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Archive for Novembro, 2016

lounge-uber

Por Arnaldo V. Carvalho*

Quebraram tudo. Há algum tempo, a Uber montou um lounge no Shopping Bossa Nova, anexo ao Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro. Ontem, os taxistas resolveram protestar, entraram no Shopping e quebraram tudo. A motoristas que chegavam para desembarcar alguém, havia o risco de serem agredidos: um amigo muito próximo que trabalha como motorista de Uber foi cercado por quatro taxistas, que gritavam e chutaram o carro. Ele conseguiu acelerar e fugir, por pouco (situação RECORRENTE, verão abaixo). Outros três motoristas não tiveram a mesma sorte: tiveram seus carros depredados.

A polícia chegou depois mas até onde busquei informação, não há notícias de prisões. Os taxivândalos mancham a já precarizada imagem da classe profissional, que antes da chegada contra o Uber, já protagonizava episódios horríveis de brigas entre eles, carros dando fechada em outros para pegar um cliente na frente, motoristas malandros cobrando tarifas surreais na porta da rodoviária ou dos aeroportos, etc.

Agora esses verdadeiros bandidos se uniram “contra o Uber”. De 2014, há uma coleção de episódios de agressão e vandalismo contra motoristas, seus carros e, pasmem, seus passageiros.

Os tipos mais comuns de agressão são os que taxistas formam “bandos” entre três a cinco carros, cercam o carro, ameaçam, espancam e vandalizam o carro. As armas mais comuns dos taxistas agressores são pedras (a distância), paus (corpo-a-corpo), mas há uso de armas brancas e de fogo, chaves, ovos, materiais químicos e outros. Na agressão a passageiros, eles preferem mulheres e normalmente utilizam xingamentos misóginos. Quando podem destroem celulares. O local preferido das ganguetaxis são os shoppings e os terminais de outras modalidades de transporte: aeroportos, rodoviárias, e em menor escala, as estações das barcas.

Em rápida pesquisa por notícias dos últimos 12 meses, montei uma timeline de agressões de taxistas contra Uber denunciadas por jornais, baseadas apenas nas primeiras 100 referências do Google com a chave “agressão uber” (imagine se somarmos o que existe filmado no youtube, se formos além dessas referências, se entramos nos links relacionados, usamos outras palavras-chave, etc…). Se buscarem pelo ano de 2015 verão um panorama igualmente sombrio).

Janeiro

(São Paulo): Agressão no aeroporto

(São Paulo) Motorista agredido(1), carro destruído(2)

(São Paulo) Agressão a motoristas e passageiros

(Rio de Janeiro e São Paulo) Motoristas Uber agredidos nas duas cidades

Fevereiro

(Brasília): Homem confundido com motorista Uber agredido

Março

(São Paulo) Taxistas fecham e impedem Uber de seguir

Abril

(Recife) Estudante confundido com motorista Uber é agredido

(São Paulo) Vereador que representa taxistas agride diretor do Uber na Câmara

(Curitiba) Taxista tenta se passar por vítima

Maio

(Curitiba) Diversas agressões, cinco boletins de ocorrência…

(São Paulo) Enfermeiro confundido com Uber é agredido e tem carro depredado

Junho

(Brasília) Família atacada por ser confundida com Uber

(Brasília) Ameaçado e carro depredado

(Brasília) Novas agressões contra motoristas

(Rio de Janeiro) Confundida com Uber, mulher agredida com extintor de incêndio (!!)

Julho

(São Paulo) Motorista agredido e vítima de tentativa de assassinato

(Recife) Motorista e passageiras agredidas, carro vandalizado. 

(Belo Horizonte) Tiro de arma caseira contra o carro Uber

(Belo Horizonte) Taxista tenta forçar batida de carro da polícia confundindo-o com Uber

(Porto Alegre) Motoristas agredidos em audiência pública

(Porto Alegre): Motorista Uber esfaqueado

(Brasília) Motorista agredido

(Brasília): Taxista resolve “dar voz de prisão” a motorista Uber (!!!)

(Salvador) Relato de agressões contra motoristas Uber associadas a vista grossa das autoridades

Agosto

(Campinas) Carro apedrejado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido por taxistas de Mogi

(Goiânia): Taxistas tentam cercar um carro Uber e o motorista tenta escapar e acaba atropelando um deles

(Fortaleza): Passageira Uber denuncia agressão “estilo taxista” 

(Belo Horizonte): Motorista esfaqueado (outra matéria aqui)

(Belo Horizonte) Passageiros agredidos

(São Paulo) Motorista sequestrado e agredido

(Santos) Ação truculenta por ser confundido com Uber

(Salvador): Motorista agredido. 

Setembro

Não encontrei nessa procura (só em Portugal, onde a máfia do Taxi também pega pesado).

Outubro

(Salvador) Motorista Uber é espancado em emboscada 

(Salvador) Motorista espancado, carro roubado(!). Motoristas Uber protestam. (outra: aqui)

(Salvador) Atacado a pauladas; rosto desfigurado

(Brasília) Motorista espancado, carro depredado (mais: aqui)

(Santos) Motorista agredido e carro danificado (mais: aqui)

(Goiânia) Motorista agredido e carro danificado

(Mogi das Cruzes) Motorista agredido e saqueado

Novembro

(Porto Alegre) Agressão filmada

(Salvador): Taxistas protestam causando caos

(Santos):Policial confundido com Uber é ameaçado e se defende

(Florianópolis) – Agressão física no aeroporto (outra: aqui)

(Rio de Janeiro) –Lounge do Uber destruído, motorista agredido.

A quantidade de histórias não registradas demonstra, embora não se possa afirmar números, que a situação é ainda pior.

Em que país estamos? Por que os taxistas não cobram do GOVERNO redução de seus impostos, porque não dão descontos, não criam um sistema de classificação passível a suspensão, não se qualificam para um bom atendimento e tornam-se mais rigorosos com a qualidade dos carros? Que tipo de gente é essa que quer resolver na base da agressão física?

Atenção taxista decente, não permitam que manchem mais a classe de vocês. O inimigo não é o UBER, estão errando o alvo totalmente. Inimigo é o novo tempo, que EXIGE que o governo coma tanto dinheiro de vocês em impostos, que EXIGE que os passageiros sejam muito bem tratados e contem com bons preços. Vamos para frente, que talvez haja esperança!… Embora alguns já não acreditem mais nisso.

* Arnaldo V. Carvalho é cidadão brasileiro, mora no Rio de Janeiro, anda de Uber de vez em quando e nunca mais quis saber de taxi.

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Blog do Pedlowski

Uma manifestação realizada por movimentos sociais e sindicatos foi reprimida duramente pela Polícia Militar do Distrito Federal na tarde desta 3a. feira (29/11), numa repressão que lembra os piores momentos da Ditadura Militar de 1964. 

Essa repressão toda em meio à discussões dentro do Senado Federal que conta com uma clara maioria para congelar investimentos públicos pelas próximas duas décadas, contraditoriamente, representa e explicita a falência do governo “de facto” de Michel Temer.  É que para começo de conversa, governo que tem o controle político da situação não precisa reprimir ninguém e, tampouco, com a ferocidade com que a perseguição aos quase 12.000 manifestantes se deu hoje em frente do congresso nacional.

É que essa repressão toda, com um congresso completamente controlado e submisso aos interesses dos grandes bancos e instituições financeiras que comandam a economia mundial, representa um reconhecimento tácito de que Michel Temer e seu governo “

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Image result for intolerância política

Por Arnaldo V. Carvalho*

Hoje fui atacado por um “xingamento generalizante”. Uma mulher que não conheço, pela rede social de um amigo, chamou generalizadamente os estudantes que se tem se manifestado contra a precarização da educação e toda a podridão ocorrendo no Rio de Janeiro de “petistas vagabundos”.

Sinto, mas nesse ponto eu e meu amigo (que replicou a mensagem da conhecida) temos posições opostas. Primeiro que não agrediria ninguém dessa forma. Segundo que nunca fui nem sou petista*, mas sou estudante de uma faculdade publica, casado com uma professora de universidade publica, e a ultima coisa que somos é vagabundos.

Não acredito em greves ou ocupações como saída real (na verdade ainda precisa surgir algum modelo pacifico, seguro e eficiente de resistencia politica-cidadã, eu, os demais estudantes e o mundo com certeza agradecerão boas sugestões!).

Mas sem duvida apatia, passividade, e resmungos interneticos nao podem vencer o rolo compressor que a maquina pública esta passando em cima das pessoas.

Desse modo, vejo as manifestações e reivindicações como legítimas, e torço para que mais brasileiros participem ou apoiem.

Em tempo, repudio vandalismos de toda a ordem. Inclusive xingamentos generalizantes como o da pessoa que atacou a mim e demais estudantes.

Segue aqui meu abraço de paz e o mesmo carinho de sempre para o meu amigo, a amiga dele, e todos vocês que me leem.

*   *   *

Arnaldo V. Carvalho, cidadão brasileiro, trabalhador e estudante, a acompanhar e participar ATIVAMENTE da sociedade em que vive e seus desafios.

* Notem bem, não é aí que está o xingamento! Não há problemas em ser ou em criticar o PT. Mas também não vale (para lado nenhum) vir com afirmações do tipo “petralha x coxinha”, como se ao adotar um lado tudo se santifica para este e tudo se demoniza para aquele. Não, não. Respeito as convicções políticas de cada um e, aliás, estou sempre aberto a ouvir os argumentos de quem defende ou adota posições fixas. Enfim, papo para outro momento, não cabe aqui nesse textinho! (Arnaldo)

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Shiatsu, Butô e a longa dança da vida

Por Arnaldo V. Carvalho*

Há vinte anos, pude ajudar a cuidar, mesmo que por poucos meses, da saúde do Dr. Mario Negreiros, renomado endocrinologista de Niterói.

Havia passado por uma experiência de dança, e lá fui apresentado por sua filha ao Butô, a dança contemporânea japonesa, repleta de significado, expressão profunda, transpessoal, além da pequenez da alma do indivíduo, aproximado a energia cósmica que faz a dança celeste do infinito enamorar-se dos sutis e profundos anseios intraterrenos da mãe natureza de nosso planeta.

Hoje me deparo com a notícia do falecimento do pai da arte Butô, Kazuo Ohno, aos 103 anos.

Junto com ela, palavras de Ohno, a própria dança traduzida na limitação linguística que nos habita.

A dança que mexeu comigo há mais de vinte anos é passada como um filme dentro de mim… Todos os pas de deux que vivi, toda a dança que dancei para e pela vida, todo o Shiatsu que se efetua no Kanji da dança (Odori), afixado na parede de meu consultório (arte Shodo original da mestra Kazuko Hagiwara).

Sou dança. Sou shiatsu. Sou butô. Sou Cosmos.

*   *   *

* Arnaldo V. Carvalho é professor de Shiatsu e faz dele seu Butô e seu Do.

 

 

 

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Kazuo Ohno: Mensagem ao Universo – 1998

Ohno

“Uma Mensagem ao Universo”

por Kazuo Ohno, 1998

TRADUÇÃO: Arnaldo V. Carvalho

“À beira da morte, as pessoas revisitam os momentos alegres de uma vida.

Seus olhos ficam olhando admirados para a palma  da mão, vendo a morte, vida, alegria e tristeza com uma sensação de tranquilidade.

Este estudo diário da alma, será este o início da jornada?

Sento-me perplexo no playground dos mortos. Aqui eu desejo dançar e dançar e dançar e dançar, a vida da grama selvagem.

Eu vejo a grama selvagem, eu sou a grama selvagem, eu me torno um com o universo. Essa metamorfose é a cosmologia e o estudo da alma.

Na abundância da natureza eu vejo as bases da dança. Será que é porque minha alma deseja fisicamente tocar a verdade?

Quando minha mãe estava morrendo eu acarinhei seu cabelo por toda a noite, sem conseguir emitir uma única palavra de conforto. Depois disso, percebi que não era eu quen estava cuidando dela, mas era ela quem estava cuidando de mim.

As palmas da mão de minha mãe são uma preciosa grama selvagem para mim.

Eu desejo dançar a dança da grama selvagem até o mais alto limite de meu coração”.

Ohno, 1998.

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Palavras de Chris Way acerca de Ohno e sua obra (publicado em janeiro de 2009)

I fico pensando sobre o que Ohno quis dizer. A dança da grama selvagem:  pode ser que aqui nós convergimos, se é que isso é possível, com a mãe uterina com a mãe natureza; com ambas ao mesmo tempo? Onde nós expressarmos criativamente (na dança, na arte, em sorrisos, no amor, no canto) tanto prazer na vida – “prazer” não como função da felicidade, mas simplesmente fluidez do sangue e expiração – que nós nos misturamos com a essência dentro de nós [nosso passado, nossos genes, nossa biologia] e externamente nós [nossos parceiros no solo, no ar, na terra, nas minúsculas celulas das menores das partículas; tudo o que também é nós, composto da mesma coisa que nós]?

Criatividade e expressão como atos de reconciliação radical entre nós mesmos e nós mesmos.

Oferecemos a melhor atenção possível a seu outono, já lamentando por seu fim após passarmos a primavera e o verão de nossa vida humana com ela, movimentando-a num desconfortável conjunto de gestos. Na realidade, ela é quem cuida de nós, e segue permitindo-nos viver e respirar, comer, e usufruir e sobreviver pela teia que, embora desgastada lentamente, permanece bem entrelaçada, com sua vitalidade conectando abelhas, flores, pássaros, vento, solo, sol, folhas, oxigênio, nós, nós.

Não há nada a fazer além de sentir isso na raiz.

Ser grama selvagem, mesmo que ela morra de novo, e que mais uma vez tombe nas ranhuras dos paralelepípedos, raízes lentamente brotando em lajes num crescente de prazerosa revolta.
Chris.

Ohno

FONTE: Blog Snail Crow, do Chris Way. O autor publicou isso em seu Blog um ano antes da morte de Ohno. Muito lindo, obrigado, Chris!

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O Rio de Janeiro está com suas finanças combalidas por uma farra fiscal que foi iniciada no início do primeiro mandato do agora aprisionado por grossas acusações de corrupção ex (des) governador Sérgio Cabral. Ao longo desse tempo as denúncias sobre irregularidades nas concessões, seja no montante ou nos recebedores das generosidades fiscais, eram sumariamente […]

via Justiça determina que (des) governo Pezão detalhe farra fiscal. Demorou por que? — Blog do Pedlowski

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Arnaldo V. Carvalho*

Há semanas, José Beltrame, o secretário de segurança com maior longevidade na história do Rio de Janeiro, concedeu uma entrevista de “despedida” em primeira mão para a TV Globo.

Resultado de imagem para beltrameBeltrame foi claro a comparar o Estado a um doente, chamando de “anestesia” as megaoperações que iniciaram a “era UPP“, e que por algum tempo reduziram parte da violência e criaram certo clima de estabilidade em muitas comunidades dominadas pelo crime.

“Se a cirurgia que deveria ocorrer após a anestesia ocorreu, e se foi bem feita ou não, isso aí é que tem que ser discutido”.

Suas palavras combinam com a do criador do projeto “Papo de Responsa” da Polícia Resultado de imagem para policial papo de responsa beto chavesCivil, o policial Beto Chaves. Em visita (de minha turma de faculdade) ao projeto, na Cidade da Polícia, ele nos disse: “O Estado deixou de aproveitar. Quem deve estar nessas comunidades não é a secretaria de segurança, mas a de educação, de saúde, de trabalho, e de esportes, cultura e lazer”. Com certeza!

Em suma, foi desperdiçada mais uma vez uma grande chance para o Rio de Janeiro transformar-se (o que faz parte do pacote de possibilidades positivas levantadas ainda no governo Cabral, tristemente roubadas de nós pelos meios mais diversos e escusos).

Essa foi uma esperança de alguns poucos, e a prática de nenhum dos governantes. O tempo da “anestesia” das UPPs do acabou, e a dor voltou aos cariocas, que estão acordando ainda de peito aberto.

* Arnaldo V. Carvalho, cidadão carioca

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