Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Dezembro, 2016

IMG_20161204_161155.jpg

“Amar é a única salvação individual que conheço; ninguém estará perdido se der amor, e às vezes, receber amor em troca” Atribuído a Clarice Lispector (o nome da autora, na imagem, está errado).

Read Full Post »

Marcel Marceau, dança, terapia e eu

Por Arnaldo V. Carvalho*

Quando criança, era deslumbrado com o controle corporal e suas ilusões de movimento. Minhas primeiras lembranças mais organizadas (cinco, sei anos de idade) são permeadas pelo fascínio pela mímica, apresentada por minha mãe, com referências, é claro, a Marcel Marceau.

Nos anos 70, década em que nasci, Marceau passou pelo Rio de Janeiro, apresentando-se na Monsieur Pujol (casa de espetáculos do falecido Miele). Também teria quadros exibidos no “Fantástico”… O pantomimo estava no auge, o mundo se encantava, e eu, tão pequeno, simplesmente não sabia mas respirava tal encanto.

Como eu gostava de empurrar paredes invisíveis e sentir-lhes a forma! Foi natural que já maiorzinho, “criança anos 80”, tivesse, através deste gosto Marceaunesco o apreço por Michael Jackson, que à época lançava seu Moonwalker e os sucessos “Billy Jean”, “Bad” e “Thriller”. E não é que Michael também era fã de Marceau?

O “break-dance”, filho do soul e do funk, pai do Hip-hop e do Rap estava nascendo e eu comprava revistas que ensinavam o passo-a-passo de manobras, entre as quais me atraiam as que simulavam o “robô” – pura mímica dançada.

A adolescência veio e me distraiu com a descoberta do amor, com acampamentos, esportes, e com escola (a “má distração”)… Mas do coração a mímica nunca saiu.

Em 1997 tive minha grande oportunidade de assistir Marcel Marceau no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, e compreendi profundamente o sentido da materialização pelo vazio. O silêncio e o movimento me fizeram rir e chorar, e hipnotizado e agradecido, saí do teatro com uma lembrança eterna.

A mímica inspira a dança, e a dança inspira o Shiatsu

Nesse momento eu já praticava Shiatsu, e pouco depois estudei um pouco de ballet, jazz e sapateado, em paralelo com outras formações corporais terapeuticas. Conheci e tornei-me fã da obra do mestre Kazuo Ohno, da dança Butô (mesmo mais velho, Ohno fez aulas com Marceau, vejam só). E ao mesmo tempo, ao longo desses anos, segui estudando diversos trabalhos de contato corporal. Foi assim que passei pela massagem thai, o lomilomi, a massoterapia ocidental, espondiloterapia, ayurvedica, aromaterapia, drenagem linfática e outros. Mas foi o professor de Ohashiatsu Marco Duarte, bailarino, que me apontou o caminho para que eu encontrasse a dança dentro de minha terapia. Ohashi é o maior mestre vivo de Shiatsu, e trouxe para a terapia uma organicidade inédita, um sistema de movimentação que é base para todas as demais formas de expressão e estilos de Shiatsu fluídos.

Mesmo assim, mesmo com tantas formações, eu queria mais. Queria descobrir um corpo diferente daquele visto pela terapia, pois em minha área, chega a um momento em que sentimos como se todas terapias se repetissem – já não há nada novo, porque o corpo é um só, e no fim das contas, as terapias corporais são apenas variações de umas poucas fontes originais(1).

Para seguir crescendo, percebi que precisava ir para fora da terapia, precisava ir ao corpo são, ao corpo expressivo, às possibilidades ainda não exploradas… E lembrei da mímica. E foi ali que, na busca por ela, encontrei o mímico Alberto Gaus e o Solar da Mìmica. Descobri um outro gênero expressivo, e o trouxe para a terapia.

Foi assim que, aos poucos, a mímica em mim inspirou a dança, que fez imergir a terapia para dentro da alma; e a terapia, finalmente, se percebeu impossível fora do contexto de uma relação – da superfície da racionalidade e das palavras, à imensidão oceânica do inconsciente eu-outro. Se terapia é relação, se faço dela uma dança onde convido meus atendidos a dançar a Dança da Vida, então ela tem de ser boa e saudável para os dois envolvidos. Sobre isso, tenho insistido junto aos meus alunos: terapia não pode ajudar ao Outro e torna-lo doente! Essa percepção profunda tem sido uma das minhas bandeiras enquanto professor.

Em 2009, no Congresso Internacional de Shiatsu em Madrid, encantei-me com o ideograma “Odori” (dança) na versão Shodo de Kazuko Hagiwara. Arrematei a peça, então a venda, e desde então ela segue me inspirando no movimento de yin-yang.

Nessa mesma época, Sylvio Porto me mostrava, através de duras sessões de massagem e terapia reichiana, a arte da expressão da alma sem condicionamentos. Tais movimentos me permitiram uma sustentação para momentos pessoais muito difíceis.

Iniciava-se em minha vida um período de sofrimento, perdas na carne, reviravoltas na vida e nas relações. Mas também vieram novas descobertas, pessoas e possibilidades. Tudo muito intenso. Afinal, é na temperatura alta que se forja o aço e se fundem especiarias em novos sabores. Independente da dor e do prazer, lá estava minha mãe para seu eterno filho pródigo, com a sabedoria de seu silêncio acolhedor e cheio de arestas invisíveis, pantomímicas.

Por volta de 2010, minha “Fênix Interior”, minha identidade tal como eu havia construído, tão cheia de divisões, morrera para ressurgir com uma qualidade mais complexa.

Surgiu aí o encontro derradeiro da mímica-terapia-dança em mim, junto com a experiência um tanto inédita de integração-integridade psicoafetiva. No processo, aprendi mais sobre a ver, ouvir, expressar, e coloquei tudo na dança de minha terapia, a serviço das pessoas.

Não foi um processo rápido: Sete anos se passaram.

Em 2016, me fiz em silêncio, reduzi meus cursos e imergi em outra esfera de aprofundamento e maturidade. Iniciei a travessia de minha quadragésima década com a paz do reconcílio com meus referenciais masculinos e femininos. Mergulhei na pedagogia, e para ela, o terapeuta oferece o que sabe. Mas principalmente aprende para, quem sabe, deixar de existir – por tornar-se desnecessário. Odori mais uma vez me transportou, do butô para a mímica, da mímica ao butô, da somas destes para a terapia. Não há dança nem terapia que não seja relacional, e no movimento do silêncio operam-se transmutações das almas ali alinhadas. Expectador-Artista, Atendido-Terapeuta, expansões e recolhimentos encarnados a guardar um a semente do outro.

Seguirei recolhido em 2017 ou estarei pronto para uma nova expansão? Já não importa verdadeiramente. Importa-me o agora. Neste momento, a quietude me alcança,  e reencontro minha Mãe-Marcel_Marceau, após um dia de sessões em que danço, no chão e descalço, a dança da vida.

Posfácio

Um presente da minha mãe

Estamos em tempo de comemorar a possibilidade de existir da Sagrada Família, em cada lar. Através da imagem do nascimento, nossa cultura homenagem a chegada do novo, da esperança, e do ciclo de aprendizagem do casal através de seu abençoado filho.

Para mim, esse texto é sobre um filho que cresceu. E reconheceu. É um presente de Natal para mim mesmo e para minha mãe. E está estendido a vocês que me leem. Pequeno texto-memória-ensaio, está pleno de ternura em direção aos meus atendidos, tão vitais em minha caminhada. Através dele, saberão que, não fosse também por minha mãe, eu não poderia atende-los do jeito particular com que o faço. Muito obrigado a todos.

É a primeira vez que falo das influências dela no meu trabalho, aliás. Então o texto fica também como uma correção histórica. O sentimento de gratidão não costuma ser expressado em público para além dos prêambulos rituais dos livros… Mas quem sabe, essa homenagem poderá inspirar outros filhos a também agradecerem às suas mães? Tenho pessoalmente agradecido ela sempre, há anos. Porque não ia querer que aquela árvore generosa saísse desse mundo sem saber – mesmo que jamais me cobre.

Aqui, a gratidão se direciona a oportunidade que sua sensível alma me ofereceu lá atrás – e eu agarrei. Mas para as tantas outras coisas, que não caberia em texto ou livro nenhum, vale ser genérico: Obrigado por tudo mãe.

***

* Arnaldo V. Carvalho é terapeuta e trabalha na ilusória linha entre corpo-mente-energia.

(1). A consciência disso me fez ousar ao apresentar em 2007, no congresso internacional Fitness Brasil, um curso ensinando três técnicas “distintas”, utilizando a análise comparada para obter bons resultados.

 

Read Full Post »

No início desta 5a. feira (22/12) um grupo de servidores públicos ocupou a Secretaria de Planejamento do Rio de Janeiro para exigir explicações sobre a situação dos salários de Novembro de quase 40% do funcionalismo estadual do Rio de Janeiro (Aqui!). Esta ação é apenas uma das que deverão ocorrer nos próximos dias para exigir […]

via RJ: (Des) governos Pezão e Temer se juntam para tripudiar sobre os direitos dos servidores — Blog do Pedlowski

Read Full Post »

Quando na última quinta os jornais anunciaram mais uma “saída” proposta ao governo do Rio de Janeiro (adiar a cobrança das dívidas que o Estado do Rio tem com a União, e em troca entregar empresas estaduais para a mesma, que privatizaria e abateria das mesmas dívidas). Na primeira página de “O Globo”, o exemplo era a CEDAE. O sucateamento do aparato público é a mola mestra das privatizações, e não é a toa que tudo TEM que ir de mal a pior. Sabemos que na leva arrisca-se ir muitas outras  instituições, inclusive de ensino, como a UERJ, CEDERJ e outros. Ficou mais claro do que nunca o que venho afirmando há pelo menos um ano: A crise no Rio de Janeiro sempre cheirou a teoria da conspiração. Pena que não é só teoria.  (Arnaldo)

Quase metade dos servidores públicos do estado do Rio de Janeiro amanheceu com o gosto amargo na boca causado por parcelamento esdrúxulo dos salários do mês de Novembro (notem que eu disse Novembro!). A maioria dos que tiveram seus salários parcelados já estão com dívidas que consumirão rapidamente cada uma das nove parcelas quando elas […]

via Parcelamento de salários é apenas a antessala da privatização total do Rio de Janeiro — Blog do Pedlowski

Read Full Post »

O jornal EXTRA publicou hoje uma matéria onde relata as condições indignas que o (des) governo Pezão colocou muitos servidores públicos do Rio de Janeiro que estão vivendo um completo desespero pela incapacidade de pagar suas contas e até de adquirir alimentos para suas famílias, ptecisando assim de doações para tocar suas vidas de forma […]

via RJ: servidores precisam sair do desespero para a indign(ação) — Blog do Pedlowski

Read Full Post »

Mais uma na coleção da FALSA CRISE. Há dinheiro para o que (ou quem) interessa… Soma-se a essa informação o fato de que o aprovado pacote de maldades limitara os gastos públicos com propaganda… a partir de 2018 (ou seja, depois desse governo sambar fora).

A tabela abaixo mostra gastos de mais de R$ 1,6 bilhão em publicidade pelo (des) governos Cabral/Pezão entre 2007 e 2016. Note-se que em 2016, apesar de toda a crise, ainda foram gastos quase R$ 28 milhões em propaganda em apenas duas agências de publicidade. Com tanto dinheiro rolando não é de se surpreender que […]

via RJ: Gastos bilionários com propaganda dos (des) governos Cabral/Pezão explicam silêncio da mídia corporativa — Blog do Pedlowski

Read Full Post »

A podridão não terá fim?

Nesta imagem de 19.05.2008, Júlio Lopes acompanha Sérgio Cabral em um passeio de bicicleta pela cidade de Paris. De lá, Sérgio Cabral anunciou o lançamento de um programa de bicicletas públicas ligando pontos das cidades fluminenses. No dia 22 de Janeiro de 2014 os passageiros que faziam uso do serviço ferroviário de transporte público na […]

via Enfim está explicando o riso de Júlio Lopes no dia do descarrilamento de 2014 — Blog do Pedlowski

Read Full Post »

Older Posts »

%d bloggers like this: