousar tocar.

O importante é toca-lo no meio, quer dizer, reconhecendo a dimensão divina da pessoa a quem tocamos, não esquecendo o sopro que a habita, não esquecendo o espaço que existe nela, não esquecendo a divindade que está em seu ser.

E manter os dois unidos”.
Jean-Yves Leloup – Caminhos da Realização

Filho de um Monstro

Por Arnaldo V. Carvalho

https://arnaldovcarvalho.files.wordpress.com/2010/07/876692.jpg?w=300

“Nasci e não me lembro dos fatos. Crescerei. O que serei? Carrego em mim o registro de uma loucura. A loucura de meu pai e de minha mãe. Ele a matou. eu ainda mamava. Pouco tempo antes ainda residi naquele ventre, hoje frio, despedaçado. Meu pai é um monstro. Minha mãe seduziu-se por um monstro, e agora sou filho dessa noite sinistra e má. E crescerei. Que será de mim?

Guardo comigo impressões não claras, não cognitivas, de ódio e morte. Que faço com isso? Como isso se manifestará em mim? Lutarei contra tais impressões? Farei delas uma parte de mim? Ou será que já são? Sim, tenho o DNA do meu pai, e da minha mãe. Aquilo tudo eram suas almas? Ou foram eles transformados, degenerados pela vida?

Eles são meus pais. Me deram a vida. Represento-os. Devo representa-los também na loucura? Tomarei ódio pela figura masculina impressa como cruel e assassina, ou a assumirei tal como a percebi? Quem sabe tomarei ódio de minha mãe e jamais consiga me relacionar. Aceitarei a verdade de meu homem-pai, e serei um machista-passional-psicopata a massacrar a frágil-putinha-ambiciosa? Tornar-me-ei avesso a própria vida, e assim buscarei alívio na auto-punição da castidade severa, da culpa e do isolamento? Serei uma eterna vítima? Formarei câncer e morrerei mais cedo? Fugirei para as drogas? Ou,  quem sabe, decidirei ser especial, e tornarei-me acima de tudo isso? Terei chances de ver que não existem de fato monstros ou maus, mas cadeias constantes de equilíbrio e desequilíbrio?

As pessoas me rotularão. Me farão de coitadinho, me fragilizarão. Algumas, contudo, terão medo de mim. Adultos tirarão seus filhos da escola em que eu frequentar. Outros quem sabe conversarão com eles, dizendo que “precisam me ajudar”.

Crescerei. E afinal, a vida me dará chances de vencer meus registros? De ver acima deles? Talvez… só dependa de mim”.

Muita coisa me espanta num caso como o do goleiro Bruno. Me espanta o povo que se choca com algo que acontece DIARIAMENTE em doses equivalentes de loucura e crueldade, mas que, por acontecer a um famoso, desperta surpresa e sentimento. Como acordar tranquilo sabendo que nesse momento crianças estão sendo estupradas, mulheres estão sendo mortas? Não, não faz diferença. Faz porque é um jogador de um clube famoso.E a guerra continua aí, invisível, insensível, diante de todos, humano contra humano, vida contra vida. É uma tecla batida, que sempre toco e sempre tocarei, enquanto o povo continuar se espantando com o que acontece e vira notícia, e ignorando o que está diante de seus olhos.

Me choca porque o episódio, muito mais do que gerar reação das autoridades e reflexão na sociedade (não necessariamente nessa ordem), é muito mais efetiva para a venda do filme pornô de Eliza Samúdio. É mórbido. É grotesco. A mulher deixou um filho bebê, foi dilacerada em pedaços, e o povo ainda quer ver o filme pornô dela. Senti vontade de vomitar quando li a manchete no jornal sensacionalista, ao passar por uma banca de jornal. O caso revela uma face do brasileiro que eu não conhecia, ou pelo menos recusava-me a admitir: necrófilos (mais do que nunca agora me faz sentido o desejo insandecido de muitos brasileiros a varrer a Internet em busca de pedaços dos corpos dos Mamonas Assassinas). Num mundo que comemora vampiros como heróis do cinema, TV, livros e joguinhos, faz todo o sentido. Devo ser mesmo um alien.

Mas o que mais me choca, é o que não se vê, não se fala, não se comenta. Incrível como ninguém parece estar muito preocupado com o que acontece com o bebê. “Será criado pelo avô”; não basta! A esse menino, nada bastará, pois é um condenado. Ao condenarmos seu pai e sua mãe (“pecadora beatificada, purificada pela morte”), como livrar o bebê de seu “karma”? Ele deve crescer com a verdade, ou fingirá sua família que a mãe ou mesmo os pais morreram num acidente de carro? deverá ser hiperprotegido pois afinal é não tem culpa de nada, ou deve ser tratado como uma criança qualquer? Ou mesmo ser linha dura para que ele aprenda a ter mais respeito pelas pessoas e não se torne arrogante como o pai? Deverá ele crescer com senso de julgamento em relação aos pais? Tal senso de julgamento deverá vir de uma fonte externa, ou ele deverá criar o seu próprio? Ou será o menino capaz de livrar-se dos julgamentos, e simplesmente agradecer por ter nascido, desvinculando-se de tudo o que é pura pobreza espiritual?

Enquanto julgamos e condenamos seus pais, estamos condenando esse menino. Estamos atirando pedra numa loucura que isolamos como se isola um câncer e se diz: “isso não é meu”! O pior é que é. E se não se compreende isso, não se muda a própria natureza. Se a sociedade não muda, poderá estirpar milhares de Brunos de si… O corpo-social fará metástases. O câncer seguirá rondando. A responsabilidade é de todos. Ainda ontem, Michel Odent disse em brilhante roda de conversas: “fomos criados com o discurso de que devemos amar o próximo. Parece que só falar isso para os filhos não deu certo”. Não deu mesmo. O mundo continua envolvido com uma cultura de guerra, morte, visão curta e insustentabilidade.

Esse menino meus amigos, hoje é filho da Sociedade Brasileira. É a própria sociedade. É o futuro de cada um de  nós, de cada filho nosso.

Preocupado eu fico com o menino, e o que fará com tudo isso na vida adulta. E nós, o que faremos? Torço que a Vida vença a anti-vida, dentro dele e em nossa Coletividade.

*   *   *

O Paradoxo de nossa Época – Dr. Bob Moorehead

Esse é um texto brilhante (apesar do cunho diretivo, “auto-ajuda” para onde o Moorehead dirige o final de seu texto com seus parágrafos começados com “lembre-se”), com autoria frequentemente adulterada e tradução com muitos erros, cortes e alterações propositais de texto. Retraduzi a partir do original, e os leitores do meu blog poderão ler na íntegra o texto em português, que procurei manter fiel ao espírito do autor.

O Paradoxo de Nossa Época

* Dr. Bob Moorehead

O paradoxo de nossa Época na história é que nós temos prédios maiores, mas tempers menores. Estradas mais largas, mas menores pontos de vista. Nós gastamos mais, mas temos menos; Nós compramos mais, mas desfrutamos menos. Nós temos casas maiores e famílias menores; mais facilidades, mas menos tempo. Nós temos mais graduações, mas menos senso; mais conhecimento, mais menos juízo; mais peritos, ainda mais problemas; mais remédios, menos bem-estar.

Nós bebemos demais, fumamos demais, gastamos imprudentemente demais, rimos pouco demais, dirigimos rápido demais, ficamos furiosos demais, despertos até tarde demais, levantamos cansados demais, lemos pouco demais, assistimos TV demais, e oramos pouco demais. Nós temos mutiplicado nossas posses, mas reduzimos nossos valores. Nós falamos demais, amamos pouco demais, e odiamos de forma frequente demais.

Nós aprendemos como fazer uma vida, mas não a viver. Nós adicionamos anos à vida, não vida aos anos. Nós fomos e voltamos à lua, mas temos problemas para atravessar a rua para conhecer um novo vizinho. Nós conquistamos o espaço exterior, mas não o espaço interior. Nós fizemos coisas maiores, mas não coisas melhores.

Nós temos limpado o ar, mas poluímos a alma. Nós conquistamos o átomo, mas não nosso pré-julgamento. Nós escrevemos mais, mas aprendemos menos. Nós planejamos mais, mas realizamos menos. Nós aprendemos a nos apressar, mas não a esperar. Nós construímos mais computadores e detemos mais informação, para produzir mais cópias do que nunca, mas nós nos comunicamos menos e menos.

Esses são tempos de comida rápida e digestão lenta; homens grandes e caráter pequeno; lucros acentuados e relacionamentos vazios. Esses são os dias de dois empregos, mas mais divórcios; casas elegantes mas lares despedaçados. Esses são dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade cuspida ao vento, ficadas de uma noite, corpos muito acima do peso, e pílulas que fazem de tudo, de alegrar a acalmar, matar. É uma época quando há muito na vitrine e pouco na despensa. Uma época onde a tecnologia pode levar esta carta até você, e você pode escolher entre compartilhar esse insight ou simplesmente clicar o “delete”.

Lembre-se, invista algum tempo com suas pessoas amadas, porque eles não estarão a sua volta para sempre.

Lembre-se de dizer uma palavra gentil a alguém que olha admirada para você, porque essa pequena pessoa logo vai crescer e sair do seu lado.

Lembre-se de dar um abraço caloroso em quem está próximo de você, porque isso é o único tesouro que você pode dar com seu coração e não custa um centavo.

Lembre-se de dizer “eu te amo” ao seu parceiro e a seus pessoas amadas, mas com todo o significado. Um beijo e um abraço vão aplacar as feridas quanto vierem bem de dentro de você.

Lembre de segurar mão e valorizar o momento por algum dia que a pessoa não vá estar lá novamente.

Dê tempo ao amor, dê tempo a fala, e dê tempo para compartilhar os preciosos pensamentos em sua mente.

E lembre-se sempre:

A vida não é medida pelo número de respirações que damos, mas sim pelos momentos que nos tiram o fôlego.

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

DO ORIGINAL:

http://www.trans4mind.com/counterpoint/moorehead.shtml

The paradox of our time in history is that we have taller buildings but shorter tempers; wider freeways, but narrower viewpoints. We spend more, but have less; we buy more, but enjoy less. We have bigger houses and smaller families; more conveniences, but less time. We have more degrees but less sense; more knowledge, but less judgment; more experts, yet more problems; more medicine, but less wellness.
We drink too much, smoke too much, spend too recklessly, laugh too little, drive too fast, get too angry, stay up too late, get up too tired, read too little, watch TV too much, and pray too seldom. We have multiplied our possessions, but reduced our values. We talk too much, love too seldom, and hate too often.
We’ve learned how to make a living, but not a life. We’ve added years to life not life to years. We’ve been all the way to the moon and back, but have trouble crossing the street to meet a new neighbor. We conquered outer space but not inner space. We’ve done larger things, but not better things.
We’ve cleaned up the air, but polluted the soul. We’ve conquered the atom, but not our prejudice. We write more, but learn less. We plan more, but accomplish less. We’ve learned to rush, but not to wait. We build more computers to hold more information, to produce more copies than ever, but we communicate less and less.
These are the times of fast foods and slow digestion; big men and small character; steep profits and shallow relationships. These are the days of two incomes but more divorce; fancier houses but broken homes. These are days of quick trips, disposable diapers, throwaway morality, one night stands, overweight bodies, and pills that do everything from cheer, to quiet, to kill. It is a time when there is much in the showroom window and nothing in the stockroom. A time when technology can bring this letter to you, and a time when you can choose either to share this insight, or to just hit delete.
Remember, spend some time with your loved ones, because they are not going to be around forever.
Remember to say a kind word to someone who looks up to you in awe, because that little person soon will grow up and leave your side.
Remember to give a warm hug to the one next to you, because that is the only treasure you can give with your heart and it doesn’t cost a cent.
Remember to say “I love you” to your partner and your loved ones, but most of all mean it. A kiss and an embrace will mend hurt when it comes from deep inside of you.
Remember to hold hands and cherish the moment for someday that person will not be there again.
Give time to love, give time to speak, and give time to share the precious thoughts in your mind.
AND ALWAYS REMEMBER:
Life is not measured by the number of breaths we take, but by the moments that take our breath away.

* Dr. Bob Moorehead era pastor de igreja evangélico evangélico, e se aposentou após 29 anos na função. Esse texto foi publicado em 1995, na coleção de oraçõs, homílias e monólogos de Dr. Moorehead.

Como dizia o Poeta (Vinícius)

Quem já passou
Por esta vida e não viveu
Pode ser mais, mas sabe menos do que eu
Porque a vida só se dá
Pra quem se deu
Pra quem amou, pra quem chorou
Pra quem sofreu, ai

Quem nunca curtiu uma paixão
Nunca vai ter nada, não

Não há mal pior
Do que a descrença
Mesmo o amor que não compensa
É melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair
Pra que somar se a gente pode dividir?
Eu francamente já não quero nem saber
De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração
Esse não vai ter perdão

*   *   *

Para quem tem cuidado e não se deixaria levar pela idéia ingênua de que a vida só acontece no sofrimento, e que o amor conclama a tristeza a co-existência eterna, esse poema de Vinícius é abençoado.

Escutatória (Rubem Alves) e a Arte de ouvir…

Sobre a arte de ouvir… (I)

A arte de ouvir foi o tema de uma das melhores palestras que já assisti, sobre qualquer assunto. Foi proferida pelo psicólogo Franscisco Miranda, a quem muito admiro as idéias. Disse-nos Francisco que em uma aula ou palestra em geral só se ouve 20% do discurso de quem está a falar. Será assim numa simples conversa? Lembro-me de Neill e seus conhecidos, reunidos em torno da lareira. Lá estavam as efígies típicas de uma velha aldeia escocesa: o sapateiro, o ferreiro, o mestre-escola… Passavam algumas horas calados, sem nada a dizer. Uma frase pronunciada ao fogo seria respondida de forma simples, após alguns minutos de mais silêncio, reflexão, introspecção coletiva… Desejei ter companheiros no silêncio que tanto prezo. Mas é tão difícil. O silêncio abre espaço para o escutar. É preciso, e por isso, deixo-vos este texto, para ser escutado pelo ouvido do coração.

ESCUTATÓRIA

Sempre vejo anunciados cursos de oratória. Nunca vi anunciado curso de escutatória.

Todo mundo quer aprender a falar… Ninguém quer aprender a ouvir.
Pensei em oferecer um curso de escutatória, mas acho que ninguém vai se matricular.

Escutar é complicado e sutil.
Diz Alberto Caeiro que… Não é bastante não ser cego para ver as árvores e as flores.
É preciso também não ter filosofia nenhuma.
Filosofia é um monte de idéias, dentro da cabeça, sobre como são as coisas.
Para se ver, é preciso que a cabeça esteja vazia.

Parafraseio o Alberto Caeiro:
Não é bastante ter ouvidos para ouvir o que é dito.
É preciso também que haja silêncio dentro da alma.

Daí a dificuldade:
A gente não agüenta ouvir o que o outro diz sem logo dar um palpite melhor…
Sem misturar o que ele diz com aquilo que a gente tem a dizer.
Como se aquilo que ele diz não fosse digno de descansada consideração…
E precisasse ser complementado por aquilo que a gente tem a dizer, que é muito melhor.
Nossa incapacidade de ouvir é a manifestação mais constante e sutil de nossa arrogância e vaidade.

No fundo, somos os mais bonitos…
Tenho um velho amigo, Jovelino, que se mudou para os Estados Unidos estimulado pela revolução de 64.

Contou-me de sua experiência com os índios: Reunidos os participantes, ninguém fala.
Há um longo, longo silêncio.

Vejam a semelhança…
Os pianistas, por exemplo, antes de iniciar o concerto, diante do piano, ficam assentados em silêncio…
Abrindo vazios de silêncio… Expulsando todas as idéias estranhas.
Todos em silêncio, à espera do pensamento essencial. Aí, de repente, alguém fala.
Curto. Todos ouvem. Terminada a fala, novo silêncio.
Falar logo em seguida seria um grande desrespeito, pois o outro falou os seus pensamentos…
Pensamentos que ele julgava essenciais.
São-me estranhos. É preciso tempo para entender o que o outro falou.
Se eu falar logo a seguir… São duas as possibilidades.

Primeira: Fiquei em silêncio só por delicadeza.

Na verdade, não ouvi o que você falou.
Enquanto você falava, eu pensava nas coisas que iria falar quando você terminasse sua (tola) fala.
Falo como se você não tivesse falado.

Segunda: Ouvi o que você falou. Mas, isso que você falou como novidade eu já pensei há muito tempo. É coisa velha para mim. Tanto que nem preciso pensar sobre o que você falou. Em ambos os casos, estou chamando o outro de tolo. O que é pior que uma bofetada.

O longo silêncio quer dizer: Estou ponderando cuidadosamente tudo aquilo que você falou.

E, assim vai a reunião.
Não basta o silêncio de fora. É preciso silêncio dentro. Ausência de pensamentos.

E aí, quando se faz o silêncio dentro, a gente começa a ouvir coisas que não ouvia.

Eu comecei a ouvir.
Fernando Pessoa conhecia a experiência…
E, se referia a algo que se ouve nos interstícios das palavras… No lugar onde não há palavras.
A música acontece no silêncio. A alma é uma catedral submersa.
No fundo do mar – quem faz mergulho sabe – a boca fica fechada. Somos todos olhos e ouvidos.
Aí, livres dos ruídos do falatório e dos saberes da filosofia, ouvimos a melodia que não havia…

Que de tão linda nos faz chorar.
Para mim, Deus é isto: A beleza que se ouve no silêncio.
Daí a importância de saber ouvir os outros: A beleza mora lá também.
Comunhão é quando a beleza do outro e a beleza da gente se juntam num contraponto.

Rubem Alves

Muitos já perceberam e assinalam isso em livros e palestras: A assinatura da forma, no corpo, mosta que temos dois lugares por onde entrar o som, e somente um por onde sair.. Deveríamos ouvir ao menos duas vezes mais do que falamos? (Arnaldo V. Carvalho)

*Escutatória foi compartilhado comigo no início deste ano por Tátia Rangel.