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Hoje de manhã, pela rádio Band News FM, o jornalista Ricardo Boechat, cujos comentários costumam acertar muito mais do que errar, falou sobre o tema da redação do ENEM. O tom era de dura crítica, mas os argumentos, menores do que o tamanho deste competente profissional.

Basicamente, ele diz que “mesmo tendo sido bom em redação, mesmo assim enquanto estudante teria ido mal na prova”, comparando a importância do tema com “estudo de borboletas da Turquia” (já não recordo o país exato mas o sentido era esse). Infelizmente, suas palavras rebaixam o sentido da inclusão na escola, desvaloriza a comunidade surda no Brasil, nossa segunda língua oficial (LIBRAS) e única verdadeiramente brasileira. E de outro lado, não alcança o sentido político (logo ele) de se optar por um “assunto branco”.

Por isso mesmo tomei o cuidado de ir ao site de seu programa tecer algumas análises, muito breves para não tomar seu tempo, para que ele reconsidere. Como aparentemente fui ignorado (natural, são mais de mil e quintos comentários ao longo do programa, fica mesmo difícil), ao menos trago o assunto a público, pois pode ser útil a outros.

Querido Ricardo Boechat, sou um ouvinte atento, e ao longo dos anos você tem aberto meus olhos muitas vezes. Humildemente, digo que talvez eu possa contribuir pela primeira vez c/om os seus.

Há sim motivos sérios para criticar o tema do ENEM, mas não os que você apresentou. A falta de contato com a realidade urgente do país para mim é o grande drama. O INEP optou por um “tema branco”, demonstrando claramente uma posição de proteção em relação ao panorama político. Essa proteção pode ser visto como uma esquiva às complicadas relações do governo com as ações institucionais, que tem sofrido represálias que nos fazem lembrar tempos de Censura.

Por outro lado, tanto eu como você pertencemos a gerações que jamais vivenciaram em sala de aula o tema da inclusão. Estavamos em nossas carteiras sem qualquer colega cego, surdo, ou outro. Eles estavam ou em casa, as vezes sendo tratados como retardados, ou os sortudos estavam nos poucos institutos a eles dedicados.

Já os jovens de agora não, eles estão o tempo todo em contato com todo tipo de aluno de inclusão e a comunidade surda é enorme. Então, para eles esse tipo de discussão é relevante, consonante com um mundo onde as deficiências vêm sendo superadas com informação e não apartamento.

Você sabia que LIBRAS, a língua de sinais, é oficialmente segunda língua brasileira? Sabia que a comunidade no Brasil de hoje temos quase 10 milhões de pessoas com diferentes graus de deficiência auditiva? Imagine o tamanho dessa silenciosa comunidade, aumentada se levamos em conta todos os familiares envolvidos.

Há relevância, sim! Mas concordo que parece asséptico, aparentemente dissociado do momento político e social do país.

Um abraço Boechat e equipe”.

Arnaldo V. Carvalho

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