Eliminando o Humano

Em ensaio brilhante, David Byrne fala sobre o fim da interação humana e as reações que precisamos ter Já. Há muita gente comentando sobre o texto de Byrne, mas não encontrei tradução. Então, o fiz para a lingua portuguesa para facilitar a todos e podermos conversar sobre o tema. Há tanto a se conversar sobre o tema… De humano para humano (Arnaldo)

Eliminando o humano

Por David Byrne
Tradução de Arnaldo V. Carvalho

Estamos envolvidos – e imersos em – aplicativos e aparelhos que, silenciosamente, reduzem a quantidade de interação significativa que temos uns com os outros.

Eu tenho uma teoria de que muito do recente desenvolvimento e inovação tecnológica da última década ou mais tem um compromisso secreto: a possibilidade de um mundo com menos interação humana. Essa tendência é, eu suspeito, não uma falha – é uma característica. Poderíamos pensar que a Amazon é sobre fazer os livros ficarem disponíveis para nós que não conseguíamos encontrar localmente – e é verdade, e que ideia brilhante essa -, mas talvez ela também fosse um tanto a respeito da eliminação do contato humano.

É isso então, é a nova norma. A maioria das notícias tecnológicas com as quais somos bombardeados é sobre algoritmos, AI, robôs e carros auto-dirigidos, todos os quais se encaixam nesse padrão. Não estou dizendo que tais desenvolvimentos não são eficientes e convenientes; não é um julgamento. Estou simplesmente percebendo um padrão e me perguntando se, ao reconhecer esse padrão, podemos perceber que é apenas uma trajetória de muitos. Existem outras estradas possíveis por onde poderíamos seguir, e aquela em que estamos não é inevitável ou a única; Ela (possivelmente inconscientemente) foi escolhida.

Eu percebo que estou fazendo algumas suposições e generalizações radicais e loucas com essa proposta – mas eu posso dizer que estou, ou pelo menos estive, no grupo que se identificaria com o inconfesso desejo de limitar a interação humana. Eu cresci feliz, mas também vivenciei várias interações sociais extremamente desconfortáveis. Frequentemente, perguntei a mim mesmo se havia havia regras em algum lugar que não me contaram, regras que explicariam tudo para mim. Às vezes eu ainda tenho pormenores sociais “explicados” para mim. Frequentemente estou feliz de ir a um restaurante sozinho e ler. Eu não gostaria de ter que fazer isso o tempo todo, mas não tenho nenhum problema com isso – embora às vezes eu perceba olhares que dizem “pobre homem, ele não tem amigos”. Então, eu acredito que posso dizer algo sobre de onde esse impulso não falado pode vir.

A interação humana é muitas vezes percebida, na mentalidade de um engenheiro, como complicada, ineficiente, ruidosa e lenta. Parte do fazer algo “sem fricção” é colocar o lado humano fora do caminho. Não é que fazer um mundo para acomodar essa mentalidade seja “mau”, mas quando se tem tanto poder sobre o resto do mundo como o setor de tecnologia exerce sobre pessoas que podem não compartilhar essa visão de mundo, surge o risco de um estranho desequilíbrio. O mundo tecnológico é predominantemente masculino – muito mesmo. Testosterona combinada com uma diretiva de eliminar o máximo da interação com humanos reais possível pela causa da “simplicidade e eficiência” – monta a equação e esse é o futuro.

A EVIDÊNCIA

Aqui vão alguns exemplos de tecnologias de consumo bastante onipresentes que provêem uma menor interação humana.

Compras Online e entrega em casa: Compras on-line são trementamente convenientes. Amazon, FreshDirect, Instacart, etc. não apenas cortaram as interações nas livrarias e nas filas dos caixas; Eles eliminaram toda a interação humana dessas transações, excluindo as recomendações on-line (muitas vezes pagas).

Música digital: Downloads e streaming: não existe uma loja física, é claro, então não há nenhum daqueles esnobes funcionários que se acham os sabidões para lidar. Whew, você pode dizer. Alguns serviços oferecem recomendações algorítmicas, então você nem precisa discutir música com seus amigos para saber o que eles gostam. O serviço sabe o que eles gostam, e você também pode saber sem falar com eles. A função da música como um tipo de cola e lubrificante social também está sendo eliminada?

Aplicativos de transporte urbano: A interação é mínima: não é preciso dizer ao motorista o endereço ou a rota preferida, nem interagir se você não quiser.

Carros sem motorista: em um sentido, se você está fora com seus amigos, não ter um de vocês dirigindo, significa mais tempo para conversar. Ou beber. Muito bom. Mas a tecnologia sem motorista também tem como objetivo eliminar os motoristas de táxi, motoristas de caminhão, motoristas de entrega e muitos outros. Existem grandes vantagens para a eliminação de seres humanos aqui – teoricamente, as máquinas devem dirigir com mais segurança do que os seres humanos, então pode haver menos acidentes e fatalidades. As desvantagens incluem perda de emprego maciça. Mas esse é outro assunto. O que estou observando aqui é o consistente padrão de “eliminar o humano”.

Pagamento automatizado: a Eatsa é uma nova versão do Automat, um “restaurante” já popular, sem equipe visível. A loja de conveniências local tem treinado o pessoal para nos ajudar a aprender a usar as máquinas de pagamento que os substituirá. Ao mesmo tempo, estão treinando seus clientes para fazer o trabalho dos caixas.

A Amazon vem testando lojas – até mesmo supermercados! – com compras automatizadas. Eles são chamados de Amazon Go. A ideia é que os sensores saberão o que você pegou. Você pode simplesmente sair com as compras que serão cobradas na sua conta, sem qualquer contato humano.

IA: IA é freqüentemente (embora não sempre) melhor na tomada de decisões do que seres humanos. Em algumas áreas, podemos esperar isso. Por exemplo, a IA sugerirá a rota mais rápida em um mapa, representando o tráfego e a distância, enquanto nós, como humanos, estaríamos propensos a tomar nossa rota-já-experimentada-e-sabida. Mas algumas áreas onde a IA é menos esperada ser melhor do que os humanos estão igualmente se abrindo. Estão ficando melhores em detectar melanomas do que muitos médicos, por exemplo. Muito trabalho jurídico de rotina será feito em breve por programas de computador, e avaliações financeiras já estão sendo feitas por máquinas.

Força de trabalho automatizada: as fábricas cada vez mais têm menos trabalhadores humanos, o que significa que não há personalidades para lidar, sem agitação para horas extras e sem doenças. O uso de robôs evita a necessidade de um empregador pensar em seguros dos trabalhadores, saúde, segurança social, impostos indenização de demissão do trabalhador.

Assistentes pessoais: com um melhor reconhecimento de fala, pode-se conversar cada vez mais com uma máquina como Google Home ou Amazon Echo em vez de uma pessoa. As histórias divertidas abundam à medida que os erros são resolvidos. Uma criança diz: “Alexa, eu quero uma casa de bonecas” … e eis que os pais encontram uma em seu carrinho.

Big data: Melhorias e inovações no tratamento de grandes quantidades de dados significam que os padrões podem ser reconhecidos em nosso comportamento, onde eles não eram vistos anteriormente. Os dados parecem objetivos, então nós tendemos a confiar neles, e podemos muito bem vir a confiar mais nesse apanhado de dados pré-tratados mais do que em nós mesmos e em nossos colegas e amigos humanos.

Videogames (e realidade virtual): Sim, alguns jogos online são interativos. Mas a maioria é jogada em uma sala por uma pessoa conectada no jogo. A interação é virtual.

Compra e venda de estoque em alta velocidade automatizada: Uma máquina que cruza enormes quantidades de dados pode detectar tendências e padrões rapidamente e agir com mais rapidez do que uma pessoa pode.

MOOCS (cursos online abertos e massivos): educação on-line sem interação direta com professores.

Redes “sociais”: esta é uma interação social que não é realmente social. Enquanto o Facebook e outros freqüentemente afirmam oferecer conexão, e realmente oferecem a aparência disso, o fato é que muitas mídias sociais são uma simulação de conexão real.

QUAIS SÃO OS EFEITOS DE MENOS INTERAÇÃO? 

Minimizar a interação tem alguns efeitos impactantes – alguns deles bons, outros não. Exteriorizações da eficiência, alguém poderia dizer.

Para nós, como sociedade, menos contato e interação – interação real – parece levar a menos tolerância e compreensão da diferença, assim como mais inveja e antagonismo. Como já foi evidenciado recentemente, as mídias sociais realmente aumentam as divisões, amplificando efeitos de eco e permitindo que vivamos em bolhas cognitivas. Vamos alimentando o que já gostamos ou o que nossos amigos com preferências similares gostam (ou, mais comumente agora, o que alguém pagou para nós vermos em um anúncio que imita conteúdo). Desta forma, nós realmente nos tornamos menos conectados – exceto para aqueles em nosso grupo.

As redes sociais também são uma fonte de infelicidade. Um estudo realizado no início deste ano por dois cientistas sociais, Holly Shakya na UC San Diego e Nicholas Christakis em Yale, mostraram que quanto mais pessoas usam o Facebook, pior se sentem sobre suas vidas. Embora essas tecnologias afirmem nos conectar, o efeito certamente não desejado é que elas também nos separam e nos deixam tristes e invejosas.

Não estou dizendo que muitas dessas ferramentas, aplicativos e outras tecnologias não são extremamente convenientes, inteligentes e eficientes. Eu mesmo uso várias delas. Mas, em certo sentido, eles são contrários a quem somos como seres humanos.

Nós evoluímos como criaturas sociais, e nossa capacidade de cooperação é um dos grandes fatores de nosso sucesso. Eu argumentaria que a interação social e a cooperação, da natureza que faz com que nós sejamos quem somos, é algo que nossas ferramentas podem aumentar, mas não substituir.

Quando a interação se torna uma coisa estranha e desconhecida, então teremos mudado quem e o que somos enquanto espécie. Muitas vezes, nosso pensamento racional convence-nos de que nossa interação pode ser reduzida a uma série de decisões lógicas – mas nem mesmo estamos conscientes de várias das camadas e sutilezas dessas interações. Como os economistas comportamentais nos contarão, não nos comportamos racionalmente, mesmo que pensemos que sim. E os Bayesianos nos dirão que a interação é a forma como revisamos nossa imagem do que está acontecendo e o que acontecerá depois.

Eu argumentaria que também existe um perigo para a democracia. Menos interação, mesmo a interação casual, significa que se pode viver em uma bolha tribal – e sabemos onde isso leva.

É POSSÍVEL QUE MENOS A INTERAÇÃO HUMANA POSSA NOS SALVAR?

Os seres humanos são caprichosos, erráticos, emocionais, irracionais e tendenciosos no que às vezes parecem como jeitos contraproducentes. Muitas vezes parece que nossa natureza rápida e egoísta será a nossa queda. Há, ao que parece, muitas razões pelas quais tirar humanos da equação em muitos aspectos da vida pode ser uma coisa boa.

Mas eu argumentaria que, embora nossas várias tendências irracionais possam parecer inconvenientes, muitos desses atributos realmente funcionam a nosso favor. Muitas de nossas respostas emocionais evoluíram ao longo de milênios, e elas são baseadas na probabilidade de que elas, provavelmente, oferecerão a melhor maneira de lidar com uma situação.

O QUE NÓS SOMOS?

Antonio Damasio, um neutocientista da USC escreveu sobre um paciente chamado Elliot, que sofreu um traumatismo em seu lobo frontal que o tornou “desemocional”. Em todos os demais aspectos ele era ok – inteligente, saudável – mas emocionalmente ele era o Spock. Elliot não conseguia tomar decisões. Ele quebrava a cabeça infinitamente sobre os detalhes. Damasio concluiu que, embora pensemos que a tomada de decisões é racional e maquinista, são nossas emoções que nos permitem realmente decidir.

Com os seres humanos sendo um tanto imprevisíveis (bem, até que um algoritmo remova completamente essa ilusão), obtemos o benefício das surpresas, acasos felizes e conexões e intuições inesperadas. A interação, a cooperação e a colaboração com outros multiplica essas oportunidades.

Nós somos uma espécie social – nós nos beneficiamos de transmitir as descobertas, e nós nos beneficiamos com a nossa tendência de cooperar para alcançar o que não podemos estar sozinhos. Em seu livro Sapiens, Yuval Harari afirma que isso é o que nos permitiu ser tão bem-sucedido. Ele também afirma que essa cooperação foi muitas vezes facilitada pela capacidade de acreditar em “ficções”, como nações, dinheiro, religiões e instituições jurídicas. As máquinas não acreditam em ficções – ou ainda não, em todo caso. Isso não quer dizer que eles não nos superarão, mas se as máquinas são projetadas para se interessarem principalmente por elas mesmas, elas podem quebrar um obstáculo. E, entretanto, se menos interação humana nos permitir esquecer como cooperar, perderemos nossa vantagem.

Nossas eventualidades, inesperados e comportamentos singulares são divertidos – eles fazem a vida ser agradável. Eu me pergunto o que nos resta quando há cada vez menos interações humanas. Retire o humano da equação, e somos menos completos como pessoas e como sociedade.

“Nós” não existimos como indivíduos isolados. Nós, como indivíduos, somos habitantes de redes; Nós somos relacionamentos. É assim que prosperamos e florescemos.

David Byrne é músico e artista escocês residente em Nova Iorque; É conhecido no Brasil especialmente por ter liderado por anos a banda Talking Heads. Escreveu vários livros, e o seu mais recente é “How Music Works”. Uma versão desse texto apareceu originalmente em seu site, davidbyrne.com.

Escrito em 15 de agosto de 2017 e publicado eletronicamente no mês seguinte, pelo MIT em Technology Review.

Traduzido por Arnaldo V. Carvalho

Uma mensagem ao Universo

Kazuo Ohno: Mensagem ao Universo – 1998

Ohno

“Uma Mensagem ao Universo”

por Kazuo Ohno, 1998

TRADUÇÃO: Arnaldo V. Carvalho

“À beira da morte, as pessoas revisitam os momentos alegres de uma vida.

Seus olhos ficam olhando admirados para a palma  da mão, vendo a morte, vida, alegria e tristeza com uma sensação de tranquilidade.

Este estudo diário da alma, será este o início da jornada?

Sento-me perplexo no playground dos mortos. Aqui eu desejo dançar e dançar e dançar e dançar, a vida da grama selvagem.

Eu vejo a grama selvagem, eu sou a grama selvagem, eu me torno um com o universo. Essa metamorfose é a cosmologia e o estudo da alma.

Na abundância da natureza eu vejo as bases da dança. Será que é porque minha alma deseja fisicamente tocar a verdade?

Quando minha mãe estava morrendo eu acarinhei seu cabelo por toda a noite, sem conseguir emitir uma única palavra de conforto. Depois disso, percebi que não era eu quen estava cuidando dela, mas era ela quem estava cuidando de mim.

As palmas da mão de minha mãe são uma preciosa grama selvagem para mim.

Eu desejo dançar a dança da grama selvagem até o mais alto limite de meu coração”.

Ohno, 1998.

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Palavras de Chris Way acerca de Ohno e sua obra (publicado em janeiro de 2009)

I fico pensando sobre o que Ohno quis dizer. A dança da grama selvagem:  pode ser que aqui nós convergimos, se é que isso é possível, com a mãe uterina com a mãe natureza; com ambas ao mesmo tempo? Onde nós expressarmos criativamente (na dança, na arte, em sorrisos, no amor, no canto) tanto prazer na vida – “prazer” não como função da felicidade, mas simplesmente fluidez do sangue e expiração – que nós nos misturamos com a essência dentro de nós [nosso passado, nossos genes, nossa biologia] e externamente nós [nossos parceiros no solo, no ar, na terra, nas minúsculas celulas das menores das partículas; tudo o que também é nós, composto da mesma coisa que nós]?

Criatividade e expressão como atos de reconciliação radical entre nós mesmos e nós mesmos.

Oferecemos a melhor atenção possível a seu outono, já lamentando por seu fim após passarmos a primavera e o verão de nossa vida humana com ela, movimentando-a num desconfortável conjunto de gestos. Na realidade, ela é quem cuida de nós, e segue permitindo-nos viver e respirar, comer, e usufruir e sobreviver pela teia que, embora desgastada lentamente, permanece bem entrelaçada, com sua vitalidade conectando abelhas, flores, pássaros, vento, solo, sol, folhas, oxigênio, nós, nós.

Não há nada a fazer além de sentir isso na raiz.

Ser grama selvagem, mesmo que ela morra de novo, e que mais uma vez tombe nas ranhuras dos paralelepípedos, raízes lentamente brotando em lajes num crescente de prazerosa revolta.
Chris.

Ohno

FONTE: Blog Snail Crow, do Chris Way. O autor publicou isso em seu Blog um ano antes da morte de Ohno. Muito lindo, obrigado, Chris!

“Não sou um homem feito por mim mesmo”, diz Arnold

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Não sou fã de auto-ajuda, do “você pode ser tudo o que quiser”. Pelo contrário, cada vez mais, invisto em querer ser o que sou e tão somente o que sou (e isso obviamente passa pela descoberta gradativa de quem sou, um processo permanente e inerente a estar vivo).

E acho ótimo quando uma figura pública que faz tanta gente acreditar em sucesso por si mesmo vem e desconstroi esse tipo de ilusão. O mito do “self-made man“, do homem que se fez por si mesmo, sem depender ou precisar de ninguém já passou da validade há tempos.

Sobre isso, o famoso político, ator e fisiculturista Arnold Schwarzenegger escreveu muito bem, e mesmo que este meu ‘xará” austro-norteamericano tenha uma visão de mundo inversa a minha em muitos sentidos, aqui concordamos plenamente.

Ninguém se faz sozinho.

Convido o leitor à leitura do inspirador texto de Schwarzenegger, prefácio do livro “Tools of Titans” [Ferramentas de Titãs], de Tim Ferris (ainda não publicado no Brasil).

O original em inglês você encontra em: http://fourhourworkweek.com/2016/11/07/tools-of-titans-foreword-arnold-schwarzenegger-i-am-not-a-self-made-man/

Aqui, segue tradução livre de minha autoria. Boa leitura!

 (Arnaldo)

Não me fiz sozinho

Eu não sou um homem que me fiz sozinho, sem a ajuda de ninguém.

Toda vez que falo em uma conferência de negócios, ou com os estudantes universitários, ou respondo a perguntas para um site, alguém me diz isso.

“Governador / Governator* / Arnold / Arnie / Schwarzie / Schnitzel (dependendo de onde estou), como um homem que venceu por si próprio, qual é o seu modelo para o sucesso?

Eles ficam sempre chocados quando agradeço os elogios, mas digo: “Eu não me fiz sozinho. Tive muita ajuda”.

É verdade que cresci na Áustria sem água encanada. É verdade que me mudei para a América sozinho apenas minha bolsa de ginástica. E é verdade que eu trabalhei como pedreiro e investi em imóveis para me tornar um milionário antes de ter erguido a espada em Conan, o Bárbaro.

Mas não é verdade que me fiz sozinho. Como todo mundo, para chegar onde cheguei, me apoiei sobre os ombros de gigantes. Minha vida foi construída sobre uma base que inclui meus pais, treinadores e professores; De almas bondosas que emprestavam sofás ou os fundos de academias de ginástica, onde eu podia dormir; De mentores que compartilhavam sabedoria e conselhos; De ídolos de páginas de revista que me motivaram (e, à medida que subia na vida, interagindo pessoalmente com eles).

Eu vislumbrava algo grande para mim, e tinha fogo no estômago. Mas eu nunca teria chegado a lugar algum sem minha mãe me ajudar com minha lição de casa (e me beijar quando eu não estava pronto para estudar), sem meu pai me dizendo para “ser útil”, sem professores que explicaram como vender, ou sem treinadores que me ensinaram os fundamentos do levantamento de peso.

Se eu nunca tivesse visto uma revista com Reg Park na capa e tivesse lido sobre sua transição de Mr. Universo para a atuação em Hercules na tela grande, eu ainda poderia estar andando nos Alpes austríacos. Eu sabia que queria sair da Áustria, e eu sabia que a América era exatamente o lugar no qual eu pertencia, mas Reg ateou fogo no meu combustível, e me deu meu plano.

Joe Weider me trouxe para a América e me colocou debaixo de sua asa, promovendo a minha carreira como fisiculturista e ensinando-me sobre negócios. Lucille Ball me deu uma grande chance e me chamou para ator convidado em um especial que foi a minha primeira grande estreia em Hollywood. E em 2003, sem a ajuda de 4.206.284 californianos, eu nunca teria sido eleito governador do grande estado da Califórnia.

Então, como posso reivindicar ter me feito só por mim mesmo? Aceitar esse mito desconsideraria cada pessoa, e cada um dos conselhos que me fizeram chegar aqui. E daria a impressão errada – de que você consegue se fazer sozinho.

Eu não consegui. E a verdade é: você não pode tampouco.

Todos nós precisamos de combustível. Sem ajuda, conselhos e a inspiração de outros, as engrenagens de nossa mente param de funcionar, e ficamos bloqueados, sem nenhuma parte para ir. Fui abençoado por encontrar mentores e ídolos em cada passo da minha vida, e tive a sorte de conhecer muitos deles.

De Joe Weider a Nelson Mandela, de Mikhail Gorbachev a Muhammad Ali, de Andy Warhol a George H.W. Bush, eu nunca me furtei a buscar a sabedoria de outros para alimentar meu fogo.

Você provavelmente já ouviu os podcasts de Tim. (Eu recomendo particularmente aquele com o charmoso fisiculturista de sotaque austríaco). Ele usou sua plataforma para trazer a você a sabedoria de um elenco diversificado de personagens nos negócios, entretenimento e esportes. Aposto que você aprendeu algo com eles – e muitas vezes, aposto que sacou algo que nem esperava.

Quer se trate de uma rotina matinal, ou uma filosofia ou dica de treinamento, ou simplesmente motivação para atravessar o dia, não há uma pessoa neste planeta que não se beneficie de um pouco de ajuda externa. Eu sempre tratei o mundo como minha sala de aula, absorvendo lições e histórias para alimentar meu caminho. Espero que você faça o mesmo.

A pior coisa que você pode fazer é pensar que você ja sabe o bastante.

Nunca pare de aprender. Nunca.

É por isso que você comprou este livro. Você sabe que onde quer que esteja na vida, haverá momentos em que precisa de motivação e percepção externas. Haverá momentos em que você não tem a resposta, ou a direção, e é forçado a olhar para além de si mesmo.

Você pode admitir que não consegue fazer tudo sozinho. Eu certamente não consigo. Ninguém consegue.

Agora, vire a página e aprenda alguma coisa.

— Arnold Schwarzenegger

***

* Alusão a “Terminator” (filme protagonizado por personagem de Arnold Schwazzenegger)

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

SOU O SENHOR DO MEU DESTINO.

Gratidão eterna, Mandiba. (Arnaldo)

Invictus Por William Ernest Henley (1849-1903)

.

Out of the night that covers me,

Black as the pit from pole to pole,

I thank whatever gods may be

For my unconquerable soul.

.

In the fell clutch of circumstance

I have not winced nor cried aloud.

Under the bludgeonings of chance

My head is bloody, but unbowed.

.

Beyond this place of wrath and tears

Looms but the Horror of the shade,

And yet the menace of the years

Finds and shall find me unafraid.

.

It matters not how strait the gate,

How charged with punishment the scroll,

I am the master of my fate:

I am the captain of my soul.

Invictus

(Tradução de Arnaldo V. Carvalho)

.

Fora da noite que me encobre

Negra como um túmulo de ponta a ponta

Agradeço a quaisquer deuses que aqui possam estar

A favor de minha inconquistável alma

.

Na garra cruel da circunstância

Não me retraí nem me esgoelei,

Sob os golpes do acaso

Minha cabeça está ensanguentada, mas não se curvou

.

Para além deste lugar de lágrimas e cólera,

Tornam-se eminentes os horrores da sombra.

E permanece a ameaça dos anos,

Encontra-me e sem medo me encontrará.

.

Não importa quão estreito o portão

Quão carregado de castigo a sentença,

Eu sou o senhor de meu destino

Eu sou o capitão de minha alma.

MEMÓRIAS DE REICH: Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich


MEMÓRIAS DE REICH
Dr. Herskowitz relembra suas experiências com Wilhelm Reich

Tradução de Arnaldo V. Carvalho

 O Dr. Morton Herskowitz já não demora chega aos cem anos, e continua clinicando na Filadélfia. Nessa entrevista ele tinha 90 e relata várias memórias vividas com Reich. Boa leitura. Arnaldo

– A medida que se envelhece a memória fica menos aguçada. Então as coisas que eu lhe digo são as que melhor me lembro. Se eu cito Reich, pode não ser uma citação exata, porque depois de um longo período de tempo algumas coisas ficam alteradas. Mas eu dou a você minhas melhores memórias. Vou contar a você primeiro como eu cheguei na Orgonomia e como eu cheguei em Reich.

Um homem que era um estudioso nessa cidade quando eu estava na escola de medicina me disse – ele sabia que eu era interessado em psiquiatria – “Eu li um livro e acho que você se interessaria por ele”. E eu lhe disse: “Que livro é?”, e ele disse “Revolução Sexual, de Wilhelm Reich”. e eu respondi: “Ah, aquele cara, ele é pirado”. E ele disse: “Como você sabe que ele é pirado?”. Eu disse: “todo mundo sabe, é piradão!”. E ele disse: “Você não acha que devia ler o livro antes de dizer que ele é pirado?”. Soou-me razoável. Então eu li “Revolução Sexual”. E para pessoas que leem Revolução Sexual nos dias de hoje talvez não ele não provoque uma abertura da mente tão impressionante como provavelmente acontecia no tempo em que o li, bem no início dos anos 40. E naquela época eu estava pensando em ir fazer psicanálise e fui fazer compras próximo a um analista da cidade. E tinha tido cursos e ido a aulas de psicanalistas, mas até então eu sabia que eu ainda não tinha encontrado um em que pudesse confiar a mim mesmo para o trabalho.

E quando eu li “Revolução Sexual” lá estavam as respostas a tantas questões que eu tinha tido em meus estudos sem qualquer sucesso em encontrar respostas. Então “Revolução Sexual” foi um “abridor de mente” para mim, e depois dele eu li todos os livros de Reich disponíveis na época. E quando eu os terminei, eu pensei “esse é o homem com quem desejo fazer terapia”. Então liguei para Reich e ele estava em Forest Hills naquele momento, e nós marcamos uma sessão. E eu te digo: de tudo o que eu li a única coisa que eu não havia captado bem era o conceito de energia orgônica. Porque tendo sido treinado na ciência clássica, a energia orgônica era um conceito “selvagem”. Então planejei ir ver Reich deixando qualquer menção a energia orgone de fora da conversa. Porque a terapia que havia conhecido tinha sentido e eu queria fazer terapia com ele. Fui então ao seu consultório em Forest Hills no dia marcado.

PRIMEIRO ENCONTRO COM REICH

Naquele tempo, Reich vivia em Forest Hills, N.Y. Eu liguei e consegui um horário – isso era no final dos anos 40 – e fui ver o Dr. Reich. Ele vivia numa casa portentosa naquele tempo. então eu fui ao seu consultório em Forest Hills no dia da consulta. Minha primeira vista de Reich foi ele descendo as escadas do segundo andar; o feeling que qualquer um tinha era “esse homem é poderoso”, simplesmente pelo modo com que desce as escadas.

Você tem a sensação de que ele é uma usina de força. Então primeiro ele me perguntou: “Como você chegou aqui, o que você leu?”, e eu lhe disse que havia lido tudo o que estava disponível naquele momento. E a segunda pergunta foi: “O que você acha da energia orgone?” E eu disse: “Bem, parece muito estranha para mim”. E ele disse: “É claro que é estranho”. Ele disse: “Porque você foi treinado de uma maneira que é completamente diferente do modo como penso e da maneira com que as pesquisas sobre a energia orgone são dirigidas. E se você levar essa questão para trabalhar no laboratório, você fará os experimentos e vai descobrir por si mesmo se a energia orgone existe ou não.” E eu pensei que essa era uma resposta muito razoável. Por que de alguma maneira eu esperava que ele dissesse: “Não acredita na energia orgone? Então de o fora daqui!”. Mas ele foi muito razoável sobre isso. Minha impressão daquele homem era enorme, – minha primeira impressão era “este homem é uma usina de força”. Havia uma força nele que era inegavel. Então começamos a falar sobre meu histórico, treinamentos, o que eu havia lido, que sintomas eu tinha.

Então começamos a terapia. E um de seus recursos na terapia era: “você pode gastar quanto tempo quiser e eu posso coloca-lo para fora a qualquer hora que eu queira.” Isso também me pareceu razoável. Ficou imediatamente claro para mim que poderosa técnica era aquela. Ninguém que não tivesse estado em terapia poderia realmente apreciar por completo seu poder. Você deve te-la experienciado para verdadeiramente saber como funciona. Só você tendo experimentado para realmente saber o que acontece. E eu posso lembrar, que em muitas sessões em Forest Hills, cada vez que saia da sessão terapêutica e caminhava na direção do metrô, eu me sentia como nunca havia lembrado sentir. E flutuava. A terapia tornou-se muito mais importante do que eu havia assumido que fosse possível, porque até onde eu sabia, não estava mal emocionalmente. E por essa razão, presumia que a terapia era muito mais para propósito de treinamento. Inicialmente, a razão para buscar terapia foi principalmente para o propósito de treino, porque eu acredito que qualquer um que vai ser psiquiatra deve ter estado em terapia. Eu creio que qualquer um que vai para a psiquiatria deve estar em terapia. Então eu fiz aquele tipo de “aproximação acadêmica” a terapia. Mas estando na orgonoterapia, uma mente é rapidamente transformada. Porque coisas acontecem que você jamais poderia prever acontecer com você. Mas estando na Terapia Orgone, uma mente é rapidamente alterada, porque coisas acontecem que você jamais havia pressuposto acontecer com você.

O homem ele mesmo tinha uma força, uma energia, como ninguém que eu havia visto outrora.

Então em geral ela é uma experiência muito energizante [chocante].

INICIANDO A TERAPIA

Ele me disse, “Se eu estiver com você em terapia, você precisa concordar em assinar um papel dizendo que se eu quiser hospitalizar você, você será hospitalizado”. Eu não acreditava que aquilo poderia algum dia acontecer, mas eu pensei: “OK, eu assino”. De fato, ele nunca me deu um papel para eu assinar, eu nunca assinei papel nenhum. Ele também disse: “terapia é sempre provisória. Se eu decidir parar a terapia, ou se você decide parar a terapia, então assim será. Era um acordo provisório para nós dois, o que achei ser bem razoável. Outra coisa que ele disse foi: “Quando você vem para a terapia, você é paciente, não um trainee. Você é um paciente como qualquer outro paciente. Você pode tornar-se terapeuta, ou não. Nesse momento, você é um paciente”. Com o que eu concordei.

Ele tinha uma mente muito larga e era sempre sério. Ninguém falava trivialidade ou sobre pequenos lugares-comuns com Reich. Toda vez que alguém ia para uma sessão, endireitava-se emocionalmente e estava preparado para ser sério e tão profundo quanto conseguisse ser. Em terapia, eu entendi depois, que ele tinha um modo de lidar com os pacientes para como que mante-los fora de sua zona de conforto. Por exemplo, naquela época, eu pagava a ele $50.00 por uma sessão. Em uma de minhas sessões, ele disse que o atendimento passaria a custar $100.00 dali em diante. Eu disse “ok”, porque eu desejava pagar $200.00. Eu fui até sua esposa Ilse Ollendorf e dei a ela $100.00. Fui na sessão seguinte, e depois dela eu dei a Ms. Ollendorf os $100.00, e ela disse, , “Dr. Reich disse que o atendimento será $50.00 de agora em diante.” Então aquilo era um tipo de teste para ver se eu o achava valioso o suficiente para pagar $100.00 .

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REICH FORA DA TERAPIA

Nos seminários ele era muito duro com os médicos. Algumas vezes ele podia ficar tão furioso – ele tinha uma fúria tal como eu jamais havia visto na vida.

Nos seminários ele era muito rígido em suas posições. E ele algumas vezes ficava tão furioso – e isso era furioso como eu nunca vi. Uma vez eu lembro que nós estávamos do lado de fora da sala e ele ficou tão furioso conosco e uma tempestade surgiu. E eu posso crer que há uma conexão entre a intensidade de sua fúria e aquela tempestade. Porque eu nunca havia visto aquela fúria e o trovão veio tão rápido que eu pensei que ele podia influenciar a atmosfera. E ele também podia ser muito gentil, muito carismático. Me lembro particularmente de uma vez, no final de um seminário em Orgonon que durou mais ou menos uma semana, nós tivemos uma festa e dançamos até o fim. E pensei que aquilo era muito interessante, nunca havia visto Reich naquele papel. E eu lembro de uma moça dizendo: “Estou tão assustada para ir nessa coisa.” Ela nunca conheceu Reich. Ele era a essência do cavalheirismo europeu. Como ele fez tudo menos beijar as mãos das mulheres. Ele foi somente gentil e atencioso, simplesmente um cavalheiro perfeito nesse tipo de situação. Sabe, quando eu o vi naquela situação e pensei naquelas tempestades que eu havia visto nele… Não é como dizer a essas mulheres: “Você deve vê-lo de vez em quando, ele não age assim sempre.”

EXPERIENCIAS EM TERAPIA

Em outra ocasião, minha terapia ia lenta por mais ou menos um mês, nós estávamos num período de calmaria. Nada estava acontecendo, e ele disse para mim: “Você está morto. Como você algum dia pensou em ser um terapeuta? Não há vida em você. Você nunca será um terapeuta”. Fiquei chocado, porque eu pensei que estava indo bem até então, e eu estava no caminho (de me tornar um terapeuta orgone psiquiátrico). Daquele dia em diante, eu não sabia mais se ele ia dizer “você pode fazer terapia” ou você não pode fazer terapia, até que vários meses depois, quando ele disse: “por que você não pega um cliente e começa a trata-lo, vem e fala comigo sobre isso”. Eu pensei, “ALELUIA! Eu consegui!”.

Mas ele mantinha a pessoa desbalanceada como aquilo para manter as coisas se movendo, e ele estava furioso como nenhum fúria eu nunca havia visto. Agora ele nunca demonstrava isso para mim em terapia. Em terapia, algumas vezes podia ser impaciente, mas ele nunca ficava irritado comigo enquanto paciente. Mas quando um grupo de terapeutas se reuniam lhes encaminhavam suas questões ou discutiam algo, e ele não percebia ninguém nem próximo da resposta, ele podia ficar muito, muito furioso. Em terapia, ele era ao mesmo tempo muito, muito suave. Quem fazia terapia com ele tinha um sentimento de que era completamente compreendido como tudo o que se pudesse ter feito era aceito, exceto trapaça ou o tipo de coisa da camada superficial. Eu vou te dar um exemplo disso. Uma vez eu li o livro Casper Houser sobre a criação de um “menino lobo”. Reich e eu falávamos sobre o desenvolvimento infantil e todas as coisas que podiam ir errado no desenvolvimento de uma criança. Então eu pensei, “Eu vou para minha próxima sessão tendo indicado que li Casper Houser, livro no qual a maioria dos americanos não leu, ele vai ficar impressionado com meu aprendizado internacional”. Eu cheguei e comecei a falar de Casper Houser, e ele disse, “isso não é pertinente”. Seu olhar disse, “não tente me impressionar desse modo, é tolo, não seja mané de novo aqui”. Então eu aprendi aquela lição. Aquele tipo de coisa ele não tolerava. Um de meus hábitos quando eu censurava material era fazer “um, um”, que ele sempre imitava. Quando pessoas fazem isso, é um grande mecanismo de defesa. quando alguém invariavelmente se concentra em ficar fazendo isso, pode ser muito irritante. Isso é que eu aprendi e me fez parar de fazer “um” e, secundariamente, expressar alguma de minha ira na direção dele. Em geral, terapia é uma experiencia eletrizante.

No meio do processo da minha terapia, Reich se mudou para Orgonon, em Maine. E ele disse: “Estou me mudando para Maine, você quer ir em outro terapeuta por aqui?” e eu disse: “Não, estou indo para Maine!” Então no meio da minha terapia eu fui a cada semana seguinte. Eu dirigia até lá sexta a noite. Naquele tempo as estradas não eram nada parecidas com as super highways que agora te levam a Maine. Aquelas estradas eram horríveis. E eu guiava por toda a noite na sexta para estar em Orgonon ou próximo por volta das seis da manhã, dormia por duas horas e então ia para uma sessão no sábado de manhã, então tinha outra sessão no domingo de manhã e então dirigia de volta para casa. E no meio do inverno, quando as pessoas daqui do sul não podiam dirigir nas estradas, e nem as pessoas de Maine conseguiam dirigir aquele tipo de carrinho de neve (snow) – então normalmente eu voava até Augusta e pegava carona até Orgonon, porque havia sempre caminhões de madeira seguindo para lá, então você sempre conseguia uma carona até Orgonon. Sempre considerei isso uma aventura. Nunca vi aquilo com qualquer tipo de apreensão do tipo: “Oh, agora eu tenho que ir para Maine!”. Sempre aguardava pelo final de semana quando eu ia para Maine sem me preocupar que tempo fazia. E quando alguém tem um paciente que vive 30 milhas distante que diz: “O tempo está muito ruim, eu não consigo ir hoje”, Eu sinto como: “Você não merece terapia.” Há uma anedota interessante sobre dirigir para Maine. Um dia Reich me disse: “Quanto tempo você leva para dirigir da Filadélfia para cá?” E eu disse: “Oh um pouco mais que doze horas” E ele disse: “Leva doze horas de New York.” E eu disse “É mas eu dirijo bem rápido.” Então ele disse: “Você tem o direito arriscar sua vida, mas não tem o direito de colocar a vida dos outros em risco. Então a menos que você leve doze horas mais o tempo da Filadelfia a New York, não se preocupe mais em vir”. Então, depois daquilo eu dirigi mais devagar, o que me tomou 14 horas para chegar a Maine, ao invés de doze horas.

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Terapia com Reich como eu disse era de tirar o fôlego, houve momentos que era claramente atemorizante, e houve uma única vez que me veio a ideia de suicídio. Eu sabia que não queria fazer isso, mas por um curtíssimo período a ideia do suicídio entrou na minha cabeça. Isso foi depois de uma sessão com Reich e que foi uma experiência nova para mim, ter aquele tipo de sentimentos depressivos. Porque geralmente eu sou uma pessoa para cima. Não fico deprimido muito fácil. Em terapia, a coisa que era única em Reich era como ele sempre era extremamente preciso.

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Ele simplesmente tinha uma incrível sensibilidade e perspicácia. Ele sabia exatamente aonde o paciente estava e ele sabia exatamente o que fazer para evocar o que tinha de ser evocado naquele momento. E quando ele o fazia, frequentemente dizia: “Você nunca vai fazer isso bem.” Algumas vezes dizia: “Eu sou o único orgonomista. Ninguém mais pode realmente fazer terapia.” E comparado a Reich, era verdade.

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A essência da terapia com Reich era de total verdade. Ninguém poderia pensar em papo furado ou raso com Reich. Havia sempre uma atmosfera de seriedade profunda. Eu lembro, eu jogo tênis, Reich aparentemente jogara tênis também. E eu tenho um feeling de que adoraria jogar com ele, porque eu acho que poderia vence-lo, e eu adoraria vence-lo. Mas ele nunca me convidou para jogar tênis com ele, então eu nunca tive a oportunidade.

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Ah, eu me lembro de outro incidente. Quando você está em terapia, quando as transferências negativas começam a ocorrer você faz todo tipo de bobagens. Então eu lembro uma vez que antes da minha sessão eu estava no andar de baixo e Reich em sua sala de jantar. E eu ouvi ele dizer a Peter, seu filho: “Cale-se.” Aquilo foi “milho pro meu moinho”. Então quando nós tivemos minha sessão eu disse: “Eu ouvi você falando com Peter e ouvi você dizendo ‘cale-se’ urgentemente. E eu não acho que é assim que alguém deve falar com uma criança.” Então ele me deu uma aula sobre como falar com uma criança. De fato, “cale-se” era o jeito mais direto de atingir o que ele queria com Peter naquele momento. E eu meio que sabia porque ele fez aquilo. Mas você faz coisas, você tenta irrita-lo. Porque ele pegou você. E você tenta revidar.

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Outra vez eu ouvi o mais doce discurso entre ele e Peter. Peter queria saber porque soletra-se “knife” [faca] com “k”1. Ele disse que devia ser chamado “kneif” se você soletrar com “k”! Eu não lembro dos detalhes, mas Reich deu a ele o mais doce discurso sobre porque o “k” está na frente do “n” em “knife”. Esse tipo de coisa que estava quase aprendida mas que também o tipo de coisa que uma criança poderia compreender facilmente.

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Nós tivemos uma sessão que é interessante comentar: Eu vinha de uma série de sessões vocalizando algum cinismo. Eu o acusei de exagerar um pouquinho, acredito. Naquele momento havia um monte de rumores dizendo que Reich era psicótico, que eu reportava a ele como coisas que tinha ouvido. Não como se eu acreditasse neles, mas apenas para reportar a ele. Então eu cheguei para uma sessão e ele tinha um rifle a descansar sobre uma lareira na sala onde ele me tratava. Ele pegou o rifle, apontou para minha cabeça e disse: “Eu sou psicótico!” Eu caí na risada porque o que ele queria ver era se eu acreditava nessas histórias ou estava meramente reportando-as para ele. E caí na risada porque aquilo me pareceu tão divertido – a ideia de um terapeuta colocando uma arma na cabeça do paciente. E aquilo era o que ele precisava. Como ele riu também, e depois colocou a arma de volta. É assim que Reich ia a algo. Ele não fazia rodeios. Ele queria ver se você acreditava que ele estava maluco. Ele deu a você uma ampla chance de provar que você pensava que ele estava maluco. Outra coisa interessante era: você sabe que havia um monte de blablabla sobre Reich ter se tornado psicótico próximo ao fim da sua vida. E durante uma de minhas sessões um aeroplano voou acima da cabeça. E ele disse: “Eisenhower está mandando seus aeroplanos me observarem” e eu disse: “Não creio.” E lhe disse: “Esse lugar está simplesmente no itinerário de vôo padrão de um aviador que está sobrevoando este local”. E ele disse: “talvez, simplesmente observemos”. Agora, aquilo não era reação de um psicótico. Um psicótico diz: “Eisenhower está mandando um aeroplano para me observar” e eu digo: “não, senhor, eu penso que é apenas um avião ordinário seguindo seu roteiro padrão”., ele não diria “talvez você esteja certo”. Ele empunharia suas armas. E o negócio todo da psicose de Reich: e eu acredito mesmo que muitas das ideias que ele expressou mais para o fim de sua vida eram exageradas, sem solidez, não realistas, mas eu não atribuo isso a psicose. Atribuo aquilo ao tipo de pensamento que Reich teve por toda a sua vida. Eu acho que Reich realmente foi um dos verdadeiros gênios desse mundo. Acredito que pessoas como ele pensam explorando todo tipo de ideias que nunca foi visível para nós; eles impulsionam ideias além dos limites que nós poderíamos pensar. E por causa disso ele foi botando para fora tantas de suas ideias maravilhosas, mas junto dessas ideias maravilhosas havia também essas ideias estranhas, as quais nós que utilizamos apenas o senso comum e estamos sempre cuidando de sermos “corretos” não poderíamos trazer. Mas ele chegava naquilo, tanto em direção positiva como negativa. E eu penso na ideia de Eisenhower protege-lo era uma ideia exagerada na direção negativa. Mas era um tipo de pensamento.

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Um incidente do tipo de coisa que poderia acontecer com ele: uma vez ele escreveu um artigo no jornal e eu li o artigo do caminho da minha sessão. Ele me perguntou-me se eu tinha lido o tal artigo e eu disse que sim. E ele me perguntou o que eu achei. Eu disse a ele que fiquei muito impressionado, que aprendi muita coisa, etc. “Mas”, adicionei, “você cometeu alguns erros gramaticais muito ruins no seu inglês”. Ele me disse, “eu te peguei no meu avião, e te mostrei coisas que você nunca tinha visto antes, e você me diz, ‘ah é um belo vôo, mas você sabe que você instalou o assoalho incorretamente. Você não colocou direito os preguinhos no assoalho do seu avião”. Eu acho que Reich veio a essas áreas porque ele era um homem que usualmente pensava de maneiras que a maioria de nós não pensa.

O JULGAMENTO

Nunca conheci outro homem em minha vida com tamanha força e vontade e movimento e espírito. Reich sempre pensou-se a si mesmo como uma figura histórica. É interessante que, por exemplo, em seu julgamento, seu julgamento era praticamente uma farsa porque alguns juiz proferiu uma liminar que Reich desobedeceu claramente. Então o julgamento era: “Reich desobedeceu a liminar ou não?” Várias vezes ao longo do julgamento, Reich admitia que desobedeceu a liminar. Então ele foi dizer ao juiz porque desobedeceu a liminar. Por exemplo, a liminar dizia que Reich declarava que ele curou câncer em seu citado livro “Biopatia do Câncer”. Agora, em todos os casos citados no livro, o paciente morria. Obviamente as pessoas que prepararam esse caso contra Reich fizeram um trabalho muito pobre porque dizer que Reich declara que cura e o paciente morre no livro é idiota. Essa era a questão e Reich, ao invés de responder a liminar, enviou ao juiz todos os seus livros, o que era uma loucura. Você não espera que um juiz leia todos os seus livros, mas Reich sim. Reich dizia “leia isso e veja se essa liminar é válida”. Então ele foi a julgamento, e o julgamento foi terrível, porque Reich admitiu desobedecer a liminar, que foi a única coisa para a qual eles se atentaram.

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Houve algo mais que pensei. Oh isto diz sobre Reich. Eu estive em todo o julgamento em Maine. Um dia, no julgamento, as coisas estavam indo muito mal para Reich. Eu parei num corredor e pensei, “ele vai ser massacrado pelo jeito que o julgamento correu essa manhã”. E nessa sessão – era um momento de grande stress, todos os dias de julgamento eram um stress enorme -, num intervalo, estávamos por ali conversando e ele apontou para mim e disse: “chegue aqui, quero falar com você”. Então eu fui. Eu tinha escrito um artigo num dos jornais orgonômicos. E ele disse: “o jeito que você escreveu tal e tal coisa não ficou tão bom quanto você poderia ter escrito. Eu havia escrito um artigo sobre uma resenha de um dos livros do Reich que alguém havia feito. Um psiquiatra que resenhou um dos livros de Reich de maneira muito desfavorável; Eu escrevi sobre aquela resenha. Ele veio a mim após o final daquela terrível sessão na corte e disse, “”sabe esse artigo que você escreveu? Ele nos atingiu na cabeça com uma clava e você o golpeou o pulso.” Eu pensei, “Meu Deus, um dia como esse, quando você está para ir para prisão, e claro, tudo o que você pensa é que o artigo que eu escrevi foi muito suave com o resenhista.” [“Jesus Cristo. Aqui está este homem em defesa de sua vida e ele está preocupado em como eu coloco algo num artigo.”]2 E eu pensei que aquilo era realmente uma indicação de um homem, que aquele momento era tão importante para ele quanto como seu julgamento que estava correndo. Ele estava de fato em liberdade condicional, mas estava preocupado em como eu estava escrevendo um artigo. Aquele era Reich, bem como o fato de que ele era uma figura histórica que estava lutando pelo direito de um cientista desenvolver seu trabalho em paz.

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O fato de que a liminar era o problema, para ele, era nada mais que um pedaço de papel, um pedaço de papel sem importância, e ele não queria lidar com isso.

Durante o processo, eu fui um dos que estavam em desacordo com a maneira como ele estava conduzindo o julgamento. Eu achava que ele deveria ter um advogado conduzindo o seu caso ao invés dele conduzindo. Penso que ele deveria ter utilizado os argumentos jurídicos em vez dos argumentos que ele usou. O que não é a mesma que dizer que ele agia errado, porque ele se via como uma figura histórica que estava construindo um marco histórico. E para fazer isso é que ele conduziu o julgamento dessa maneira. Se eu estivesse na pele dele eu ia querer escapar da cadeia, eu ia querer ser livre, etc. Eu teria conduzido o julgamento numa base estritamente jurídica, porque os advogados disseram “Nós podemos vencer este caso para você. O caso é tão corriqueiro então quando você nos deixar fazer nosso papel nós podemos livra-lo disso.” Mas ele não deixava. Não era nada do que ele não fosse antes. E desde aquele tempo – Eu tinha sido advertido por pessoas que ensinavam o direito – que aquele caso era levado ocasionalmente as salas de aula com o caso em que o lado do FDA era tão fraco e o caso era presumivelmente tão puramente de um ponto de vista legal, que ele é praticamente como um caso clássico mal manejado. Eu nunca o vi depois que ele foi para a prisão. Houve poucos visitantes, e as únicas pessoas que o visitavam eram os de sua família direta. Então não tive mais contato com ele após a prisão.

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Tradução e Adaptação de Arnaldo V. Carvalho

Notas de tradução

1. kneif (faca) pronuncia-se “náif”.

2. As duas versões da entrevista são bastante diferentes em alguns pontos. Nesse momento da entrevista, preferi colocar entre colchetes o que seria a segunda versão do mesmo pensamento. Fica minha dúvida sobre o Dr. Herskowitz recontou a mesma história em entrevistas diferentes ou se houve transcrição com adaptação livre. A mesma emoção, palavras levemente diferentes.

Atenção: Essa é uma tradução livre, onde foram unificadas duas versões da mesma entrevista. As traduções não são autorizadas pelos proprietários que detém todos os seus direitos.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

 

Entrevista com Morton Herskowitz., pelo Orgonomic Video Archiv. esta entrevista foi gravada por John Joachim Trettin no verão de 1989 na residência de Morton Herskowitz, na Philadelphia. A página original onde ela está foi criada por Beate Freihold, que também tirou as fotos. Os direitos da entrevista são de John Joachim Trettin.

Dr. Morton Herskowitz – Um discípulo direto de Reich, ainda (bem) vivo!

Morton Herskowitz, Médico psiquiatra orgonomista, aos 90 anos – o último vivo treinado diretamente por Wilhelm Reich.

Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011.

Morton Herkowitz, D.O., na data da entrevista original

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Desde os tempos de Benjamin Franklin, a Filadélfia tem sido a Meca da Medicina nos Estados Unidos. Como um centro de aprendizagem e cultura, a cidade desenvolveu uma enorme diversidade de hospitais e escolas médicas como o a Philadelphia Osteopathic, Hahnemann Homeopathic, e o antigo Pennsylvania Hospital. Esse texto é parte de uma série de artigos destacando alguns dos notáveis praticantes da tradição deste lugar.

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Alto, magro e careca, Dr. Morton Herskowitz vem praticando psiquiatria em sua casa na Pine Street por quase 60 anos. Ele recentemente celebrou seu nonagésimo aniversário e continua trabalhando 40 horas por semana. E sim, ele bebe café e fuma durante seus intervalos. De onde ele tira sua longevidade? Ele segue suas próprias recomendações de saúde, dizendo aos seus pacientes de lembrar “o valor do exercício, sono suficiente, obter tanto prazer quanto possível, e evitar maus hábitos como beber e drogas”. Para insônia, ele acha que o remédio mais eficaz é um banho frio, e não uma pílula. Ele ainda joga tênis ocasionalmente, e começa sua manhã fazendo barras. “Infelizmente hoje em dia eu só consigo fazer uma, quando usualmente eu fazia cinco”, diz ele. Ele também caminha sempre que pode ao invés de usar carro, e sobe rapidamente as escadas de sua casa. Herskowitz diz que é especialista em férias. Ele recomenda a todos os seus pacientes que tirem férias, mesmo que curtas. Em seu mês de descanso no verão, ele curte pintar. Ele escolhe seus destinos de olho no melhor cenário. Recentemente, ele vendeu um número de suas aquarelas para levantar 10 mil dólares para a caridade. Outros originais decoram as paredes de sua sala de espera. Recortes amarelados com quadrinhos nova-iorquinos também estão pendurados ali para brincar com seus pacientes. Ele leva bem ser um médico das antigas mesmo na América do século XXI. Talvez porque sua esposa seja uma musicista aclamada, e não sua secretária, ele preenchia sua própria papelada burocrática até o ano passado. Ele tem visto muitas coisas irem e virem em seu tempo como médico. Osteopatia, ele diz, tornou-se mais largamente conhecido. O que normalmente era “um degrau acima do charlatanismo” agora é considerado mais holístico e em alguns casos preferível à medicina convencional. Para reformar o sistema de saúde americano, ele recomenda a redução da interferência do dinheiro na medicina. Eu sonho com os dias em que o usual era uma relação direta entre o médico e o paciente”, ele diz. “Todo médico aceitava aqueles que pagavam menos, ou que nem pagavam. Mais pessoas, especialmente mais pessoas pobres, tinham a possibilidade de receberem atendimento. A coisa era entre o médico e o desejo do paciente.

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A psiquiatria o atraiu para a profissão, mas ele adquiriu um background considerável quando anteriormente praticou por três anos como médico de família no bairro Strawberry Mansion. “Como psiquiatra, sou muito grato pelo tempo com prática familiar. Agora, quanto um paciente vem com problemas, eu tenho experiência.” Embora psiquiatras nesse dias tenham “medicamentos mais eficazes contra desordens”, e um melhor entendimento do funcionamento do cérebro, ele diz: “um grande ganho da base emocional é perdido quando a terapia se concentra nas drogas. É como se os psiquiatras buscassem legitimidade como médicos (ao prescreverem drogas) ao preço da perda da descoberta das raízes emocionais de várias doenças”.

DECLARAÇÕES DO DR.SOBRE A TERAPIA ORGÔNICA PSIQUIÁTRICA

– Orgonoterapia psiquiatrica não é para todos os pacientes. Há pessoas que vem me ver e percebem que não têm os recursos necessários para realizar o trabalho que é requerido em terapia, ou suas estruturas são tão frágeis para começar a ser mexidas, que eu encaminho-os para colegas que fazem somente terapia verbal. Todas as abordagens-padrão da psiquiatria são utilizadas na terapia orgônica psiquiatrica. Eu uso antidepressivos quando necessário e eu uso drogas neurolépticas quando necessário e eu faço tudo o que aprendi em meu treinamento profissional psiquiátrico quando eu trato um paciente. A diferença é que eu acho que tenho um leque de atividades e intervenções com a qual lido com os pacientes que muitos psicoterapeutas outros não têm. É muito típico para os nossos formandos em terapia orgônica psiquiátrica, que estão fazendo suas residências, nos dizer,”Estou tão feliz que eu tenho um arsenal maior do que essas pessoas têm.”

– Outra experiência interessante foi uma garota que tratei a longo tempo atrás. Ela era uma moça na case de seus vinte anos, não sabia nada de Freud, Reich, ninguém. Ela não sabia nada sobre psiquiatria, seu médico familiar me indicou para ela. Eu imaginei que ela fosse ser uma boa candidata a terapia, então fizemos a orgonoterapia. Ela saiu-se muito bem, e vários meses depois, ela veio e me disse: “quer saber?”, e eu disse, “o que?”, e ela disse: “eu tenho uma amiga que foi a um psiquiatra e tudo o que eles fazem é falar”. E essa é a diferença entre o que nós fazemos e o que a maioria das outras pessoas fazem. Do meu ponto de vista, o que a orgonoterapia me permite fazer é alcançar lugares com os pacientes que nenhuma outra terapia poderia me permitir e oferecer esse tipo de entrada que a terapia orgônica psiquiatrica faz.

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Dr. Morton Herskowitz vive na Filadélfia, EUA. Ele é osteopata e pratica Orgonoterapia, que foi desenvolvida por Wilhelm Reich. Foi o último terapeuta treinado pessoalmente por Wilhelm Reich. É o presidente do Institute Orgonomic Science e autor do livro “Emotional Armor – uma introdução a Orgonoterapia psiquiátrica” Dr. Morton Herskowitz falou em 1989 em seu consultório sobre sua experiencias com Wilhelm Reich e Orgonomy.

Matéria original:

http://www.examiner.com/health-in-philadelphia/secrets-to-longevity-profile-of-morton-herskowitz-d-o-at-90

  • Trecho de Matéria de 16 de outubro de 2008, traduzida por Arnaldo V. Carvalho em 2011.  A partir de duas versões diferentes da matéria e entrevista original, Arnaldo traduziu, compilou e redividiu os conteúdos de maneira a destacar as   ideias do Dr. Morton sobre psiquiatria e terapia orgônica, de suas memórias acerca do convívio profissional com Wilhelm Reich , disposta no link: 

Shiatsu na Wikipedia – Minha luta para assegurar a seriedade e clareza do verbete Shiatsu na maior enciclopédia do mundo

Por Arnaldo V. Carvalho

A primeira inscrição do verbete Shiatsu em português

Em 17 de janeiro de 2006 foi ao ar a primeira referência sobre Shiatsu, em português, pela Wikipedia, de autoria desconhecida.


Dessa pequena definição livre (cheia de erros e acertos) de um autor desconhecido, entrou para a história da Wiki a nossa querida técnica terapeutica.

Quem começou a dar forma mais completa ao verbete foi Edgard Magalhães, que escreveu e organizou a base de informação que seria utilizada até o presente data:

O texto Wiki de Edgard Magalhães para Shiatsu, em 2006

A última modificação antes da nossa foi feita por Leandro Martinez, que, tendo pego a página já bastante acrescida de dados, basicamente revisou os links de até então.

A partir desse momento, entrei para a equipe Wikipedia (2010) com o destino de fazer da versão brasileira a mais rica e organizada em informação sobre Shiatsu.  Após esse texto, foi feita por mim uma grande revisão, contando com 15 versões diferentes. Ele passou a seguir as tendências internacionais de indexação de informação sobre o Shiatsu (foram analisadas as versões do verbete para 6 línguas diferentes), e atualizado com informações sobre o Shiatsu no Brasil. Os textos possuem contribuições originais minhas como especialista da área, traduções oriundas dos verbetes estrangeiros, além de outras contribuições. Com isso, o verbete em português pode ser considerado um dos mais completos do mundo, um trabalho de esmero digno de Espasa Calpe ou dos melhores verbetes Wikipedia. Infelizmente, como já fez outras vezes com outras contribuições, Martinez repudiou minha contribuição. Dei entrada no pedido de discussão da Wikipedia, sem resultados ou argumentos plausíveis da parte deste. No ano seguinte, o verbete Shiatsu sofreu um “ataque da ignorância”: equipe envolvida com um projeto de indexar verbetes relacionados a medicina sugeriu fusão do termo Do-In com Shiatsu.A sugestão de fusão entre os verbetes Do-in e Shiatsu: Absurdo!Para o leigo, vale esclarecer que o Do-in tem origem na região central da atual China, enquanto que o Shiatsu tem origem no Japão. As práticas culturais de cura, luta, plantio, etc., etc., possuem uma história de transformações não sem intercâmbio entre os muitos povos, mas o Shiatsu tem conceito e história distintos do do-in, embora com vários pontos de tangência.

Pois bem, tendo sido eleito presidente da Associação Brasileira de Shiatsu no mesmo ano, requeri em Assembleia uma campanha para a vigia do verbete na Wikipedia, o que foi aprovado por unanimidade. Atualmente, o projeto está sendo ampliado para um grande Observatório do Shiatsu na Imprensa e Internet, que visa corrigir vícios, tendenciosismos e esclarecer aos leigos é aprendizes do Shiatsu sobre a técnica de modo abrangente e verdadeiro.

Exponho aqui a última tentativa de versão, efetuada hoje. Vamos ver o que será feito na Wiki, mas caso haja novas intervenções, ao menos o texto está salvo.

 Primeira parte do verbete Shiatsu atualizado

A página, que só no mês passado foi consultada mais de 4 mil vezes, tem potencial para muito mais. Convocamos a todos os professores e profissionais que se envolvam diretamente na construção da informação correta, imparcial e completa a toda a comunidade lusófona a respeito do Shiatsu, sua história, seus estilos e sua Arte de Cura.
Arnaldo V. Carvalho, praticante de Shiatsu desde 1993, professor desde 1999, membro da Associação Brasileira de Shiatsu
Scans do verbete: