Pelo direito de escolher como ir e vir

Pelo direito de escolher como ir e vir

E porque eu escolho o Uber

Por Arnaldo V. Carvalho

Sabe por que tem que ter Uber? Porque pessoas querem Uber. Pessoas querem poder escolher como se transportar. Querem decidir com quem se relacionar profissionalmente – inclusive na hora de decidir ir de ônibus, navio, avião, taxi ou uber.

Estamos em um mundo onde a escolha precisa ser respeitada. Escolhe-se o sexo, a religião, como se tem filho, e não se pode escolher o transporte? Não dá né? Imagine se os fabricantes de GPS devem tentar impedir aplicativos como o Waze, ou quem sabe, se o telégrafo deveria fazer protesto contra o telefone, e este contra o celular; e as  estações de rádio deveriam reclamar do surgimento da TV, e esta da Internet… Século XXI, please. As tecnologias vieram para dar mais alternativas, novas possibilidades em todos os segmentos humanos. Ir e vir é básico, e eu quero poder escolher como faço isso.

Taxi e Uber são serviços diferentes

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

Eu nunca fui um cliente de taxi. Não é meu perfil. Acho caro, e não gosto ficar esperando por um carro “acidentalmente” passar pelas ruas para poder chamar. Também não ando com dinheiro e quase nunca o taxista aceita cartão. Enfim, não pegava taxi regularmente antes do Uber, e por isso mesmo, não vejo o Uber como uma “alternativa” ao taxi, apenas como um novo serviço.

Mas é claro que já peguei taxis ocasionais. Infelizmente, minha experiência pessoal em Niterói, São Paulo e Rio de Janeiro me trouxe corridas agradáveis do que gostaria. Carros esquisitos (quando cheira a cigarro erghh nem se fala), motoristas mau humorados ou de “direção truculenta”, tipos “malandrões”, as vezes com músicas que não gosto, e por vezes ainda tendo que ouvir abobrinha (que não paguei para ouvir). Ou vocês acham que Agostinho, o personagem encarado por Pedro Cardoso em “A Grande Família” só existe na ficção? Tem aos montes! E na vida real, quase nunca são “divertidos”.

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Por essas e outras, nunca fui cliente de taxi.

Mas sou cliente Uber. O Uber é a minha cara. Baseado em aplicativo (eu adoro); Não mexo com dinheiro ou cartões ao final da corrida (ótimo, simplesmente agradeço e tchau, sem perda de tempo); Quando peço, me falam qual é o carro e mostram a cara do sujeito com uma nota (posso desistir por precisar de um carro maior ou simplesmente querer outro que me agrade mais – adoro). Todo motorista tem Waze (adoro); Se estiver com sede, posso pedir uma aguinha. E o percentual de carros e motoristas decentes é muito mais alto que do taxi (ufa). Ah, sim, se eu esquecer o celular ou o guarda-chuva, é fácil localizar o motorista e combinar de buscar (quando aconteceu comigo, ele mesmo fez contato e deixou o que esqueci no local que pedi!). Também posso economizar e ter ótimos papos usando o Uber Pool, dividindo o carro com outras pessoas, otimizando o trânsito com isso. Em uma ocasião especial, posso contratar o Uber Black, quem sabe. Mas o principal de tudo é que, se o serviço for abaixo do ideal, eu dou nota, e notas ruins tiram os maus motoristas do serviço. Simples assim. O “mundo dos taxis” seria outro se isso fosse possível!

Taxi e Uber são totalmente diferentes, é preciso entender isso. A única relação entre eles é que o taxi é o fóssil do Uber.

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* Arnaldo V. Carvalho é escritor, cidadão brasileiro e adepto da liberdade de escolha da forma de ir e vir.

 

 

Taxistas selvagens: Tenho medo

Por Arnaldo V. Carvalho

Os motoristas de Uber tem sido atacados com frequencia, e por vezes também passageiros e pessoas totalmente nada a ver com a história (confundidas com motoristas Uber!). Ontem, um amigo que opera o serviço por pouco não teve o carro destruído por esses que são os verdadeiros bandidos.

A verdade é que, desde que o Uber chegou ao Rio de Janeiro (em 2014), os taxistas sairam de “falar mal” para tentar, a base da força, impedir esse tipo de serviço. Só para ilustrar, em abril desse ano eles fizeram a vida dos cariocas se tornar um pequeno inferno por um dia, bloqueando pistas vitais, causando tumulto em áreas fundamentais da cidade… Com esse ato, mostraram que os taxistas hostis não são “casos isolados”, mas muitos. Conquistaram em definitivo a antipatia das pessoas daqui, inclusive a minha. Em julho, os taxichatos resolveram exibir cartazes dizendo que “não iriam permitir Uber nas Olimpíadas“. Aliás, um dos locais com maior índice de vandalismos contra o Uber – o aeroporto Santos Dumont vem tornando-se uma espécie de “símbolo” desse movimento.

Image result for lounge uber santos dumontA Uber investiu com um Lounge bacana no Shopping anexo ao aeroporto (mais um ponto para eles), e ontem os taxivândalos foram lá e quebraram tudo. Isso mesmo, invadiram o Shopping e tomaram a rua em frente ao aeroporto, com direito inclusive a motoristas mascarados (usando camisas no rosto para não serem identificados), portando pedaços de pau e xingando Deus e o mundo. Foi lá em frente que meu amigo e muitos motoristas de passagem (inclusive que não são Uber) foram agredidos.

 

Acham que é novidade? Ontem mesmo fiz uma pesquisinha para ver como anda o grau de agressões oficialmente noticiadas, e é sinistro.

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Lounge Uber totalmente destruído pelos taxistas.

A verdade é que agora, a antipatia virou medo. Tenho medo dos taxistas, a gente nunca sabe o que se passa na cabeça de quem está no volante de um amarelinho. Me desculpem os bons taxistas, taxi nunca mais. Vejo vocês no Uber!

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Reação violentas e criminosas dos Taxistas Vândalos contra o Uber

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Por Arnaldo V. Carvalho*

Quebraram tudo. Há algum tempo, a Uber montou um lounge no Shopping Bossa Nova, anexo ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ontem, os taxistas resolveram protestar, entraram no Shopping e quebraram tudo. A motoristas que chegavam para desembarcar alguém, havia o risco de serem agredidos: um amigo muito próximo que trabalha como motorista de Uber foi cercado por quatro taxistas, que gritavam e chutaram o carro. Ele conseguiu acelerar e fugir, por pouco (situação RECORRENTE, verão abaixo). Outros três motoristas não tiveram a mesma sorte: tiveram seus carros depredados.

A polícia chegou depois mas até onde busquei informação, não há notícias de prisões. Os taxivândalos mancham a já precarizada imagem da classe profissional, que antes da chegada contra o Uber, já protagonizava episódios horríveis de brigas entre eles, carros dando fechada em outros para pegar um cliente na frente, motoristas malandros cobrando tarifas surreais na porta da rodoviária ou dos aeroportos, etc.

Agora esses verdadeiros bandidos se uniram “contra o Uber”. De 2014, há uma coleção de episódios de agressão e vandalismo contra motoristas, seus carros e, pasmem, seus passageiros.

Os tipos mais comuns de agressão são os que taxistas formam “bandos” entre três a cinco carros, cercam o carro, ameaçam, espancam e vandalizam o carro. As armas mais comuns dos taxistas agressores são pedras (a distância), paus (corpo-a-corpo), mas há uso de armas brancas e de fogo, chaves, ovos, materiais químicos e outros. Na agressão a passageiros, eles preferem mulheres e normalmente utilizam xingamentos misóginos. Quando podem destroem celulares. O local preferido das ganguetaxis são os shoppings e os terminais de outras modalidades de transporte: aeroportos, rodoviárias, e em menor escala, as estações das barcas.

Em rápida pesquisa por notícias dos últimos 12 meses, montei uma timeline de agressões de taxistas contra Uber denunciadas por jornais, baseadas apenas nas primeiras 100 referências do Google com a chave “agressão uber” (imagine se somarmos o que existe filmado no youtube, se formos além dessas referências, se entramos nos links relacionados, usamos outras palavras-chave, etc…). Se buscarem pelo ano de 2015 verão um panorama igualmente sombrio).

Janeiro

(São Paulo): Agressão no aeroporto

(São Paulo) Motorista agredido(1), carro destruído(2)

(São Paulo) Agressão a motoristas e passageiros

(Rio de Janeiro e São Paulo) Motoristas Uber agredidos nas duas cidades

Fevereiro

(Brasília): Homem confundido com motorista Uber agredido

Março

(São Paulo) Taxistas fecham e impedem Uber de seguir

Abril

(Recife) Estudante confundido com motorista Uber é agredido

(São Paulo) Vereador que representa taxistas agride diretor do Uber na Câmara

(Curitiba) Taxista tenta se passar por vítima

Maio

(Curitiba) Diversas agressões, cinco boletins de ocorrência…

(São Paulo) Enfermeiro confundido com Uber é agredido e tem carro depredado

Junho

(Brasília) Família atacada por ser confundida com Uber

(Brasília) Ameaçado e carro depredado

(Brasília) Novas agressões contra motoristas

(Rio de Janeiro) Confundida com Uber, mulher agredida com extintor de incêndio (!!)

Julho

(São Paulo) Motorista agredido e vítima de tentativa de assassinato

(Recife) Motorista e passageiras agredidas, carro vandalizado. 

(Belo Horizonte) Tiro de arma caseira contra o carro Uber

(Belo Horizonte) Taxista tenta forçar batida de carro da polícia confundindo-o com Uber

(Porto Alegre) Motoristas agredidos em audiência pública

(Porto Alegre): Motorista Uber esfaqueado

(Brasília) Motorista agredido

(Brasília): Taxista resolve “dar voz de prisão” a motorista Uber (!!!)

(Salvador) Relato de agressões contra motoristas Uber associadas a vista grossa das autoridades

Agosto

(Campinas) Carro apedrejado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido por taxistas de Mogi

(Goiânia): Taxistas tentam cercar um carro Uber e o motorista tenta escapar e acaba atropelando um deles

(Fortaleza): Passageira Uber denuncia agressão “estilo taxista” 

(Belo Horizonte): Motorista esfaqueado (outra matéria aqui)

(Belo Horizonte) Passageiros agredidos

(São Paulo) Motorista sequestrado e agredido

(Santos) Ação truculenta por ser confundido com Uber

(Salvador): Motorista agredido. 

Setembro

Não encontrei nessa procura (só em Portugal, onde a máfia do Taxi também pega pesado).

Outubro

(Salvador) Motorista Uber é espancado em emboscada 

(Salvador) Motorista espancado, carro roubado(!). Motoristas Uber protestam. (outra: aqui)

(Salvador) Atacado a pauladas; rosto desfigurado

(Brasília) Motorista espancado, carro depredado (mais: aqui)

(Santos) Motorista agredido e carro danificado (mais: aqui)

(Goiânia) Motorista agredido e carro danificado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido e saqueado

Novembro

(Porto Alegre) Agressão filmada

(Salvador): Taxistas protestam causando caos

(Santos):Policial confundido com Uber é ameaçado e se defende

(Florianópolis) – Agressão física no aeroporto (outra: aqui)

(Rio de Janeiro) –Lounge do Uber destruído, motorista agredido.

A quantidade de histórias não registradas demonstra, embora não se possa afirmar números, que a situação é ainda pior.

Em que país estamos? Por que os taxistas não cobram do GOVERNO redução de seus impostos, porque não dão descontos, não criam um sistema de classificação passível a suspensão, não se qualificam para um bom atendimento e tornam-se mais rigorosos com a qualidade dos carros? Que tipo de gente é essa que quer resolver na base da agressão física?

Atenção taxista decente, não permitam que manchem mais a classe de vocês. O inimigo não é o UBER, estão errando o alvo totalmente. Inimigo é o novo tempo, que EXIGE que o governo coma tanto dinheiro de vocês em impostos, que EXIGE que os passageiros sejam muito bem tratados e contem com bons preços. Vamos para frente, que talvez haja esperança!… Embora alguns já não acreditem mais nisso.

* Arnaldo V. Carvalho é cidadão brasileiro, mora no Rio de Janeiro, anda de Uber de vez em quando e nunca mais quis saber de taxi.